segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A Grécia e a oportunidade da história: o que fazer?

A Grécia e a oportunidade da história: o que fazer?

Milton Pinheiro e Sofia Manzano[1]

A revolução é o freio de emergência para conter a barbárie.

Walter Benjamim

Estamos vivendo um momento histórico em que o aprofundamento da crise sistêmica, que se configurou em grave crise econômica e social, deixa claro a posição do grande capital financeiro, na tentativa de recuperar suas altas taxas de rentabilidade, a partir da relação com os fundos públicos. Na Europa e em outras partes do mundo, integrados na ideologia da colonização global que se encontra em curso, o aparato político da burguesia tenta operar um grande ajuste fiscal. Partem com voracidade sobre o Estado como instrumento para resolver os problemas dos balanços dos bancos privados. E as contradições da luta de classes avançam.

O cenário grego, no fulcro da crise, é desolador. O Banco Central Europeu, pressionado pela Alemanha e França, age dentro da lógica de rapina do Imperialismo tentando tirar da Grécia todos os recursos necessários para salvar seus bancos. Todas as medidas propostas têm levado ao desemprego, à informalidade no mercado de trabalho, a precarização e intensificação do trabalho no setor público, ao corte de investimentos e custeio na máquina pública de saúde, educação e previdência. Processam um conjunto de privatizações e desenvolvem uma cruel política de demissão em massa no serviço público. Só a última lei aprovada permitiu a demissão de mais de 30 mil trabalhadores públicos.

A Grécia não tem como sair da crise e a questão da burguesia européia não é tirar a Grécia da crise, é operar um conjunto de medidas de profundo corte e ajuste fiscal sem precedentes que sirvam como inspiração ideológica para os próximos acontecimentos. O capitalismo é uma “jaula de ferro”, onde a burguesia naturalizou o mercado e aprisionou os trabalhadores. Criou um mundo sem perspectivas, gerou a perda da liberdade humana através da alienação, do fetiche, da coisificação do homem. É o culto ao dinheiro, é o tempo do mammonismo que está parindo uma outra “civilização”. Portanto, não serão políticas reformistas de corte social-democrata que resgatarão a perspectiva dos trabalhadores na sua luta pela emancipação humana.

A social-democracia grega e o seu partido no governo barlaventeou e capitulou, como é de praxe, à política da burguesia, para os períodos de crise. Só que agora a crise é sistêmica e os trabalhadores foram para as ruas em toda a Grécia.

A cena política grega é de luta diretas das massas. A disputa está em todas as ruas de Atenas, as manifestações são gigantescas, as greves são cada vez maiores. Os trabalhadores, a central sindical PAME e o KKE estão marchando à frente das manifestações juntamente com outros movimentos sociais e forças políticas. Nesse momento da história da Grécia, se consolidou uma hegemonia de classe e o bloco histórico dos trabalhadores está em movimento. O que fazer?

A Grécia é um país que tem parte significativa de seu Produto Interno Bruto baseado nos serviços – só o turismo, que recebe 17 milhões de pessoas por ano, representa 15% do PIB e emprega 17% da população. O país tem uma população de 11 milhões de pessoas, sendo 5 milhões os trabalhadores e uma taxa de desemprego que atualmente chegou à 17% da força de trabalho. O segundo setor econômico grego é a marinha mercante, a segunda maior do mundo, atrás do Japão. Os gregos contam com 4.000 navios de carga, que empregam cerca de 250.000 trabalhadores e geram 5% do PIB. O fato pitoresco é que este setor não paga impostos na Grécia.

Pelos levantamentos de 2010, o PIB grego é de € 230 bilhões, concentrado no turismo, transporte marítimo, construção civil, pesca, agricultura e indústria extrativista. Todavia, a perspectiva da dívida pública grega, pelos levantamentos atuais atingirá 161% do PIB em 2012. Cabe esclarecer que, ao contrário do que alardeiam os meios de comunicação burgueses, esta dívida pública, como todas as dívidas dos demais países, foram contraídas em virtude de socorro ao sistema financeiro e ao pagamento de altos juros aos detentores dos títulos públicos.

