O contorcionismo do PT brasileiro diante das manifestações que atravessam o país é visível. Ele tenta cooptar as manifestações, como se estas não fossem também contra o seu governo. Ao mesmo tempo, vai prometendo medidas paliativas mas que não ponham em causa o dogma neoliberal. Isso ficou patente no discurso de 21 de Junho da presidente Dilma Roussef, em cadeia nacional de TV. A presidente nem sequer pôs em causa a privatização selvagem dos transportes públicos de passageiros nas principais cidades brasileiras. O seu "plano nacional de mobilidade" aparentemente não será para reverter essa actividade aos poderes públicos. Os lucros dos capitalistas donos das empresas de "ônibus" têm de ser garantidos, mesmo que para isso o governo do PT tenha de lhes dar alguns subsídios a fim de reduzir tarifas e baixar a tensão social. A presidente, no seu discurso, tão pouco fez qualquer auto-crítica quanto aos gastos monstruosos do seu governo com campeonatos do jogo da bola. Na verdade, entre o PT e o PSDB brasileiros existe tanta diferença como entre o PS e o PSD portugueses — ou seja, pouca ou nenhuma.
terça-feira, 25 de junho de 2013
TODOS NA LUTA CONTRA AS VIÚVAS DO FASCISMO
NADA MAIS ATUAL...
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O Partido Comunista Brasileiro (PCB) vem, a público, manifestar sua indignação e repúdio, tendo em vista a aprovação, pela Câmara Municipal da Capital, de uma homenagem aos chamados Boinas Pretas, do Batalhão das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA), que tiveram atuação nefasta durante a repressão do período da ditadura militar, bem como a publicação, no site da Polícia Militar, de provocações contra as instituições democráticas. O projeto aprovado, de autoria do vereador Coronel Telhada, em sua justificativa, afirma que a ROTA se destacou no que a Polícia Militar chama de campanha do Vale do Rio Ribeira do Iguape, em 1970, “para sufocar a Guerrilha Rural instituída por Carlos Lamarca”.
Trata-se, na verdade, de mais uma manifestação fascista de setores militares saudosistas, do tempo da ditadura, que não se conformam com o avanço da luta do povo brasileiro em busca da verdade sobre o período ditatorial e com a necessidade de punição de todos os torturadores e seus mandantes das diversas hierarquias militares. Os autores desses crimes devem ser punidos, sob pena de conivência do governo estadual com o fascismo. Além disso, a aprovação de uma moção deste teor, por um órgão que teoricamente deveria representar o povo de São Paulo, demonstra a que nível de degeneração chegou a Câmara Municipal de São Paulo.
O Partido Comunista Brasileiro, uma das organizações mais perseguidas no regime militar e que teve dezenas de seus militantes mortos sob tortura e um terço de seus dirigentes assassinados, com seus corpos desaparecidos, conclama os trabalhadores, a juventude e o povo de São Paulo a resistirem às provocações fascistas e, mais uma vez, reafirma que esses saudosistas do período da barbárie repressiva não lograrão êxito no sentido de intimidar os lutadores sociais e políticos, pelo contrário, seguiremos firmes denunciando os crimes da ditadura e buscando a punição dos culpados nas ruas, nos locais de trabalho, de estudo e em todos os espaços da sociedade.
Todos na luta contra as viúvas do fascismo
Comissão Política Regional SP PCB - Partido Comunista Brasileiro
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Frente anticapitalista para avançar!
CLASSIFICADO EM PCB - NOTAS POLÍTICAS DO PCB

Frente antifascista para evitar o retrocesso!
(Declaração Política do PCB)
A opção dos governos petistas pela governabilidade institucional burguesa e pelo “neodesenvolvimentismo” capitalista é a principal responsável pela explosão de indignação de setores heterogêneos da sociedade brasileira.
A opção por alianças com a direita para garantir a governabilidade fez do governo refém dessas forças conservadoras, levando a que, em dez anos, não se produzisse uma medida sequer de natureza socializante. Pelo contrário, o próprio setor petista do governo foi o protagonista das medidas de caráter antipopular e contrárias aos trabalhadores.
Os resultados disso são a retomada das privatizações em grande escala, a reforma da previdência e a imposição da previdência complementar aos funcionários públicos (FUNPRESP), a generalização das parcerias púbico-privadas, a entrega de nossas reservas de petróleo, a opção pelo agronegócio – em detrimento da reforma agrária e da agricultura familiar –, pelo sistema financeiro e grandes monopólios, a desoneração do capital e a precarização do trabalho (criando mais e piores empregos), a política de superávit primário com o sucateamento do serviço público, o endividamento crescente das famílias, a falta de perspectiva para a juventude, o descrédito na política e nos partidos políticos.
Em dez anos de governo, em nenhum momento os trabalhadores foram chamados a intervir de forma independente e autônoma para alterar a correlação de forças em favor de medidas de caráter popular e em defesa de seus direitos, atacados pela ofensiva do capital e pela contrarreforma do Estado, sob comando do petismo, que impôs a cooptação e o apassivamento da maioria dos movimentos sociais.
A pouco mais de um ano do fim do governo Dilma, e após terem perdido o contato com as ruas em troca da permanência nos gabinetes, vemos o esforço tardio e desesperado dos grupos que o apoiam, levantando às pressas as tímidas bandeiras reformistas abandonadas desde a primeira posse de Lula. Este esforço agora se dá numa conjuntura desfavorável para romper a aliança com a direita moderada e superar a política econômica de continuidade neoliberal.
A movimentação de rua, que começou por iniciativa popular, está agora em disputa, pois a direita tenta sequestrar e carnavalizar o movimento, canalizando-o para seus objetivos; essa é uma tática recorrente das classes dominantes, que sequestraram movimentos iniciados pela esquerda e os levam para o pacto de elites, como foram os casos das Diretas Já e do Fora Collor.
Valendo-se da justa indignação da população com o governo, os partidos de sua base de sustentação e demais partidos da ordem, que manipulam as demandas populares e dos trabalhadores para fins eleitorais e depois viram as costas paras estas demandas, a direita mais ideológica e reacionária, que não foi comprada pela máquina governamental petista, traveste-se de apartidária e joga as massas desorganizadas e alienadas pela mídia contra a esquerda socialista, estimulando a desordem para, em seguida, exigir a ordem.
Precisam tirar das ruas a verdadeira esquerda e suas propostas revolucionárias para, assim, se apoderar das manifestações e não ter o contraponto organizado e popular quando de suas investidas desestabilizadoras, que contam com o apoio logístico e o olhar benevolente de seus colegas fardados em horário de serviço.
No momento, a hegemonia do movimento é do campo moralista, antipartidário e “nacionaleiro” da classe média, com palavras de ordem difusas e setoriais. Soma-se a isso a compreensível explosão de setores da população tornados invisíveis pelo até então enganoso discurso ufanista do governo: indivíduos que em sua maioria saem de comunidades proletárias, cansados de apanhar da polícia. Valem-se do tumulto para se apoderar de bens de consumo que cobiçam nos anúncios na televisão, mas que não podem comprar.
