domingo, 15 de julho de 2012

Marcha das Vadias por Vítor Menezes

Procurador eleitoral diz que Rosinha está inelegível

O  jornal O Globo, hoje , traz uma entrevista com o procurador regional eleitoral, Maurício da Rocha Ribeiro. A primeira pergunta feita pelo jornalista Renato Onofre é sobre casos que já preocupam, antes mesmo do julgamento do registro. Rocha Ribeiro cita o caso da prefeita Rosinha Garotinho (PR), que estaria preocupando os promotores de Campos (que, inclusive, pediram a impugnação de seu registro. Leia aqui).

Diz o procurador: “No entender do MP, ela entra em campanha na condição de inelegível. Já foi condenada por um tribunal e entrou com recurso e medida cautelar, que suspenderam os efeitos dessa decisão. Só que, ao serem julgados a medida e o recurso, antes mesmo de eleita ela perde o registro de candidatura. E, se eleita, terá que sair do mandato”.

Na matéria, o procurador fala, ainda, do prefeito do Rio, Eduardo Paes e possíveis abusos cometidos nesse início de campanha.

sábado, 14 de julho de 2012

Marcha da Vadias


Jornal Folha da Manhã

12
Munidos com cartazes contra o machismo e a violência sexual, cerca de 150 pessoas participaram da primeira Marcha das Vadias realizada em Campos, na manhã deste sábado. Segundo participantes, o saldo foi positivo porque o protesto conseguiu agregar diferentes segmentos da sociedade. Os manifestantes se concentraram na praça São Salvador, percorreram as ruas Alberto Torres, Barão de Miracema e terminaram o ato no final da avenida Pelinca. A Polícia Militar (PM) e a Guarda Civil Municipal (GCM) acompanharam o movimento, que foi pacífico.

Apitos, panelas, cartazes e um carro de som foram as armas utilizadas pelos manifestantes para protestar contra a violência praticada contra a mulher. Outro ponto de alerta é a falta de uma Delegacia Especialidade de Atendimento à Mulher (Deam) no município. Quando passaram em frente à 134º Delegacia de Polícia (DP), os participantes da Marcha gritaram ‘A nossa luta é por respeito, delegacia da mulher é um direito’.

Para a estudante da Universidade Federal Fluminense (UFF) Clarice Alves Pereira, 21 anos, a Marcha foi um grito pela liberdade. “Nós vimos famílias carregando seus filhos, casais gays e transexuais em um mesmo local demonstrando apoio às mesmas causas”, disse.

Já a estudante da UFF, Natália Rodrigues, 19 anos, que estava com o corpo pintado, disse que ao mesmo tempo em que se via o estranhamento de algumas pessoas em bares da Pelinca, em contrapartida, foi possível ver outras se agregando ao movimento. “Eu vi várias pessoas verem a Marcha passar e entrarem na manifestação”, lembrou.

Para os organizadores do evento este foi o primeiro de muitos movimentos que ainda serão realizados em Campos, como pontou a estudante de Design Mara Oliveira, 27 anos. “A proposta é ampliar as discussões sobre gênero e realizar palestras em universidades do município”, explicou.

Em 2011, na cidade de Toronto, no Canadá, um policial, ao fazer palestra sobre estupro, insinuou que a mulher é culpada por sofrer abusos por se vestir como ‘vadia’. Em seguida, estudantes da Universidade de Toronto organizaram a Marcha das Vadias, que este ano foi realizada em diversas cidades brasileiras, como Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Recife.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Marcha das Vadias em Campos

marcha-das-vadias
Acontece amanhã (14), a partir das 10h, na Praça São Salvador, em Campos, a Marcha das Vadias em Campos. O movimento teve inicio no Canadá em resposta a conduta machista de um policial. Este declarou que as mulheres eram vítimas de ataques sexuais, pois se “vestiam como vagabundas”. A partir do fato, inúmeras manifestações surgiram em todo o mundo. No Brasil, a cidade de São Paulo foi a primeira capital brasileira a organizar a Marcha, seguidas das cidades do Rio de Janeiro, Recife, Fortaleza, Brasília, Salvador e outras.
As mulheres saíram às ruas com o objetivo de reafirmar a autodeterminação sobre os seus corpos e para combater essa sociedade que as educa para não serem estupradas, porém não ensina a NÃO estuprar. As mulheres durante a marcha usam roupas provocantes: como blusinhas transparentes, lingerie, saias, salto alto ou apenas o sutiã.
Em Campos o movimento começou no Facebook. Até o momento, 849 pessoas confirmaram presença, incluindo o candidato à Prefeitura, Erik Schunk (PSOL).
vadias

Cuba gradua a 11 mil médicos, más de la mitad extranjeros


  
AFP – Algo más de 11,000 nuevos médicos, más de la mitad extranjeros, recibirán sus títulos este mes en la mayor promoción de esta carrera en Cuba, informó este miércoles el Ministerio de Salud.
De 11.009 nuevos galenos, “5,315 son cubanos y 5,694 proceden de 59 países” de América Latina, Asia y Africa, según fuentes de la Dirección de Docencia Médica Superior del Ministerio, citadas por el diario oficial Granma.
Esta cifra “constituye la mayor graduación médica en toda la historia” de Cuba “y una muestra elocuente de (la) solidaridad internacionalista”, dijo el diario.
Entre los extranjeros, Bolivia tiene el mayor número de graduados, “con más de 2,400”, seguido de Nicaragua (429), Perú (453), Ecuador (308), Guatemala (170) y Colombia (175), según el Ministerio.
Los extranjeros, la mayoría provenientes de familias pobres y que estudian gratuitamente, cursan los dos primeros años en la Escuela Latinoamericana de Medicina de La Habana o en las facultades de Ciencias Médicas en provincias, y luego son asignados a hospitales hasta completar los seis años de formación.
Cuba es el país con mayor cantidad de médicos en relación a la población, según la organización Médicos sin Fronteras: uno por cada 170 habitantes. Francia tiene uno por cada 300 habitantes, Estados Unidos uno por cada 390 y Tanzania uno por cada 50,000 habitantes.
Además, profesores cubanos trabajan en la formación de médicos y otros profesionales de la salud en ocho países, entre ellos Venezuela, Bolivia, Angola, Tanzania y Guinea Bissau.
Desde el triunfo de la revolución cubana en 1959 hasta 2010 se graduaron en la isla unos 109,000 médicos, según Granma.
En vez de entrenar a guerrilleros extranjeros como en la década de los 60, Cuba comenzó en 1999 a preparar médicos, graduando a más de 25,000 provenientes de un centenar de países, lo que algunos consideran una nueva forma de influir ideológicamente en otras latitudes.

 

graduan-medico-bolivia-cuba_abg245

Erik de olho na educação

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Candidatos em busca dos votos


Ontem foi mais um dia de caminhada para os candidatos em Campos. Acreditando que é possível virar o jogo e enfrentar os principais grupos políticos de Campos, o candidato à Prefeitura, José Geraldo (PRP), caminhou pela rodoviária Roberto Silveira e teve o seu primeiro contato oficial com os eleitores, com distribuição de santinhos e panfletos. A prefeita Rosinha Garotinho (PR), o médico Erik Schunk (PSOL) e o vereador Rogério Matoso (PPS), candidato a vice-prefeito na chapa de Arnaldo Vianna (PDT), também caminharam no dia de ontem. Já o petista Makhoul Moussallem vai colocar o seu bloco na rua amanhã.
  (...)

Matéria do Jornal Folha da Manhã

Educação na mira de Schunk

 

 Matéria do Jornal Folha da Mãnha

Após visitar o HGG no último sábado e constatar a falta de leitos, o candidato à Prefeitura de Campos pelo PSOL, o médico sanitarista Erick Schunk esteve ontem no bairro da Codin. Ao caminhar pelo local, moradores informaram que uma creche estaria funcionando em local improvisado e seria dividida em dois imóveis. Além disso, os moradores reclamaram sobre a demora nas obras de uma Creche Escola e informaram que a praça do bairro está sem reformas há anos. Ao comentar sobre a visita de Schunk, o secretário de Governo, Suledil Bernardino falou sobre as ações do governo e criticou as visitas do prefeitável. “Lamento que o candidato esteja utilizando órgãos públicos como palanque eleitoral”, disse Suledil.

Schunk constatou que a creche do bairro estava dividida em dois imóveis: um antigo posto de saúde e uma casa alugada. No antigo posto de Saúde que recebe crianças do berçário ao maternal, foram encontradas infiltrações nas paredes. Funcionários que preferiram não ser identificados relataram que entra água no local quando chove. No outro imóvel, que também recebe crianças, o candidato foram impedidos de entrar. A diretora da instituição, Joyce Rangel, informou que não tinha autorização para deixá-los visitar o local.

— Isso é um absurdo. No antigo posto de saúde a Prefeitura nem trocou a placa que identifica o que realmente funciona no local. Estamos constatando que a Prefeitura realizou algumas melhorias na área central e esqueceu a periferia da cidade. Vemos a tristeza e revolta dos moradores desse bairro — destacou Schunk.

Em seguida, o candidato caminhou pelas ruas do bairro e os moradores reclamaram que a Prefeitura está asfaltando as ruas e não colocou ralos para tratamento das águas pluviais. Além disso, segundo os moradores, a praça do bairro está abandonada há anos e as crianças se arriscam em brinquedos enferrujados. “Estamos revoltados com a Prefeitura. O bairro está esquecido. Quando chove, as casas e as ruas enchem de água. Os moradores estão sendo prejudicados com esse governo”, disse a comerciante Rita Ferreira, de 52 anos.

