quarta-feira, 18 de agosto de 2010

VIOLÊNCIA INOMINÁVEL

Azelea Robles*

Há algumas semanas foi descoberta na Colômbia de Uribe e Juan Manuel Santos uma fossa comum com 2.000 cadáveres por identificar, perto da cidade de Macarena. Uribe e o seu ex-ministro da Defesa e actual presidente, Juan Manuel Santos, têm de explicar o monstruoso crime, que políticos e meios de comunicação de todo o mundo procuram, cumplicemente, silenciar.

Na Colômbia descobriu-se recentemente a maior fossa comum da história contemporânea do continente americano, o que foi quase totalmente silenciado pelos mass-media da Colômbia e do mundo. A fossa comum contém os restos de, pelo menos, 2.000 pessoas, está em Macarena, departamento de Meta. Desde 2005 que o exército deslocado na zona, ali sepultou milhares de pessoas sem nome.

A população da região, alertado pelas filtrações putrefactas dos cadáveres para as nascentes das aguas de consumo, e fustigada pelos constantes desaparecimentos já tinha denunciado a existência da fossa por várias vezes, durante o ano de 2009: em vão, pois o ministério público não investigava. Foi graças à perseverança dos familiares de desaparecidos e à visita de uma delegação de sindicalistas e parlamentares britânicos que investigava a situação dos direitos humanos na Colômbia, em Dezembro de 2009, que se conseguiu destapar este crime horrendo cometido pelos agentes militares de um Estado que lhes garante a impunidade.

Trata-se da maior fossa comum do continente. Mais de dois mil corpos numa fossa comum é o assunto grave para o Estado colombiano, mas os seus media e os media internacionais, cúmplices do genocídio, encarregaram-se de o manter sob um quase absoluto silencio, sobre um facto que só encontra atrocidade parecida se recuarmos às fossas nazis…
Este silenciamento mediático está indubitavelmente ligado aos imensos recursos naturais da Colômbia e aos mega-negócios que ali são feitos sob os massacres.

A Comissão Asturiana dos Direitos Humanos, que visitou a Colômbia em Janeiro de 2010 ( menos de um mês após a descoberta da fossa) interrogou as autoridades sobre o assunto… e as respostas foram preocupantes: na Procuradoria, no ministério do Interior, na ONU… todos querem esconder o assunto. Entratanto, «trabalham» na fossa para a minimizar, mas a delegação britânica verificou-a e as mesmas autoridades reconheceram pelo menos 2.000 cadáveres. Em Dezembro, «o alcaide próximo do governo também denunciou o facto junto ao necrotério», mas depois o número de corpos NN…

A delegação asturiana denunciou a vontade ostensiva de alterar a cena do crime: «ali ninguém está protegido. Ninguém está a impedir que se possam disfarçar as provas. Que um tractor entre por ali afora, carregue os cadáveres anónimos e os leve para outro lugar» [1]. «Solicitamos às instituições responsáveis do governo e do Estado colombianos que implementem as medidas cautelares necessárias para assegurar as informações já registadas nos documentos oficiais, que tomem as medidas cautelares necessárias para defender o perímetro e prevenir a alteração da cena, a exumação ilegal dos cadáveres e a destruição do material probatório ali existente (…), fundamental para a criação de um Centro de investigação Forense em Macarena, a fim de conseguir a individualização e a identificação dos cadáveres NN ali sepultados» [2].

A delegação Asturiana transmitiu às autoridades outra denúncia. As autoridades alegaram desconhecimento e incapacidade operacional, pois «há tantas fossas comuns no nosso país que»… Trata-se do município de Argélia em Cauca: um “matadouro” de gente, onde as famílias não puderam ir buscar os corpos dos seus desaparecidos, pois os paramilitares não as deixaram regressar às suas comunidades: deslocaram os sobreviventes. As vítimas sobreviventes relataram: «havia pessoas amarradas a que açulavam cães famintos para as irem matando a pouco e pouco.»

Na Colômbia, a Estratégia Paramilitar do Estado Colombiano, combinada com a actuação dos polícias e dos paramilitares foi o instrumento de expansão dos latifúndios. O Estado colombiano fez desaparecer mais de 50.000 pessoas através de aparelhos oficiais (polícias e militares), e do seu aparelho encoberto: a sua Estratégia Paramilitar [3]. O Estado colombiano é o instrumento da oligarquia e das multinacionais para a sua guerra de classes contra a população: é o garante do saque, a Estratégia Paramilitar insere-se nessa lógica económica [4].

A invisibilização de uma fossa comum das dimensões da fossa de Macarena obedece aos negócios das multinacionais e das oligarquias e no facto da fossa ser o resultado de assassínios feitos directamente pelo exército nacional da Colômbia, o que é mais uma prova do carácter genocída do Estado colombiano, para além do presidente Uribe, cujos negócios e ligações com o narcotráfico e o paramilitarismo estão mais que comprovados [5]. A cumplicidade dos media é criminosa, tanto a nível nacional como internacional. Todos nós devemos romper a barreira de silencio com que se pretende ocultar o genocídio. É urgente um movimento de solidariedade internacional: a Colômbia é, indubitavelmente, um dos lugares do planeta em que o horror do capitalismo se plasma de forma mais evidente na sua violência mais absoluta.

Notas:


(4) Ver mais ssobre a fossa comum e o Terror Estatal:
www.lahaine.org/index.php?p=42954

* Jornalista, historiadora

Este texto foi publicado em www.kaosenlared.net

Tradução de José Paulo Gascão

terça-feira, 17 de agosto de 2010

UMA LÓGICA IRREFUTÁVEL


Os gurus do capitalismo “sabem perfeitamente que as reduções de salários, pensões e despesa pública, acrescentados à facilidade e à baixeza dos despedimentos e à subsequente precariedade, não criam emprego, nem tão pouco relançam a economia; ainda por cima, reconhecem-no publicamente. Utilizam o pretexto da racionalidade económica como cortina ideológica que encobre - sob a capa de cientismo - os seus interesses como classe dominante. Têm a consciência de que não podem deixar nem uma fresta aberta por onde os dominados - se se organizarem – os podem obrigar a capitular e a pagar as contas dos roubos, manipulações, enganos, artimanhas e demais delitos que conduziram a esta situação de crise.”

Na década dos noventa e em plena fabulação europeísta, economistas espanhóis integrados no status explicavam, sem equívocos, que o Tratado de Maastricht com os seus limites ao défice, era uma autêntica reforma constitucional pela via dos factos e à margem do Parlamento. E ainda se chegou a dizer que o sistema de Segurança Social «não devia ser demasiado generoso…outra coisa é o que diz a Constituição (que em todo o caso, não é um modelo de racionalidade económica)».

Quinze anos depois, Sarkozy pretende uma reforma que incorpore na sua constituição a obrigatoriedade de impedir o défice. Obama declarou algo semelhante. Rajoy aceitou-a sem rodeios e o Governo espanhol põem-na diligentemente em prática deixando à Constituição de 1978 em muitas más condições em matéria de Direitos Fundamentais.

Desde os quatro pontos cardiais em que se constituíram o FMI, a OCDE, a UE e o BCE que se insiste em realizar profundas e urgentes reformas laborais. Os governantes declaram perante os seus povos que se deve ganhar a confiança dos mercados (vocábulo exotérico com que se encobrem, escondem e se ocultam entidades tão concretas como bancos, financeiros, investidores, agiotas e governos que os acolhem no seu seio). Os poderes públicos aceitam aquela expressão de Tietmeyer quando foi presidente do Bundesbank: «os políticos devem acatar as decisões dos mercados». Onde está a Democracia?