As forças fascistas, reduzidas em número, mas com o apoio da grande mídia a seu discurso patrioteiro e antipartidário, aproveitam-se dessa tendência para tentar conduzir o movimento na direção de alguma forma de golpe institucional “de massas” e dentro da ordem legal, deixada intacta pelos governos petistas. Como os golpes com tanques nas ruas estão desatualizados, poderão tentar formas golpistas no parlamento e/ou no judiciário ou acumular para vencer as eleições de 2014.
É no mínimo instigante a facilidade com que participantes das manifestações, nenhum dos quais de organizações de esquerda, atacaram e ocuparam simbolicamente a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e, em Brasília, o Palácio Itamaraty e a cúpula do Congresso Nacional. Esses confrontos ocorreram, na maioria dos casos, entre a polícia fardada e a polícia à paisana, incluindo grupos paramilitares e organizações fascistas.
Anuncia-se, a partir de agora, a concentração das bandeiras da direita em torno da luta contra a corrupção e pelo restabelecimento da ordem, quebrada com a desordem provocada por eles próprios. É necessário lembrar que a corrupção é inerente ao capitalismo e que, ironicamente, a bandeira “contra a corrupção” já serviu à direita para a eleição de Fernando Collor e à falsa esquerda nos antigos discursos do PT.
Os setores da massa que hostilizam os partidos de esquerda ainda não percebem a diferença destes em relação aos partidos sem rosto que as conduzem e que deveriam ser o objeto da revolta popular; os que agridem fisicamente os partidos de esquerda são paramilitares, não manifestantes.
A hostilidade contra os partidos de esquerda é reforçada, ainda, pela profunda despolitização e conservadorismo de um novo senso comum que, mesmo levantando-se contra os efeitos mais evidentes da ordem capitalista em crise, se mostra incapaz de ver as determinações mais profundas dessa crise, relacionadas ao funcionamento do próprio sistema. O senso comum conservador impede que se perceba a atualidade e necessidade de uma luta anticapitalista que aponte para uma alternativa socialista e revolucionária, fazendo com que as pessoas caiam no movimento pelo movimento e sem horizontes definidos, o que tem levado ao impasse manifestações semelhantes à dos indignados na Europa ou oOccupy nos EUA.
O “ovo da serpente” adquire visibilidade. Por trás dessa movimentação, estão também militares de direita insatisfeitos com os rumos da Comissão da Verdade, a Opus Dei preocupada com a vinda do Papa e um conservadorismo religioso que quer se aproveitar da situação para fazer retroceder as conquistas na luta contra as discriminações.
Essa direita é tão conservadora e pró-imperialista que não aceita nem terceirizar o governo a forças reformistas que agem a serviço delas, com competência e com a vantagem de serem agentes apassivadores dos trabalhadores e proletários. Poderá haver, portanto, divergências nas classes dominantes entre aqueles que, com lucidez, estão confortáveis com os governos petistas e os que querem assumir eles próprios o poder.
As forças de direita podem estar se valendo da conjuntura desfavorável criada na América Latina após a morte de Chávez, a vinculação da Colômbia à OTAN e o golpe no Paraguai, assim como da onda de protestos diferenciados que varrem o mundo, para acabar com a terceirização dos reformistas e assumir o poder diretamente, a fim de restringir mais ainda a já restrita democracia burguesa e impor a barbárie de um capitalismo sem mediações e políticas compensatórias, intensificando a exploração capitalista.
Com o agravamento da crise do capitalismo, o imperialismo pode querer se descartar da aliança tácita com os reformistas e acabar com a concorrência até agora consentida. Não é coincidência a nomeação da nova embaixadora norte-americana no Brasil, ligada ao sionismo, à USAID e ao Pentágono e que foi embaixadora na Nicarágua durante a luta contra os sandinistas, na Colômbia no auge da ofensiva de Uribe contra a insurgência e o movimento popular, e na Bolívia durante a tentativa de separatismo e de desestabilização do governo Evo Morales.
Há uma tendência do movimento a partir de agora bifurcar-se entre atos convocados pelo campo popular e pela direita, de preferência em espaços, datas e trajetos diferentes. As frentes com as forças populares e as de esquerda socialista terão que ser forjadas na luta e em articulações a partir dos espaços comuns de luta, dos municípios e dos estados, como condição para possíveis unidades nacionais.
O PCB reafirma sua linha estratégica baseada no caráter socialista da revolução brasileira e sua oposição pela esquerda ao governo petista que nem é mais reformista, mas refém da direita e a serviço do capital. Diante dos ataques dos setores golpistas mais à direita, cerraremos fileiras ao lado dos trabalhadores contra nosso inimigo comum.
Não daremos apoio a qualquer tentativa de salvar o governo Dilma e reafirmamos que é deste a responsabilidade maior pela existência dos protestos e sua guinada à direita, uma vez que o governo em nenhum momento acena para uma real alteração de sua coalizão com a burguesia. Pelo contrário, vemos ser reforçados os apelos à “ordem” e à “tranquilidade” e anunciada a proposta de “união nacional”, com a convocação de uma reunião com governadores e prefeitos, iniciativas governistas que apenas preservam ostatus quo político em degenerescência.
Travestida de recuo, a outra solução apontada para fazer calar o clamor provocado pelo estopim da revolta – o preço das passagens de ônibus – só faz reeditar o mesmo princípio que move o governo: aumentar subsídios para as empresas, desviando o fundo público para o lucro privado. Tais medidas são vergonhosamente anunciadas em aparições de TV que unem PT e PSDB para que, no monopartidarismo bicéfalo até então dominante no Brasil, ninguém apareça “mal na foto”, pensando nas futuras eleições.
Nossa eventual unidade numa frente antifascista conjuntural se dará com identidade própria, responsabilizando o governo pelos riscos de fascismo, colocando nossas críticas e propostas táticas e estratégicas. Quem tem que ser protegido não é o governo, mas os trabalhadores, diante do risco de retrocesso criado pelo impasse político de uma coalizão de forças que os desarmou contra seus reais inimigos, ao se aliar a eles na ilusão de um desenvolvimento capitalista que deveria fazer o impossível: atender às demandas de todos (burguesia e trabalhadores).
Apesar da atual hegemonia conservadora sobre o movimento, está longe de ser resolvida essa disputa. Mas o fascismo só será derrotado e a orientação do movimento só pode vir a ter uma vocação socialista se vierem para o palco de luta os trabalhadores e o proletariado em geral, de forma organizada, através de sindicatos e movimentos populares combativos e avessos à ordem vigente.
A única forma de abortar o germe fascista é fortalecer uma real alternativa à esquerda e socialista para o Brasil que abandone as ilusões de um desenvolvimento pactuado com a burguesia monopolista e o fetiche de uma ordem democrática abstrata que interessa a ambas as classes em disputa, reafirmando a necessidade de um governo popular.
Para qualquer cenário, de avanço ou retrocesso, a frente de esquerda socialista e anticapitalista deve construir um programa comum, formalizar uma articulação unitária, privilegiando seus esforços de unidade nas ações no movimento de massas, para deixar de ser apenas mera coligação eleitoral. Quando falamos de frente de esquerda socialista e anticapitalista não temos como critério exclusivo o registro eleitoral, mas incluímos as organizações políticas revolucionárias não institucionalizadas e movimentos sociais contra-hegemônicos.