Demora — Placa fixada na entrada da obra de uma creche escola que ainda não foi entregue informa que a construção está orçada em R$ 2,4 milhões. “Essa obra é esperado há muito tempo”, disse Erik.
(...)

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Retirada de Direitos Trabalhistas avança dentro do Governo

imagem


O Olhar Comunista inicia a semana com uma notícia preocupante: o anteprojeto de lei que acaba com as garantias da CLT está na Casa Civil e deve ir ao Congresso ainda em julho. Elaborado pelo peleguíssimo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, numa tentativa de gerar legitimidade junto aos trabalhadores, o “Acordo Coletivo de Trabalho com Propósito Específico” (ACE), se aprovado, será uma verdadeira tragédia.

O ACE estabelece os “Comitês Sindicais de Empresa”, que poderão atropelar a CLT e negociar diretamente com as empresas. O setor empresarial aguarda ansiosamente pela aprovação do projeto. "Reconhecemos a legitimidade da representação interna e como isso equilibra as necessidades dos negócios e as demandas dos trabalhadores", afirmou de forma contida, por exemplo, o diretor de Recursos Humanos da Volkswagen no Brasil, Nilton Junior, ao jornal Valor Econômico.
O jornal informa ainda que, “em setembro do ano passado, o sindicato levou o anteprojeto ao secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, e ao presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS). O primeiro rascunho do ACE havia sido entregue ao ex-presidente Lula em 2009. Finalizado, o texto prevê que os acordos especiais só poderão ser firmados diretamente entre empresas e sindicatos, se o sindicato comprovar que tem representação na empresa. Essa representação seria escolhida por meio do voto, assim como nas comissões de fábrica que existem no ABC desde 1981” .
Há também interferência do Estado sobre a representação dos trabalhadores: o Ministério do Trabalho certificará os sindicatos que têm “representatividade”. Somente esses estariam aptos a formalizar acordos.
O jogo de cartas marcadas contra os trabalhadores ganha mais uma voz: o projeto conta com o apoio do Ministério do Trabalho. "Temos que incentivar os processos que facilitem os acordos coletivos e a representação dos trabalhadores. Os sindicatos que realizam esses acordos são representativos de suas categorias. A aprovação do anteprojeto não depende só do Congresso, depende de negociações", afirmou o ministro Brizola Neto. Seu avô deve estar se revirando no túmulo...

Os comunistas são parte integrante e necessária do Brasil

imagemCrédito: jornalopcao


Lincoln Secco*
O PCB surgiu como fruto das lutas nacionais de anarquistas, socialistas, sindicalistas e operários de um modo geral. Portanto, autenticamente popular,  extra-parlamentar e revolucionário. Animado  posteriormente pelo  ingresso dos tenentes de esquerda e de outras camadas médias radicalizadas, tornou-se até 1964 a principal força de esquerda do país. Pelo seu vínculo  com o Movimento Comunista Internacional e pela defesa dos mais pobres,  foi duramente  castigado, perseguido sem nunca esmorecer. Acusado de ser  uma planta exótica em solo  nacional, o PCB comprovou  ser o mais  brasileiro dos partidos políticos. Mesmo depois do golpe  fascista de primeiro de abril de 1964, o partido continuou sua luta. Os comunistas são parte integrante e necessária do Brasil.
*Lincoln Secco – prof. Universidade de São Paulo (USP)

