quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
A batalha da esquerda e as redes sociais
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Consideram-se redes sociais como
Facebook e suportes como Youtube exemplos do grande alcance da
democratização da informação, sem perceber que se tratam de empresas
privadas que, por meio de uma tecla lá de seus centros de controle,
podem eliminar um conteúdo subversivo e fazer desaparecer um usuário. Já
há muitos casos para contar. Por Pascual Serrano, do Rebelión
Pascual Serrano* – Rebelión
Havana – As novas tecnologias, a
internet e as redes sociais têm chegado à sociedade com uma auréola de
democratização, participação e igualdade que levou concomitantemente uma
fascinação progressista unida ao caráter inovador inerente da
tecnologia. Não se trata somente de aparatos, suportes e formatos
fascinantes tecnologicamente – como toda tecnologia inovadora –, mas que
também adiante resultavam, quando igualitárias e baratas, libertadoras
na medida em que pareciam romper o monopólio da difusão dos grandes
grupos de comunicação e grandes empresas. Não se podia querer outra
coisa. E não negaremos que parte de tudo isso é verdade. Mas a questão é
que existem muito mais elementos ao redor das novas tecnologias para o
que devemos estar preparados; e é necessário discutir criticamente esse
mito progressista que envolve esse novo fenômeno comunicativo.
Devemos nos perguntar se as redes
sociais são um instrumento de socialização ou, pelo contrário, de
isolamento. Já sabemos que 39% dos usuários dessas redes passam mais
tempo socializado por meio desses canais do que com outras pessoas, cara
a cara. As motivações que levam ao uso da rede e seus conteúdos, o
exibicionismo da intimidade, a vaidade e o egocentrismo são prioritários
em redes como Facebook em detrimento do interesse de formar-se cultural
ou intelectualmente. Pensa-se que os formatos dessas redes são um
fenômeno de revolução popular com signo progressista, mas, como na
maioria dos produtos culturais promovidos pelo mercado moderno, o
domínio segue sendo o da frivolidade. Um estudo do Twitter mostrou, em
2012, que o os picos de atividade coincidiram com os gols da Eurocopa,
quando os usuários o usaram para comemorá-los (veja nota 1 abaixo). O
jogador Fernando Torres tinha 318.714 seguidores no Twitter, e o único
tweet que tinha escrito na rede era um em inglês, meio ano antes,
dizendo algo como “ainda não comecei no Twitter, mas esta é a minha
página oficial e já está pronta para quando chegar o momento oportuno”.
De modo que centenas de milhares de pessoas estavam seguindo alguém que
nada dizia.
A importância que se dá às redes sociais
é tal que dizem que alguns meios selecionam seus colaboradores e
colunistas segundo o número de seguidores que têm nas redes sociais. O
professor francês Salim Lamrani demonstrou que a blogueira anticastrista
de fama mundial, Yoani Sánchez, colaboradora em muitos jornais
europeus, tinha engordado seu Twitter com seguidores falsos.
O suposto igualitarismo democratizador
das redes sociais tem tido, não se pode negar, elementos positivos, como
o fim do oligopólio da agenda e seleção das informações dos grandes
meios, mas também tem sua face negativa. Trata-se da ausência de bula
que nos oriente para distinguir o valioso do irrelevante, o rigoroso do
rumor, o verdadeiro do falso, o especialista do amador, a análise genial
do comentário de bar. Que eu possa palpitar sobre política com a mesma
autoridade que Kissinger ou de economia com a mesma contundência que
Friedman pode nos deixar orgulhosos, os críticos do controle da
informação por parte dos poderes, mas não supõe necessariamente
substituir o pensamento dominante do establishment pelo pensamento
alternativo crítico. A torrente da internet nos oferece sem distinção o
estudo rigoroso, o dado valioso, o argumento elaborado, a tese paranoica
sem fundamento, a descoberta falsa, a invenção de um testemunho, o
megalomaníaco mentiroso, o presunçoso vão, a trivialidade. Não quero que
me confundam e, assim, se pense que estou defendendo o elitismo. A
história está repleta de supostos especialistas e doutos que eram na
verdade medíocres, mas, para mudar e melhorar o mundo, é necessário se
orientar em meio à névoa, e a balburdia pode ser tão estéril que também
pode colaborar com a reação e impedir a mudança. Minha proposta não é
renunciar às redes sociais e nem a outras muitas opções que nos abre a
internet, mas sim ter suas limitações às claras e tentar corrigir a
inconsistência de seus conteúdos, além do uso perverso majoritário que a
sociedade está dando da elas.
Um objetivo ideológico
Temos que considerar que se é fato que a
aparição da internet supõe uma liberdade de informação – e
desinformação – sem precedentes e também supõe o fim do oligopólio da
distribuição desta mesma informação, as grandes empresas de mídia seguem
sendo desproporcionadamente poderosas na internet. As grandes empresas
desenvolvem métodos de presença e influência esmagadora sobre o
conteúdo: através de colaboradores pagos em fóruns e webs, mediante
influência em sites de busca, mudanças em planos e tecnologias que
desenvolvem seus projetos na internet. Tampouco esqueçamos que o mais
lido na rede, quando falamos de informações, continuam sendo os grandes
meios tradicionais, inclusive são os mais citados nas redes sociais.
Segundo dados do Instituto Nielsen NetRatings publicados pelo ‘Le Monde’
e citados por Ignacio Romanet, "entre os duzentos sites de informação
online mais visitados dos Estados Unidos, os meios tradicionais
representam 67% do tráfego" e "80% dos links que encontramos em sites de
informação, blogues ou redes sociais norte-americanos remetem a meios
de comunicação tradicionais". Conclui Romanet que "na internet, o
fenômeno da concentração de informação e da escassez do pluralismo,
ainda que de natureza diferente, não é menos importante que a imprensa
tradicional" (nota 2).
Por outro lado, e recordando a Guy
Debord, o formato espetacular da imagem, cor, movimento, interação e
superficialidade da informação atual já é, em si mesmo, ideologia: "O
espetáculo é a ideologia por excelência, porque expõe e manifesta
plenamente a essência de todo o sistema ideológico: empobrecimento,
servidão e negação da vida real" (nota 3).
São numerosos os elementos de
ideologização que encontramos nos novos formatos e o novo padrão
informativo que se está impondo. Para começar, os métodos de busca já
incorporam uma inclinação reacionária e conservadora. Seus critérios
prezam o majoritário, o popular, o consenso dominante, náo só na hora de
priorizar as temáticas, mas também as teses sobre os temas, os autores,
os portais informativos. Numa biblioteca, encontra-se o livro do
pensador reacionário ao lado de um pensador crítico, entretanto agora o
Google nos oferece os primeiros dez links do autor e o meio dominante,
já o alternativo ou contra-corrente aparece muito depois. Os grandes
veículos podem dispor de técnicos e estratégias informáticas complexas
para alcançar um bom posicionamento nos resultados de busca, em alguns
casos incluem em seus conteúdos determinadas palavras que sabem que são
as mais usadas pelos internautas. Temos assim, uma outra - e nova -
forma de adulteração da informação que é utilizada para triunfar no
Google.
Proprietários
Para nos inteirarmos do ideário dos
principais interessados no novo modelo informativo tecnológico, podemos
fazer uma revisão rápida dos acionistas das principais empresas, ou
seja, quem financia e recebe benefícios desse mesmo modelo.