O eixo central para estabelecermos um diálogo com o movimento de massas que expressa caoticamente seu descontentamento não pode ser uma abstrata defesa da “ordem e tranquilidade” e uma continuidade do mesmo com “mais diálogo”, mas a incisiva afirmação de que as demandas por educação, saúde, moradia, transporte, contra os gastos da Copa, as remoções, a violência policial, a privatização desenfreada, o endividamento das famílias, a precarização das condições de trabalho e a perda de direitos dos trabalhadores não são explicadas pela afirmação moralista contra a “corrupção”, mas efeitos esperados da opção pelo desenvolvimento capitalista e o mito de que o crescimento desta ordem poderia levar ao mesmo tempo aos lucros dos monopólios e à satisfação das demandas populares.
É hora de afirmar que a vida não pode ser garantida pelo mercado: saúde, educação, moradia, transporte e outros serviços essenciais não podem ser mercadorias, são direitos e devem ser garantidos pelo fundo público que está sendo utilizado prioritariamente para subsidiar e apoiar os grandes monopólios capitalistas e os grandes bancos.
Esta mudança exige superar os limites desta democracia burguesa que agora se desmascara, não com uma mera reforma política para manter os mesmos que sempre mandaram no poder, mas pelo estabelecimento de um verdadeiro governo popular que se fundamente em formas de democracia direta e dê voz de fato à maioria da sociedade e, principalmente, aos trabalhadores.
O PCB, que não se intimida com ameaças da direita, não sairá das ruas, ao lado das forças de esquerda anticapitalistas e populares e levantará bem alto suas bandeiras:
- O fascismo não passará!
- Não à criminalização dos movimentos populares!
- Desmilitarização da polícia!
- Pela estatização dos transportes públicos, da saúde e da educação, sob controle dos trabalhadores!
- O petróleo é nosso!
- Por uma frente da esquerda anticapitalista!
- Por um governo Popular!
Rio de Janeiro, 23 de junho de 2013
PCB – Partido Comunista Brasileiro
Comitê Central
NO BRASIL AS MASSAS ALARMAM O PODER
No Brasil a tensão social que se vinha acumulando explodiu, assumindo proporções gigantescas.
A História ensina-nos que os povos, quando a opressão politica e económica ultrapassa determinados limites, tomam as ruas desafiando o poder.
O estopim do protesto popular nas grandes cidades brasileiras foi o aumento do preço (vinte cêntimos) dos transportes públicos. O governo cometeu o erro de reprimir com brutalidade, o que aumentou a contestação. As manifestações ganharam amplitude, adquirindo o caracter de crítica global à política de Dilma Roussef. À indignação provocada pelos gastos milionários com a construção de estádios e outras infraestruturas para o Campeonato do Mundo de Futebol e as Olimpíadas (o equivalente a 9,4 mil milhões de euros) somaram-se protestos contra a corrupção desenfreada, as privatizações, a carestia, os leiloes do petróleo, o projecto de emenda constitucional que reduz os poderes do Ministério Publico, a exigência de um serviço digno de saúde pública, de reformas na educação, a demissão do ministro da Fazenda, etc.
A Presidente da Republica, em viagem pela Europa, não comentou os acontecimentos durante dias.
No dia 21, as manifestações, atingiram o auge. Aproximadamente 1 300 000 pessoas saíram às ruas em 75 cidades. No Rio, segundo a polícia, foram 300 000;em São Paulo 200 000.
A direita infiltrou-se. Grupos de provocadores queimaram bandeiras vermelhas, agrediram os representantes de partidos de esquerda, e em Brasília tentaram assaltar o Palácio do Planalto (sede do governo) e o Congresso Nacional, destruindo carros e saqueando estabelecimentos comerciais. Em Ribeirão Preto, o condutor de um veiculo investiu contra uma barricada, matando um estudante e ferindo uma dezena de pessoas.
O dólar subiu, os juros não param de aumentar, os preços dos alimentos básicos sobem, a inflação cresce.A máscara da farsa democrática caiu.
Finalmente, na sexta-feira à noite, Dilma dirigiu ao pais uma mensagem apaziguadora.
Sem criticar explicitamente o protesto popular, cuja voz diz ouvir, a Presidente, em dez minutos de um discurso populista prometeu ao povo brasileiro tudo o que Lula e ela lhe negaram nos últimos anos: luta sem quartel contra a corrupção, um « grande pacto social com os governadores dos estados» para melhorar os serviços públicos, contratação de milhares de médicos estrangeiros, mais e melhores escolas, uma política agrária diferente, uma redistribuição da riqueza nacional que atenda ao clamor popular dos trabalhadores e dos excluídos.
No fim de semana centenas de milhares de pessoas voltaram a sair às ruas. Houve confrontos com a polícia, sobretudo em Belo Horizonte e em Salvador. Mas a grande vaga do protesto popular refluiu. O Movimento «Passe Livre» que mobilizara multidões através das redes sociais, alarmado com os atos de violência esporádicos, informou que não voltaria a convocar manifestações;posteriormente ,porém,voltou atras e esclareceu que não abandona a luta.
O mal-estar social persiste e a contestação à política de Dilma Roussef vai continuar. A sua popularidade caiu para um nível muito baixo.
É imprevisível o rumo da crise nas próximas semanas.No espontaneismo das grandes manifestações de protesto transpareceu a fragilidade do desafio ao poder.
No Brasil não existe ainda um partido politico com forte implantação entre os trabalhadores capaz de mobilizar as massas para a luta de modo permanente e organizado, identificadas com objetivos concretos de um programa revolucionário.
OS EDITORES DE ODIARIO.INFO
Frente anticapitalista para avançar!

Frente antifascista para evitar o retrocesso!
(Declaração Política do PCB)
A opção dos governos petistas pela governabilidade institucional burguesa e pelo “neodesenvolvimentismo” capitalista é a principal responsável pela explosão de indignação de setores heterogêneos da sociedade brasileira.
A opção por alianças com a direita para garantir a governabilidade fez do governo refém dessas forças conservadoras, levando a que, em dez anos, não se produzisse uma medida sequer de natureza socializante. Pelo contrário, o próprio setor petista do governo foi o protagonista das medidas de caráter antipopular e contrárias aos trabalhadores.
Os resultados disso são a retomada das privatizações em grande escala, a reforma da previdência e a imposição da previdência complementar aos funcionários públicos (FUNPRESP), a generalização das parcerias púbico-privadas, a entrega de nossas reservas de petróleo, a opção pelo agronegócio – em detrimento da reforma agrária e da agricultura familiar –, pelo sistema financeiro e grandes monopólios, a desoneração do capital e a precarização do trabalho (criando mais e piores empregos), a política de superávit primário com o sucateamento do serviço público, o endividamento crescente das famílias, a falta de perspectiva para a juventude, o descrédito na política e nos partidos políticos.