O capital financeiro, detentor desses títulos, está pressionando o governo grego, via a ‘troica’, ou seja, os inspetores do Banco Central Europeu, do FMI e da Comissão Européia, a encontrar recursos para continuar a sugá-los para a burguesia. Como o Estado grego não tem mais condições de arcar com estas despesas, os representantes do grande capital exigem: privatizações – da rádio estatal, do aeroporto de Atenas e a quebra do monopólio estatal do jogo através da venda das loterias; ajuste fiscal, aumento da tributação sobre a população, corte de salários e corte dos direitos sociais. Se não bastasse este brutal pacote, a ‘troica’ exige que todas estas medidas sejam efetuadas e controladas por agências externas.

A partir desses dados, podemos perceber que a economia grega é periférica, dentro do sistema capitalista, o que faz da Grécia, o elo fraco da corrente. A burguesia que controla a zona do Euro não vê mais importância na Grécia, por isso se utiliza de ações tão violentas como forma de testar, política e ideologicamente, seu projeto que é de construção de um novo ciclo do capital para ampliar a sua acumulação. Todavia, as contradições objetivas estão dadas pelo quadro de crise sistêmica que se estabeleceu no processo grego. Mas, o mais importante é percebermos que as condições subjetivas estão em franco processo de consolidação.

Há vários meses os trabalhadores estão nas ruas para impedir os pacotes do governo. Fizeram comícios, lutaram com pedras nas mãos nas barricadas por toda Atenas, cercaram o parlamento, paralisaram os transportes, fecharam o comércio, fizeram greves e tudo isso com uma grande presença de trabalhadores.

Chegou o momento de dar o salto de qualidade na luta política, o bloco histórico dos trabalhadores demonstra força e organização. A questão central é levantar bandeiras que captem as contradições da relação capital-trabalho.

Essas bandeiras devem estar centradas na moratória da dívida, na saída da Grécia da zona do Euro, no retorno ao Dracma (antiga moeda), com sua conseqüente desvalorização cambial, estatização do turismo, da logística, do sistema financeiro, e a tributação da marinha mercante. Galvanizado por estas bandeiras, a questão imediata é levantar a justa palavra de ordem: todo poder aos trabalhadores em luta.

Os trabalhadores gregos fizeram o seu ensaio geral, os ecos do padrão histórico da revolução proletária ressoam por todas as ruas da Grécia carregados pelos turbilhões humanos nas grandes manifestações. A luta chegou a um impasse. Ou a vanguarda e seu bloco histórico se utilizam da perspectiva clássica e assumem a luta pelo poder, ou essas batalhas que ocorrem hoje em toda a Grécia não encontrarão uma perspectiva real de saída, levando os trabalhadores derrotados, de volta para suas casas.

As bandeiras são concretas, está faltando a ação da vanguarda para lançar a palavra de ordem: Todo poder aos trabalhadores em luta!



[1] Milton Pinheiro é professor de ciência política da UNEB (mtpinh@uol.com.br) e Sofia Manzano é professora de economia na USJT (sofiamanzano@hotmail.com).

IMORAL!!!

Pátio Norte desrespeita os campistas rebocando sem indicar a localização do veículo

Em Campos o cidadão tem que procurar seu veículo rebocado em vários pátios

Há coisas que apesar de serem legais, se tornam imorais, ferem o bom senso e desrespeitam acintosamente o cidadão quando visam o lucro acima de tudo. O choque de ordem que vem sendo praticado no trânsito de Campos, com a ampla utilização de reboque, através da concessionária Pátio Norte, tem ultrapassado o limite do que pode ser considerado normal ou, ao menos, aceitável, quando se trata de reprimir condutas inadequadas ou proibidas no trânsito. É óbvio que o estacionamento em locais considerados ilegais e as demais práticas que não condizem com a legislação de trânsito devem ser coibidos. Mas chega às raias do absurdo quando acontecem episódios como o ocorrido no último feriado do dia 12 de outubro, Dia das Crianças e de Nossa Senhora Aparecida. Nesta data, especificamente às 11h24, o veículo do jornalista Giannino Sossai, colaborador da Somos, foi rebocado pela empresa Pátio Norte no centro da cidade, na Rua 21 de Abril, em um momento em que a cidade, por conta do feriado, estava praticamente deserta e não havia movimento significativo de trânsito.