Em primeiro lugar temos a gigante
Google, que é listada na Nasdaq e é proprietária, entre outras empresas e
serviços, do Youtube e da Motorola Mobility. Entre seus acionistas,
junto aos fundadores Sergey Brin y Larry Page, encontra-se Eric Schmidt,
membro do Clube Bilderberg, que foi presidente e diretor geral da
Google até abril de 2011. Também Ram Shriram, antes administrador da
Netscape e da Amazon. Entre os investidores internacionais, basicamente
se encontram grandes fundos de investimentos de capital de risco como
FMR LLC, The Vanguard Group, Inc., State Street Corporation e outros
mais.
Quanto ao Facebook, sabemos que colheu
cerca de 18 bilhões de dólares com a abertura de seu capital na bolsa,
operação esta gerida pelo banco Morgan Stanley, ao lado de Goldman Sachs
e JP Morgan. Seu fundador, Mark Zuckerberg, possui 18,4% da companhia.
Entre os principais acionistas e dirigentes, se encontra Goldman Sachs,
um banco que, como recordamos bem, esteve envolvido na crise financeira
dos EUA em 2008. Também esteve na origem da crise financeira da Grécia
de 2010-2011, visto que ajudou a esconder o déficit das contas gregas do
governo conservador. Outro acionista do Facebook é Erskine Bowles
(também membro do grupo diretor), que ocupava alto cargo na
administração Clinton e agora, na gestão Obama, é como presidente da
Comissão Nacional de Responsabilidade Fiscal e Reforma. Além disso, é
membro do grupo que administra a General Motors, Morgan Stanley e
Norfolk Southern Corporation. Também temos a Sheryl Sandberg, que
trabalhou para Google e para o Banco Mundial. Foi chefe de gabinete no
Departamento do Tesouro na gestão Clinton. Pertence ao corpo da direção
de empresas como Walt Disney e Starbucks. Além desses, Reed Hastings,
diretor executivo da NetFlix (um provedor de internet estadunidense), e
membro do conselho administrativo da Microsoft, sem contar do Facebook.
A maioria dos acionistas do Twitter vem
de agências de capital de risco como Spark Capital, Union Square
Ventures, Kleiner Perkinsm Benchmark Capital, Institutional Venture
Partners, T. Rowe Price e DST Group. A empresa está obcecada para que
não sejam mais de 500 acionistas para, assim, não ter que citá-los na
bolsa e não trazê-los a público. Sabe-se que entre os acionistas do
Twitter está o príncipe saudita Alwaleed bin Talal, que anunciou em
dezembro de 2011 que tinha comprado uma participação de 300 milhões de
dólares. O Skype foi comprado recentemente pela Microsoft e o Tuenti é
propriedade, em sua maior parte, da Telefónica.
A tudo que listamos podemos adicionar os
interesses empresariais dos consórcios de fabricação de celulares, a
indústria da informática e as operadoras de telefonia e internet. Por
trás das empresas dos novos formatos de comunicação, enfim, estão os
grandes grupos de investimento mundiais junto com alguns
multimilionários da nova economia, então é fácil deduzir a ideologia que
vão promover.
Censura
A propriedade privada das empresas
tecnológicas e seus suportes tecnológicos modernos permitem todo tipo de
censura, que, assombrosamente, é aceito pela sociedade e poderes
públicos. Consideram-se redes sociais como Facebook e suportes como
Youtube exemplos do grande alcance na democratização da informação, sem
perceber que se tratam de empresas privadas que, por meio de uma tecla
lá de seus centros de controle, podem eliminar um conteúdo subversivo e
fazer desaparecer um usuário, com a complacência de uma sociedade que
nunca percebe que estamos ante um ataque à liberdade de expressão. O
Facebook veta imagens que não o agrada e expulsa de suas páginas
coletivos que lhe parece indesejáveis. Em junho de 2012, o Facebook
censurou uma imagem de capa de perfil da revista de humor ‘El Jueves’,
que fazia alusão a Merkel e Rajoy, e comunicou ao administrador que lhe
tiraria o direito, por 30 dias, de poder subir qualquer conteúdo na rede
social (nota 4). Se a revista continuava sendo distribuída com
normalidade nas bancas e, em outro lado, na rede social Facebook não se
permitia e se impedia o usuário de vê-la, estávamos sofrendo, a partir
das mãos das redes sociais, um retrocesso da liberdade de expressão.
As notícias de grupos sociais que tem
suas páginas eliminadas no Facebook são constantes. Em abril de 2011
vários coletivos que protestavam no Reino Unido contra os cortes do
governo denunciaram o fechamento de suas páginas (nota 5). Neste mesmo
mês, alguns ativistas espanhóis do 15M denunciaram que o anúncio de sua
manifestação, com mais de 23 mil participantes confirmados, fora apagado
de várias de suas páginas (nota 6). Youtube elimina vídeos baseado em
qualquer argumento insustentável, como aconteceu com a conta do portal
Cubadebate por um vídeo que denunciava o apoio financeiro que recebia o
terrorista Luis Posada Carriles (nota 7), autor intelectual da explosão
de um avião civil cubano que causou a morte de 73 pessoas. Outros
usuários também denunciaram a desativação de vídeos do Youtube, bem como
suas contas de usuário, argumentando que violavam direitos autorais,
quando na verdade se tratavam de imagens de televisões públicas que as
cedem para uso livre (nota 8).
As denúncias dos afetados nunca têm
grande espectro nem qualquer viabilidade legal, posto que são empresas
privadas que, com seu quase monopólio do serviço e com sua imagem
internacional de comunicação gratuita e livre, aplicam a censura
corriqueiramente. Por sua vez, os internautas cubanos denunciaram que o
Google vetou aos habitantes deste país o uso do serviço Google
Analytics, meio pelo qual os administradores de páginas na web têm
acesso às estatísticas de visitação. No entanto, a empresa pode usar
estes dados para seus cálculos e negócios (nota 9). É ingenuidade pensar
que vão nos ceder suas logísticas, é como se um grupo de Panteras
Negras quisesse se reunir num McDonalds. O modelo de funcionamento das
redes pode ser evidentemente reacionário e conservador. Observemos, por
exemplo, que no Facebook aparece sempre a opção "Curtir", mas não existe
a correspondente "Não curtir". "Se trata de impedir, obviamente, a
crítica a marcas e produtos que podem se tornar futuros anunciantes ou
investidores. Mas também se inscreve completamente nesse ciberotimismo,
por se incitar a produção constante (inteligência coletiva) e depreciar a
crítica, e, sobretudo, a inação, a greve, a renúncia" (nota 10).
Ciberativismo
"O risco da internet é pensar que se
vive a democracia de maneira direta, quando só é se trata de uma
democracia virtual. Internet não é mais que a continuação da utopia de
querer falar diretamente com o mundo todo; o problema é pensar que isso
vai resolver nossos problemas reais" (nota 11).
Nosso ativismo político despenca por um
declive para a virtualidade dos manifestos e empresas na rede, o sexo
alcançou a higiene absoluta e a desinibição total graças ao mundo
virtual, os amigos não mais estão no bar, mas no Facebook, e continuarão
na rede ainda que morram amanhã. As vias são virtuais porque são as
"vias da informação". Mas enquanto tudo isto acontece, as guerras e a
fome nada virtuais, com seus mortos nada virtuais, armamentos e
criminosos que as provoca, menos virtuais ainda, seguem existindo. Do
mesmo modo, nosso salário e nossos serviços sociais estão sendo
reduzidos, enquanto seguimos conectados ao mundo virtual.