A luta de classes na Europa e as raízes da crise econômica mundial


imagemCrédito: CM


A situação europeia não pode ser compreendida sem considerar a situação da economia mundial em sua totalidade. Hoje, após a reintegração da China e a plena incorporação da Índia na economia capitalista mundial, a densidade das relações de interconexão e a velocidade de interações no mercado alcançaram um nível jamais visto anteriormente. O que prevalece hoje na arena mundial é o que Marx chama de “anarquia da produção”. Alguns Estados, os que ainda têm meios para isso, são cada vez mais os agentes ativos dessa competição. E único Estado que conserva esses meios na Europa continental é a Alemanha. O artigo é de François Chesnais.
François Chesnais
9.7.2012
Carta Maior
A crise financeira europeia é a manifestação, na esfera das finanças, da situação de semiparalisia na qual se encontra a economia mundial. Neste momento é sua manifestação mais visível, mas de modo nenhum a única. As políticas de austeridade aplicadas simultaneamente na maior parte dos países da União Europeia contribuem para a espiral recessiva mundial, mas não são sua única causa.
Foram eloquentes as manchetes da nota de perspectiva de setembro de 2011 da OCDE: “A atividade mundial está perto da estagnação”; “O comércio mundial se contraiu, os desequilíbrios mundiais persistem”; “No mercado de trabalho, as melhoras são cada vez menos perceptíveis”; “A confiança diminuiu”, etc. Após as projeções de Eurostat, em meados de novembro, apontando uma contração econômica da UE, da qual nem a Alemanha escaparia, a nota da OCDE de 28 de novembro assinala uma “considerável deterioração” com um crescimento de 1,6% para o conjunto da OCDE e de 3,4% para o conjunto da economia mundial.
Compreensivelmente, a atenção dos trabalhadores e dos jovens da Europa está centrada nas consequências do “fim de caminho” e do “salve-se quem puder” das burguesias europeias. A crise política da UE e da zona euro, assim como as intermináveis vacilações do BCE acerca do financiamento direto dos países em maiores dificuldades, são suas manifestações mais visíveis. A tendência é endurecer as políticas de austeridade e montar uma operação de “resgate total” da qual não escape nenhum país. No entanto, a situação europeia não pode ser compreendida independentemente da consideração da situação da economia mundial em sua totalidade.
A CNUCED começa seu informe assinalando que “o grau de integração e interdependência econômicas no mundo atual não tem precedentes” (CNUCED, 2011). Este reconhecimento é um inegável progresso intelectual no qual muitos analistas e, inclusive, militantes de esquerda, deveriam se inspirar. O campo da crise é o do “sistema de mudança internacional mais desenvolvido”, do qual já falava Marx em seus primeiros escritos econômicos (Marx, 1971: 161). Hoje, após a reintegração da China e a plena incorporação da Índia na economia capitalista mundial, a densidade das relações de interconexão e a velocidade de interações no mercado mundial alcançaram um nível jamais visto anteriormente. Este é o marco no qual devem ser abordadas as questões essenciais: a superacumulação e a superprodução, ossuper poderes das instituições financeiras e a competição intercapitalista.
Não há nenhum “fim da crise” à vista
Na usual linguagem econômica de inspiração keynesiana, o termo “saída da crise” indica o momento no qual o investimento e o emprego se recuperam. Em termos marxistas, é o momento no qual a produção de valor e de mais valia (tomando e fazendo trabalhar os assalariados e vendendo as mercadorias a fim de realizar sua apropriação pelo capital) está baseada na acumulação de novos equipamentos e na criação de novas capacidades de produção. São muito raras as economias que, como é o caso da China, apesar de estarem inseridas em relações de interdependência, seguem desfrutando de certa autonomia, de modo tal que a saída da crise pode ser concebida em nível na economia do Estado-Nação. Todas as demais estão inseridas em relações de interdependência que determinam que o fechamento do ciclo do capital (Dinheiro-Mercadoria-Produto-Mercadoria-Dinheiro) da maior parte das empresas (de todas as grandes, em todo caso) se realize no estrangeiro. E os maiores grupos deslocalizam diretamente todo o ciclo de uma parte de suas filiais.
A isso se deve o alcance do atoleiro registrado desde o último G20. A mais de quatro anos do começo da crise (agosto 2007) e três desde as convulsões provocadas pela quebra do banco Lehmann (setembro2008), o conjunto da situação está marcado pela incapacidade, ao menos momentaneamente, do “capital” – os governos, os bancos centrais, o FMI e os grupos privados de centralização e poder do capital coletivamente considerados – para encontrar meios que permitam criar uma dinâmica como a indicada em nível da economia mundial ou, pelo menos, em muitos grandes setores da mesma. A crise da zona euro e seus impactos sobre um sistema financeiro opaco e vulnerável são uma expressão disso.
Mas essa incapacidade não implica passividade política. O que ocorre simplesmente é que a ação da burguesia está cada vez mais movida exclusivamente pela vontade de preservar a dominação de classe em toda sua crueza. E faz isso de maneira imediata e direta sobre os trabalhadores da Europa. Os centros de decisão capitalista buscam ativamente soluções capazes de proteger os bancos e evitar o imenso choque financeiro que significaria a moratória de Itália ou Espanha, fazendo cair mais do que nunca o peso da crise sobre as classes populares. Um testemunho disso foi o desembarque (com poucos dias de intervalo) na cúpula dos governos grego e italiano, de agentes do capital financeiro que foram designados diretamente por este, “ignorando os procedimentos democráticos”. Outro testemunho é a dança de rumores sobre projetos de “governança” autoritária que estão sendo discutidos na zona euro. Isso tem implicações políticas ainda mais graves para os trabalhadores, porque vem acompanhado pelo reforço do caráter pró-cíclico das políticas de austeridade e privatização que contribui para a nova recessão em marcha.
Os incessantes chamados que, do outro lado do Atlântico Norte, fazem Barack Obama e o Secretário do Tesouro, Tim Geithner, para que os dirigentes europeus apresentem uma rápida resposta à crise do euro traduzem o fato de que o “motor americano”, como dizem os jornalistas, está “avariado”. Desde 1998 (rebote da crise asiática), o funcionamento macroeconômico estadunidense foi construído quase inteiramente na base do endividamento das famílias, das pequenas e médias empresas e das comunidades locais.
Este “regime de crescimento” está muito arraigado: reforçou com tanta força o jogo dos mecanismos de distribuição desigual de renda que os dirigentes não têm outra perspectiva a qual se agarrar que o momento – distante – em que as pessoas possam (ou estejam, na verdade, obrigadas a) endividar-se novamente. As diferenças “irreconciliáveis” entre democratas e republicanos estão ligadas a duas questões interconectadas: qual seria a melhor maneira de desendividar o Estado Federal desde essa perspectiva e se pode, ou mesmo deve, endividar-se ainda mais para alcançar esse objetivo.
A incapacidade de conceber qualquer outro “regime de crescimento” reflete a quase intocável força econômica e política da oligarquia político-financeira que constitui esse 1%. O movimento Ocupa Wall Street é um primeiro sinal do enfraquecimento desta dominação, mas até que não ocorra um terremoto mundial que inclua os Estados Unidos, a política econômica norteamericana seguirá reduzida às injeções de dinheiro do Banco Central (FED), ou seja, a fazer funcionar a máquina de fabricar cédulas, sem que ninguém saiba até quando isso pode durar.
A China e a Índia podem ajudar, como fizeram em 2009, a limitar a contração da produção e do comércio. Em particular a China seguirá – mas com mais dificuldade que antes – ajudando a enfrentar a contração mundial. Com a plena integração da Índia e da China na economia se produziu um salto qualitativo na dimensão do exército industrial de reserva a disposição do capitalismo mundial em seu conjunto. Adicionalmente, deve-se recordar que na China se encontram alguns dos mais importantes focos de superacumulação e de superprodução. Fala-se muito do efeito tesoura entre a grande baixa do PIB dos países capitalistas industriais “velhos” e a ascensão dos “grandes emergentes”, e a crise também acelerou a finalização do período de hegemonia mundial dos Estados Unidos (hegemonia econômica, financeira e monetária, desde os anos 1930, hegemonia militar não compartilhada a partir de 1992). No entanto, a China não está de nenhum modo em condições de tomar o lugar dos Estados Unidos como potência hegemônica.
A novidade da grande questão política do período
Este artigo trata de repassar a origem e a natureza das crises capitalistas que se tornaram particularmente notórias com a crise atual e situar esta na “história de longo prazo”. A crise em curso estourou ao término de uma fase muito longa (mais de cinquenta anos) de acumulação quase ininterrupta: a única fase desta duração em toda a história do capitalismo. Precisamente, a crise pode durar muitos anos, até uma década, porque tem como substrato uma superacumulação de capacidades de produção especialmente elevada e, como aberração, uma acumulação de capital fictício em um valor também sem precedente.
Por outro lado, a situação muito difícil dos trabalhadores em qualquer parte do mundo – por diferenciada que ela seja de continente para continente e, inclusive de país para país, devido a suas trajetórias históricas anteriores – resulta da posição de força obtida pelo capital graças à mundialização do exército industrial de reserva com a extensão da liberação dos intercâmbios e do investimento direto na China.
Se em um horizonte temporal previsível não há “saída da crise” para o capital, de maneira complementar e antagônica, o futuro dos trabalhadores e dos jovens depende, em grande medida, senão inteiramente, da capacidade para abrir espaços e criar “tempos de respiração” políticos próprios, a partir de dinâmicas que hoje só eles podem mobilizar. Estamos em uma situação mundial na qual o decisivo passou a ser a capacidade destes movimentos – nascidos sem aviso – se organizarem de tal modo que conservem uma dinâmica de “autoalimentação”, inclusive em situações nas quais não existam, no curto prazo, desenlaces políticos claros ou definidos.
Na Tunísia, Grécia ou Egito, mas também nos Estados Unidos, os movimentos OWS (Ocupa Wall Street), em especial no contexto nacional da principal potência capitalista do mundo e de um espaço geográfico continental, o melhor que os militantes podem fazer é ajudar a que os atores dos movimentos com essa potencialidade afrontem os diversos e numerosos obstáculos contra os quais se chocam e defendam a ideia de que, em última instância, as questões sociais decisivas são “quem controla a produção social, com que objetivo, segundo que prioridades e como pode ser construído politicamente esse controle social”. Possivelmente seja este o sentido dos processos e consignas “de transição” hoje em dia. Alguns poderão dizer que sempre foi assim. Mas, dito nos termos acima, para grande quantidade de militantes constitui uma formulação em grande medida – se não completamente – nova.
A valorização “sem fim e sem limites” do capital como motor da acumulação
Antes de retomar a crise iniciada em 2007, é preciso explicitar os meios da acumulação capitalista. Detenhamo-nos por um instante na teoria da acumulação no longo prazo. O objetivo é ajudar, partindo de uma compreensão precisa dos estímulos do movimento de acumulação capitalista, para facilitar a explicitação da natureza das crises e situar cada grande crise na história social e política mundial. Como escreveu Paul Mattick, ao comentar uma indicação de Engels, “nenhuma crise real pode ser entendida se não for situada no contexto mais amplo de desenvolvimento social global” (Mattick, 1977:39). A magnitude e os traços específicos das grandes crises são a resultante dos meios aos quais o capital (em um sentido que inclui os governos dos países capitalistas mais importantes) recorreu no período precedente para “superar esses limites imanentes” antes de ver “que voltam a se levantar esses mesmos limites, ainda com maior força” (Marx, 1973: III, 248).
As crises estouram no momento em que o capital fica novamente “enredado” em suas contradições, enfrentando as barreiras que ele mesmo cria. Quanto mais importantes tenham sido os meios utilizados para superar seus limites, mais prolongado será o tempo em que esses meios de superação atingirão seu objetivo, e mais poderão diferir sua revelação. Além disso, mais importante será a crise e mais difícil a busca de novos meios para “superar esses limites imanentes”. Deste modo, a história invade a teoria da crise.
Cada geração lê e relê Marx. E o faz tanto para seguir a evolução histórica como também para dar conta da experiência de dificuldades teóricas com as quais tropeçou. Durante muitas décadas predominou a problemática do desenvolvimento das forças produtivas em suas distintas variantes, com as reminiscências das teorias do progresso que a mesma ainda podia arrastar.
Hoje, o Marx que, como militante-investigador, deve ser lido é o que ajuda a compreender o que significa a tomada do poder pelas finanças, o dinheiro em toda sua brutalidade, aquilo sobre o qual ele escreveu nos Manuscritos de 1857-58 dizendo que “o capital (...) enquanto representante da forma universal da riqueza – o dinheiro – constitui o impulso desenfreado e desmedido de passar por cima de suas próprias barreiras” (Ibid.: 276). Ou também o que sustenta em O Capital, a saber que “a circulação do dinheiro como capital carrega em si mesmo seu fim, pois a valorização do valor só se dá dentro deste processo constantemente renovado. O movimento do capital é, portanto, incessante” (Ibid.: I, 108). Ao longo do século XX, muito mais que no momento em que foi estudado por Marx, o capital evidenciou um profundo nível de indiferença quando ao uso social das mercadorias produzidas ou a finalidade dos investimentos.
Há trinta anos, a “riqueza abstrata” tomou cada vez mais a forma de massas de capital-dinheiro em busca de valorização colocadas nas mãos de instituições – grandes bancos, companhias de seguros, fundos de pensão e Hedge Funds – cujo “trabalho” é o de valorizar seus bens de maneira puramente financeira, sem sair da esfera dos mercados de títulos e de ativos fictícios “derivados” de títulos, sem passar pela produção. Enquanto as ações e os títulos da dívida – pública, das empresas ou das famílias – só são “vales”, direitos de se apropriar de uma parte do valor e da mais valia, concentrações imensas de dinheiro se voltam ao “ciclo curto Dinheiro-Dinheiro” que representa a suprema expressão do que Marx chamou de fetichismo do dinheiro. Expressa mediante formas cada vez mais abstratas, fictícias, “nocionais” (termo utilizado pelos economistas das finanças) de dinheiro, a indiferença ante as consequências da valorização sem fim e sem limites do capital impregna a economia e a política, inclusive em “tempos de paz”.
Os traços principais do capital a juro, que foram destacados por Marx – manter-se “à margem do processo de produção” e apresentar “o juro como o verdadeiro fruto do capital, como o originário, e com o lucro transfigurado agora como lucro de empresário, como simples acessório e aditamento adicionado no processo de reprodução” (Ibid.: III, 373) – hoje colocam os dirigentes capitalistas defrontados com a toda a sociedade, com o conjunto da sociedade. O que ocorre em nível da distribuição (o 1% frente ao 99%, segundo diz a consigna dos militantes do OWS) é só a expressão mais facilmente perceptível de processos muito mais profundos. Na cúpula dos grandes grupos financeiros – tanto nos chamados “com predomínio industrial” como nos demais – existe uma fusão quase completa entre o “capital-propriedade” e o “capital-função”, que Marx identificou, opondo-os parcialmente. A “era dos gerentes” deu lugar a outra na qual há uma identidade de visão quase completa entre os acionistas e os dirigentes.
Para um capital no qual as finanças estão no comando, a busca “desenfreada e desmedida” da valorização deve ser conduzida muito mais impecavelmente se o sistema está em crise. Os “vales” sobre a produção em forma de dividendos ou juros estão ameaçados e alcançam montantes que, desde os anos 1920, nunca tinham sido tão elevados. É por isso que, seja se trate dos trabalhadores que o capital emprega apesar da situação de superprodução, ou dos recursos básicos que vão ficando raros ou mesmo da posição a se adotar frente às mudanças climáticas e suas previsíveis consequências, o reflexo predominante no capital tomado de conjunto é intensificar as exploração das “duas fontes originais de toda riqueza”: a terra e o homem (Ibid.: I, 424) e isso, ilimitadamente, até o esgotamento, sejam quais forem as consequências.
Não posso estender-me aqui na análise das questões ecológicas e sua interação com o movimento da acumulação e suas contradições, mas cabe assinalar que, com a crise, estas interações se tornam ainda mais estreitas, como mostra o último informe da Agência Internacional de Energia (Reverchon).
Centralização e concentração do capital e intensificação da competição intercapitalista
A ideia associada à expressão “os senhores do mundo”, a de uma sociedade planetária do tipo de Metrópolis, de Fritz Lang, acaba de ser reforçada pela difusão de um estudo estatístico muito importante sobre as interconexões financeiras entre os maiores bancos e empresas transnacionais, publicado pelo Instituto Federal Suíço de Tecnologia, de Zurich (Vitali et. al.). Seria preciso um artigo inteiro para examinar a metodologia dos dados de base e as conclusões deste ambicioso estudo, cujos resultados têm importantes implicações, mas devem ser cruzados com outros fatos.
Qual o sentido de classificar cinco grupos financeiros franceses (Axa no quarto lugar e Société Générale no posto vinte e quatro) entre os cinquenta primeiros grupos mundiais com base no número de seus laços (caracterizados como “de controle”) com outros bancos e empresas? Como reconciliar essa informação com a exigência de socorrer esses mesmos grupos? A densidade de interconexões financeiras não traduz sobretudo o fluxo de operações financeiras nas quais os grupos em questão são intermediários? E os numerosos laços não teriam o estatuto de nós do sistema e não o de centralizadores do valor e da mais valia?
Em todo caso, a publicidade dada ao estudo exige fazer dois tipos de observações teóricas que são, ao mesmo tempo, indispensáveis para compreender a situação mundial. Os processos de liberalização e privatização fortaleceram muitíssimo os mecanismos de centralização e de concentração do capital, tanto em nível nacional, como de maneira transnacional. São processos que alcançaram tanto o Sul como o Norte. Em determinados setores dos países chamados “emergentes” – a banca e os serviços financeiros, a agroindústria, a mineração e os metais básicos – vimos a centralização e a concentração do capital e sua expansão para os países vizinhos.
No Brasil e na Argentina, por exemplo, a formação de poderosas “oligarquias” modernas andou de mãos dadas com fortes processos endógenos de acumulação financeirizada e a valorização de “vantagens comparativas” conformes às necessidades de matérias primas desta acumulação mundial na qual a China passou a ser o pivô. Especialmente no Brasil se formaram oligopólios que rivalizam com seus pares norteamericanos ou australianos na extração e transformação de metais e na agroindústria. Devido à mundialização, as interconexões entre os bancos e entre bancos e empresas comprometidas com a produção industrial e os serviços, passaram a ser mais fortemente transnacionais do que em qualquer outro momento. O campo de ação do que Lenin chamava de “entrelaçamento” é a economia mundial. Não é por isso que o capital é monolítico. O entrelaçamento não apaga a competição entre os oligopólios que, por ocasião da crise, recuperam traços nacionais e comportamentos pouco cooperativos.
O que prevalece hoje na arena mundial é o que Marx chama de “anarquia da produção”, cujo motor é a competição, mesmo que o monopólio e o oligopólio sejam a forma absolutamente dominante dos “múltiplos capitais” que conjuga o capital considerado como totalidade. Os Estados, ou mais exatamente, alguns Estados, os que ainda têm meios para isso, são cada vez mais os agentes ativos dessa competição. O único Estado que conserva esses meios na Europa continental é a Alemanha. Não ocorre o mesmo na França, onde a burguesia se tornou novamente financeira e rentista, deixando que ocorresse um processo de desindustrialização, encerrando-se na opção da energia nuclear e que vê agora seus “campeões nacionais” caírem um após o outro. Por isso, as dúvidas a respeito da presença dos bancos franceses entre os cinquenta “senhores do mundo”.
A outra grande observação referente à centralização-concentração do capital nos devolve ao nosso fio condutor. A razão pela qual as leis coercitivas da competição desfazem as tendências que vão no sentido do acordo entre os oligopólios mundiais é que o capital, por mais centralizado que seja, não tem o poder de se libertar de suas contradições constitutivas, assim como não pode bloquear o momento no qual volta a se encontrar com seus “limites imanentes”.
(*) François Chesnais é professor emérito na Universidade de Paris 13 – Villetaneuse. Destacado marxista, integra o conselho científico da Attac-França. É autor de “La mondialisation du capital” e coordenador de “La finance mondialisée, racines sociales et politiques, configuration, conséquences”. Email:  chesnais@free.fr
Tradução de Marco Aurélio Weissheimer, a partir da versão em espanhol publicada em Sin Permiso.
http://www.cartamaior.com.br