Enquanto o povo reza, a Pátio Norte Fatura

O proprietário do automóvel ao voltar para o local onde havia estacionado seu veículo para assistir à missa na Catedral não o encontrou, assim como também não encontrou nenhuma informação que pudesse indicar onde estaria o seu carro, sendo obrigado a percorrer uma verdadeira via crucis entre a delegacia, por achar que teria sido roubado, e os três pátios da empresa rebocadora. Aqui, levanta-se uma questão: A atitude da Pátio Norte, suprimindo o veículo sem deixar nenhuma indicação da medida e não prestando nenhum respeito ao cidadão, foi correta? Essa é uma questão que poderá ser discutida em uma futura Ação Civil Pública movida pelos usuários que passaram por essa constrangedora situação.

Armadilha legal

Em cidades onde se respeita o cidadão, as empresas colocam avisos

O proprietário do veículo, obviamente, havia praticado uma ação ilegal, estacionando em local proibido pela legislação, apesar de deserto, e por isso seu automóvel estava sujeito a reboque. No entanto, quanto vale o transtorno psicológico e moral causado ao motorista pela empresa por esta não ter informado de nenhuma forma onde estaria o seu veículo? Episódios como este são recorrentes em toda a cidade, mas, principalmente, ali.

Já há algum tempo, a prática tem mostrado fortes indícios de que a empresa rebocadora dá preferência a períodos como feriados e finais de semana, quando os estacionamentos em locais centrais, como naquele caso, obviamente, estão fechados para, então, rebocar veículos e aumentar a fatura do seu caixa particular, com o agravante de ter à sua disposição a Guarda Municipal paga com os impostos dos próprios cidadãos. Por outro lado, nos dias mais agitados dos finais de semana, sexta e sábado, naquela “muvuca” formada nas imediações de uma boate na Pelinca, a farra dos táxis e carros de som altíssimo estacionados em fila dupla e tripla na porta dos estabelecimentos não sofre nenhum tipo de fiscalização ou coerção. Estranhamente, naquele trecho, os carros da Guarda Municipal passam pelo local como se tudo fosse muito normal. Certamente, coibir motoristas bêbados e taxistas deve ser muito mais trabalhoso do que rebocar os carros de pacatos cidadãos que assistem à missa de domingo.

Mais diárias em caixa

E é nos dias mais pacatos que estes episódios de reboque no Centro são majoritariamente realizados. Por uma daquelas estranhas “coincidências”, em fins de semana e feriados não há como retirar os veículos dos pátios da empresa, pois nem os bancos, muito menos o setor burocrático da Pátio Norte funcionam, o que obriga o cidadão a pagar mais diárias. Muitos paroquianos já passaram pelo mesmo dissabor e desconforto de terem seus carros rebocados ao assistir às missas na Catedral. Principalmente às missas de domingo, quando os fiéis estacionam seus veículos perto da Igreja, por não haver estacionamentos abertos.

A lei a serviço da indústria do reboque

Nessas e em outras histórias da Pátio Norte, o que o cidadão de Campos tem encontrado são práticas que ao invés de servirem à legalidade, estão sendo utilizadas para turbinar os negócios de uma verdadeira indústria do reboque.

Essa é uma situação em que cabe uma Ação Popular, solicitando que os proprietários da empresa de reboque coloquem, como acontece em outras cidades, cavaletes ou placas na calçada do local informando que os veículos foram rebocados e o seu destino. Deixar que o cidadão, angustiado com o sumiço do seu veículo, tenha que ter despesas e descobrir, sozinho, onde ele está parece ser uma prática abusiva, pois será justo deixar que o cidadão visite pátios e mais pátios em busca da sua propriedade suprimida?

O que se vê em Campos, quando se fala de reboques de veículos, é que o cidadão é triplamente punido. Por duas vezes, dentro da legislação, o que não há como questionar: com a multa e com o reboque. Mas a terceira vez, com dano moral, sendo alvo da incerteza, da dúvida, e tendo o trabalho físico e a despesa material para localizar o seu veículo. É essa terceira punição que aos olhos do público é ilegal e injusta, e, certamente, também deverá ser aos olhos da Justiça.