A ofensiva tecnológica-virtual parece
projetada para fugirmos da realidade autêntica e nos metermos numa
realidade virtual para assim nos neutralizar. Existem jogos na internet
para crianças – e adultos – que o sistema lhe premia com "créditos" para
comprar objetos virtuais, depois de enviar uma mensagem de texto do
celular com custo real. Isto é, troca-se com toda a inconsequência
dinheiro real por virtual. Do mesmo modo atua grande parte da revolução
tecnológica: rouba-nos a vida real, sobretudo se uma vida potencialmente
crítica e subversiva, e nos dá em troca a vida virtual. Esse é um dos
objetivos da assim chamada "brecha digital", enquanto pobres do mundo
morrem de fome, os que têm de comer são detidos e levados ao mundo
virtual, o mundo feliz de Aldous Huxley onde não terão de se preocupar
com os pobres. Toda esta enxurrada tecnológica tem como resultado
principal o isolamento do indivíduo.
Expor esta tese em Cuba, onde seus
cidadãos sofrem grandes dificuldades para usar a internet, um resultado
do bloqueio dos EUA que impede que a Ilha tenha acesso normal ao
ciberespaço, pode parecer inoportuno, mas eu venho de uma Europa
abduzida pelas redes sociais e acredito ser necessário alertar os
cubanos sobre esta possibilidade.
Notas
[1] “Eurocopa 2012: Twitter celebra los goles de la televisión”. Periodistas 21, 2-7-2012http://periodistas21.blogspot.com.es/2012/07/eurocopa-twitter-celebra-los-goles-de.html
[2] Ramonet, Ignacio. La explosión del periodismo. Clave Intelectual, Madrid, 2011.
[3] Debord, Guy. La sociedad del espectáculo. Pre-Textos, Valencia, 2010
[4] El Jueves, 14-6-2012 http://www.eljueves.es/2012/06/14/facebook_veta_nuestra_portada_merkel_rajoy_plan_sadomaso.html#
[5] The Guardian, 24-4-2012 http://www.guardian.co.uk/technology/2011/apr/29/facebook-accused-removing-activists-pages
[6] Barrapunto.com, 12-4-2011 http://barrapunto.com/~manje/journal/35852
[7] Cubadebate.cu, 13-1-2011 http://www.cubadebate.cu/noticias/2011/01/13/censura-de-youtube-a-cubadebate-desato-movimiento-solidario/
[8] lubrio.blogspot.com.es , 13-6-2012 http://lubrio.blogspot.com.es/2012/06/rcn-y-venevision-usan-youtube-para.html
[9] La pupila insomne. 19-6-2012 http://lapupilainsomne.wordpress.com/2012/06/19/google-roba-datos-de-sitios-cubanos/
[10] Baños Boncompain, Antonio, Posteconomía. Hacia un capitalismo feudal, Barcelona, Los libros del lince, 2012
[11] Citado por Rivière, Margarita. La fama. Iconos de la religión mediática. Crítica, Barcelona, 2009.
*A segunda parte deste texto será divulgada em breve
Tradução: Caio Sarack
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Deliberações da Assembleia estadual no dia 23 de fevereiro
Calendário:
Dia 5 de março- paralisação 24 horas. Lançamento da Campanha Salarial
2013. Marcha da Educação em conjunto com FEDEP- da Candelária a
Cinelândia. Concentração às 16 horas na Candelária; saída às 17 horas.
13 horas- Assembleia da categoria;
Indicativo para que os núcleos e regionais realizem assembleias Locais
Dia 8 de março- Marcha Unificada do 8 de março: Contra todas as formas
de violência contra as mulheres: da Candelária à Cinelândia
21 de março- Marcha dos estudantes/Educação
24 de abril- Marcha Nacional em Brasília
No dia 2 de março haverá uma plenária unificada dos/as funcionários/as administrativos/as
Eixos da Campanha:
1) Salarial: 3 mil para magistério e 2 mil para funcionários/as com
base no piso histórico de 5 salários mínimos para professores/as e 3,5
para funcionários/as administrativos/as
2) Direitos:
• Plano de Carreira Unificado com paridade para aposentados/as, incluindo professores/as indígenas;
• À lotação dos/as professores/as e funcionários/as;
• Efetivação dos/as animadores culturais;
• Iaserj e a saúde pública;
• Concurso público já e fim da certificação
3)Gestão Democrática:
• Eleições para direção nas escolas;
• Liberdade de expressão e organização;
• Fim do assédiio moral;
• Eleição de representante das escolas e formar comitês por escolas
3) Pedagógico:
• 1/3 da carga horária para planejamento;
• 1 matrícula, 1 escola;
• Nenhuma disciplina com menos de 2 tempos de aula em todas as séries;
A Assembleia se posicionou contra a resolução que trata do tempo de planejamento, no sentido de ser cumprido dentro da escola;
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Entre Che e Allende: déficit teórico e busca de uma estratégia
Site do PCB
Entre Che e Allende: déficit teórico e busca de uma estratégia
“Nenhum intelectual deve ser
assalariado do pensamento oficial”
Silvio RodriguezEm um debate realizado no “Instituto Lula” que procurava tratar do tema“Caminhos progressistas para o desenvolvimento e a integração regional” o Secretário executivo do Foro de São Paulo e dirigente do PT, meu amigo, Valter Pomar externou a seguinte opinião: aqueles que defendem o socialismo e aqueles que defendem um novo modelo de desenvolvimento capitalista, além de concordar com a necessidade de uma integração regional, reconhecem que existe um “déficit teórico”.Tal déficit se manifestaria em três pontos: na compreensão do capitalismo do século XXI, no balanço das experiências políticas do século XX (o socialismo, a social democracia e o nacional desenvolvimentismo) e na questão da estratégia. Neste último ponto, segundo Pomar, “no imaginário de grande parte da esquerda latino-americana Che ainda suplanta Allende, apesar de que estamos todos envolvidos hoje numa experiência que tem mais a aprender com Allende do que com Che” (Intervenção no seminário do Instituto Lula).Para o dirigente petista este déficit se explicaria por uma série de motivos e não pode ser confundido com pouca produção, mas com sua debilidade. As causas seriam o impacto da ofensiva neoliberal sobre o pensamento de esquerda (a tripla crise do socialismo, da socialdemocracia e do nacional desenvolvimentismo) e seu grande impacto sobre a cultura, a comunicação de massas e a educação; e, o que considera em primeiro lugar, o deslocamento da classe media tradicional para posturas “fascistas e esquerdistas”. Uma vez que é nos setores médios que se encontram a maior parte dos intelectuais isso teria afetado a produção teórica.Esta compreensão se aproxima da posição defendida neste blog por Emir Sader (Intelectuais e processos políticos, Blog da Boitempo de 23/01/2013) quando afirma que “a produção intelectual foi profundamente afetada por todos estes efeitos”, de maneira que, segundo seu juízo, os intelectuais latino-americanos não estariam “à altura desse momento histórico”. Em sua coluna anterior no mesmo blog, Sader reforçará esta tese afirmando que a separação entre teoria e prática afetou seriamente a produção intelectual e a capacidade de intervenção na realidade por parte dos intelectuais, concluindo que “a esquerda passou a estar marcada por uma teoria sem prática e por uma prática sem teoria” (Intelectuais e política, Blog da Boitempo de 24/10/2012). Sader empenha suas esperanças em Haddad e Pochmann como intelectuais que combinariam teoria e prática.O grande pecado desta intelectualidade conservadora (acompanho Leandro Konder em sua preocupação de não banalizar o termo fascista) e aquela anatematizada como “esquerdista” é que não souberam compreender verdadeiramente o profundo significado dos “processos progressistas e de esquerda em curso na America Latina” e, em especial, na experiência de governo petista no Brasil.Valter Pomar, que dedicadamente resiste na posição de defensor de um “horizonte socialista”, buscando se diferenciar daqueles que hoje no PT se limitam a buscar formas de gerenciamento do capitalismo, é mais critico e prudente. Ainda que defendendo a experiência petista como positiva por ter “melhorado a vida do povo, recuperado o papel do Estado e adotado uma política de integração regional”, mantém seu senso crítico caracterizando o governo Lula como “um governo de centro-esquerda, [que] melhorou a vida dos pobres e garantiu grandes lucros aos ricos” (Entrevista ao jornal Página 13).Em síntese o que preocupa nossos companheiros é que a intelectualidade não se seduziu pela experiência petista a ponto de produzir reflexões teóricas que iluminassem os pontos indicados por Pomar no sentido de superar este déficit. Tal fato tem uma explicação mais simples do que julga nosso companheiro. Deixemos os conservadores de lado por um tempo, ainda que haja entre eles os