Estes gurus sabem perfeitamente que as reduções de salários, pensões e despesa pública, acrescentados à facilidade e à baixeza dos despedimentos e à subsequente precariedade, não criam emprego, nem tão pouco relançam a economia; ainda por cima, reconhecem-no publicamente. Utilizam o pretexto da racionalidade económica como cortina ideológica que encobre - sob a capa de cientismo - os seus interesses como classe dominante. Têm a consciência de que não podem deixar nem uma fresta aberta por onde os dominados - se se organizarem – os poderem obrigar a capitular e a pagar as contas dos roubos, manipulações, enganos, artimanhas e demais delitos que conduziram a esta situação de crise. Querem deixar claro que não há alternativa ao seu poder, aos seus interesses, aos seus métodos e às suas montagens ideológicas. Conhecem melhor que ninguém que não há nada mais politico do que a Economia. Tratam que os outros não compreendam. Reconhecem, de facto, que existe a luta de classes e dedicam-se a ganhá-la sempre.

Isto tem sido possível por o mundo social, ideológico, sindical, político e ético, que diz representar os dominados, há já algum tempo que se alinhou com os valores e práticas do chamado pensamento débil, como a aceitação da lógica dos outros, apesar de esporádicos, débeis e inúteis protestos, de vez em quando. Pensem os leitores no apoio incondicional e acrítico de determinadas organizações e criadores de opinião ao processo de montagem de esta patuscada chamada UE. A lógica dominante carece, no momento actual, de um oponente estruturado e com suficiente entidade para exercer a réplica e a contra-proposta eficazes.

Porque uma lógica só se combate com outra diferente, de confronto, alternativa e organizada. Uma lógica que situe a ciência económica como um instrumento ao serviço das necessidades humanas e não como a realização absoluta de um logos externo e independente das decisões e vontades de cidadania.

Essa outra lógica, ligada à humanidade próxima e concreta, nega, consequentemente, todas e cada uma das três divindades do deus capitalismo. O mercado, a competitividade e o crescimento sustentável que, não só surgiram ao longo desta crise como mecanismos inúteis para a resolver, como também foram a causa dela e das anteriores. Mas além disso, a simples formulação de algumas delas, como é o caso da competitividade predicada para todas e cada uma das nações do planeta é, em si mesma, uma contradição insuperável ao extremo.

Está na hora de determinar decididamente a preeminência da Democracia, dos Direitos Humanos e da Carta da Terra. Esta contém valores, atitudes e propostas radicalmente diferentes às que, fracassadas, são reiteradamente maquilhadas como verdades inquestionáveis. Somente a partir duma lógica e práticas alternativas, conceitos como austeridade, racionalidade, planificação, eficiência, produtividade, solidariedade, sentido comum e ética cívica têm o seu significado exacto.

E não é uma questão de grandes declarações, mas de organizar-se toda a Europa para dar a resposta alternativa, continuada e estrategicamente organizada. As tentativas angustiadas de mobilização circunscrevem-se a cada país enquanto a agressão provém da UE no seu conjunto. Onde está a Confederação Europeia dos Sindicatos?

Recordemos como nos prolegómenos da 1ª Guerra Mundial, o patrioteirismo chauvinista arrastou muitas organizações operárias para uma loucura bélica que objectivamente não lhes dizia respeito. Agora, é preciso e urgente organizar o calhamaço sócio-político de uma Europa unida institucionalmente, com um orçamento comum digno de tal nome, uma fiscalidade partilhada, uma economia coordenada e uma só voz no concerto internacional. Isso não virá deles.

Se a ditadura dos mercados não é contestada, se a alienação economicista se assume com fé de carvoeiro ou se a docilidade e as inércias eleitoralistas, que esbatem o conflito essencial, não é esquecida, só nos restará a reedição das lágrimas de Boabdil de Granada

[1].Nota do tradutor:[1]: Foi o último rei mouro (Abu Abd Allah Muhammad ibn Ali) de Granada e que chorou quando abandonou a cidade para ir para o exílio].

* Júlio Anguita foi secretário-geral do Partido Comunista Espanhol

Este texto foi publicado em www.rebelion.org

Tradução de João Manuel Pinheiro

COMBATE AO TRABALHO ESCRAVO

O comitê popular de erradicação do trabalho escravo NF estará realizando o VII Seminário sobre trabalho escravo e o seminário pelo limite da propriedade da terra.
Data- 25 e 26 de agosto de 2010
Local - IFF Centro
Hora - 18h às 22h

Todos lá!

NÃO A CRIMINALIZAÇÃO DO PRESIDENTE DA ADUENF

Uma sindicância foi aberta contra a ADUENF na pessoa de seu Presidente Prof. Marcos Antônio Pedlowski. O motivo para abertura desta sindicância se deve a uma matéria publicada no Jornal da ADUENF em Novembro de 2009.
Esta é uma tentativa de criminalizar representantes da ADUENF através de ato administrativo cuja intenção é intimidar trabalhadores e sua representação sindical. É sem dúvida um instrumento de cerceamento da liberdade de expressão de uma categoria.
Não a criminalização do movimento de trabalhadores da UENF!
Respeito ao direito de expressão!

UENF EM GREVE

Amanhã, dia 18, às 14:30, a ADUENF (Associação de Docentes da Uenf) está convocando os estudantes, professores e técnicos da universidade para realizar ATO PÚBLICO em apoio aos servidores da instituição que estão em greve desde segunda-feira(16/08).
Dentre as reivindicações estão a recomposição salarial dos servidores da UENF e a manutenção do modelo de sua implantação em 1993.
A concentração será em frente ao monumento ao expedicionário e em seguida os manifestantes sairão em caminhada pelas ruas do Centro da cidade.