segunda-feira, 9 de julho de 2012

POSTURA DE ROSINHA NEGA AS PRÓPRIAS ORIGENS

Que vergonha! 

Quando a gente pensa que já viu de tudo na Terra Goitacá aparece mais essa.

Quanta ignorância!

O índio Pataxó que  comumente encontramos no Sul da Bahia, foi vítima de maus tratos da terra dos índios Goitacás.

Os fiscais de postura da Prefeita Rosinha achincalharam com o índio. Ainda bem que a população teve um olhar de respeito pelo nosso visitante.

A reação dos fiscais retratam o poço de preconceito onde vivem mergulhados alguns setores de nossa sociedade, na doce planície goitacá.

Lamentável!

Na terra goitacá, pataxó passa sufoco

índio
Foto - Phillipe Moacy - Folha da Manhã
Na tarde desta segunda-feira (09), no Calçadão (Largo da Imprensa), um índio pataxó viveu momentos de tensão e recebeu o apoio da população. O índio, que tinha autorização para expor e comercializar produtos no local, foi enquadrado pela Guarda Municipal após solicitação do Departamento de Postura da Prefeitura.
Ele contava com autorização de Orávio de Campos, secretário de Cultura e presidente do Conselho de Preservação do Patrimônio Arquitetônico Municipal (Coppam). No entanto, os fiscais da Prefeitura alegaram que a secretaria e o Coopam não são responsáveis por emitir esse tipo de autorização.
População defende — Em defesa do índio, dezenas de populares gritavam “Êêê. Solta logo o índio, se não soltar o pau vai comer”.
Sucesso — Quem passava pelo local queria fotografar e filmar o índio. “Que legal. Eu só consigo ver esses índios nos filmes de faroeste”, disse um senhor que passava pelo local.
Por volta das 16h30 o índio foi buscar a autorização para permanecer no local e voltar normalmente amanhã (10).

domingo, 8 de julho de 2012

Schunk visita HGG e vê caos

 Matéria do Jornal Folha da Manhã

 Schunk visita HGG e vê caos

Phillipe Moacyr
Na primeira da série de visitas que fará aos hospitais públicos e conveniados de Campos, o candidato a prefeito pelo Psol, médico sanitarista Erick Schunk (PSOL) esteve na manhã de ontem no Hospital Geral de Guarus (HGG), mantido pela Fundação Municipal de Saúde, e constatou superlotação com leitos improvisados no corredor da Emergência, mas a assessoria da instituição informou que, na última quinta-feira, a prefeita Rosinha Garotinho (PR) inaugurou a UTI com 15 leitos, que aumentou em 50% o número de leitos de terapia intensiva e em 30% os leitos de clínica médica. O médico apontou que o problema é devido à falta de investimentos.
Adiantando que o próximo passo será conhecer a realidade dos hospitais Ferreira Machado, São José (Goitacazes) e de Travessão.

De acordo com Erik Schunk, a maioria dos pacientes não tem privacidade e condições dignas. “Esta senhora aqui, por exemplo, não tem condições de ir ao banheiro e é exposta ao público, quando tem de fazer suas necessidades fisiológicas”, disse, atribuindo a superlotação à falta do Programa Saúde da Família (PSF) e do atendimento ambulatorial noturno.

— Sem o programa, o atendimento ambulatorial também fica comprometido. Não temos o serviço noturno para atender o trabalhador, cuja jornada é durante todo o dia. A saúde no município é deficiente — observou.

O prefeitável também ressaltou que os equipamentos utilizados na instituição estão desgastados. “Eles estão enferrujados e precisam ser substituídos. Esta maca, por exemplo, poderia ser melhor, mas ainda é utilizada pelo hospital. O suporte de soro também está desgastado”, concluiu.

A assessoria da Fundação de Saúde informou através de e-mail que, em relação à manutenção preventiva, recuperação e troca de equipamentos, ges-tores da fundação se reuniram recentemente com representantes do consórcio Aliança, que venceu licitação para prestação de serviço de gestão, assessoramento e intervenção nas tecnologias médicas das unidades.