que se seduziram pelo petismo moderado, mas uma boa dose de preconceito de classe e a pobreza do irracionalismo pós-moderno seria o bastante para delimitar o alcance e a relevância da produção crítica de molde conservador.Em relação à intelectualidade de esquerda as coisas não são bem assim. Há uma intelectualidade “petista” ou simpática à experiência em curso, mas mesmo esses não têm se empenhado em análises profundas sobre tal experiência, salvo raras e honradas exceções, principalmente se esperamos destas análises os efeitos almejados por Pomar, isto é, que nos ajudem a compreender o capitalismo contemporâneo e, à luz do balanço das experiências de esquerda e de centro-esquerda, pensar os caminhos estratégicos para o Brasil. Entre esses parece haver uma postura cautelosa, isto é, não analisemos muito a fundo porque podem aparecer contradições que sirvam aos adversários para atacar a experiência em si positiva.Não há pensamento crítico que resista a tal cautela e a experiência do pensamento oficial das experiências socialistas deveriam ter nos ensinado isso.Mas, há também uma intelectualidade de esquerda crítica à experiência petista e caracterizá-la em bloco como “esquerdista” se tem alguma função defensiva na luta política imediata não serve de muita coisa na compreensão séria do problema. Estou convencido que é aí que, inclusive os intelectuais petistas sérios que não se renderam ao coro laudatório do governismo emburrecedor, poderiam encontrar um bom campo de diálogo que lhes mostrasse os limites e debilidades da experiência em curso. Mas, Narciso continua achando feio o que não é espelho.Ao que parece, o juízo de esquerdismo se aplica mais ao cálculo da ação política, mais precisamente, quanto à desconsideração da real correlação de forças, da definição do inimigo principal e das alianças necessárias e possíveis, colocando, como é da característica do esquerdismo, o objetivo final no lugar da ação tática.Da mesma forma, é característico de todo reformismo, esquecer o objetivo final e se render ao pragmatismo imediatista, sempre ancorado na justificativa da correlação de forças e da “arte do possível”. Como já disse Lukács se há um movimento para o qual o pragmatismo (a realpolitik) é nefasta, esse movimento é o socialismo.Como já proclamou Engels em certa ocasião, o que falta a esses senhores é dialética. O objetivo final sem tática, ou uma tática que não leva ao objetivo final transformado em uma virtualidade nunca realizável.Concordando com os termos da necessidade do debate sobre a estratégia da transformação social no Brasil e na América Latina apontado por Pomar, não posso concordar com seu ponto de partida ao utilizar a imagem de uma contraposição entre Che e Allende. Devemos desculpá-lo a princípio pelo fato de ser a transcrição de uma fala em um seminário na qual pesa mais o recurso de oratória do que a precisão da análise, mas creio que ela revela algo mais fundamental.A real polêmica para quem pensa seriamente o Brasil e o mundo hoje não é a velha contraposição entre uma ação revolucionária direta, seja armada ou insurreicional, ou um longo processo de reformas moderadas que iria minando a ordem o capital por dentro até que houvesse correlação de forças suficientes para uma passagem pacífica ao socialismo.Estou profundamente convencido que temos muito a aprender com a experiência da unidade popular no Chile, principalmente por sua capacidade de incorporação das massas trabalhadoras com uma clara direção de classe, na sua incrível ação cultural que de tão forte resistiu à ditadura e renasce hoje vivificada pela juventude. Da mesma forma que sua experiência de governo, se bem estudada, comprovará que foi muito além dos limites rebaixados de um reformismo que se rende à política do possível e covardemente se esconde atrás de uma correlação de forças desfavorável para buscar formas modernas de gerir a barbárie capitalista.No entanto, contrapor a riqueza da experiência chilena ao pensamento e a prática política de Ernesto Che Guevara é um equívoco que só atualiza a pobreza da contraposição mecânica à qual nos referíamos. Deixemos que o comandante nos diga o que pensa.Ao analisar a possibilidade de desenvolvimento de uma estratégia revolucionária na América Latina, Che ressalta que há países nos quais o desenvolvimento de uma economia industrial, de uma urbanização e do desenvolvimento de instituições políticas mais estáveis, levaria à percepção de que seriam possíveis mudanças estruturais pela via do acúmulo de representantes no parlamente ou vitórias eleitorais. Diante disso reflete:“A qualidade de um revolucionário se mede pela capacidade em encontrar táticas adequadas a cada mudança de situação, em ter sempre em mente as diferentes táticas possíveis e em explorá-las ao máximo. Seria um erro imperdoável descartar por princípio a participação em algum processo eleitoral. Em determinado momento ele pode significar um avanço do programa revolucionário. Mas seria imperdoável também limitar-se a esta tática sem utilizar outros meios de luta, inclusive a luta armada, como instrumento indispensável para aplicar e desenvolver o programa revolucionário”. (grifos nossos)Logo em seguida, em uma antecipação impressionante dos fatos que ainda se dariam no Chile de Allende, nos diz:“Quando se fala em alcançar o poder pela via eleitoral, nossa pergunta é sempre a mesma: se um movimento popular ocupa o governo de um país sustentado por ampla votação popular e resolve em consequência iniciar as grandes transformações sociais que constituem o programa pelo qual se elegeu, não entrará imediatamente em choque com os interesses das classes reacionárias desse país? O exército não tem sido sempre o instrumento de opressão a serviço destas classes? Não será então lógico imaginar que o exército tome partido por sua classe e entrará em conflito com o governo eleito? Em consequência, o governo pode ser derrubado por meio de um golpe de estado e aí recomeça de novo a velha história; ou, outra solução, é que o exército opressor seja derrubado pela ação popular armada em defesa de seu governo”. (Cuba: exceção histórica ou vanguarda na luta contra o colonialismo?)Ora, a questão de fundo que aqui se apresenta e precisa ser enfrentada por qualquer um que pense seriamente a realidade brasileira na perspectiva da transformação é a questão da ruptura e esta não pode ser pensada em toda sua dimensão sem encararmos a questão do Estado. A ilusão da estratégia dominante em nosso período consiste na crença de que é possível mudar ou neutralizar o caráter de classe de um Estado pela ocupação de espaços gerenciais e governativos da maquina política burguesa sem que ao mesmo tempo sejamos obrigados a dar as respostas às condições necessárias à perpetuação da acumulação de capitais.Uma política de massas orientada politicamente para a ruptura, uma ruptura sustentada por uma ação política de massas. Eis os termos da questão. Che teria o que aprender com Allende, mas Allende teria algumas coisas a aprender com Che. E nós… ora, nós temos muito que aprender com os dois.***Mauro Iasi é professor adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, presidente da ADUFRJ, pesquisador do NEPEM (Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comitê Central do PCB. É autor do livro O dilema de Hamlet: o ser e o não ser da consciência (Boitempo, 2002). Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, às quartas.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
O PCB/ RJ apoia Freixo na presidência da Comissão de Direitos Humanos da ALERJ
Segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
O PCB/ RJ apoia Freixo na presidência da Comissão de Direitos Humanos da ALERJ
Pela Comissão Política Regional
fevereiro de 2013
A atuação do Deputado Estadual Marcelo Freixo à frente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro tem sido exemplar. Freixo enfrentou corajosamente todo tipo de dificuldades para levar adiante a apuração de denúncias de corrupção e de combate ao crime organizado, às milícias e outras formas de opressão, fazendo da CDH da ALERJ um bastião em defesa da cidadania em seu sentido mais profundo, o do respeito aos direitos de todos, dos trabalhadores, da população mais pobre e desassistida, apesar das limitações inerentes ao institucionalismo burguês, do qual a mesma ALERJ é expressão.