CARTA DA ADUENF AO GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Campos dos Goytacazes, 16 de Agosto de 2010.
Ao
Excelentíssimo Governador do Estado do Rio de Janeiro
Sr. Sergio de Oliveira Cabral
Palácio Guanabara
Av. Pinheiro Machado, S/N
Rio de Janeiro, RJ
Excelentíssimo Senhor Governador,
A Associação de Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (ADUENF) vem, ao longo dos últimos anos, buscando estabelecer um diálogo profícuo com Vossa Excelência assim como com outros órgãos do Executivo do seu Governo. Infelizmente, o pequeno diálogo realizado até o momento não promoveu qualquer avanço no tocante a uma das questões que hoje afligem todos os servidores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), ou seja, a recomposição das perdas salariais acumuladas apenas na última década.
O que mais tem chamado atenção em nossas inúmeras tentativas de negociação com Vossa Excelência é que constantemente temos sido rotulados de intransigentes e de que nosso pleito está totalmente fora da realidade. Pois bem, abaixo listamos todas as correspondências enviadas ao Palácio Laranjeiras e entre elas consta a solicitação de racionalização dos valores salariais entregue a Vossa Excelência há um bom tempo. A análise da seqüência destas correspondências não nos permite admitir este tipo de rótulo e mais, demonstra que nossos salários estão totalmente fora da realidade das universidades federais e mais, compromete negativamente o Projeto de Universidade realizado pelo saudoso professor Darcy Ribeiro. Como Vossa Excelência já deve ter conhecimento, Darcy Ribeiro idealizou a UENF composta por um corpo docente com 100% professores doutores atuando em regime de Dedicação Exclusiva. A UENF foi a primeira universidade brasileira a ser criada com este perfil, e a degradação salarial hoje existente não mais torna atrativa a vinda de jovens pesquisadores, e menos ainda de pesquisadores seniores. Neste sentido é importante, mais uma vez, ressaltar que a manutenção deste modelo de sucesso, e agora copiado para algumas instituições no Brasil, a exemplo da Universidade Federal do ABC, passa pela manutenção sine qua nonde seu modelo conceitual.
A seguir, listamos os documentos que foram enviados a Vossa Excelência, a saber:
1. Envio de diversas correspondências ao Exmo. Senhor Governador do Estado do Rio de Janeiro e a Secretaria de Ciência e Tecnologia solicitando a abertura de negociações.
2. Entrega de abaixo-assinado Exmo. Senhor Governador do Estado do Rio de Janeiro contendo 160 assinaturas de docentes da UENF em apoio à reposição de 82% das perdas salariais. Este documento foi protocolado no Palácio Guanabara.
3. Participamos em quatro audiências publicas na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) onde foi apresentada a pauta de reivindicações dos professores da ADUENF.
4. Participação em duas rodadas de negociações na ALERJ em torno da extensão dos 22% de reposição aos docentes da UENF e da UERJ.
Estas duas últimas ações novamente têm sido usadas para rotular nossa associação negativamente, afirmando que nos aproximamos da oposição, e isto teria sido um equívoco de procedimento nas negociações junto ao Estado. No entanto, foi exatamente esta mesma comissão, que possibilitou a negociação dentro da ALERJ, que garantiu os recursos que estão sendo utilizados na construção do restaurante universitário, e para esta finalidade, com as mesmas pessoas, não houve qualquer tipo de associação negativa.
O fato é que, Exmo. Senhor Governador do Estado do Rio de Janeiro, este se apresenta como o momento de abrirmos uma linha de negociação, pois a comunidade universitária em assembléia geral das categorias, em face do que é amplamente percebido como sendo um total descaso do Vosso Governo, decretou Greve por Tempo Indeterminado a partir do dia 16 de agosto de 2010, data esta que marca o 17º aniversário da Universidade Estadual do Norte Fluminense. Deste modo, solicitamos respeitosamente que Vossa Senhoria nos indique as autoridades de seu governo com as quais os sindicatos representativos da UENFdeverão se reunir para garantir que este movimento grevista seja o mais breve possível, mas que alcance soluções duradouras para os graves problemas salariais que já causaram (segundo dados da Reitoria da UENF) uma evasão de 20% dos docentes da instituição, atraídos por melhores condições salariais nas instituições federais de ensino superior. Neste sentido, informamos que o salário inicial de um professor doutor, de 40 horas, em regime dedicação exclusiva, é atualmente 33% superior nas universidades federais ao que é praticado na UENF, e deverá aumentar ainda mais até meados de 2011 graças a uma política sustentada de recuperação salarial adotada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Finalmente, o Comando de Greve da ADUENF vem convidá-lo a que aproveite o atual período eleitoral para que compareça ao campus Leonel Brizola para que possamos ouvir diretamente de Vossa Excelência quais são as propostas e planos que constam em Vossa plataforma de governo no tocante ao sistema estadual de ensino superior que expressa, em seu âmago, a política de desenvolvimento pretendida para o Estado do Rio de Janeiro. Acreditamos que esta seria uma excelente oportunidade para estabelecermos canais de diálogo que tornem desnecessários a quebra da normalidade institucional dentro da UENF, que também acreditamos ser um interesse comum de Vosso Governo e de todos os membros da comunidade universitária da instituição idealizada por Darcy Ribeiro, e que hoje já se transformou num importante instrumento para o desenvolvimento científico e tecnológico não apenas do estado do Rio de Janeiro, mas de todo o Brasil.
Sendo o que se apresenta para o momento, despedimo-nos no aguardo de Vossa pronta manifestação.
Atenciosamente,
Em nome do Comando de Greve
Prof. Marcos A. Pedlowski
Presidente

sábado, 14 de agosto de 2010

A DITADURA BURGUESA

A democracia burguesa, dentre suas muitas fissuras, evidencia no momento eleitoral suas nuances de ditadura.

Estamos num período eleitoral em que a grande mídia ousa determinar o que o eleitor deve ter de informação em relação aos candidatos e suas propostas tanto para Governador como para Presidente da República. Pior ainda é "eleger" com caráter excludente os candidatos para participar dos debates e entrevistas, que são sem dúvida aqueles que correspondem aos seus interesses . Eles privelegiam candidatos em detrimento de outros ferindo o direito do eleitor de fazer uma avaliação das propostas de cada candidato. Este é apenas um aspecto da ditadura burguesa.

PESQUISA DATAFOLHA

Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (13) com as intenções de voto na disputa pelo governo estadual do Rio de Janeiro.


Sérgio Cabral (PMDB) 57%
Gabeira (PV) 14%
Eduardo Serra (PCB) 3%
Cyro Garcia (PSTU) 2%
Fernando Peregrino (PR) 1%
Jefferson Moura (PSOL) 1%
Indecisos 14%
Brancos e nulos 8%
A pesquisa Datafolha foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal "Folha de S.Paulo". As 1.246 entrevistas foram realizadas entre terça (9) e quinta (12) em 29 municípios.
A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.
A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

AGENDA ALTERADA

A agenda do candidato a governador do estado do Rio de Janeiro Eduardo Serra (PCB) que deveria ter chegado à Campos na manhã de hoje sofreu uma pequena alteração.

Eduardo Serra (PCB) deverá chegar à Campos hoje algo em torno das 18 horas já que foi impedido de sair do Rio hoje cedo por motivo alheio a sua vontade.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

QUEM PAGOU ESTA CONTA II?

O JORNAL EXTRA de ontem(10/12), na coluna de Berenice Seara estava assim:

"Pertinho...

*Ontem, um caminhão com placa de Campos desembarcou na Cinelândia com as estruturas metálicas do palco do comício do (...) que acontece hoje.

Perguntinha

* Não seria mais fácil (e, quem sabe, mais barato) alugar o material aqui, em vez de trazer lá do Norte do estado?

Coincidência

* A empresa é a mesma responsável pela estrutura do show da agropecuária de Campos este ano..."

Coincidência?! Ah, tá! Sim ...sei!!!

QUEM PAGOU ESTA CONTA?

De acordo com informações do blog do Cláudio Andrade ontem próximo de Ururaí "alguns ônibus foram retidos pela Polícia Federal na BR 101. Segundo informações dois deles foram conduzidos para a sede da Polícia federal de Campos. Aguns passageiros foram interrogados, CPFs e nomes cadastrados pelos agentes e uma pessoa foi detida e encontrava-se nas dependência da polícia até hoje pela manhã."

Este blog recebeu informações complementares dando conta que no dia de ontem muitos ônibus partiram de Campos em direção ao Rio de Janeiro levando funcionários terceirizados e contratados da prefeitura de Campos para participar de evento politíco.

Como se não bastasse o abuso, estes funcionários foram obrigados a participar da atividade politíca pressionados nada mais nada menos pelos ocupantes dos cargos de confiança do governo municipal. Dentre estes posso destacar os da diretora da E.M. Cláudia Almeida, Olivía e da E.M.Farol de São Thomé Cenilda, ambas responsáveis pela mobilização naquela localidade. Não foi por acaso que a rodoviária do Farol ontem ficou com grande concentração de pessoas a espera do ônibus fretado especialmente para a ocasião.

Essa é mais uma evidência do triste papel que cumprem as diretoras de escolas indicadas por vereadores.

ÌNDICE DE VALORES HUMANOS MEDE DESENVOLVIMENTO

Indicador novo avalia satisfação de brasileiros com educação, saúde e trabalho. Brasil tem nota 0,59, em escala de 0 a 1

Renata Camargo

O Programa nas Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) lançou nesta terça-feira (10) um novo índice para medir o desenvolvimento no Brasil. O Índice de Valores Humanos (IVH), indicador inédito no mundo, vai mostrar a satisfação dos brasileiros em relação à saúde, educação e trabalho. A iniciativa segue na mesma linha da proposta de emenda à Constituição que pretende incluir na Carta Maior o direito à felicidade. Numa escala de 0 a 1, o Brasil obteve um IVH de 0,59.