Em dez anos de governo, em nenhum momento os trabalhadores foram chamados a intervir de forma independente e autônoma para alterar a correlação de forças em favor de medidas de caráter popular e em defesa de seus direitos, atacados pela ofensiva do capital e pela contrarreforma do Estado, sob comando do petismo, que impôs a cooptação e o apassivamento da maioria dos movimentos sociais.
A pouco mais de um ano do fim do governo Dilma, e após terem perdido o contato com as ruas em troca da permanência nos gabinetes, vemos o esforço tardio e desesperado dos grupos que o apoiam, levantando às pressas as tímidas bandeiras reformistas abandonadas desde a primeira posse de Lula. Este esforço agora se dá numa conjuntura desfavorável para romper a aliança com a direita moderada e superar a política econômica de continuidade neoliberal.
A movimentação de rua, que começou por iniciativa popular, está agora em disputa, pois a direita tenta sequestrar e carnavalizar o movimento, canalizando-o para seus objetivos; essa é uma tática recorrente das classes dominantes, que sequestraram movimentos iniciados pela esquerda e os levam para o pacto de elites, como foram os casos das Diretas Já e do Fora Collor.
Valendo-se da justa indignação da população com o governo, os partidos de sua base de sustentação e demais partidos da ordem, que manipulam as demandas populares e dos trabalhadores para fins eleitorais e depois viram as costas paras estas demandas, a direita mais ideológica e reacionária, que não foi comprada pela máquina governamental petista, traveste-se de apartidária e joga as massas desorganizadas e alienadas pela mídia contra a esquerda socialista, estimulando a desordem para, em seguida, exigir a ordem.
Precisam tirar das ruas a verdadeira esquerda e suas propostas revolucionárias para, assim, se apoderar das manifestações e não ter o contraponto organizado e popular quando de suas investidas desestabilizadoras, que contam com o apoio logístico e o olhar benevolente de seus colegas fardados em horário de serviço.
No momento, a hegemonia do movimento é do campo moralista, antipartidário e “nacionaleiro” da classe média, com palavras de ordem difusas e setoriais. Soma-se a isso a compreensível explosão de setores da população tornados invisíveis pelo até então enganoso discurso ufanista do governo: indivíduos que em sua maioria saem de comunidades proletárias, cansados de apanhar da polícia. Valem-se do tumulto para se apoderar de bens de consumo que cobiçam nos anúncios na televisão, mas que não podem comprar.
As forças fascistas, reduzidas em número, mas com o apoio da grande mídia a seu discurso patrioteiro e antipartidário, aproveitam-se dessa tendência para tentar conduzir o movimento na direção de alguma forma de golpe institucional “de massas” e dentro da ordem legal, deixada intacta pelos governos petistas. Como os golpes com tanques nas ruas estão desatualizados, poderão tentar formas golpistas no parlamento e/ou no judiciário ou acumular para vencer as eleições de 2014.
É no mínimo instigante a facilidade com que participantes das manifestações, nenhum dos quais de organizações de esquerda, atacaram e ocuparam simbolicamente a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e, em Brasília, o Palácio Itamaraty e a cúpula do Congresso Nacional. Esses confrontos ocorreram, na maioria dos casos, entre a polícia fardada e a polícia à paisana, incluindo grupos paramilitares e organizações fascistas.
Anuncia-se, a partir de agora, a concentração das bandeiras da direita em torno da luta contra a corrupção e pelo restabelecimento da ordem, quebrada com a desordem provocada por eles próprios. É necessário lembrar que a corrupção é inerente ao capitalismo e que, ironicamente, a bandeira “contra a corrupção” já serviu à direita para a eleição de Fernando Collor e à falsa esquerda nos antigos discursos do PT.
Os setores da massa que hostilizam os partidos de esquerda ainda não percebem a diferença destes em relação aos partidos sem rosto que as conduzem e que deveriam ser o objeto da revolta popular; os que agridem fisicamente os partidos de esquerda são paramilitares, não manifestantes.
A hostilidade contra os partidos de esquerda é reforçada, ainda, pela profunda despolitização e conservadorismo de um novo senso comum que, mesmo levantando-se contra os efeitos mais evidentes da ordem capitalista em crise, se mostra incapaz de ver as determinações mais profundas dessa crise, relacionadas ao funcionamento do próprio sistema. O senso comum conservador impede que se perceba a atualidade e necessidade de uma luta anticapitalista que aponte para uma alternativa socialista e revolucionária, fazendo com que as pessoas caiam no movimento pelo movimento e sem horizontes definidos, o que tem levado ao impasse manifestações semelhantes à dos indignados na Europa ou oOccupy nos EUA.
O “ovo da serpente” adquire visibilidade. Por trás dessa movimentação, estão também militares de direita insatisfeitos com os rumos da Comissão da Verdade, a Opus Dei preocupada com a vinda do Papa e um conservadorismo religioso que quer se aproveitar da situação para fazer retroceder as conquistas na luta contra as discriminações.
Essa direita é tão conservadora e pró-imperialista que não aceita nem terceirizar o governo a forças reformistas que agem a serviço delas, com competência e com a vantagem de serem agentes apassivadores dos trabalhadores e proletários. Poderá haver, portanto, divergências nas classes dominantes entre aqueles que, com lucidez, estão confortáveis com os governos petistas e os que querem assumir eles próprios o poder.
As forças de direita podem estar se valendo da conjuntura desfavorável criada na América Latina após a morte de Chávez, a vinculação da Colômbia à OTAN e o golpe no Paraguai, assim como da onda de protestos diferenciados que varrem o mundo, para acabar com a terceirização dos reformistas e assumir o poder diretamente, a fim de restringir mais ainda a já restrita democracia burguesa e impor a barbárie de um capitalismo sem mediações e políticas compensatórias, intensificando a exploração capitalista.
Com o agravamento da crise do capitalismo, o imperialismo pode querer se descartar da aliança tácita com os reformistas e acabar com a concorrência até agora consentida. Não é coincidência a nomeação da nova embaixadora norte-americana no Brasil, ligada ao sionismo, à USAID e ao Pentágono e que foi embaixadora na Nicarágua durante a luta contra os sandinistas, na Colômbia no auge da ofensiva de Uribe contra a insurgência e o movimento popular, e na Bolívia durante a tentativa de separatismo e de desestabilização do governo Evo Morales.
Há uma tendência do movimento a partir de agora bifurcar-se entre atos convocados pelo campo popular e pela direita, de preferência em espaços, datas e trajetos diferentes. As frentes com as forças populares e as de esquerda socialista terão que ser forjadas na luta e em articulações a partir dos espaços comuns de luta, dos municípios e dos estados, como condição para possíveis unidades nacionais.
O PCB reafirma sua linha estratégica baseada no caráter socialista da revolução brasileira e sua oposição pela esquerda ao governo petista que nem é mais reformista, mas refém da direita e a serviço do capital. Diante dos ataques dos setores golpistas mais à direita, cerraremos fileiras ao lado dos trabalhadores contra nosso inimigo comum.
Não daremos apoio a qualquer tentativa de salvar o governo Dilma e reafirmamos que é deste a responsabilidade maior pela existência dos protestos e sua guinada à direita, uma vez que o governo em nenhum momento acena para uma real alteração de sua coalizão com a burguesia. Pelo contrário, vemos ser reforçados os apelos à “ordem” e à “tranquilidade” e anunciada a proposta de “união nacional”, com a convocação de uma reunião com governadores e prefeitos, iniciativas governistas que apenas preservam ostatus quo político em degenerescência.