O Partido Comunista Brasileiro soma-se
a todos os democratas, socialistas, a todos os que lutam por justiça
social a manifestarem seu pleno apoio à permanência do Deputado Marcelo
Freixo à frente dessa Comissão.
domingo, 17 de fevereiro de 2013
MST retira líderes ameaçados de morte em Campos
Fonte: Jornal O DIA
MST retira líderes ameaçados de morte em Campos
Ministério pediu empenho na investigação e alguns militantes foram incluídos em programa de proteção, após assassinatos
POR Christina Nascimento
Rio -
Quinze pessoas, sendo sete do acampamento do MST na Usina de Cambahyba e
os outros do assentamento Zumbi dos Palmares, ambos em Campos, Norte do
Estado, tiveram que deixar o local às pressas porque estariam correndo
risco de vida.O assassinato de dois integrantes do movimento em 10 dias transformou a área rural do município num barril de pólvora. O Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA)pediu empenho do governo do estado na investigação das mortes.
A situação é tão crítica que, após os crimes, foi preciso incluir alguns militantes no Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos.

Parente de Cícero Guedes chora pelo assassinato a tiros do líder, no dia 26: até agora, um suspeito foi preso | Foto: Paulo Alvadia / Agência O Dia
O MST regional confirmou que pessoas foram retiradas de Cambahyba, mas não quis falar em números. A primeira morte investigada foi a do líder do movimento Cícero Guedes, 48 anos, no dia 26 de janeiro.
Ele foi executado com cerca de 10 tiros. Alguns dias depois, a lavradora Regina dos Santos Pinho, 56, também foi assassinada. As vítimas eram do assentamento Zumbi dos Palmares.
De acordo com o ouvidor agrário do Incra, Pablo Pontes, o órgão chegou a ser procurado pelo MST para que ajudasse na remoção de acampados de Cambahyba.
“Expliquei que, se há risco, a polícia deve ser comunicada. O Incra não pode pegar pessoas ameaçadas e colocar num carro para levá-las para outro lugar”, afirmou Pontes.

Assentamento Cambahyba, em Campos: chefe de Polícia será avisada sobre insegurança | Foto: Paulo Alvadia / Agência O Dia
A partir desta semana, o Incra vai cadastrar as 163 famílias que estão na ocupação Cambahyba, alvo de disputa do MST com os herdeiros da antiga usina de moer cana. O processo vai ajudar o órgão a identificar quem são as pessoas que estão nos lotes, que correspondem a oito fazendas, em 3,5 mil hectares.
Acusado de ser o mandante da morte de Cícero, o funcionário público José Renato Gomes de Abreu, 45, vivia em Cambahyba, onde se passava por integrante do MST.
“O cadastramento é importante, porque a gente pega os documentos do interessado em ter um lote e cruza com informações de outros órgãos. Ali, levanta-se a ficha da pessoa”, explicou o ouvidor do Incra, Pablo Pontes.
Em nota, o MDA assegurou que tem acompanhado as investigações sobre o homicídio de Cícero e enviou ofícios para a Secretaria de Estado de Segurança do Rio, a Delegacia de Polícia Civil local e o delegado de Polícia Civil especializado em conflitos agrários do Estado.
A Anistia Internacional também pediu às autoridades prioridade nas investigações das mortes em nota pública.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Prejuízo da Petrobrás: a grande mentira!
Prejuízo da Petrobrás: a grande mentira!
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Nota da Comissão Política Nacional do PCB:
Somos testemunhas da combatividade do
Sindipetro-RJ e do diretor da entidade que assina este texto que
transcrevemos abaixo (Prejuízo da Petrobrás: a grande mentira!!).
Estivemos juntos na luta em defesa da Reestatização da Petrobrás,
encerrada equivocadamente quando o governo Lula apresentou um marco
regulatório rebaixado.
Publicamos aqui esta corajosa denúncia
dos atuais riscos de privatização da Petrobrás, feito que nem a
privataria tucana conseguiu. Não temos nada contra a campanha proposta
(Fora Graça Foster!), mas ponderamos que será inócua se não resgatarmos a
luta pela Reestatização da Petrobrás. A política de Graça Fortes na
Petrobrás não é dela: é a política do governo Dilma, que a escolheu com
orgulho e estardalhaço, deixando clara sua confiança nela. As duas
atuaram juntas no Conselho da Petrobrás, no governo Lula.
Se esta for uma campanha personalizada e
despolitizada, sem que sejam denunciadas as causas de nossa luta, não
levará a nada. Quem não se lembra da campanha Fora Renan! da Presidência
do Senado, que resultou em sua substituição por José Sarney e agora com
sua volta ao mesmo posto, desta vez como candidato do governo Dilma e,
portanto, do PT, PcdoB e da heterogênea base política que vai até a
centro-direita.
Entrar na justiça pedindo a destituição
da presidente da Petrobrás não faz sentido, pois esta competência é do
governo federal, por enquanto o maior acionista, apesar de não deter a
maioria das ações, que continuam em mãos particulares, sendo vendidas
até na Bolsa de Nova Iorque
É preciso exigir do governo federal (e
não da justiça) o fim de sua agressiva política de privatizações, a
suspensão do leilões de petróleo, a Reestatização da Petrobrás.
Está na hora de resgatarmos a massiva e
unitária campanha PETROBRÁS 100% ESTATAL, que teve no Sindipetro-RJ um
dos seus principais esteios.
Prejuízo da Petrobrás: a grande mentira!
Por Emanuel Cancella
A Petrobrás é uma empresa estatal. Uma
das diferenças entre uma empresa privada e uma estatal é o seu
compromisso não apenas com o lucro mas com um projeto de desenvolvimento
nacional. Por isso é preciso desconfiar quando se alardeia que “a
Petrobrás teve prejuízo em 2012”, o que é uma grande mentira. Como nada
acontece por acaso, não demorou a serem plantadas justificativas para a
privatização, como “saída inevitável para a crise”. O fato é que as aves
de rapina não descansam. Estão sempre prontas a dar o bote.
Vamos colocar os pingos nos is: a
Petrobrás lucrou em 2012 RS 21,1bilhões. Isso depois de produzir,
refinar, comercializar, transportar e garantir o abastecimento de
derivados de petróleo em todo o país. Aliás, essa é a sua função
constitucional. A título de comparação, entre as empresas brasileiras, a
Petrobrás continuou na liderança. Depois dela veio o Banco Itaú que
lucrou R$ 13,59 bi. Mas os bancos se utilizam de várias brechas legais
para burlar o pagamento de impostos e não têm compromisso social, não
investem no desenvolvimento nacional (ao contrário do que fazem as
empresas estatais).