“Formalmente o índice de valores e o índice de felicidade não têm nada a ver. Mas a gente faz parte do mesmo movimento de pensar no desenvolvimento humano com qualidade. Há vários pontos em comum: a ideia de pensar os processos, de envolver as pessoas, de pensar multidimensionalmente. Essa busca por qualidade é sinal do tempo que a gente está vivendo”, disse o coordenador do Relatório do Desenvolvimento Humano (RDH) brasileiro, Flávio Comim, responsável pelo IVH.

Leia mais sobre a PEC da Felicidade

Para Comim, a mensagem principal do relatório do IVH é que políticas de valor – ou seja, aquelas que envolvem estratégias de formação ou de mudança de valores – são importantes para a melhoria da qualidade da educação, da saúde, das relações no trabalho e fundamentais para reduzir a violência no país. Segundo o coordenador, o índice não terá apenas o objetivo de traçar recomendação para elaborar políticas públicas governamentais, como também servirá de base para o dia-a-dia do cidadão.

“Com o IVH, nós damos aos cidadãos as informações para que eles possam saber o que demandar e como atuar. Na prática, o que fazemos é uma sistematização de algo que a gente já sabe, só que nunca foi dito que valores são importantes”, disse Flávio. “É importante salientar que, quando falamos de políticas de valor, não estamos falando de grandes políticas governamentais, mas da política do dia-a-dia que o cidadão faz para melhorar a educação, a saúde e o ambiente de trabalho”.

Tempo na fila

O tempo de espera de atendimento em postos de saúde é elevado? Qual o grau de prazer e de sofrimento no trabalho? Há respeito, tolerância e responsabilidade na escola? A educação serve apenas para abrir portas no mercado de trabalho ou serve para formar bons cidadãos? A resposta para essas e outras perguntas podem ser encontradas a partir da pesquisa do Índice de Valores Humanos.

Para elaborar o IVH, o PNUD realizou uma pesquisa com 2002 pessoas, em 148 cidades do país, em 24 estados. Foram aplicados questionários que pediam o relato das vivências pessoas de cada um na saúde, na educação e no trabalho. O principal resultado da pesquisa mostra que o IVH do Sul e do Sudeste do país é superior ao IVH do Norte e do Norte do país, onde os brasileiros esbarram em mais dificuldades.

“O baixo valor da região Norte pode ser atribuído principalmente à dimensão de saúde: o IVH-S da região Norte é de apenas 0,31, valor 0,14 pontos inferior à média nacional, indicando piores vivências dessa população com o seu sistema de saúde. Essas piores vivências são um indicativo de baixos níveis de respeito nos processos de busca por saúde”, revela o relatório do PNUD.

De acordo com a pesquisa, 66,9% dos entrevistados consideraram o atendimento de saúde demorado na região Norte. Na região Sudeste, esse percentual é de 43,1%. Proporções semelhantes aparecem no indicador de valores humanos na dimensão da educação. Segundo o PNUD, 40,4% dos entrevistados no Norte do país consideram que educação serve para ingressar no mercado de trabalho, enquanto a maioria dos entrevistados nas demais regiões do país consideram a educação importante para formar bons cidadãos.

“Pensar valores e pensar desenvolvimento de maneira nenhuma tira a importância dos recursos que se deve aplicar na saúde, na educação e na própria promoção do crescimento econômico do país. Quando um professor decide chamar o aluno por um número e não pelo nome, isso não depende de recursos. Da mesma forma, quando um chefe insulta ou ofender seu empregado. Pensar valor é pensar a qualidade na qual esses valores influenciam na vida das pessoas”, concluiu Flávio Comim.

PRINCIPAIS NÚMEROS
Resultado da avaliação do IVH no Brasil

No Brasil
IVH geral = 0,59
IVH da Saúde =0,45
IVH da Educação = 0,54
IVH do Trabalho = 0,79

O IVH geral das regiões
Sudeste = 0,62
Sul = 0,62
Centro-oeste = 0,58
Nordeste = 0,56
Norte =0,50
Média do Brasil = 0,59

Leia aqui os resultados preliminares do relatório do Índice de Valores Humanos do PNUD

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

CONVITE

O Partido Comunista Comunista Brasileiro tem o prazer de convidar os militantes, simpatizantes e amigos para a seguinte programação:

- dia 12/08:

* a partir das 9h caminhada e panfletagem na área central da cidade (calçadão) com o candidato a Governador do Estado Eduardo Serra e com a candidata a deputada estadual Graciete Santana;

*a partir das 15h caminhada e panfletagem no calçadão com os candidatos Eduardo Serra e Graciete Santana;

*19h reunião no Clube Náutico no Farol de São Thomé com Eduardo Serra e Graciete Santana;

- dia 13/08:

* a partir das 9h da manhã caminhada e panfletagem no calçadão com o candidato a Presidência da República Ivan Pinheiro, a governador Eduardo Serra, deputado federal Hiran Roedel e a deputada estadual Graciete Santana;

* a partir das 15h caminhada e panfletagem no calçadão com os candidatos do PCB;

*19h reunião com os candidatos do PCB no Sindicato dos Bancários.

Contamos com a presença de todos.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

OXIGENANDO OS QUADROS DA PREFEITURA DE CAMPOS

No início desta semana li num blog que o Prefeito Nelson Nahin recebeu por parte de um vereador a sugestão de substituir dois secretários por não contribuirem em nada para a solução de problemas em suas pastas.

Penso que além destes é necessário mudar mais um quadro responsável por travar a máquina administrativa tanto por fidelidade ao antigo "patrão" como para mostrar serviço as custas do sacrifício alheio.

O nome em questão é o mentor intelectual, a título de economia, do fechamento de aproximadamente 20 escolas municipais localizadas na área rural, numa demonstração clara de insensibilidade em relação a educação pública.

Além disto, há indícios de que este mesmo quadro da governo municipal se enaltece com os demonstrativos que apresenta com "economia" de gastos públicos, só se esquece de dizer que a queda dos números são em decorrência do não pagamento aos prestadores de serviços na área de transportes e outros à Prefeitura de Campos. Tem prestador de serviço que não recebe há quatro, cinco meses consecutivos.

A pergunta que não quer calar é: desde quando fechar escola e ficar devendo aos outros é sinônimo de economia?

Segundo corre a boca pequena o nome dele é SULEDIL BELARMINO.

OPORTUNISTAS DE PLANTÃO

O blog DIGNIDADE...traz um post onde deixa claro a ação de oportunistas de plantão. Aliás, o comportamento destes são perfeitamente previsíveis. O que interessa é estar bem com o poder constituído, posando para foto e tudo mais. Para estes não importa o palanque desde que faça parte dele.
Pessoas assim desconhecem o significado da palavra ideologia, pois os interesses pessoais estão acima de qualquer coisa.
A vereadora Odisséia é um dentre muitos exemplos deste jogo de interesses pessoais e protagonista em evidência da política equivocada que pauta suas ações.
Leia o que diz DIGNIDADE...
"em uma inauguração do Centro de Referência da Assistência Social (Cras) do Parque Guarús, a vereadora Odisséia, teria sido vaiada após declarar que a população de Campos não estaria sentindo saudades da prefeita cassada Rosinha Garotinho.
Pois bem, a vereadora Odisséia parece estar acendendo uma vela a Deus e outra ao diabo, dias atrás a mesma participava de encontros que buscam uma nova alternativa política para Campos dos Goytacazes, onde o debate girou em torno de uma ruptura do modelo de gestão pública dos últimos 20 anos onde criador e suas criaturas se revezam no poder, administrando a cidade conforme seus interesses e ontem, a mesma estava no palanque prestigiando aqueles que estão dando continuidade ao modelo de gestão tão criticado.
Algum tempo atrás este blogueiro falou que faltava assessoria à vereadora Odisséia, mas parece também que falta inteligência e experiência política, onde erros primários são cometidos pela nobre vereadora constantemente.
Entendam:
Guarus é reduto eleitoral de quatro vereadores que dão sustentação a este governo, Magal, Kellinho, Altamir Barbara e Albertinho, que exaltam a prefeita cassada Rosinha a todo tempo, aí me aparece a vereadora Odisséia em um palanque que contradiz seus discursos e critica o ídolo daquele pessoal que ali se fazia presente na inauguração do CRAS.
Ingenuidade, contradição, falta de experiência e de assessoria?... Podemos dizer que tudo e mais um pouco, até porque a vereadora parece estar atirando para qualquer lado para tentar estar em visibilidade a qualquer preço.
Podemos sim dizer que o clima da cidade pode ser outro, mas também sabemos que este clima é passageiro, e o fogo logo irá nos consumir novamente, pois a mudança de prefeito não significa mudança e sim continuidade do que já havia sendo realizado com assinatura diferente.
A nobre vereadora Odisséia tem que descer do muro e decidir a quem realmente dedica as velas que ascende, a Deus ou ao diabo."