A Folha tentou ouvir também a secretaria municipal de Saúde sobre o Programa Saúde da Família (PSF), mas não teve sucesso.
Pesquisa – O candidato a prefeito pelo PSOL nas eleições de outubro, Erick Schunk disse que, tanto funcionários quanto pacientes das unidades hospitalares, estão sendo ouvidos sobre o atendimento. “Estamos fazendo uma pesquisa com os funcionários e os pacientes. Nos questionários a gente pergunta sobre a valorização do trabalho do profissional, satisfação no local de trabalho, conforto oferecido, segurança contra riscos à saúde, interesse do hospital no aperfeiçoamento deles, benefícios oferecidos, qualidade dos equipamentos e materiais de trabalho e salário”, revelou.
(...)

sábado, 7 de julho de 2012

Erik Schunk constata péssimas condições do HGG


Da assessoria de imprensa do candidato Erik Schunk, do PSOL:



"O candidato da Frente de Unidade Popular (FUPO) à Prefeitura de Campos, Erik Schunk, visitou hoje de manhã (sábado) as dependências do Hospital Geral de Guarus (HGG) e constatou as “péssimas condições, tanto para os pacientes quanto para os profissionais de saúde. A Fupo é formada pelos partidos PSOL, PCB e PSTU. Erik conversou com funcionários e com pacientes, que reclamaram da higiene precária nas enfermarias e corredores. Ele estava acompanhado do candidato a vice-prefeito, professor Amaro Sérgio (PCB).

Segundo Erik Schunk a situação do HGG não é um caso isolado e sim o retrato da falta de atenção à saúde nos últimos governos municipais “que priorizam a politicagem em detrimento do planejamento”. Erik defendeu a volta do Programada Saúde da Família, medicamentos gratuitos entregues diretamente nos postos de saúde e que funcionariam todos os dias, inclusive parte da noite e construção de hospitais no interior.
— Nos últimos 20 anos e na medida em que a cidade vai crescendo, os serviços vão piorando por falta de planejamento. A sobrecarga em cima do HGG e do Ferreira Machado são resultado do abandono das Unidades Básicas de Saúde, os chamados postos de bairros e distritos e falta de hospitais nas regiões mais distantes do município, como a Baixada, região Norte e Ururaí — disse o candidato à Prefeitura de Campos, reafirmado que, ao lado da Educação, a Saúde será o principal tema que pretende debater na campanha.
Entre as propostas do candidato para a área: atendimento médico de qualidade e com dignidade em todo o Sistema de Saúde – SUS; medicamentos básicos gratuitamente (e sem faltar) e entregues nos postos de saúde; qualidade no atendimento nos Hospitais Públicos; construir Hospitais de verdade na Baixada, em Ururaí e região de Santo Eduardo e Santa Maria; postos de saúde com médicos todos os dias e também no horário noturno; funcionamento do Programa de Saúde da Família – PSF em todo o município e combate efetivo aos mosquitos, moscas e roedores.





DOMINGO – Neste domingo, Erik e o candidato a vice-prefeito, professor Amaro Sérgio vão visitar a Baixada Campista. Às 9:30 vão visitar a praia do Farol de São Thomé e, às 14h, o distrito de Baixa Grande."

terça-feira, 3 de julho de 2012

Quando a burrice serve de camuflagem à desonestidade!