Travestida de recuo, a outra solução apontada para fazer calar o clamor provocado pelo estopim da revolta – o preço das passagens de ônibus – só faz reeditar o mesmo princípio que move o governo: aumentar subsídios para as empresas, desviando o fundo público para o lucro privado. Tais medidas são vergonhosamente anunciadas em aparições de TV que unem PT e PSDB para que, no monopartidarismo bicéfalo até então dominante no Brasil, ninguém apareça “mal na foto”, pensando nas futuras eleições.
Nossa eventual unidade numa frente antifascista conjuntural se dará com identidade própria, responsabilizando o governo pelos riscos de fascismo, colocando nossas críticas e propostas táticas e estratégicas. Quem tem que ser protegido não é o governo, mas os trabalhadores, diante do risco de retrocesso criado pelo impasse político de uma coalizão de forças que os desarmou contra seus reais inimigos, ao se aliar a eles na ilusão de um desenvolvimento capitalista que deveria fazer o impossível: atender às demandas de todos (burguesia e trabalhadores).
Apesar da atual hegemonia conservadora sobre o movimento, está longe de ser resolvida essa disputa. Mas o fascismo só será derrotado e a orientação do movimento só pode vir a ter uma vocação socialista se vierem para o palco de luta os trabalhadores e o proletariado em geral, de forma organizada, através de sindicatos e movimentos populares combativos e avessos à ordem vigente.
A única forma de abortar o germe fascista é fortalecer uma real alternativa à esquerda e socialista para o Brasil que abandone as ilusões de um desenvolvimento pactuado com a burguesia monopolista e o fetiche de uma ordem democrática abstrata que interessa a ambas as classes em disputa, reafirmando a necessidade de um governo popular.
Para qualquer cenário, de avanço ou retrocesso, a frente de esquerda socialista e anticapitalista deve construir um programa comum, formalizar uma articulação unitária, privilegiando seus esforços de unidade nas ações no movimento de massas, para deixar de ser apenas mera coligação eleitoral. Quando falamos de frente de esquerda socialista e anticapitalista não temos como critério exclusivo o registro eleitoral, mas incluímos as organizações políticas revolucionárias não institucionalizadas e movimentos sociais contra-hegemônicos.
O eixo central para estabelecermos um diálogo com o movimento de massas que expressa caoticamente seu descontentamento não pode ser uma abstrata defesa da “ordem e tranquilidade” e uma continuidade do mesmo com “mais diálogo”, mas a incisiva afirmação de que as demandas por educação, saúde, moradia, transporte, contra os gastos da Copa, as remoções, a violência policial, a privatização desenfreada, o endividamento das famílias, a precarização das condições de trabalho e a perda de direitos dos trabalhadores não são explicadas pela afirmação moralista contra a “corrupção”, mas efeitos esperados da opção pelo desenvolvimento capitalista e o mito de que o crescimento desta ordem poderia levar ao mesmo tempo aos lucros dos monopólios e à satisfação das demandas populares.
É hora de afirmar que a vida não pode ser garantida pelo mercado: saúde, educação, moradia, transporte e outros serviços essenciais não podem ser mercadorias, são direitos e devem ser garantidos pelo fundo público que está sendo utilizado prioritariamente para subsidiar e apoiar os grandes monopólios capitalistas e os grandes bancos.
Esta mudança exige superar os limites desta democracia burguesa que agora se desmascara, não com uma mera reforma política para manter os mesmos que sempre mandaram no poder, mas pelo estabelecimento de um verdadeiro governo popular que se fundamente em formas de democracia direta e dê voz de fato à maioria da sociedade e, principalmente, aos trabalhadores.
O PCB, que não se intimida com ameaças da direita, não sairá das ruas, ao lado das forças de esquerda anticapitalistas e populares e levantará bem alto suas bandeiras:
- O fascismo não passará!
- Não à criminalização dos movimentos populares!
- Desmilitarização da polícia!
- Pela estatização dos transportes públicos, da saúde e da educação, sob controle dos trabalhadores!
- O petróleo é nosso!
- Por uma frente da esquerda anticapitalista!
- Por um governo Popular!
Rio de Janeiro, 23 de junho de 2013
PCB – Partido Comunista Brasileiro
Comitê Central
domingo, 23 de junho de 2013
Apartidarismo e Anti-partidarismo
É incontestável por grupos das mais diversas posições que estamos vivendo um momento singular de efervescência política. Normalmente, há uma clara identificação da disputa política com a disputa eleitoral. As pessoas, que geralmente estão fora da discussão política cotidiana, passaram a discutir nas esquinas, nos seus locais de trabalho e lazer, nas redes sociais, sobre os sentidos do que está acontecendo neste momento, não só em nosso país, mas também em escala mundial. A disputa política que costuma acontecer exclusivamente em anos eleitorais está ganhando as ruas e certamente existem pessoas que estão nelas pela primeira vez.
Apesar das aparências, o cenário político que se apresenta é bastante complexo. Um movimento apartidário reivindica a organização dos atos e reúne uma parte da população cronicamente descrente com a transformação social pela via eleitoral. Este sentimento é bastante compreensível para quem desde os anos 80 apostou no PT e viu, enfim, a subida de um trabalhador ao poder. “A esperança venceu o medo”, dizia-se. Nos 10 anos de governo do partido nenhuma mudança substancial foi feita. Nestes 10 anos as alianças políticas que foram feitas – com partidos de direita – apontam ainda mais explicitamente para a não realização de uma transformação social. Nesse cenário, a descrença com a possibilidade de outro projeto partidário-eleitoral surge para a população como uma perda de tempo. O povo não quer acreditar novamente em um plano eleitoral para daqui a 30 anos se deparar com uma nova decepção. É dessa descrença política que surge a força do argumento apartidário.
Alguns sentidos do apartidarismo se fazem presentes. Evoquemos uma imagem. O grito de ordem contra os partidos políticos nas manifestações. Quem grita palavras de ordem como “Sem Partido!”, ou “Abaixa essa bandeira!”? Grosso modo, existem três grupos que fazem esse coro. Em sua grande maioria – pelo caráter numérico – pessoas que recentemente aderiram às discussões políticas de forma independente; outro grupo que se representa como Anonymous; além de uma pequena parcela da extrema direita nacional. Portanto, o grito em si é heterogêneo e não traz consigo o sentido desta negação partidária. Há três sentidos majoritários. De um lado, a reflexão que vem da insatisfação eleitoral, de outro, a tentativa de realizar um movimento revolucionário independente e, por parte do terceiro grupo, um claro revigoramento de ideais fascistas.