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A CRISE DA CLASSE MÉDIA AMERICANA

ttexto enviado por Luis Cláudio Duarte

Cada vez mais me convenço que Clio [a musa grega da História] é mui vingativa e que a vingança tem realmente um sabor doce. Se os ianques não fossem em geral tão boçais [e o analista mais radial na análise] eles fariam como os europeus para entender as causas estruturais, mais profundas, do que lhes acontece: lançar-se-iam também na corrida para comprar e ler O Capital [que na Europa tem batido recordes de venda, especialmente na Alemanha]. A macro explicação para o fenômeno analisado, especialmente para o que está marcado em verde escuro encontra-se lá, no capítulo XXIV: A Lei Geral da Acumulação Capitalista que, como toda tendência pode sofrer os efeitos retardadores de contratendências, no caso, as decisões políticas da burguesia ianque pressionada pela Guerra Fria que ela mesma havia criado e pelo processo que então ocorria de crescimento do chamado "socialismo realmente existente" e pelos movimentos de libertação nacional. Esse tal de Karl Marx era porreta mesmo e esse negócio de materialismo histórico funciona. Como os ianques não leram Marx estão se deixando levar facilmente por agrupamentos fascistas, como o tal Tea Party e cresce o risco de um governo fascista nos USA, isso sim, um grave risco à segurança mundial.
coluna mensal do Belluzzo no Valor... se a análise não é grande coisa, as evidências por outro lado apontam num sentido claro de agudização das contradições nos EUA... e para respostas, digamos, mais para a direita...

A crise da classe média americana


Luiz Gonzaga Belluzzo
03/08/2010

O jornal "Financial Times" publicou, no fim de semana, uma extensa reportagem sobre a crise da classe média americana. A matéria de Edward Luce, chefe da sucursal do FT em Washington, relata as agruras da família de Mark Freeman, ameaçado de perder a casa por inadimplemento de três prestações e obrigado a pagar mais caro pelo plano de saúde. Esses percalços familiares acontecem em meio à deterioração da vizinhança, devastada por residências abandonadas, pela invasão de traficantes e pela constância de tiroteios entre bandos criminosos. A família Freeman, mãe e pai, faturam US$ 70 mil por ano, uma renda 30% superior à média das famílias americanas.

Edward Luce adverte que a crise da classe média americana não é fruto da Grande Recessão, iniciada em 2007, mas é um fenômeno de longo prazo. Desde 1973 até 2010, o rendimento de 90% das famílias americanas cresceu apenas 10% em termos reais, enquanto os ganhos dos situados na faixa dos super-ricos - a turma do 1% superior - triplicou. Pior ainda: a cada ciclo a recuperação do emprego é mais lenta e, portanto, maior é a pressão sobre os rendimentos dos assalariados. Até meados dos anos 70, é bom relembrar, o crescimento econômico foi acompanhado do aumento dos salários reais, da redução das diferenças entre os rendimentos do capital e do trabalho e de uma maior igualdade dentro da escala de salários. Em artigo publicado na revista "Science & Society" de julho de 2010, o economista Edward Wolff sustenta que a evolução miserável dos rendimentos das famílias americanas de classe média foi determinado pelo desempenho ainda mais deplorável dos salários. Entre 1973 e 2007 os salários reais por hora de trabalho caíram 4,4%, enquanto no período 1947-1973 o salário horário cresceu 75%. A despeito da queda dos salários, durante algum tempo, a renda familiar foi sustentada pelo ingresso das mulheres casadas na força de trabalho. Entre 1970 e 1988 elas aumentaram sua participação de 41% para 57%. A partir de 1989, no entanto, o ritmo caiu vertigiosamente.

Nos anos 90, americanos e europeus travaram uma acirrada disputa em torno das qualidades dos seus "modelos" de economia e de sociedade. Os americanos, apoiados por um incrível aparato de propaganda, divulgam as maravilhas do "american way": estavam crescendo mais rápido do que seus competidores e criando muito mais empregos. Enquanto os europeus amargam taxas de desemprego que chegam a 12%, calculada sobre a população em idade de trabalhar, Tio Sam podia orgulhosamente exibir ao mundo apenas 5% de desocupados. O desempenho ianque foi, de fato, impressionante, se avaliado pelos modestos padrões das duas últimas décadas. No entanto, se essas façanhas fossem comparadas com os anos gloriosos do imediato pós guerra - as décadas dos 50 e dos 60 - o sucesso de ontem seria o fracasso de anteontem.

Em seu livro "A Consciência de um Liberal", Paul Krugman apelidou o período que vai dos anos 30 ao início da década dos 50 de "A Grande Compressão". A despeito da precariedade dos dados, as estimativas de Simon Kuznetz ajudaram Krugman a concluir que a "grande compressão" envolveu não só o crescimento mais rápido dos rendimentos das categorias sociais situadas na base da pirâmide, como decorreu também do "empobrecimento" das camadas superiores. Esses dois movimentos foram sustentados por três forças, na opinião de Krugman: de baixo para cima, a sindicalização incentivada por Roosevelt impulsionou a elevação dos salários reais e, ao mesmo tempo, o Social Security Act de 1935 passou a proteger os mais débeis "dos sérios problemas criados pela insegurança econômica na sociedade industrial"; de cima para baixo, a brutal elevação da carga tributária e o caráter progressivo dos impostos surrupiaram a renda dos mais ricos; finalmente, a baixa intensidade da concorrência externa permitiu às empresas americanas abiscoitar os lucros proporcionados pela sustentação da demanda interna.

A arquitetura capitalista desenhada nos anos 30 sobreviveu no pós-guerra e, durante um bom tempo, ensejou a convivência entre estabilidade monetária, crescimento rápido e ampliação do consumo dos assalariados e dos direitos sociais. Entre 1947 e 1973, na era do Big Government, como a denominou o economista keynesiano Hyman Minsky, o rendimento real da família americana típica praticamente dobrou. O sonho durou trinta anos e, no clima da Guerra Fria, as classes trabalhadoras gozaram de uma prosperidade sem precedentes.

Nessa época de vacas magras para o emprego e para os rendimentos, os lucros foram gordos para os especuladores financeiros e para as empresas empenhadas no outsourcing e na "deslocalizaçã o" das atividades para as regiões de salários "competitivos" . Robert Kuttner escreveu no New York Times que Obama e seus economistas salvaram Wall Street da derrocada financeira, mas não responderam às preocupações manifestadas nas pesquisa de opinião pelos americanos atormentados, em sua maioria, pelas perspectivas de um crescimento pífio do emprego e dos salários. O superconservadorism o do Tea Party se apropria de uma parte do descontentamento popular, faz muito barulho, mas não consegue oferecer aos cidadãos americanos soluções críveis para atenuar as desgraças da anomia social e da destruição dos nexos básicos da sociabilidade, inclusive os familiares.