Por exemplo: a Petrobrás paga royalties
à União, aos estados e municípios. A companhia também financia 50% do
Programa de Aceleração do Crescimento – PAC. É, ainda, a empresa que
mais paga impostos para União, estados e municípios. Sem contar os
inúmeros projetos culturais. Alguma outra empresa ficaria oito anos com o
preço da gasolina congelado, para impedir que a inflação e os preços
disparassem? E isso pode ser considerado ruim para o povo brasileiro? É
bom refletir sobre o papel social da empresa, antes de aplaudir aqueles
de raciocínio estreito que só calculam o lucro imediato. Historicamente,
quem sempre financiou o desenvolvimento do nosso país foi o capital
estatal.
Mas por que a Petrobrás lucrou menos em 2012?
A crítica à Petrobrás é por conta da
queda de seu lucro em 32%. Um dos principais motivos da queda nos lucros
da Petrobrás foi a importação de gasolina durante certo período, em
consequência da necessidade de suprir o mercado interno. Para estimular a
indústria de automóveis, o governo isentou os compradores do pagamento
do IPI. Resultado: aumentou significativamente a frota de automóvel nas
ruas, sem esperar que a empresa se preparasse para a nova demanda.
Para atender o crescimento do consumo, a
Petrobrás precisou importar parte da gasolina, pagando mais caro, e
revendeu no mercado interno subsidiando parte do seu custo. Mas, a
pergunta que não quer calar: por que a Petrobrás também teve que
subsidiar a gasolina repassada aos postos de bandeira estrangeira
(Shell, Esso, Texaco, Rpsol etc) ? Por que os postos de bandeira
estrangeira não dividiram o prejuízo no custo final da gasolina com a
Petrobrás? Com a palavra, a responsável pela fiscalização, Agência
Nacional de Petróleo e Gás Combustível – ANP.
Mas a Petrobrás – repetimos - ainda é
uma empresa estatal e, por isso, pensa no futuro e não apenas no lucro
imediato. A preocupação com o futuro levou à construção de mais cinco
refinarias o que, além de suprir o mercado interno, vai permitir a
exportação de derivados de petróleo.
Então, por que privatizar?
A sociedade tem que ficar atenta já que a
presidente da companhia, Maria das Graças Foster, encabeça uma campanha
junto à grande mídia para desgastar a companhia e possibilitar a
privatização da Petrobrás, seja por inteiro ou, como já se cogita nos
bastidores: a criação de uma empresa de refino e a venda de 30% das
ações dessa empresa.
Foster também já vendeu blocos de
petróleo, o BS-4, na Bacia de Santos, para o mega empresário Eike
Batista, através do plano de desinvestimento. Ou seja, Foster está
entregando nossos poços de petróleo, que são patrimônio de todo o povo
brasileiro. Será que teremos uma nova “privataria” pela frente.
Como os trabalhadores já fizeram no
passado – nas campanhas Fora Collor e Fora FHC - principalmente por
conta das privatizações, está na hora da campanha Fora Graça Foster Já!
Será que as crises nos Estados Unidos, na Europa e que se refletem em
todo o mundo, não foram suficientes para mostrar o quanto o
neoliberalismo é nocivo?
Sindicatos discutem saída da presidente Graça Foster
Os sindicatos de petróleo ligados
à Federação Nacional dos Petroleiros - FNP já discutem ação na justiça
para a destituição da presidente da Petrobrás e de sua diretoria, por
priorizarem metas alheias ao interesse nacional, e por macular a imagem
da Petrobrás. Foster tem anunciado na imprensa a necessidade de
sucessivos aumentos nos preços dos combustíveis, o que prejudica a
sociedade que é quem paga a conta, e também alimentaria a alta da
inflação. Uma das formas de resolver esse problema seria rever a margem
de lucro das distribuidoras, por exemplo.
Por outro lado, os aumentos favorecem os
acionistas. Em Londres, no dia 3/7/12, publicado em o Globo, Foster
declarou a investidores estrangeiros: “Vamos dedicar as nossas vidas
para recuperar o valor das suas ações”. Além disso, Foster tem sido a
grande defensora dos leilões de petróleo, que é a entrega do nosso
petróleo. A presidente da Petrobrás utiliza a mesma estratégia das
privatizações da era Collor e FHC: deprecia a empresa para justificviar a
privatização.
A presidente da Petrobrás se
auto-intitulou ex-catadora de papel. Mas como ex-baixa renda deveria se
preocupar com as donas de casa brasileiras que no interior estão
abandonando o gás de cozinha e utilizando lenha e carvão por conta do
preço do botijão. Foster também poderia se esforçar para aumentar o
subsídio do diesel, aliviando o bolso dos trabalhadores que gastam
metade de um salário mínimo para ir e voltar do trabalho. Mas Foster
parece preocupada apenas com o investidor estrangeiro.
Emanuel Cancella é coordenador da FNP e do Sindipetro-RJ.
Privatização à vista
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Blog da Unidade Classista
apn.org.br
Foster parece mesmo empenhada em liquidar a Petrobrás. Artigo publicado em Relatório Reservado assegura que faz parte dos planos da presidente “empacotar suas refinarias em busca de um sócio”
O site do boletim Relatório Reservado anuncia que a presidente da Petrobrás, Maria da Graça Foster, estaria em adiantados entendimentos com a mexicana Pemex e a norueguesa Statoil, com a intenção de vender 20% a 30% de uma nova empresa que seria formada pelas refinarias da companhia. O artigo diz, textualmente:
“Perfeito, perfeito mesmo, seria se a Petrobras pudesse empurrar lá para frente parte expressiva dos investimentos previstos para a ampliação e modernização do seu parque de refino, deslocando os recursos para a prioritária atividade de exploração e produção. Mas, diante do grande fosso que costuma separar o ideal do real, Maria das Graças Foster acredita ter encontrado uma solução meia-sola, capaz, ao menos, de atenuar a mordida no caixa da companhia. A operação passa pelo spinoff da área de refino, com o agrupamento das 11 unidades da estatal em uma nova empresa”.
A medida permitiria a busca de um parceiro exclusivamente para esta unidade de negócio, algo semelhante ao que foi experimentado, durante dez anos, com a Refinaria Alberto Pasqualini, no Rio Grande do Sul. Nesse período foi mantida uma sociedade com a Repsol (capital espanhol), que detinha uma participação de 30%.
Ainda de acordo com o artigo: “A Petrobras já vem mantendo conversas preliminares com grupos interessados no negócio. Dois fortes candidatos são a mexicana Pemex e a norueguesa Statoil. A intenção da estatal seria vender de 20% a 30% da nova companhia. Para estas empresas, a operação representaria um bilhete de entrada no maior conjunto de refinarias da América Latina e, por extensão, a garantia de processamento do petróleo que eventualmente será produzido em seus campos no Brasil”.
As dificuldades que estariam no caminho da concretização dos planos de Maria da Graça Foster seriam “convencer um grande grupo privado a ser minoritário de uma empresa sobre a qual não terá qualquer poder de ingerência e a ingerência de decisões políticas na gestão da Petrobrás’. Ao mesmo tempo, há fortes dúvidas na estatal quanto à inclusão ou não nesta holding das quatro refinarias em construção.
O que fica evidente, numa leitura subliminar, é que o alegado “prejuízo da Petrobrás” – na verdade continua a ser a empresa que mais lucrou no país, em números absolutos, registrando lucro cerca de duas vezes maior que o Banco Itaú – nada mais significa que uma nova ofensiva para justificar privatizações.