É preciso explicitar que este terceiro grupo, apesar do apelo apartidário, tem um interesse notório de excluir violentamente os partidos PCB, PSTU e PSOL, que em todas as suas respectivas trajetórias lutaram nas ruas junto com as pessoas e lidaram com a truculência policial. No entanto, este grupo de extrema direita é, ele próprio, bastante partidarizado. Basta ver a aproximação entre este grupo com a “Família Bolsonaro” do Partido Progressista (PP). Eles sempre se apresentam publicamente com a bandeira do Brasil defendendo fortemente a homofobia, o racismo, a internação compulsória, a redução da maioridade penal, o estatuto do nascituro, e agora, contraditoriamente, visto que também é um partido, a partidofobia.
Na correlação de forças atual é preciso politizar nossa prática. É preciso saber o que é ser apartidário! Ser apartidário é não se sentir representado por organizações políticas partidárias manifestando sua liberdade de expressão. Proibir e queimar bandeiras, espancar e arremessar objetos em militantes são atos que proíbem a liberdade de expressão! Essa posição é autoritária e anti-partidária! Agir dessa forma cria obstáculos aos trabalhos cotidianos do PCB, PSTU e PSOL em sua militância na saúde, na educação, na mobilidade urbana, entre outros, contribuindo, como quer o PP – partido apartidarizado - e seu truculento grupo de apoio para a volta à exclusividade da política partidária das urnas.
Bruno Pizze e Andre Vieira (militantes do PCB RJ)
sexta-feira, 21 de junho de 2013
A PEC 37: MUITO MAIS DO QUE UMA QUESTÃO JURÍDICA
Felipe Oiticica – militante do PCB (RJ)
A votação pela Câmara dos Deputados da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 37 – prevista para o próximo dia 26 de junho – não é apenas, como parece, uma discussão jurídica. Trata-se de importantíssima questão sobre democracia e direitos do cidadão – sobretudo os das camadas populares e os dos mais pobres.
Recordando e resumindo: a proposta visa mudar o que estabelece a Constituição de 1988, no que diz respeito a investigações sobre infrações penais. Se hoje está garantido ao Ministério Público (os promotores de Justiça) o direito de acompanhar e participar ativamente de investigações e inquéritos policiais, a PEC 37 pretende retirar-lhe este direito e dar às policias federal e civil dos estados e do Distrito Federal competência privativa sobre eles.
Não estranhamente apresentada por deputado federal que é também delegado da Polícia Civil, a proposta passou por Comissão Especial da Câmara, em novembro do ano passado. Será agora votada pelo plenário da Casa e depois pelo Senado Federal. Se aprovada – o que nem seria surpreendente, tendo em vista a distância que separa o Congresso dos reais interesses do país –, chegaríamos à incoerência de que o órgão incumbido pela Constituição de representar a sociedade ante o Poder Judiciário seria impedido de fazê-lo, no quase sempre decisivo momento em que a investigação levanta os dados que balizarão o julgamento.
Se observado mais de perto, o que poderia configurar delírio corporativo de delegados revelase tentativa política de garantia de uma espécie de reserva de direito, nas questões da Justiça, por parte das elites econômicas e sociais, do grande capital aplicado no negócio de compra e venda de favores estatais que realimentam seus lucros, dos grupos ligados à lavagem de dinheiro subtraído ao trabalhador ou obtido por todos os meios escusos imagináveis, da fina flor do banditismo de colarinho branco. Além disso, a aprovação da proposta é também do máximo interesse de setores políticos cujas práticas inconfessáveis têm sido perturbadas por investigações do Ministério Público.
Não que promotores de Justiça devam ser considerados acima do bem e do mal. Entre eles também existem os que não cumprem o dever. Mas é evidente que profissionais aprovados em concurso de reconhecida dificuldade e que não devem favores ao Executivo e ao Legislativo têm muitíssimo mais independência do que delegados de polícia, sempre sujeitos às pressões dos poderosos e a um corporativismo endêmico e escancarado.
Imaginem-se investigações sobre um mega-empresário, um banqueiro, um latifundiário, um político influente, um burocrata de ótimas relações, alguma figura influente nos altos extratos sociais, um filho de família rica, um barão dos diversos tráficos: quem será mais provavelmente sensível à influência nefasta de qualquer um deles, durante as investigações? O promotor de Justiça ou o delegado de polícia? O acompanhamento de casos recentes e dos mais antigos não deixa margem a dúvidas – o que não significa afirmar que não há policiais íntegros e incorruptíveis.
Da mesma maneira, quando o investigado é um trabalhador da cidade ou do campo, um semterra, um homem simples do povo, um filho de família humilde, um mero sub-assalariado dos tráficos: quem tem mais condições e disposição para garantir-lhe investigação justa? O delegado de polícia ou o promotor de Justiça? Aqui também, o exemplo de inúmeros casos torna a resposta evidente.
Por razões conjunturais, a PEC 37 rachou as correntes de direita (cujas relações com os poderosos da sociedade de classes tenderiam a empurrá-la para o apoio à aprovação) e de centro-esquerda (que a votação obtida entre os trabalhadores suporia fazer tender ao repúdio). Parte da direita, de olho na penalização de políticos e burocratas ligados ao Governo e envolvidos em escândalos, trabalha pela rejeição da medida. Pelo mesmo motivo, mas com sinal trocado, correntes da centro-esquerda querem aprová-la. Esta inversão de posições é mais uma prova de que investigações não devem ser deixadas apenas aos delegados de polícia. Dos dois lados existe a certeza de que eles são bem mais facilmente manipuláveis.
A sessão da Comissão Especial em que a proposta foi aprovada e encaminhada desenrolou-se de modo absolutamente parcial. Os participantes foram ouvidos por tempo restrito – 5 minutos cada um, em tema tão importante. Foi mero cumprimento de uma etapa da rotina parlamentar. A aprovação foi rápida, sem que fossem lidos os votos em separado.
É um mau prenúncio para as batalhas na Câmara e no Senado. O racha nas correntes e o posicionamento a partir de interesses políticos próprios tornaram o resultado imprevisível. São esperadas fortes manobras parlamentares vindas dos apoiadores da PEC 37 e não se sabe até que ponto seus adversários estarão em condições de resistir-lhes e impedir a consumação do absurdo.
Por tudo isso, serão fundamentais a mobilização da sociedade e a pressão sobre deputados e senadores indecisos ou ainda renitentes a aprovar medida tão danosa, apenas para defender interesses poderosos. Nas redes sociais da Internet, a mobilização espalhou-se e já é grande, mas precisa ser ampliada, nesta reta final. As organizações da sociedade civil – dos sindicatos às entidades estudantis, das associações de bairro aos grupos de defesa das minorias – devem comprar esta briga, que também é sua. E os movimentos que estão nas ruas das cidades brasileiras – numa demonstração de que o povo não se cala por muito tempo – podem perfeitamente levantar mais esta bandeira de luta, em suas passeatas.
Toda força ao movimento popular! Não ao fascismo!
CLASSIFICADO EM PCB - NOTAS POLÍTICAS DO PCB
Por todo o país, centenas de milhares de pessoas, em sua maioria jovens, vêm ocupando as ruas para demonstrar insatisfação com o aumento do preço das passagens, dos alimentos e dos serviços públicos em geral, além de outras questões, provocadas pela ofensiva do capitalismo contra nossos direitos, como o desmonte da saúde e da educação, as privatizações, a brutalidade policial, a corrupção, a desigual distribuição da renda, a precarização do trabalho, a falta de perspectivas para a maioria dos jovens e, sobretudo, o sentimento de traição do governo e a farsa da democracia burguesa.