AS ESTRADAS DO MUNICÍPIO DE CAMPOS

Quero chamar a atenção das autoridades locais sobre uma constatação feita por mim hoje pela manhã: as estradas municipais de Campos estão abandonadas.

Apesar das dificuldades impostas pela instabilidade política municipal, hoje mais equilibrado com Nahin a frente da Prefeitura de Campos, nada justifica a situação das estradas na baixada campista nos trechos entre Saturnino Braga e Alto do Elizeu, Baltazar e Capões, Espinho e Poço Gordo.

São frequentes as queixas dos moradores destas localidades que em período de chuvas ficam intransitáveis. Além disso, tem sido grande o prejuízo para os proprietários de automóveis e também para os caminhoneiros que transportam tijolos das cerâmicas desta região. Num pequeno percurso passamos por três caminhões carregados de tijolos, quebrados no trecho entre Capões e Poço Gordo.

Um absurdo! Afinal são trabalhadores impedidos de realizar o trabalho que garante a sua sobrevivência devido as péssimas condições de conservação das nossas estradas municipais, com o agravante de estarem amargando grande prejuízo na troca de peças danificadas pela estrada cheia de "costelas".

O prefeito Nelson Nahin precisa dar uma passadinha por lá a fim de tomar as devidas providências.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

MANIFESTO DOS MÉDICOS : IMPORTANTE INICIATIVA


MANIFESTO DOS MÉDICOS À NAÇÃO:

Nós, médicos, representados no XII Encontro Nacional de Entidades Médicas (ENEM), de 28 a 30 de julho de 2010, em Brasília, reiteramos nosso compromisso ético com a população brasileira. Neste ano, no qual o futuro do país será decidido pelo voto, apresentamos à nação e aos candidatos às próximas eleições nossa pauta de reivindicações, que necessita ser cumprida urgentemente, para não agravar ainda mais a situação que já atinge setores importantes da assistência em saúde. Esperamos respostas e soluções aos problemas que comprometem os rumos da saúde e da Medicina, contribuindo assim, para a redução de desigualdades, para a promoção do acesso universal aos serviços públicos e para o estabelecimento de condições dignas de trabalho para os médicos e de saúde à população, para que este seja realmente um país de todos.

1. É imperioso garantir a aprovação imediata da regulamentação da Emenda Constitucional 29, que vincula recursos nas três esferas de gestão e define o que são gastos em saúde. Esse adiamento causa danos ao Sistema Único de Saúde (SUS) e compromete sua sobrevivência.

2. O Governo Federal deve assegurar que os avanços anunciados pela área econômica tenham repercussão direta no reforço das políticas sociais, particularmente na área da saúde, que sofre com a falta crônica de recursos, gestão não profissionalizada e precarização dos recursos humanos.

3. São urgentes os investimentos públicos em todos os níveis de assistência (atenção básica, média e alta complexidade) e prevenção no SUS. O país precisa acabar com as filas de espera por consultas, exames e cirurgias, com o sucateamento dos hospitais e o estrangulamento das urgências e emergências, além de redirecionar a formação médica de acordo com as necessidades brasileiras.

4. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) precisa assumir seu papel legítimo de espaço de regulação entre empresas, profissionais e a população para evitar distorções que penalizam, sobretudo, o paciente. A defasagem nos honorários, as restrições de atendimento, os descredenciamentos unilaterais, os “pacotes” com valores prefixados e a baixa remuneração trazem insegurança e desqualificam o atendimento.

5. O papel do médico dentro do SUS deve ser repensado a partir do estabelecimento de políticas de recursos humanos que garantam condições de trabalho, educação continuada e remuneração adequada.

6. A proposta de criação da Carreira de Estado do Médico deve ser implementada, como parte de uma necessária política pública de saúde, para melhorar o acesso da população aos atendimentos médicos, especialmente no interior e em zonas urbanas de difícil provimento. No Brasil, não há falta de médicos, mas concentração de profissionais pela ausência de políticas – como esta – que estimulem a fixação nos vazios assistenciais, garantindo a equidade no cuidado de Norte a Sul.

7. A qualificação da assistência pelo resgate da valorização dos médicos deve permear outras ações da gestão nas esferas pública e privada. Tal cuidado visa eliminar distorções, como contratos precários, inexistência de vínculos, sobrecarga de trabalho e ausência de estrutura mínima para oferecer o atendimento ao qual o cidadão merece e tem direito.

8. Atentos ao futuro e à qualidade do exercício da Medicina, exigimos aprofundar as medidas para coibir a abertura indiscriminada de novos cursos, sem condições de funcionamento, que colocam a saúde da população em risco. De forma complementar, é preciso assegurar que a revalidação de diplomas obtidos no exterior seja idônea e sem favorecimentos, assim como oferecer a todos os egressos de escolas brasileiras vagas em Residência Médica, qualificadas pela Comissão Nacional de Residência Medica (CNMR), entidades médicas e sociedades de especialidade.

9. Num país de extensões continentais, torna-se imperativo trabalhar pela elaboração de políticas e programas de saúde que contemplem as diversidades regionais, sociais, étnicas e de gênero, entre outras, garantindo a todos os brasileiros acesso universal, integral e equânime à assistência, embasados na eficiência e na eficácia dos serviços oferecidos, convergindo em definições claras de políticas de Estado para a saúde.

Preocupados com o contexto da Saúde no Brasil e com o descumprimento de suas diretrizes e princípios constitucionais, nós, médicos, alertamos aos governos sobre seus compromissos com a saúde do povo brasileiro.

Brasília, 30 de julho de 2010

ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA(AMB)

CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA (CFM)

FEDERAÇÃO NACIONAL DOS MÉDICOS (FENAM)

Fonte : FENAM

domingo, 1 de agosto de 2010

BRASIL CONDICIONA RETOMADA DE RELAÇÕES COM HONDURAS

JOÃO DOMINGOS - Agência Estado

O governo do Brasil não reatará relações diplomáticas com Honduras enquanto o ex-presidente Manuel Zelaya estiver sob ameaça de ser preso caso volte ao país, informou o Ministério das Relações Exteriores. Desde o golpe militar que tirou Zelaya da presidência, há um ano e um mês, o Brasil mantém apenas um representante comercial em Tegucigalpa, hoje o ministro Zenik Krawctschuk.

De acordo com o Itamaraty, o Brasil não reconhece o governo de Porfírio Lobo, eleito presidente em novembro, como não reconhecia o de Roberto Micheletti, que substituiu Zelaya após o golpe militar. No entanto, reconhece o Estado de Honduras, por isso a manutenção no país de um representante brasileiro.

O Itamaraty informou ainda que Porfírio Lobo tem posição muito semelhante à adotada pelo Brasil, pois defende a volta de Zelaya e a suspensão de todos os processos abertos contra ele. Segundo o governo brasileiro, há informações de que Porfírio Lobo teme sofrer um golpe por parte dos mesmos que depuseram Zelaya, o sequestraram de pijamas e o deixaram na Costa Rica.

Ontem, o Ministério de Relações Exteriores do México informou que o país normalizou suas relações com Honduras, rompidas após o golpe de Estado, segundo a agência de notícias Dow Jones. O México instruiu seu embaixador em Honduras, chamado de volta após o golpe, a "retornar para Tegucigalpa e retomar suas funções diplomáticas no início da próxima semana", informou o ministério.

A decisão foi tomada pouco depois de o ministério ter recebido um relatório de uma comissão formada pela Organização dos Estados Americanos (OEA) para examinar a situação atual em Honduras.

CANDIDATOS DO PCB

.