Uma tartaruga decapitada fala mais que mil press releases!
http://pedlowski.blogspot.com.br/2013/02/uma-tartaruga-decapitada-fala-mais-que.html
Em 23 de janeiro comentei (Aqui!)
sobre a situação estapafúrdia que era a notícia colocada em diversos
órgãos de mídia do Norte Fluminense acerca da soltura de 30 filhotes de
tartaruga pela LL (X) e pela OS (X) como parte de uma suposta
demonstração de compromisso com a sustentabilidade ambiental.
Agora,
menos de um mês depois mais uma tartaruga adulta apareceu decapitada na
região do Porto do Açu. O blog do Prof. Roberto Moraes deu isso em
primeira mão (Aqui!),
mas acabei recebendo outras imagens que considero bastante marcantes no
sentido de desmascarar o suposto compromisso com a sustentabilidade
ambiental que é propagandeado pelo Grupo EBX.
Mas e o projeto TAMAR, não tem nada a falar sobre isto? E o IBAMA e o INEA, tampouco?
Vejam abaixo as imagens da tartaruga decapitada!
O Complexo Industrial-Portuário do Açu: um grande exemplo de que nem tudo o que reluz é ouro
12/02/2013 - 10:16:52
O Complexo Industrial-Portuário do Açu: um grande exemplo de que nem tudo o que reluz é ouro
* Por Marcos A. Pedlowski
Em
determinados contextos históricos, a busca de soluções para cenários
marcados por graves dificuldades sociais e econômicas acaba gerando
expectativas exageradas em torno de determinados empreendimentos. Isto
se dá mesmo quando seus idealizadores não fazem nenhum esforço para
aumentar seu poder de atração para eventuais parceiros ou, tampouco,
para ganhar legitimidades em ações que, eventualmente, se tornam
impopulares.
Entretanto,
também existem casos em que há um esforço deliberado para gerar
expectativas exageradas que acabam servindo não só ampliar a gama de
parceiros, mas também para neutralizar e deslegitimar as eventuais vozes
dissonantes. Neste segundo cenário é que se insere a construção do
chamado Complexo Industrial-Portuário do Açu (CIPA), um
mega-empreendimento que vem sendo tocado pelo Grupo EBX do bilionário
Eike Batista no município de São João da Barra, no Norte Fluminense.
Em
sua versão mais otimista, e que ainda é mostrada aos que fazem as
visitas dirigidas no canteiro de obras do Porto do Açu, o CIPA deveria
abrigar um porto, duas siderúrgicas, um pólo metalmecânico, unidades de
armazenamento e tratamento de petróleo, um estaleiro, plantas de
pelotização e cimenteiras, e duas termoelétricas.
Apesar
de atualmente Eike Batista enfrentar dificuldades para manter sua fama
de ser a versão tupiniquim do "Rei Midas", aquele que transformava em
ouro tudo o que tocava, até bem pouco tempo qualquer um que se atrevesse
a questionar as projeções otimistas em torno do CIPA era logo taxado de
inimigo do desenvolvimento regional.
Além
disso, qualquer menção de crítica aos aspectos sociais, econômicos e
ambientais associados à instalação do CIPA era prontamente justificada
com o número de empregos que seriam gerados, bem como por um ciclo
virtuoso de desenvolvimento econômico que causaria. Por exemplo: em um
seminário público realizado no campus da Universidade Estadual do Norte
Fluminense (UENF) em 2010, o Grupo EBX anunciou a criação de 39.500
empregos na fase de instalação e outros 47.290 quando o CIPA passasse
para sua fase operacional.
Desfile de marcas
Eike
Batista iniciou um verdadeiro desfile de marcas famosas que viriam para
São João da Barra para ajudá-lo a transformar a realidade econômica do
Norte Fluminense. Por outro lado, o empresário conseguiu aliados
importantes nas diferentes esferas de governo, desde a então prefeita
Carla Machado (PMDB), passando pelo governador Sérgio Cabral, e
alcançando também o planalto central, onde desfrutava das melhores
relações com o então presidente Lula e sua ministra da Casa Civil, a
hoje presidente Dilma Rousseff.
Com
base nessa rede de forças, Eike Batista conseguiu ainda obter em tempo
recorde todas as licenças ambientais necessárias para iniciar a
implantação do Porto do Açu e a construção do estaleiro naval da OSX.
Mas a ajuda estatal não parou por aí, se estendendo à edição de quatro
decretos pelo governo do Rio de Janeiro que implicaram na desapropriação
de mais de 7.000 hectares de terras no quinto distrito de São João da
Barra, afetando um número indeterminado de pequenos proprietários rurais
e pescadores.
A
partir da edição desses decretos, supostamente em nome do interesse
público, a Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro
(CODIN) foi mobilizada para realizar uma série de remoções forçadas de
agricultores e pescadores do interior de propriedades que eram ocupadas
por suas famílias há várias gerações, e um grande número de remoções foi
realizado em 2011.
Nas
remoções, o que se viu foi a repetida utilização de um forte contingente
policial que retirava à força famílias inteiras, muitas delas não tendo
para onde ir, momento em que muitos acabaram saindo de suas
propriedades apenas com a roupa do corpo. As condições para questionar a
aura de infalibilidade que cercava a implantação do CIPA começaram a
ser viabilizadas com a criação da Associação de Produtores Rurais e
Imóveis de São João da Barra (ASPRIM) no mês de setembro de 2010.
A
partir desta criação, os agricultores que não queriam ceder suas terras
para a CODIN, passaram a atrair a solidariedade de movimentos sociais,
sindicatos urbanos, e pesquisadores. Com base nessa rede de apoiadores, a
ASPRIM começou a realizar uma série de ações marcadas pela variedade de
instrumentos de luta, indo desde o fechamento das estradas de acesso às
obras do CIPA até a contratação do mesmo escritório de advocacia que
havia representado comunidades que se opuseram a um empreendimento
portuário de Eike Batista em Santa Catarina.
A
ASPRIM logrou ainda realizar uma série de seminários para informar aos
moradores das diferentes localidades afetadas pelo CIPA sobre seus
direitos. Apesar das várias tentativas de descaracterizar e deslegitimar
as ações da ASPRIM, as diferentes ações que foram realizadas
contribuíram para diminuir o ritmo das remoções em 2012. Coincidência ou
não, ao longo do último ano o Grupo EBX começou a enfrentar uma série
de problemas em função da perda de credibilidade de Eike Batista na
passagem da fase da planificação para a entrada em funcionamento de
vários de seus projetos.
A
situação ficou ainda pior quando a OGX, empresa petrolífera do Grupo
EBX, teve de reconhecer que suas estimativas de produção de petróleo no
Pré-Sal foram superestimadas de forma grosseira. Além disso, a
persistência da crise econômica mundial contribuiu para a desistência
dos principais parceiros de Eike Batista na construção do CIPA; ainda
que as perdas mais sentidas tenham sido as da chinesa Wuhan e da
ítalo-argentina Ternium, que iriam construir as duas siderúrgicas
planejadas para o CIPA.
A
montadora japonesa Nissan e a empresa norueguesa SubSea 7, que constrói
dutos para exploração de petróleo em grandes profundidades, também
anunciaram sua desistência de se instalar. É importante notar que a
perda de parceiros foi atribuída inicialmente à incapacidade de se
estabelecer a infraestrutura necessária para a operação do CIPA.
Entretanto, nos últimos meses, um elemento de natureza ambiental se
tornou um complicador ainda maior para os planos de Eike Batista em São
João da Barra, já que a partir de denúncias de agricultores que ainda
permanecem em suas terras, pesquisadores do Laboratório de Ciências
Ambientais da Universidade Estadual do Norte Fluminense confirmaram a
ocorrência de um grave processo de salinização das águas superficiais na
área do entorno do CIPA.