O crescimento do movimento fez com que governos municipais e estaduais recuassem da sua postura inicial de intransigência e reduzissem as tarifas. Ao fazê-lo, no entanto, anunciaram que, para compensar a queda do preço das passagens, teriam que retirar verbas de outras áreas, insinuando cortes em setores sociais. Trata-se de claro falseamento dos fatos, pois esses e outros recursos para resolver problemas sociais podem ser obtidos das obras desnecessárias e superfaturadas, como a do Maracanã, do pagamento de juros aos banqueiros, do superávit primário.
O Partido Comunista Brasileiro (PCB) e a União da Juventude Comunista (UJC)participam ativamente dos atos em todo o país, com seus militantes, apoiadores e aliados, suas bandeiras e propostas para a solução dos problemas apontados pelos manifestantes. As ruas são o espaço propício para o exercício da ação política, a livre manifestação das vontades e ideias dos indivíduos e dos grupos organizados em partidos, sindicatos e outras formas políticas e sociais que contribuem para a reflexão e o encaminhamento das lutas. Foi nas ruas que os comunistas, as esquerdas e outros setores sociais venceram a campanha “O Petróleo é Nosso” nos anos 50 e derrotaram a ditadura na década de 1980. É nas ruas que lutamos por melhores condições de vida e trabalho e por uma sociedade igualitária, sem exploradores nem explorados.
Com o crescimento das manifestações, segmentos da direita tentam impedir que partidos, sindicatos e outras organizações políticas e sociais se manifestem. Ocorrem também atos de violência, como depredações de prédios públicos, promovidos por provocadores, sobretudo grupos de direita. A desproporcional violência policial, exatamente a mesma em todos os países capitalistas onde os povos se levantam, se encontra com a dos provocadores, dando à mídia burguesa oportunidade para exigir que as manifestações sejam nacionalistas, ordeiras e sem os partidos de bandeiras vermelhas. Tentam sequestrar o movimento, jogando a massa despolitizada contra os partidos de vocação socialista.
O PCB repudia veementemente essas duas faces da violência e propõe às organizações políticas e movimentos do campo popular a se unirem nas ruas e para além dessas manifestações. Vamos garantir a livre manifestação popular e barrar o antipartidarismo, que só interessa à direita. O movimento é suprapartidário, com pessoas, partidos e organizações diversas em sua composição. Mas não pode ser apartidário.
É preciso fortalecer as lutas populares, com a presença dos trabalhadores organizados, apontando para a estatização do sistema de transportes, sob controle da população, mostrando que só assim poderemos conquistar a tarifa zero; é preciso lutar pela desmilitarização das polícias, avançar na defesa da saúde e da educação públicas, dentre outras lutas. Mas temos que chamar a atenção para as raízes dos problemas que nos afligem, não apenas suas consequências: quanto mais capitalismo, mais desigualdade e mais exclusão. Nossa luta é contra o sistema capitalista e em defesa do socialismo. Vamos formar uma ampla frente anticapitalista, combativa, para, com unidade de ação, avançar por amplas conquistas do movimento popular e pela sociedade socialista.
NÃO BASTA SE INDIGNAR: É PRECISO MUDAR O SISTEMA!
Secretariado Nacional
PCB - Partido Comunista Brasileiro
Apartidarismo e Anti-partidarismo
CLASSIFICADO EM BRASIL - PASSE LIVRE
É incontestável por grupos das mais diversas posições que estamos vivendo um momento singular de efervescência política. Normalmente, há uma clara identificação da disputa política com a disputa eleitoral. As pessoas, que geralmente estão fora da discussão política cotidiana, passaram a discutir nas esquinas, nos seus locais de trabalho e lazer, nas redes sociais, sobre os sentidos do que está acontecendo neste momento, não só em nosso país, mas também em escala mundial. A disputa política que costuma acontecer exclusivamente em anos eleitorais está ganhando as ruas e certamente existem pessoas que estão nelas pela primeira vez.
Apesar das aparências, o cenário político que se apresenta é bastante complexo. Um movimento apartidário reivindica a organização dos atos e reúne uma parte da população cronicamente descrente com a transformação social pela via eleitoral. Este sentimento é bastante compreensível para quem desde os anos 80 apostou no PT e viu, enfim, a subida de um trabalhador ao poder. “A esperança venceu o medo”, dizia-se. Nos 10 anos de governo do partido nenhuma mudança substancial foi feita. Nestes 10 anos as alianças políticas que foram feitas – com partidos de direita – apontam ainda mais explicitamente para a não realização de uma transformação social. Nesse cenário, a descrença com a possibilidade de outro projeto partidário-eleitoral surge para a população como uma perda de tempo. O povo não quer acreditar novamente em um plano eleitoral para daqui a 30 anos se deparar com uma nova decepção. É dessa descrença política que surge a força do argumento apartidário.
Alguns sentidos do apartidarismo se fazem presentes. Evoquemos uma imagem. O grito de ordem contra os partidos políticos nas manifestações. Quem grita palavras de ordem como “Sem Partido!”, ou “Abaixa essa bandeira!”? Grosso modo, existem três grupos que fazem esse coro. Em sua grande maioria – pelo caráter numérico – pessoas que recentemente aderiram às discussões políticas de forma independente; outro grupo que se representa como Anonymous; além de uma pequena parcela da extrema direita nacional. Portanto, o grito em si é heterogêneo e não traz consigo o sentido desta negação partidária. Há três sentidos majoritários. De um lado, a reflexão que vem da insatisfação eleitoral, de outro, a tentativa de realizar um movimento revolucionário independente e, por parte do terceiro grupo, um claro revigoramento de ideais fascistas.
É preciso explicitar que este terceiro grupo, apesar do apelo apartidário, tem um interesse notório de excluir violentamente os partidos PCB, PSTU e PSOL, que em todas as suas respectivas trajetórias lutaram nas ruas junto com as pessoas e lidaram com a truculência policial. No entanto, este grupo de extrema direita é, ele próprio, bastante partidarizado. Basta ver a aproximação entre este grupo com a “Família Bolsonaro” do Partido Progressista (PP). Eles sempre se apresentam publicamente com a bandeira do Brasil defendendo fortemente a homofobia, o racismo, a internação compulsória, a redução da maioridade penal, o estatuto do nascituro, e agora, contraditoriamente, visto que também é um partido, a partidofobia.
Na correlação de forças atual é preciso politizar nossa prática. É preciso saber o que é ser apartidário! Ser apartidário é não se sentir representado por organizações políticas partidárias manifestando sua liberdade de expressão. Proibir e queimar bandeiras, espancar e arremessar objetos em militantes são atos que proíbem a liberdade de expressão! Essa posição é autoritária e anti-partidária! Agir dessa forma cria obstáculos aos trabalhos cotidianos do PCB, PSTU e PSOL em sua militância na saúde, na educação, na mobilidade urbana, entre outros, contribuindo, como quer o PP – partido apartidarizado - e seu truculento grupo de apoio para a volta à exclusividade da política partidária das urnas.