imagemCrédito: Diario Liberdade


Brasil - Diário Liberdade - Considerações sobre o cenário político atual no Brasil, por Samuel França Alves.
A motivação deste escrito são as manifestações nos últimos dias sobre o encontro de Lula e Haddad com Paulo Maluf, marcado pela emblemática foto do cumprimento entre esses selando um acordo típico da política. Muitos se surpreenderam. Outros nem tanto. E os quadros da base do PT e PCdoB trataram logo de reproduzir os argumentos que suas direções oferecem para justificar a cena.
Quaisquer imagens de Paulo Maluf sempre me despertaram o mais extremo asco! Somada ao semblante claramente debilitado do Lula em tratamento contra um câncer, o mal-estar não podia ser menor. Mas surpresa só acometeu aos ingênuos, distraídos ou desinformados! Em 2011 Aldo Rebelo, ministro dos esportes, esteve pessoalmente no aniversário de 80 anos do notório canalha, segundo suas palavras “representando o governo Dilma” para “cumprimentar esse importante político brasileiro” que “preside um partido da base aliada do governo”. A aliança já estava nos planos dos dois lados.
Entretanto não deixa de criar um contexto revelador, que se analisado até a raiz pode quebrar os laços de ilusão que unem ao PT grande parte das pessoas que no Brasil almejam ver ou até mesmo ajudar a construir uma sociedade diferente.
O que nem mesmo as falas como a da Erundina1 se atreveram a apontar é que a proximidade do governo PT com a ditadura militar vai muito além daquele aperto de mão! Muito além da sigla do partido aliado2! Podemos começar essa aproximação tão evitada sugerindo a leitura dos artigos constantemente publicados na revista Carta Capital por Delfim Neto3. Quem acompanha a coluna deste infame lê constantes elogios às políticas do governo PT, a começar pelas obras faraônicas (antes Rodovia Trans-amazônica, hoje Belo Monte) chamadas de investimento em infraestrutura e chegando às medidas tributárias4, cujo exemplo mais grotesco é sem dúvida as reincidentes reduções de IPI para a indústria automotiva5. O que qualquer leitor dos referidos textos deve sempre se perguntar é: como pode um governo dito de esquerda agradar tanto a um economista da ditadura?!
Então quem são os verdadeiros beneficiários das políticas do governo do PT? São seus financiadores de campanhas eleitorais: bancos, construtoras e empresas do agronegócio e commodities. Belo Monte por exemplo, não é um projeto de infraestrutura energética6, é um projeto de desvio de milhões dos cofres públicos para construtoras e grupos de investimento, que nos próximos anos pagarão as fantásticas campanhas eleitorais. E assim com as obras para os grandes eventos. Mesmo que isso custe entregar o meio-ambiente à devastação, desalojar populações na Amazônia e cidades-sede da Copa e Olimpíada, apoiar uma política de repressão social militarizada etc. Menciono aqui três pontos dignos de uma análise mais detida: o Novo Código Florestal, as políticas de obras e ocupação do espaço urbano e o apoio do Governo Federal às UPP’S no Rio de Janeiro.
Durante todo o debate envolvendo a tramitação no Congresso do projeto do Novo Código Florestal, toda uma rede de ativistas cobrou da presidenta Dilma uma atitude de enfrentamento com a bancada ruralista7, sendo este grupo responsabilizado pela intenção do projeto. As duras e corretas críticas à insuficiência dos vetos feitos apontam o ocorrido como uma derrota para esse setor social. Nesse contexto, a base do governo pôde responder às críticas apelando para a necessidade de se fazer política com senso de realidade e outras falácias do tipo.
O grande furo deste ponto de vista é que ele não responde a uma pergunta primeira e fundamental: por que diabos este projeto entrou em tramitação? A quais interesses do governo do PT serve este retrocesso em nossa legislação ambiental?
Para responder e essa questão é preciso lembrar que não é somente para o agronegócio que a referida legislação interessa. Questões centrais como “o que pode ser desmatado?” e “o que é considerado recuperação e reflorestamento?”8 tem seus parâmetros jurídicos estabelecidos pelo Código Florestal e interessam particularmente a duas espécies de peixes grandes: as mineradoras e as empreiteiras. Um aspecto grave da nova legislação são suas consequências para os processos de licenciamento para autorização das referidas atividades, num momento em que inúmeras obras do PAC precisam andar. Outro fato alarmante é a tentativa de anular os poderes que o IBAMA e a FUNAI têm neste âmbito e a pressão que os servidores desses órgãos9vêm sofrendo para apressar o licenciamento das obras.
Em suma, a legislação ambiental é enxergada pelas mentes governantes como obstáculo ao “desenvolvimento”10, e deve ser controlada de modo a não afetar o ritmo de crescimento. A propositura de uma reforma no Código interessava ao Governo PT – a serviço das mineradoras e empreiteiras – e só aí a bancada ruralista obteve a oportunidade de fazer valer seus interesses também, aumentando de fato o tamanho do desastre. O desfecho deste triste capítulo da nossa história legislativa perdoa os desmatamentos e torna o meio ambiente ainda mais vulnerável a novas devastações. O PT não poderá apagar a sua responsabilidade nisso!
O segundo ponto referido está estreitamente ligado a um discurso oficial do governo que chamaremos de “neo-desenvolvimentismo”. A noção dedesenvolvimento é vendida11 ao público eleitor com um conteúdo neutro, um bem inquestionável, solução milagrosa para os males sociais. Com isso o PT joga no lixo todo o esforço da reflexão teórica da esquerda latino-americana nas últimas décadas, que tratou de explicitar o caráter ideológico por trás dessa política. No lugar de pensar novas formas de organização da produção de riquezas, que viabilizem uma distribuição mais justa e um consumo consciente, viável e humanizado, temos simplesmente o desenvolvimento, a mesma ideia que orientava a ação dos governos ditos “populistas” (Vargas, JK) e da ditadura. Aqui propõe-se a contraposição entre um mundo dito avançado (urbanizado e industrializado, onde o consumo frenético de bens cada vez mais descartáveis é a imagem mais representativa) e um atrasado (tudo o que no campo não é agribusiness, que deve então ceder lugar a este ou ao mar de concreto).
O que, como seus antecessores, o PT não inclui em seu conto de fadas é que crescimento do PIB não implica em redução de desigualdades12 nem em combate consequente aos problemas sociais em geral. Na imagem que fazem do urbano só aparece “dinamismo” e consumo. O caos urbano, conflitos, poluição, engarrafamentos etc só aparecem quando servem a justificar “obras” que não fazem mais do que deslocar estes problemas de lugar. “Obras”! Os políticos no Brasil adoram fazer “obras”. Para resolver quais problemas sociais? Pergunta despropositada! As “obras” são fins em si mesmas, além é claro de influírem enormemente em campanhas eleitorais (vide o papel que a Copa e a Olimpíada cumpriram para eleger Dilma) ao convencer os eleitores que o governo está fazendo. E de fato algo está, mas não o que parece.
O fato fica mais evidente quando falamos das obras nas cidades. A quem interessa a duplicação de avenidas, construção de viadutos, elevados, túneis etc etc etc? Primeiramente às empreiteiras, que devem ser enriquecidas, já que são grandes financiadoras de campanhas eleitorais. Em segundo lugar à indústria automobilística, que ao invés de ser ameaçada por investimentos devidamente pensados como solução em transporte público, vê seu possível consumidor encontrar ainda mais motivos para comprar carros. Em terceiro lugar as “obras” interessam a um tipo de “investidor” que participa ativamente da decisão “que obra fazer”: o especulador imobiliário. Este parasita explorador da miséria social enriquece em escala astronômica com uma simples “obra”. Vou dar aqui um único exemplo, o mais imoral que nossa história atual oferece, na certeza de que o leitor poderá associar o mesmo processo a inúmeros outros casos: no Rio de Janeiro, grupos de “investidores” – nobres milionários que almejam alcançar os mais distintos espaços na revista Forbes13 – compraram dezenas de galpões abandonados e outros imóveis na zona portuária da cidade, desvalorizados por se encontrarem perante um elevado de 5,5 Km de extensão (a via perimetral). Eis que o desenvolvimento fará com que esta via seja derrubada e refeita subterraneamente, ao que se seguirá uma “revitalização” da região, que “apenas por acidente” multiplicará o valor dos referidos imóveis...
Quem acredita que não são esses interesses que determinam quais “empreendimentos” o governo manda o BNDES financiar, vive num dos mundos de conto de fadas que os políticos brasileiros se especializaram em embutir nas mentes de seus eleitores.
Por fim, talvez o mais delicado dos pontos acima mencionados. Isso porque até mesmo a militância petista passou a reproduzir o discurso “global” sobre o assunto. Se Fernando Henrique Cardoso tivesse mandado militares brasileiros para a Colômbia, que lá receberam do exército norte-americano e da CIA o mesmo treinamento que estes ministraram para os colombianos combaterem as FARC's, para aqui implementarem tais táticas de guerra num verdadeiro massacre à população mais pobre do Rio de Janeiro, ah se FHC tivesse cometido esse crime hediondo teria sido devidamente desmascarado, denunciado e combatido! Mas a benção do Lula cobre com uma aura sacro-santa qualquer política de direita. Qualquer observador atento sabe em primeiro lugar que o mapa de implementação das UPP's segue a interesses imediatos da especulação imobiliária e das obras para os grandes eventos. Em segundo lugar sabe que enquanto política de “combate às drogas” e ao narcotráfico, as UPP's são um excelente tema para filmes de ficção. Sabe também que a população das comunidades pobres do Rio são oprimidas ora pela PM, ora pelos traficantes, ora pelo BOPE, mas em nenhum momento as políticas que visassem oferecer-lhes alternativas e benefícios tiveram orçamentos minimamente comparáveis ao que a fábrica de guerra recebe.
Nas comunidades das quais os traficantes foram afastados, o povo e principalmente os jovens continuam expostos às mesmas condições de risco social. Ao que se soma agora uma tremenda elevação de seu custo de vida, que aos poucos tende a mudar a composição social dos moradores destes locais14.
Qualquer discussão sobre as políticas de “combate” às drogas deveria começar por uma análise da origem histórica do problema: o proibicionismo. A proibição pelo Estado do consumo e comércio de determinados produtos e substâncias, bem como o combate militarizado a isto, teve origem num contexto bem específico, o neo-colonialismo inglês no sul da Ásia (que desembocou na “guerra do ópio”). Desde sua origem a proibição e o “combate” às drogas faz parte de uma política de opressão e controle sobre grupos sociais marginalizados, e enquanto tal segue sendo uma política bem sucedida, cuja legitimação depende da mídia fazer o seu papel, isto é, uma abordagem moralista e parcial dos fatos.
Não é possível exaurir aqui estes temas. Mas se tiver sido bem sucedido em chamar a atenção dos leitores para determinados fatos que mostram que “o buraco é muito mais embaixo”, em descolá-los do discurso que a mídia e os líderes políticos cristalizaram, há uma grande bibliografia disponível para aprofundamento. O que me resta fazer aqui é dizer por que as lideranças historicamente ditas de esquerda no Brasil depois de nove anos no poder estão cada vez mais próximas dos Maluf's, Collor's, Sarney's e Jader Barbalho's pelo país afora.
Para isso devemos voltar nosso olhar para dois pontos: primeiro em quais atividades econômicas os dirigentes do PT estão diretamente envolvidos; e depois quais foram as principais reformas que este governo implementou. Ao fazê-lo duas informações importantes se cruzam, e fica mais do que clara a opção dos quadros dirigentes do PT e PCdoB: a política para eles é um projeto de vida material pessoal. O governo, seja de uma cidade, estado ou a presidência da República, é o instrumento. Alguma diferença com a atuação dos quadros políticos das oligarquias ou outros grandes grupos econômicos? Só a quem as medidas desses governos devem prioritariamente enriquecer. Naturalmente, enquanto isso eles não podem romper inteiramente com o restante da elite econômica, que segue sendo devidamente amamentada durante o processo. Só isso? Não, não... O projeto econômico de vida desses velhos políticos de “esquerda” é bem mais ambicioso, e se completado lhes garantirá fortuna e “bem-aventurança” capazes de sobreviver até mesmo a décadas de governos de seus “adversários. O que pretendem é tornarem-se gestores de fundos de pensão!
A mina de ouro lhes foi revelada à medida em que antigos quadros da burocracia sindical deixaram essa atividade e passaram a assumir a direção dos fundos de pensão privada de empresas que desde os anos 80 tem sua base de trabalhadores politicamente ligada à CUT. Para que se tenha uma ideia do tamanho do bolo, o patrimônio da Previ (fundo de pensão para os bancários do Banco do Brasil) ultrapassou em 2011 a casa dos 150 Bilhões de reais! A Petros (correlato da Petrobras) prepara-se para em 2012 passar a marca de 58 Bi! E assim há outros... Não é difícil imaginar o poder econômico e, consequentemente, político, que os diretores desses grupos detêm. Exemplo simples: a Previ é o maior acionista da Vale.
Mas a ambição dos petistas (e consortes) é muito maior. O primeiro passo foi dado no governo Lula: Reivindicando uma mentira inventada por FHC – que outrora o PT denunciara e combatera – a de que a Previdência Social no Brasil era deficitária15, Lula fez uma reforma previdenciária que atingiu os servidores públicos de todos os níveis. Estes, que contribuíam para seus sistemas de seguridade sobre o valor total de seus salários e assim faziam jus ao direito de aposentadoria integral, foram subordinados ao teto de contribuição e benefícios do INSS. Nessa canetada o governo criou um público-alvo privilegiado para os sistemas de previdência privada. Servidores que ganham hoje 5, 7, 15 mil reais por mês defrontam-se com a perspectiva de uma aposentadoria de R$ 3.916,20 e são fortemente induzidos a separar uma fatia de seus salários para planos de previdência complementar. Um olhar rápido nos balancetes dos bancos e patrimônio dos fundos de pensão já revela imediatamente como o negócio é lucrativo.
O passo seguinte vem sendo articulado desde então, e o possível sucesso do governo Dilma depende de cumprir essa missão: criar um fundo de pensão para os servidores públicos, administrado pelos “companheiros”. E pasmem! A ambição é tanta que o PT pretende criar um único fundo, para servidores municipais, estaduais e federais, de todas as áreas (naturalmente esse seria um “bônus”, do qual não depende o sucesso do plano – a multiplicidade de fundos só dificultaria um pouquinho a gestão). Longe de erradicar a miséria e quaisquer outros idealismos. A questão é “só” dinheiro. E quanto dinheiro!!!
Como disse, esse contexto triste pode ter o mérito de retirar desses mentirosos traidores sua base social de apoio entre os ativistas16. Quaisquer apoiadores do PT encontram-se perante um dilema ético: ou fazem papel de burros e abraçam a desonestidade e o projeto de vida de seus líderes, repetindo os argumentos prontos para tudo o que o governo fizer (seja porque são burros mesmo, seja porque almejam um cargo que certamente é melhor do que trabalhar como um proletário), ou então dão as costas de vez a esses políticos profissionais, assumem a dura realidade de que o que está no poder não é um projeto de esquerda e se engajam na tarefa de reconstruir tudo de novo, tentando dessa vez ter a clareza necessária em cada passo para não cairmos no futuro nas mãos de outra direção pronta a nos trair! Uma lição já está dada: a via eleitoral é um beco sem saída! Leva inevitavelmente a alianças funestas, que paulatinamente esvaziam o conteúdo positivo da plataforma política almejada e corrompem os quadros militantes. A reorganização de um projeto de emancipação tem de buscar outros rumos. No mais, nem mesmo de um “voto útil” o PT é digno.
Notas
1 A ex prefeita de São Paulo, que já havia sido confirmada como vice de Haddad, anunciou seu repúdio à aliança e seu desligamento da campanha, escancarando a ficha do criminoso ao qual o PT se aliou. Vale dizer que Erundina apesar de poder ser questionada em diversos níveis, mesmo em todos os seus erros desde sua gestão na prefeitura de São Paulo sempre demonstrou coerência. Vale mencionar ainda que em 1998 Marta Suplicy, terceira colocada na eleição para o governo de São Paulo, declarou imediatamente apoio a Mário Covas, do PSDB, que veio em seguida a vencer a eleição contra Paulo Maluf, que nas palavras da petista era o pior mal que poderia acometer a cidade. Dois anos depois, Mário Covas mostrou pensar o mesmo, declarando apoio a Marta no segundo turno em que ela veio a derrotar o mesmo Maluf!
2 A mudança de nomes nas legendas é prática constante no Brasil, meio de apagar a lembrança dos eleitores. Vale então uma rápida rememoração: o ARENA tornou-se PDS, e depois suscetivamente PPR, PPB e finalmente PP, partido liderado por Paulo Maluf.
3De quem eu estou falando? De um crápula de porte não muito menor que Maluf. Um resumo da ficha: Deputado pelo ARENA, votou a favor do AI-5 em 68, apesar de ter manifestado julgar a medida demasiado branda (sic!) – Delfim queria poderes mais amplos para o Presidente. Em seguida, Ministro e cabeça pensante dos planos econômicos da ditadura, fraudou os índices de inflação de 69 a 74 pra manter congelados os salários dos trabalhadores, criando o famoso arrocho que (este sim e não as medidas financeiras, fiscais etc) bancou o “milagre econômico”. Nos anos 80 livrou-se de investigações criminais diversas graças a imunidade que o cargo de Embaixador do Brasil na França lhe outorgou.
4 Com base numa mentira em que os pobres coitados empresários aparecem sobrecarregados de impostos, esse falsário ideólogo do capital não se digna a apontar que quem paga impostos demais no Brasil é a classe trabalhadora (Distorção viabilizada pelo sistema de tributação indireta e as poucas faixas na tributação direta, que preservam intocadas as fortunas). Junto da mídia, economistas mentirosos como ele vêm há anos criando esse discurso sobre a tributação afim de viabilizar mais uma redução tributária para o capital às custas de sobrecarregar ainda mais o povo.
5 Política que alimenta ainda mais um modelo de produção e consumo em que se privilegia o automóvel particular em detrimento do transporte público e que além de ser extremamente nocivo para o meio ambiente é um dos principais componentes do nosso caos urbano.
6 Enquanto usina hidro-elétrica até os pareceres do governo mostram que o projeto é um péssima relação custo-benefício.
7 Vale dizer que este governo não pode enfrentar a bancada ruralista por um simples motivo: sua política macro-econômica depende do sucesso do agronegócio, pois este é fundamental para garantir o saldo positivo em nossa balança comercial.
8 No século XIX o Brasil deu ao mundo um exemplo super bem sucedido de reflorestamento. Trata-se da Floresta da Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro, área que era ocupada por latifúndios de café! No final da década de 1850, a capital do Império sofreu graves crises de abastecimento de água, cuja causa foi identificada na remoção da vegetação nativa próxima às nascentes. D Pedro II desapropriou os cafezais em 1861 e ordenou o reflorestamento, que foi realizado ao longo de 13 anos.
Em 2012 o governo do PT aprova um código florestal que considera “recuperação” de áreas desmatadas junto a nascentes e margens de rios o plantio de “espécies lenhosas perenes ou de ciclo longo, nativas ou exóticas” (dispositivo inserido pela MP), o que inclui eucalipto e café! Ou seja, seguindo a lógica do Novo Código Florestal a referida crise de 150 anos atrás não teria sido solucionada e a população do Rio de Janeiro teria sofrido de sede...
9 No início do mês de junho a associação dos servidores do IBAMA divulgou um manifesto detalhando esses abusos.
10 Antropólogos brasileiros vêm há tempos chamando a atenção para o fato de que nas próprias comunidades (indígenas ou não) nativas das florestas brasileiras encontramos diversas soluções para a questão de como explorar as riquezas das florestas de maneira sustentável e harmônica. Naturalmente essas soluções estão ligadas a sistemas culturais diferentes do nosso e são incompatíveis com o latifúndio e a sede de lucro das grandes corporações, a quem o Estado brasileiro verdadeiramente serve.
11 Quem tem noção dos rios de dinheiro que nossos governos gastam com publicidade sabe que essa expressão não é uma metáfora!
12 Para quem ainda tem ilusões quanto a este ponto, especialmente os que creem nos dados divulgados por Lula sobre o assunto, sugiro a leitura do artigo do economista e sociólogo Francisco de Oliveira, “O avesso do avesso”, publicado no número 37 da revista Piauí e disponível na internet. Para quem desconhecer e tiver suspeitas sobre este autor, trata-se de um fundador do PT, que rompeu com o partido em 2003, e um intelectual cujos trabalhos e trajetória não deixam dúvidas quanto a sua extrema competência.
13 Periódico norte-americano, apologético do sistema, que publica anualmente uma lista com os nomes das pessoas mais ricas do mundo.
14 O atual quadro do aumento do custo de vida na zona sul do Rio (rodeada pelos morros “pacificados”), especialmente no que diz respeito ao preço de venda e locação de imóveis, pressiona parte da classe média que vive nesta região a escolher entre mudar-se para regiões muito distantes ou mudar-se para as áreas “pacificadas”, na esperança de preservar parte de seu estilo de vida tradicional. Este fenômeno, paralelo à saída das pessoas mais pobres, é ainda bem inicial, mas já dá sinais de consolidação.
15 No Brasil o sistema previdenciário é parte da “seguridade social”, que segundo a Constituição de 88 tem uma série de atribuições e um conjunto de receitas. A mentira por trás das reformas da previdência foi dizer que as aposentadorias e pensões deveriam ser inteiramente custeadas pelos impostos previdenciários. O sistema de seguridade social como um todo era e continua sendo superavitário, contanto que não haja desvinculações de receitas, isto é, desvio dos seus recursos para outras prioridades, como o “serviço da dívida pública”.
16 Tarefa difícil, para a qual o próprio PT tem contribuído bem mais do que nossos grupos opositores de esquerda, que tantas vezes se perdem em discussões infrutíferas (e que no mais das vezes aparecem para escamotear a reverberação de picuinhas antigas).B/PT:

Propaganda eleitoral começa na sexta

Na Curva do Rio

Partidos e candidatos podem fazer propaganda eleitoral a partir de sexta-feira
A partir da próxima sexta-feira, dia 6, a propaganda eleitoral será permitida. De acordo com a Lei 9.504/97, a Lei das Eleições, candidatos, partidos políticos e coligações podem divulgar as candidaturas, entre 8h e 22h, por meio de carros de som e alto-falantes ou amplificadores de som nas sedes dos comitês de campanha. Comícios com aparelhagem de sonorização fixa podem ocorrer entre 8h às 24h. A propaganda eleitoral na internet também será liberada, mas com restrições.
A legislação eleitoral veda expressamente a veiculação de qualquer tipo de propaganda paga na internet. Em sítios de pessoas jurídicas, inclusive ONGs, e de entidades públicas de qualquer natureza, a divulgação de candidaturas está proibida, ainda que gratuitamente. Em blogs, redes sociais, sítios de mensagens instantâneas e assemelhados, a propaganda será permitida, mas o envio de spams continua irregular. “Vamos fiscalizar e estaremos atentos aos abusos, que serão punidos exemplarmente”, alerta o presidente do TRE-RJ, desembargador Luiz Zveiter.
A colocação de cavaletes, bonecos, cartazes, mesas para distribuição de material de campanha e bandeiras ao longo das vias públicas é autorizada pela Lei das Eleições. No entanto, esses meios de propaganda devem ser móveis e não podem dificultar o bom andamento do trânsito de pessoas e veículos. A lei proíbe ainda a colocação de propaganda eleitoral de qualquer natureza nas árvores e jardins localizados em áreas públicas, bem como em muros, cercas e tapumes divisórios, mesmo que não haja dano a esse patrimônio.
O uso de outdoors para propaganda eleitoral também é proibido, bem como a realização de showmícios e de eventos assemelhados para a promoção de candidatos. A lei veda, ainda, a confecção, utilização, distribuição por comitê, candidato, ou com a sua autorização, de camisetas, chaveiros, bonés, canetas, brindes, cestas básicas ou quaisquer outros bens ou materiais que possam proporcionar vantagem ao eleitor. A propaganda irregular é punida com multa de R$ 5 mil a R$ 30 mil. Em casos mais graves, quando um volume excessivo de recursos for gasto nas irregularidades, a fiscalização do TRE-RJ ou o Ministério Público Eleitoral podem oferecer denúncia por abuso de poder econômico.
(Fonte: Ascom TRE)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O KKE PERDEU UMA ELEIÇÃO, NÃO A PERSPECTIVA REVOLUCIONÁRIA