Multa por crime ambiental
Apesar
das negativas, há algumas semanas, o Grupo EBX foi multado pelo governo
do Rio de Janeiro, que ainda determinou uma série de medidas visando
uma reparação do dano ambiental e das perdas financeiras sofridas pelos
agricultores do quinto distrito. Ainda que muitos avaliem as penas
impostas pelo governo estadual como excessivamente brandas, o principal
custo é o aumento da perda da credibilidade de Eike Batista no mundo
corporativo, o que, por si só, poderá ter desdobramentos avassaladores
sobre o Grupo EBX e todas as empresas da franquia “X”. Quando analisado
em seus mais variados aspectos, as chances do CIPA sair do papel estão
se tornando cada vez mais exíguas, assim como a realização da fabulosa
promessa de empregos.
Isto
levanta algumas questões sérias sobre o modelo de desenvolvimento que o
megaempreendimento representa, a começar pela aposta na aglomeração de
vários empreendimentos numa área ecologicamente sensível e
tradicionalmente ocupada por comunidades que anteriormente viviam e
trabalhavam em relativo equilíbrio com a Natureza. E aqui não se trata
apenas de contar os custos sociais e ambientais mais imediatos, mas de
estimar os que ainda estão por vir.
O
pior é que se a débâcle de Eike Batista não for revertida, os custos
aumentarão exponencialmente, e poderão atingir características
catastróficas. A principal lição que podemos tirar das desventuras do
Complexo Logístico Portuário do Açu é que não há porque aceitar sem os
devidos questionamentos certas propostas mirabolantes que prometem
mundos e fundos, mas que só são viáveis com a generosa intervenção do
Estado e que, por tabela, concentram os ganhos nas mãos de poucos
enquanto socializam coletivamente as eventuais perdas.
* Marcos
A. Pedlowski é professor do Laboratório de Estudos do Espaço Antrópico
da Universidade Estadual do Norte Fluminense, Phd em Environmental
Design and Planning pela Virginia Polytechnic Institute and State
University.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
A decadência do Carnaval em Campos
Folha da Manhã
Por Saulo Pessanha, em 10-02-2013 -
O
Carnaval em Campos (leia-se desfiles) já não existe. Ou melhor, existe,
mas no mês de abril. O chamado Carnaval fora de época (Campos Folia)
tornou-se permanente porque estava faltando público para ver os desfiles
de blocos e escolas de samba. O povo estava preferindo os shows nas
praias.
O
fato é que o Carnaval em Campos entrou em decadência há muitos anos.
Vingou até os anos 60, quando havia participação popular. No centro da
cidade, desfilavam blocos de ruas com nomes interessantes e que atraiam
muitos foliões. O jornalista Herbson Freitas, no seu Guia Geral, lembra
do “Quem não viu vem ver”, “Os que dão (Uisquedão´) vão na frente, os
que comem vão atrás”, “Quem sabe não diz”, “Ninguém é de ninguém”, “Só
entra quem pode”, “Pega veado”.
Já
entre os blocos de escudo os mais conhecidos e queridos eram dois:
“Felisminda Minha Nega” e “Prazer das Morenas”. Segundo Herbson, foi na
segunda administração de Zezé Barbosa (1972/1976) que o carnaval
campista sofreu mudanças radicais. O então prefeito “oficializou” a
festa na Avenida 15 de Novembro, introduzindo os blocos de rua com o
nome de “blocos de samba” e criou os “bois pintadinhos de samba”, uma
exigência da época.
A
partir daí o carnaval de Campos passou a ter arquibancadas,
sonorização, prêmios e assistência permanente do poder público. O
declínio, lembra Herbson, começou quando o mesmo Zezé Barbosa criou, em
Farol de São Tomé, a séde municipal do verão e investiu na praia.
“Alguns prefeitos da região fizeram o mesmo nos seus municípios e o
carnaval mudou de endereço, ficando aqui, na cidade, apenas saudade”.

O Carnaval em Campos (leia-se desfiles) já não existe. Ou melhor, existe, mas no mês de abril. O chamado Carnaval fora de época (Campos Folia) tornou-se permanente porque estava faltando público para ver os desfiles de blocos, bois pintadinhos e escolas de samba. O povo estava preferindo os shows nas praias. O fato é que o Carnaval na cidade entrou em decadência há muitos anos.
Vingou até os anos 60 e parte dos anos 70, quando havia participação popular (a foto acima é do blog “Estou procurando o que fazer”). No centro da cidade, desfilavam blocos de ruas com nomes interessantes e que atraiam muitos foliões. O jornalista Herbson Freitas, no seu Guia Geral, lembra do “Quem não viu vem ver”, “Os que dão (Uisquedão´) vão na frente, os que comem vão atrás”, “Quem sabe não diz”, “Ninguém é de ninguém”, “Só entra quem pode”, “Pega veado”.
Já entre os blocos de escudo os mais conhecidos e queridos eram dois: “Felisminda Minha Nega” e “Prazer das Morenas”. Segundo Herbson, foi na segunda administração de Zezé Barbosa (1972/1976) que o Carnaval campista sofreu mudanças radicais. O então prefeito “oficializou” a festa na Avenida 15 de Novembro, introduzindo os blocos de rua com o nome de “blocos de samba” e criou os “bois pintadinhos de samba”, uma exigência da época.
A partir daí o Carnaval de Campos passou a ter arquibancadas, sonorização, prêmios e assistência permanente do poder público. O declínio, lembra Herbson, começou quando o mesmo Zezé Barbosa criou, em Farol de São Tomé, a sede municipal do verão e investiu na praia. “Alguns prefeitos da região fizeram o mesmo nos seus municípios e o Carnaval mudou de endereço, ficando aqui, na cidade, apenas saudade”.
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Oposição retorna ao diálogo após Momo
Oposição retorna ao diálogo após Momo
Jornal Folha da Manhã
(...)
Fupo mantém união e agenda de reuniões
Criada no início de 2011, a Frente de Unidade Popular (Fupo) é composta por PCB, PSOL e PSTU, unindo o que muitos chamam de “esquer-da da esquerda”. Em 2012, a Fupo lançou candidatura própria, com o médico sani-tarista Erik Schunk (PSOL) disputando a prefeitura e o professor Mário Sérgio (PCB).
Mesmo conquistando ape-nas 2,2% do eleitorado (o que corresponde a 5.302 votos), Schunk acredita que a par-ticipação foi importante no processo eleitoral, principal-mente para deixar a Fupo mais conhecida: “O pro-cesso eleitoral para nós, da Frente, é uma consequência. Mostramos, ou pelo menos tentamos mostrar nosso ponto de vista. E o mais im-portante é que ficamos mais conhecidos para a população”, destaca.
Ele explica que a Fupo realizou reuniões após a eleição e ainda em fevereiro vai voltar: “Avançamos bas-tante, mas ainda faltam mui-tos degraus. Temos mantido contato e vamos continuar unidos”, garante.
O mesmo pensamento tem Graciete Santana, pre-sidente do PCB. “A Fupo agrega setores da esquerda que se contrapõe a conjun-tura politica no município de Campos dos Goytacazes e outros. Com um programa bem definido e distinto das demais coligações e parti-dos, a Fupo cumpriu impor-tante papel no referido pro- cesso eleitoral. Após as elei-ções de 2012, a Fupo deu con-tinuidade as reuniões ordi- nárias quinzenais para avalia-ção do processo eleitoral e, debates sobre as questões municipais.
(...)
Suzy Monteiro
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