quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A DEMOCRACIA NAS MALHAS DO POPULISMO É ISSO AI: MESSIANISMO AUTORITÁRIO, PRÁTICAS ESCUSAS E O MESMO JEITO DE FAZER POLÍTICA

Blog do Pedlowisk


Eu sei que a palavra "populismo" é tida como ofensa por muitos, especialmente por aqueles que praticam esta forma de fazer política. O populismo, ainda que não seja criação latino-americana, tem por aqui um peso significativo nas práticas que a maioria das forças partidárias realizam.  A causa disto não precisa ser procurada nas qualidades ou defeitos pessoais das lideranças que o utilizam para manter as "massas' presas num verdadeiro atoleiro social. 

O populismo é muito mais do que uma mostra de falta de caráter de seus praticantes. Esta forma de fazer política-partidária e de governar tem tudo a ver com aquilo que o sociólogo Florestan Fernandes alcunhava de  desenvolvimento heteronômico, que vem a ser uma forma particular pelo qual o avanço do Capitalismo no Brasil se deu de uma forma subordinada aos interesses do grande capital internacional, nos colocando numa forma de contínuo subdesenvolvimento. É neste quadro de dependência cultural e econômica que o populismo se estabelece e dissemina.

Se olharmos para a situação política e econômica de municípios como Campos dos Goytacazes e São João da Barra poderemos entender perfeitamente como a elaboração teórica de Florestan Fernandes ecoa nas práticas cotidianas das lideranças políticas.  Uma coisa comum entre as diferentes facções que se degladiam pelo poder é que as respostas sempre vêm de fora, seja através da Petrobras ou de Eike Batista. Aliás, no caso de Campos, a resposta já foi um dia a chegada da McDonald´s que foi associada pelo líder mór do populismo "made no Norte Fluminense" como uma demonstração de que o progresso havia finalmente chegado à planície outrora habitada pelos Goytacazes.

Mas, convenhamos, o ex-governador, atual deputado federal, e primeiro damo da cidade de Campos pode ser apenas o mais hábil dos populistas, mas está de longe de ser o único. Alás, o que eu mais vejo por aqui é gente que anda, fala e gesticula como populista, mas se ressente de não ter o mesmo carisma e a mesma lábia de Anthony Garotinho.  Mas se olharmos de uma distância até grande, veremos os mesmos traços das práticas que são condenadas em Garotinho, sendo abraçadas e praticadas pelos seus detratores.

Para mim uma marca indisfarçável do populismo é a ojeriza pela organização autônoma dos trabalhadores e da população em geral. Em função disto, tem muito sindicato por estas bandas em que os chefes e gerentes presidem os sindicatos de classe, o que deixa os sindicalizados na condição impossível de ir reclamar seus direitos no sindicato, sob pena do chefe ora travestido de sindicalista telefonar para a empresa e ordenar a confecção da carta de demissão por justa causa. E não pensem que isto só acontece em Campos, pois sei que isto também acontece na Eikelândia.

Outra característica singular do populismo é que seus lideres adoram ocupar o papel de Messias. Afinal, o messianismo político serve para que os seguidores se desvinculem da necessidade de analisar criticamente o que fazem seus líderes. E como muita gente aceita esse modelo de salvação em buscas de benesses, os reais perdedores são aqueles que ficam na ponta do sistema apenas sendo usados em períodos eleitorais para apertar o botão da urna eletrônica e decidir qual populista ocupará o poder por um determinado período. Mas a verdade é que sejam quais as diferenças que existam entre este e aquele "messias", o traço comum é a ojeriza ao pensamento crítico e à ação política autônoma.  E aquele paradigma defendido pelo Messias original de "dar a outra a face", isto então, nem pensar.

A questão é que o populismo só será ameaçado (pensar em acabar com ele deverá ser trabalho de várias gerações) por aqui quando tivermos lideranças que ousem se descolar de todos os líderes populistas para abraçar uma agenda de mudança verdadeira.  Do contrário, continuaremos condenados a ver as alternâncias de grupos populistas no poder e de sentir os efeitos de sua fome irrefreável sobre os bens de natureza coletiva.

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