Governador: Eduardo Serra - 21
Vice Governador: Paulo Oliveira


- Presidente: Ivan Pinheiro (RJ) - 21 - Vice Presidente: Edmilson Costa (SP)
- Senador: Wladimir Mutt - 211
- 1º Suplente de Senador: Isnard Barrocas
- 2º Suplente de Senador: Dinarco Reis
- Deputado Federal: Hiran Roedel - 2121
- Deputada Estadual: Graciete Santana (Campos dos Goytacazes) - 21123
- Deputado Estadual: José Renato (Nova Iguaçu) - 21210
- Deputada Estadual: Luciana Araújo (São Gonçalo) - 21021

CONTRIBUA PARA A CAMPANHA DE GRACIETE SANTANA

CONTRIBUA PARA A CAMPANHA DE GRACIETE SANTANA

A campanha de GRACIETE SANTANA – 21123 está recebendo doações na seguinte conta bancária:

ELEICAO 2010 GRACIETE SANTANA NOGUEIRA NUNES - DEPUTADO ESTADUAL
CNPJ 12.249.179/0001-02

BANCO DO BRASIL
AG 0005-1
C/C 75.692-X
Após efetuado o depósito, envie e-mail para gracietesnnunes@yahoo.com.br com os seguintes dados:

- Nome
- CPF
- Endereço com CEP
- Valor depositado
- Data do depósito
- Se preferir, anexe o comprovante escaneado.

Encaminharemos o recibo por eleitoral tão logo identifiquemos o depósito.


Obrigado por colaborar com a campanha de GRACIETE SANTANA e nos ajudar a construir uma sociedade melhor.

FRASE DA SEMANA: POR CRISTOVAM BUARQUE

"O BRASIL FICOU ENTRE OS 8 MELHORES DO MUNDO NO FUTEBOL E FICOU TRISTE. É O 85° EM EDUCAÇÃO E NÃO HÁ TRISTEZA."

PRESIDENCIÁVEL DO PCB "LAMENTA" QUE O PT NÃO TENHA RELAÇÃO COM AS FARC


imagemCrédito: PCB


Ivan Pinheiro (PCB) afirma que 'infelizmente' a relação não existe. Na visão dele, uma aproximação poderia resolver o conflito na Colômbia.

Eduardo Bresciani Do G1, em Brasília

Em artigo publicado nesta quinta-feira (29) no site do PCB, o candidato à Presidência pelo partido, Ivan Pinheiro, disse que “infelizmente” o PT não tem relações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A polêmica sobre o tema esteve no debate eleitoral nos últimos dias após José Serra (PSDB) e seu vice, Indio da Costa (DEM), associarem o PT à narcoguerrilha colombiana. A declaração levou o PT a entrar na Justiça contra Indio.

Pinheiro afirma no artigo que a “direita” tenta fazer a vinculação entre o PT e as Farc para desqualificar o papel do Brasil como mediador da atual crise diplomática entre Colômbia e Venezuela. Diz que as relações não existem, mas que, se existissem, poderiam ter ajudado a solucionar o conflito interno na Colômbia.

“A direita, para instigar a guerra entre a Colômbia e a Venezuela, tenta desqualificar o Brasil como mediador da crise. Para isso, acusa o partido do presidente da República de relações e atitudes que infelizmente não são verdadeiras, pois poderiam ter ajudado a solucionar o conflito colombiano”, afirma Pinheiro.

O candidato do PCB disse que já esteve em acampamentos das Farc. Sem mencionar datas, conta esteve em “paisagens deslumbrantes”, passando por “regiões e países” dos quais não se recorda.

“Ficarão para sempre em minha memória os diálogos que mantive com os jovens guerrilheiros e guerrilheiras que conheci e as fotografias que não pude tirar do trabalho dos camponeses, das creches, escolas e postos de saúde criados e mantidos pelo 'estado' guerrilheiro em seu território”, disse o candidato.

Pinheiro afirma ter simpatia pelo grupo colombiano e atribui a viagem ao “dever revolucionário”. “Muito mais do que a curiosidade, o espírito de aventura e a simpatia pelas Farc, falou mais alto em minha decisão o dever revolucionário de contribuir, de alguma forma, para os esforços para uma solução política da complexa questão colombiana.”

No artigo, o candidato do PCB afirma que interessa à “oligarquia colombiana” e aos Estados Unidos a manutenção do conflito interno na Colômbia. “O objetivo do imperialismo é reforçar sua presença militar para tentar desestabilizar e derrubar governos progressistas, em especial o da Venezuela.”

Por isso, Pinheiro declara apoiar a iniciativa da diplomacia brasileira de discutir o confronto no âmbito da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). Ele defende ainda que o Brasil busque fazer com que o governo colombiano se sente à mesa com as Farc para negociar a paz dentro do país.

Fonte: http://g1.globo.com

QUEM USOU CARGO PARA ENRIQUECER NÃO MERECE VOTO, DIZ PRESIDENTE DO TSE


Ricardo Lewandovski fez pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV.
Ministro recomendou que eleitor avalie a vida do candidato antes de votar.

Eduardo Bresciani Do G1, em Brasília

Presidente do TSE faz pronunciamento sobre as eleições gerais de outubro Presidente do TSE faz pronunciamento em cadeia
nacional de rádio e televisão. (Foto: Divulgação)

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Ricardo Lewandovski, fez um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão neste sábado (31) pedindo que o eleitor avalie a vida do candidato antes de votar. Ele criticou políticos que usaram cargos para "enriquecer" ou se "perpetuar no poder".

"Aqueles que, no passado, usaram os cargos públicos apenas para enriquecer ou se perpetuar no poder não merecem o seu voto", disse Lewandovski.

O ministro pediu que os eleitores avaliem a vida dos candidatos e verifiquem se eles já fizeram "algo de bom". Lewandovski atacou ainda "promessas vazias" ou "propaganda enganosa" de candidatos e a troca de voto por vantagem pessoal.

"Analise a vida dos candidatos, verifique se eles já fizeram algo de bom em benefício da sociedade. Não se deixe iludir por promessas vazias ou publicidade enganosa; não troque o seu sagrado direito de votar por alguma vantagem pessoal ou para alguém que lhe é próximo. O bem-estar da coletividade não tem preço", afirmou.

Lewandovski definiu o ato de votar como uma "oportunidade" de "ajudar a construir o próprio destino e o futuro do Brasil". Ele recomendou que os eleitores discutam as propostas dos candidatos com familiarez, vizinhos e amigos.

O ministro concluiu o pronunciamento afirmando que a democracia faz com que a soberania seja exercida pela população. "Antigamente, o soberano, aquele que mandava, era o rei ou o monarca. Hoje, nos países democráticos, a soberania é exercida exclusivamente pelo povo, pelo conjunto dos cidadãos. É grande, portanto, a nossa responsabilidade no momento de votar. Vamos nos aprontar para escolher os candidatos com os melhores antecedentes e que estejam efetivamente comprometidos com o bem comum".

"A VITÓRIA ESTRATÉGICA"

POR FIDEL CASTRO
EM poucos dias será publicado o livro no qual, sob o título "A vitória estratégica", narro a batalha que livrou do extermínio o pequeno Exército Rebelde.

Começo com uma introdução na qual explico minhas dúvidas sobre o título que lhe colocaria "… não sabia se chamá-la ‘A última ofensiva de Batista’ ou ‘Como 300 derrotaram 10 mil′" que pareceria um conto de ficção científica.

Inclui uma pequena autobiografia: "Não desejava esperar que se publicassem um dia as respostas a incontáveis perguntas que me fizeram sobre a infância, a adolescência e a juventude, etapas que me converteram em revolucionário e combatente armado".

O título que finalmente decidi foi "A vitória estratégica".

Está dividido em 25 capítulos, contém abundantes fotografias com a qualidade possível naquelas circunstâncias e os mapas pertinentes.

Finalmente, apresentam-se esquemas gráficos sobre os tipos de armas que utilizaram ambos os adversários.