imagemCrédito: KKE


Ivan Pinheiro (*)
Há uma natural perplexidade sobre a perda de votos do Partido Comunista da Grécia (KKE) nas eleições de 17 de junho, inclusive entre comunistas. Ninguém está imune à manipulação da mídia hegemônica. Se não estivermos vigilantes para perceber as manipulações e não nos valermos de fontes alternativas confiáveis, sairemos por aí vocalizando o discurso dos nossos inimigos. E não há manipulação maior do que nas eleições da democracia burguesa.
O PCB, em sua última Conferência Política Nacional, tratou desta questão:
“Sabemos perfeitamente que o sistema eleitoral burguês privilegia os partidos da ordem, com regras que tendem a restringir ao máximo o acesso dos partidos comprometidos com a classe trabalhadora à mídia, ao financiamento da campanha eleitoral e, portanto, à própria conquista de mandatos parlamentares.
As eleições burguesas são balizadas e manipuladas por “mediações ilusórias”, onde ganham destaque questões como uma melhor ou pior “competência para governar ou legislar”, deixando de lado a discussão sobre temas de fundo, como o caráter do capitalismo. São instrumentos de manutenção do status quo”.
No mesmo tom, o Secretário Internacional do KKE, Elisseos Vagenas, definiu este jogo, em entrevista antes das eleições:
“O KKE não tem ilusões parlamentares, da mesma maneira que não espera o aumento gradual de seus votos até um dia em que tenha maioria no parlamento e forme um governo comunista. Se isso pudesse ocorrer via eleições, a classe burguesa teria acabado com elas”.
Na Europa, onde a crise sistêmica do capitalismo é mais aguda, consolidou-se o bipartidarismo no campo da ordem; o sistema induz a uma polarização entre dois campos políticos, um conservador e um socialdemocrata. Suas diferenças, cada vez menores no conteúdo e mais sutis na forma, não ameaçam o sistema, pois se restringem à forma de administrar o capitalismo.
Mas como o capitalismo hoje é inadministrável - a não ser através de medidas impopulares que degradam as condições de vida dos povos -, a chamada “alternância de poder” praticamente setransformou em regra na Europa. O campo político que governa sempre perde a próxima eleição para a sua “oposição” no campo da ordem. É o modelo do monopartidarismo bicéfalo, de que são os melhores exemplos as eleições estadunidenses.
Na Grécia, o imperialismo e a burguesia associada deram um show de competência política entre as eleições de 6 de maio e 17 de junho, graças à hegemonia nos meios de comunicação, ao domínio de pesquisas eleitorais sofisticadas e aos ilimitados recursos materiais de que dispõem, fazendo da eleição burguesa um jogo de cartas marcadas.
O inusitado sistema político-eleitoral grego é moldado para garantir a governabilidade institucional. O partido que chega em primeiro lugar nas eleições legislativas tem um “bônus” de um terço do número de cadeiras a que teria direito na proporcionalidade matemática e um prazo de três dias, a partir do anúncio do resultado, para compor um governo de maioria parlamentar. Caso não o consiga, este direito é atribuído, pela ordem, ao segundo e até ao terceiro colocado. No caso de nenhum desses três partidos conseguir formar o governo, novas eleições são convocadas para trintadias depois. Foi o que aconteceu na eleição de 6 de maio.
Essas novas eleições funcionam como um segundo turno, onde viceja a lógica do chamado “voto útil”, ou seja, muitos eleitores trocam o voto estratégico que deram no primeiro turno por um voto tático no segundo, para derrotar o que consideram o inimigo maior. Este fenômeno, comum em todos os países que têm segundo turno, levou quase cinquenta por cento dos votos do KKE para o Syriza, que aparecia como favorito no campo progressista, por ter chegado à frente do Pasok já no primeiro turno. O Nova Democracia, que polarizou pela direita todo o processo, também foi beneficiado pelo “voto útil”.
Nas eleições de 6 de maio, houve uma fragmentação política tão grande, que nenhum dos três partidos mais votados, cada um com seus três dias de prazo, conseguiu formar o governo: respectivamente, Nova Democracia (centro-direita), Syriza (Coalizão da Esquerda Radical) e Pasok (Partido Socialista).
Já nas eleições de 17 de junho, o imperialismo e a burguesia grega foram vitoriosos em todos os seus objetivos, táticos e estratégicos.
Nova Democracia continuou em primeiro lugar, com mais de 10% de votos em relação ao turno anterior, e ainda ganhou o “bônus”, ficando com quase 40% das trezentas cadeiras do Parlamento. Com isso, criou condições para indicar o Primeiro-Ministro e formar o governo. Deu-se ao luxo de escolher a aliança, que poderia ser com partidos do pólo conservador ou do socialdemocrata. A opção pela composição com o Pasok foi funcional tanto para o novo governo parecer de união nacional como para ter um ar progressista.
O Syriza, incensado pela mídia, também obteve mais de 10% dos votos novos e se manteve no segundo lugar, passando a ser o pólo socialdemocrata, em razão da desmoralização do Pasok como “esquerda”, já que este, no mandato anterior, comandou o governo que levou a efeito as medidas impopulares. E também porque volta agora ao governo, desta vez como coadjuvante.
Monitorando e induzindo as eleições diuturnamente, a burguesia conseguiu escolher o primeiro e o segundo lugares. Na reta final, em que o pouco conhecido Syriza subia a ponto de ameaçar oNova Democracia, mais confiável, criou-se midiaticamente um pânico social insinuando a iminente substituição do euro pelo dracma, o que levou a uma desenfreada corrida aos bancos e aos supermercados, de forma a suscitar o medo de qualquer mudança, o que favoreceu o voto conservador.
Outra vitória da burguesia foi a perda de votos do KKE para o Syriza, funcional para tentar isolar seu principal inimigo, a vanguarda das lutas de massa na Grécia, o partido revolucionário que não aceita alianças com a burguesia, que defende uma ruptura com a União Europeia, a saída da zona do euro, o não pagamento da dívida e um governo dos trabalhadores.
Criou-se em torno do Syriza uma imagem como se fosse mais combativo que o KKE. O até então desconhecido líder do Syriza se tornou uma personalidade global, chegando a ser chamado pela mídia de “Che Guevara da Grécia”.
Além disso, a mídia responsabilizou o KKE pelo fato de o Syriza não ter conseguido compor um governo de maioria de centro-esquerda, quando chegou sua vez de tentá-lo, como segundo colocado no primeiro turno. Acontece que, tendo o Nova Democracia chegado em primeiro lugar e, portanto, tendo ganho o “bônus”, mesmo se em três dias o Syriza, o Pasok e o KKEconseguissem se compor politicamente, o número total de cadeiras obtidas por eles não chegavam a um terço do Parlamento!
Quem poderia ter composto um governo de maioria no primeiro turno era a centro-direita, mas isso não lhe convinha, pois ficaria sozinha com o ônus de administrar a crise e poderia favorecer uma unidade da esquerda na oposição.
Várias organizações e personalidades progressistas do mundo, em questão de dias, se encantaram com o novo pólo socialdemocrata, que conheceram pelos relatos da mídia hegemônica. Slavoj Zizek, o “intérprete” de Marx da moda, assim se pronunciou na convenção eleitoral do Syriza, em que foi a grande estrela, com a frase mais aplaudida no evento:
“O KKE ainda vive porque se esqueceu de morrer”.
De fato, este desejo de que o KKE morra não é somente do imperialismo. Talvez seja um dos grandes pontos de unidade da frente de organizações chamada Syriza, que surgiu em 2004, com seis deputados do Synaspismos, partido formado após a queda da URSS por dissidentes do KKE, e que hegemoniza a coalizão, composta, além dos eurocomunistas, por dissidentes do Pasok, por outros socialdemocratas e democratas radicais, nacionalistas, ambientalistas, movimentistas, juntando até o improvável: grupos que se reivindicam maoistas e trotsquistas numa mesma legenda.
Será que esses novos simpatizantes já haviam visto antes os símbolos e a bandeira do Syriza? Viram-na tremulando nas inúmeras greves e manifestações de massa na Grécia, todas hegemonizadas pelo KKE?
Jogando com a matemática eleitoral, a mídia tenta agora caracterizar o KKE como um partido residual. Não é à toa. Trata-se de um partido comunista perigoso para o sistema, por não dar ouvidos ao canto de sereia da conciliação de classe e por travar, no seio do movimento comunista internacional, uma luta sem tréguas contra os partidos reformistas, inclusive alguns que ainda mantêm a palavra comunista no nome.
A burguesia e os reformistas queriam que – com medo de perder votos - o KKE abandonasse sua estratégia revolucionária, a sua linha política que arma a classe operária na luta de classes. Mas se o KKE participasse de um governo socialdemocrata, nos marcos da OTAN e da União Europeia, para tentar “humanizar” a crise e “amenizar” seus efeitos para os trabalhadores, aí sim estaríamos diante de uma derrota política para a classe operária e suas lutas.
Mas se iludem aqueles que acham que é possível existir um sistema intermediário entre o capitalismo e o socialismo. Não existe compartilhamento do poder: ou ele é da burguesia ou dos trabalhadores.
As eleições passam. Mas a luta de classe continua e se acirra, quanto mais se agrava a crise do capitalismo, colocando em relevo o papel do proletariado e das organizações revolucionárias. Com oprovável agravamento da crise grega e o aprofundamento das medidas de “austeridade”, a coerência política do KKE o credenciará cada vez mais como a vanguarda dos trabalhadores.
*Ivan Pinheiro é Secretário Geral do Partido Comunista Brasileiro (PCB)