Bruno Pizze e Andre Vieira (militantes do PCB RJ)
terça-feira, 18 de junho de 2013
NÃO BASTA SE INDIGNAR: É PRECISO MUDAR O SISTEMA!

O PCB (Partido Comunista Brasileiro) saúda e se engaja de forma militante no vigoroso movimento surgido a partir de uma manifestação em São Paulo contra o aumento das tarifas de ônibus urbanos.
A estúpida violência policial aos manifestantes repete-se no Rio de Janeiro, Porto Alegre, Brasília, Belo Horizonte e em cada vez mais cidades brasileiras, independente do partido político do Governador ou do Prefeito. Na defesa da institucionalidade burguesa, não há repressão mais ou menos “democrática”.
Reparem que esta violência é exatamente a mesma em todos os países capitalistas onde os povos se levantam contra os cortes de direito e a fascistização do estado, necessária para garanti-los. Os mesmos uniformes de gladiadores, as mesmas armas cinicamente chamadas de “não letais”: balas de borracha, gás de pimenta e lacrimogêneo.
No Brasil, a crescente fascistização do estado tem a ver com a opção do governo por evitar a crise do capitalismo com mais capitalismo. É preciso muita repressão para aprofundar a privatização do nosso petróleo, dos portos, aeroportos, rodovias, para expulsar os índios de suas terras, “flexibilizar” direitos, adotar um Código Florestal para o agronegócio, desonerar e favorecer o capital.
Em nosso país, a explosão popular demorou a aparecer, em função das ilusões semeadas em 10 anos de um governo que se diz de “esquerda”, mas cuja principal preocupação é alavancar o capitalismo brasileiro.
Aqui, a fascistização do estado se acentuou para que o país acolha “em paz” o novo Papa e os megaeventos (Copas das Confederações e do Mundo, Olimpíadas).
É evidente que o aumento das tarifas foi apenas uma faísca para um movimento que tende a crescer e que tem raízes numa insatisfação sistêmica. Teve o mesmo efeito catalizador das árvores da Praça Taksim, na Turquia. Mas na raiz da indignação, estão o desmonte da saúde e da educação, as privatizações, a brutalidade policial, a corrupção, a injusta distribuição da renda, a inflação, a precarização do trabalho, a falta de perspectivas para a maioria dos jovens e sobretudo o sentimento de traição do governo e a farsa da democracia burguesa.
Não foi gratuita a vaia à Presidente na abertura da Copa das Confederações e o aparecimento de uma nova e vigorosa bandeira para as manifestações. Tratando-se o futebol de um esporte popular no Brasil, fica mais evidente a vocação capitalista desse governo, que promoveu, através de um Ministro dos Esportes que se diz “comunista”, a privatização dos estádios e da própria seleção brasileira (patrocinada por um banco e uma fábrica de bebidas) e a elitização do acesso aos estádios, tornando o futebol uma mercadoria de luxo.
Mas é importante chamar a atenção para as raízes dos problemas que nos levam a indignar e não apenas para as causas. Quanto mais capitalismo, mais injustiça, mais exclusão. O centro da luta tem que ser contra o sistema capitalista e por uma sociedade socialista.
PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO
OCUPEMOS AS RUAS! TODO APOIO AOS PROTESTOS POPULARES CONTRA O AUMENTO DAS PASSAGENS!
17 JUNHO 2013
Nas últimas semanas, o povo trabalhador brasileiro, em especial a juventude, vem protagonizando uma série de atos contra o aumento das passagens de ônibus. O que seria uma série de manifestações locais transformou-se em uma onda de protestos populares no Brasil. A União da Juventude Comunista além de apoiar, vem participando de todos os protestos, ombro a ombro com a juventude, as classes populares e as suas diversas formas de organização.
A resposta dos governos e dos monopólios midiáticos é a sistemática tentativa de criminalizar os movimentos, a fim de legitimar a repressão aos protestos populares. Tal repressão foi tão descabida que até repórteres foram arbitrariamente atacados durante os atos. Em um período de organização de grandes eventos internacionais no Brasil, este tipo de ação policial, tão comum no cotidiano dos bairros populares, é apenas uma amostra do trato político que as reivindicações dos trabalhadores terão se não estiverem de acordo com o interesse dos monopólios e da acumulação capitalista.
Os governantes dos mais distintos partidos políticos da ordem tentam veicular a ideia de que os protestos seriam apenas contra um irrisório aumento de 0,20 centavos. Eles dizem também que os protestos são produto da ação de algumas organizações e partidos que tentam tumultuar a ordem do país diante dos mínimos efeitos da crise mundial. No entanto, estes governantes vinculados ao projeto burguês para o país, que são de partidos como o PT, PSDB, DEM, PMDB e suas forças auxiliares, esquecem que cerca de 40% do orçamento doméstico dos trabalhadores são destinados a pagar estas tarifas de transporte. Um serviço sem qualidade, no qual a juventude e os trabalhadores são tratados como gado – ou pior. Tal serviço tem como objetivo apenas promover altos lucros para as empresas de ônibus, grandes financiadoras das campanhas eleitorais desses partidos da ordem.
Portanto, esta luta contra o aumento e por um transporte público de qualidade é uma demanda sentida na pele por milhões de brasileiros e brasileiras. Uma demanda por melhores condições de vida para a população. E como os governos e partidos comprometidos com os interesses dos empresários respondem a esta demanda? Reprimindo, criminalizando e menosprezando a luta deste movimento.
Nós da União da Juventude Comunista, não temos dúvida de que lado da trincheira estamos nestas lutas. Estamos ao lado da juventude e do povo trabalhador em movimento. Devemos aprofundar não só as mobilizações, mas a organização permanente das demandas destes protestos. Na atual conjuntura, lutar contra o aumento das passagens e por um melhor transporte público é lutar contra a mercantilização da vida e contra a natureza privatista de um direito humano fundamental que o capitalismo nos nega: o direito de ir e vir.
Esta luta mostra para os trabalhadores que, apesar da “democratização” do consumo via crédito, demandas estruturais para a classe trabalhadora (como saúde pública estatal e de qualidade, educação pública, reforma agrária e urbana, transporte público de qualidade e conquista de direitos sociais básicos) não serão conquistados por partidos e governos que compactuam com a atual ordem do capital. Estamos certos de que a luta pela defesa da vida humana é mais importante que a preservação dos interesses particulares da acumulação capitalista. Por isso, ocupemos as ruas! A vida é mais importante que lucros do grande capital!
- Redução das tarifas já! Pela estatização das empresas de ônibus, visando a criação da tarifa zero! Transporte público e de qualidade para o povo trabalhador!
- Contra a criminalização e repressão dos movimentos sociais! Questão social não é caso de polícia!
- Passe livre já! Para estudantes secundaristas, universitários e para os desempregados!
- Pela organização dos fóruns populares sobre transporte público e mobilidade urbana! Construindo o poder popular!
- Abaixo os governos do grande capital! Contra a mercantilização da vida!
Coordenação Nacional da União da Juventude Comunista
http://ujc.org.br/ujc/?p=795
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