Nas páginas finais do capítulo 24 da narração fiz afirmações que foram premonitórias.

No último parte que escrevi para ser lido na Rádio Rebelde em sete de agosto, no dia seguinte de concluída a batalha final de Las Mercedes, expressei:

"A ofensiva foi liquidada. O maior esforço militar que se tenha realizado em nossa história Republicana concluiu no mais espantoso desastre que pôde imaginar-se o soberbo ditador, cujas tropas em plena fugida, depois de dois meses e meio [de] derrota em derrota, estão assinalando os dias finais de seu regime odioso. A Serra Maestra já está totalmente livre de forças inimigas".

No livro sobre "A vitória estratégica" se explica textualmente:

"A derrota da ofensiva inimiga, depois de 74 dias de incessante combate, significou a guinada estratégica da guerra. A partir desse momento a sorte da tirania ficou definitivamente jogada, na medida em que se fazia evidente a iminência de seu colapso militar"
.
"Nesse mesmo dia redigi uma carta endereçada ao major general Eulogio Cantillo, que dirigiu toda a campanha inimiga do posto de comando da zona de operações, instalado em Bayamo. Confirmei a Cantillo que se encontravam em poder de nossas forças aproximadamente 160 soldados prisioneiros, entre eles muitos feridos, e que estávamos em disposição de estabelecer de imediato as negociações pertinentes para sua entrega. Após complicadas gestões, esta segunda entrega de prisioneiros se efetuou vários dias depois em Las Mercedes
.
"Durante esses 74 dias de intensos combates para o rechaço e a derrota da grande ofensiva inimiga, nossas forças sofreram 31 baixas mortais. As notícias tristes jamais desalentaram o espírito de nossas forças, apesar de que a vitória teve um sabor amargo muitas vezes. Ainda assim, a perda de combatentes pôde ser muito superior, levando em conta a intensidade, duração e violência das ações terrestres e dos ataques aéreos, se não o foram foi devido à extraordinária perícia atingida por nossos guerrilheiros na agreste natureza da Serra Maestra e à solidariedade dos rebeldes. Muitas vezes, feridos graves salvaram sua vida, em primeiro lugar, porque seus companheiros fizeram o impossível por transladá-los aonde os médicos pudessem assisti-los, e tudo isso apesar do abrupto do terreno e do som das balas em meio aos combates".

"Ao longo destas páginas fui mencionando os nomes dos tombados, mas quero relacioná-los de novo a todos aqui para oferecer duma só vez o quadro completo de nossos mártires, merecedores de uma recordação eterna de respeito e admiração de todo nosso povo". Eles são:
"Comandantes: Andrés Cuevas, Ramón Paz e René Ramos Latour, Daniel".
"Capitães: Ángel Verdecia e Geonel Rodríguez".

"Tenentes: Teodoro Banderas, Fernando Chávez, o Artista, e Godofredo Verdecia".

"Combatentes: Misaíl Machado, Fernando Martínez, Albio Martínez, Wilfredo Lara, Gustavo; Wilfredo González, Pascualito; Juan de Dios Zamora, Carlos López Mas, Eugenio Cedeño, Victuro Acosta, o Bayamés; Francisco Luna, Roberto Corría, Luis Enrique Carracedo, Elinor Teruel, Juan Vázquez, Chan Cuba; Giraldo Aponte, o Marinheiro; Federico Hadfeg, Felipe Cordumy, Lorenzo Véliz, Gaudencio Santiesteban, Nicolás Ul, Luciano Tamayo, Ángel Silva Socarrás e José Díaz, o Galeguinho".

"Colaboradores camponeses: Lucas Castillo, outros membros de sua família, e Ibrahim Escalona Torres".

"Honra e glória eterna, respeito infinito e carinho para os que tombaram nessa época".

"O inimigo sofreu mais de mil baixas, delas más de 300 mortos e 443 prisioneiros, e não menos de cinco grandes unidades completas de suas forças foram aniquiladas, capturadas ou desarticuladas. Ficaram em nosso poder 507 armas, incluídos dois tanques, dez morteiros, várias bazucas e doze metralhadoras calibre 30".

"A tudo isso haveria que acrescentar o efeito moral deste desenlace e sua importância na marcha da guerra: a partir desse momento, a iniciativa estratégica ficava definitivamente nas mãos do Exército Rebelde, dono absoluto, também, dum extenso território ao qual o inimigo não tentaria sequer penetrar de novo. A Serra Maestra, efetivamente, ficava libertada para sempre".

"A vitória sobre a grande ofensiva inimiga do verão de 1958 marcou a viragem irreversível da guerra. O Exército Rebelde, triunfante e extraordinariamente fortalecido pela quantidade de armas conquistadas, ficou em condições de iniciar sua ofensiva estratégica final".

"Com estes acontecimentos começou uma nova e última etapa na guerra de libertação, caracterizada pela invasão ao centro do país, a criação do Quarto Front Oriental e do Front de Camagüey. A luta se estendeu em todo o país. A grande ofensiva final do Exército Rebelde levou, com a fulminante campanha de Oriente e de Las Villas, à derrota definitiva do Exército da tirania e, consequentemente, ao colapso militar do regime de Batista e à tomada do poder pela Revolução triunfante".

"Na contra-ofensiva vitoriosa de dezembro desse ano, decidiu-se o triunfo com aproximadamente 3 mil homens equipados com armas arrebatadas ao inimigo".

"As colunas do Che e de Camilo, avançando pelas planícies do Cauto e de Camagüey, chegaram ao centro do país. A antiga Coluna 1 treinou novamente mais de mil recrutas na escola de Minas del Frío, e com chefes que surgiam de suas próprias fileiras, tomaram os povos e as cidades na estrada central entre Bayamo e Palma Soriano. Novas tanquetas T-37 foram destruídas, os tanques pesados e a aviação de combate não puderam impedir a tomada de cidades centenas de vezes maiores que o povoado de Las Mercedes".

"Em seu avanço, à Coluna 1 aderiram as forças do Segundo Front Oriental Frank País. Assim conquistamos a cidade de Palma Soriano em 27 de dezembro de 1958".

"Exatamente em 1º de janeiro de 1959 — a data assinalada em carta a Juan Almeida antes de iniciar-se a última ofensiva da ditadura contra a Serra Maestra —, a greve geral revolucionária, decretada através da Rádio Rebelde desde Palma Soriano, paralisou o país. O Che e Camilo receberam ordens de avançar pela estrada central rumo a capital, e não houve forças que fizeram resistência".

"Cantillo, em reunião comigo, com Raúl e Almeida reconheceu que a ditadura tinha perdido a guerra, mas pouco depois na capital realizou manobras golpistas, contrarrevolucionárias e pró-imperialistas e descumpriu as condições pactuadas para um armistício. Apesar disso, em três dias estavam a nossa disposição as 100 mil armas e os navios e aviões que pouco antes tinham apoiado e permitido a fugida do último batalhão que penetrou na Serra Maestra".

Uma incansável equipe do pessoal do Gabinete de Assuntos Históricos do Conselho de Estado, designers do grupo Creativo de Casa 4, sob a direção de professores assistentes; com a cooperação do cartógrafo Otto Hernández, o general-de-brigada Amels Escalante, o desenhista Jorge Oliver, o jovem designer Geordanis González, sob a direção de Katiuska Blanco, jornalista e escritora brilhante e incansável, são os atores principais desta proeza.

Pensava que este livro tardaria meses em ser publicado. Agora sei que no início do mês de agosto estará já na rua.

Eu, que trabalhei meses no tema depois de minha grave doença, agora estou animado para continuar escrevendo a segunda parte desta história que se denominaria, se a equipe não sugere outro nome, "A contra-ofensiva estratégica final".

Fidel Castro Ruz
27 de julho de 2010