Quando se trata de cumprir a lei, não pode haver contradições. Não parece justo aos olhos da população que uma propriedade particular seja levada sem ao menos a informação de onde poderá ser encontrada.

Legal, mas imoral

A questão não é o reboque em si. O reboque, quando acontece por estacionamento ilegal, é correto. A questão é a forma como o reboque acontece e a forma e os motivos por que muitos estão sendo são feitos. Quem vai repor a despesa financeira do cidadão com táxi procurando seu veículo? Quem vai repor seu tempo perdido, que poderia ser utilizado em companhia da família ou, até mesmo, em momentos profissionais? Quem vai repor ao cidadão o transtorno psicológico, o susto que, dependendo do caso, pode até mesmo causar um infarto? Quem vai repor os gastos públicos com denúncias em delegacias de polícia de crimes que não ocorreram? Por que os carros são, em sua maioria, rebocados em feriados e finais de semana? Será que é por que, nestes dias, o cidadão, obviamente, tem tempo livre – folga do trabalho semanal – para dar um passeio e, consequentemente, deixar o carro estacionado

Em São Paulo, avisar ao cidadão é praxe - basta ligar para saber a localização do veículo

por mais tempo próximo a uma praça? É preciso que as autoridades tomem providências para que seja normatizada a prática do reboque em Campos. O que o cidadão de Campos vem percebendo são histórias parecidas com a do caubói que, no deserto, é sobrevoado pelas aves de rapina que aguardam apenas o caubói morrer de sede para se fartarem com a sua carniça.

Em São Paulo, a CET deixa no local da remoção um cavalete informando o ocorrido. Neste cavalete consta o número do telefone 1188 para obter maiores informações ou, ainda, no site da companhia

CASARÃO CULTURA E LUTA APRESENTA....

CCL - Casarão Cultura e Luta



04 de Novembro, às 18h
No CCL - Casarão Cultura e Luta (ao lado da UFF)
Entrada : 1kg de alimento

Festa em homenagem aos bruxos e bruxas que morreram brutalmente sobre o fogo da inquisição, durante a hegemonia da igreja católica medieval.
Continuamos sendo oprimidos, só que as forças opressoras são outras...

Contra inquisição só no casarão!

(PS: Só entra com fantasia!!!)

Apresentando:
DJ Harlen, Banda Espantalho e muitas surpresas!

domingo, 23 de outubro de 2011

É preciso separar o joio do trigo

É preciso separar o joio do trigo

imagemCrédito: Lh6


Rogério Castro*

Se ainda há algum espaço para um debate ideológico na atual cena pós-moderna, eis então um que não tarda por esperar. No último final de semana, a revista Veja publicou mais uma falcatrua envolvendo o chamado Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Como nos conta ninguém menos que Leandro Konder, após a morte de Stalin, na antiga URSS, e as denúncias proferidas pelo novo secretário-geral do PCUS Khruschev sobre o que ele chamou de "culto à personalidade", os abalos no movimento comunista internacional se fizeram sentir em toda parte, inclusive aqui no Brasil.

O PCdoB, surgido dum racha do PCB, é produto desse processo. Sob o impacto da revolução na China, esse partido se insere na luta armada, na crença de que a revolução iria se encaminhar da periferia (“campo”) para o centro (“cidade”). O massacre do Araguaia, pode-se dizer, foi o auge daquela malfadada tentativa de promover mudanças estruturais na sociedade brasileira.

Os tempos mudaram, e as táticas, agora para se chegar ao poder, também. O PCdoB, depois dos anos 80 com a concorrência do PT, não se importou em ser o aliado coadjuvante deste partido e, mais tarde, das chamadas “frentes populares”. As suas práticas, para quem conhece o movimento popular brasileiro por dentro, são assaz conhecidas: vão das fraudes sem limites (de atas, documentos até eleições) e ameaças de agressão física no movimento sindical às criações de entidades de fachada, de cima para baixo, sem nenhuma organicidade, feitas única e exclusivamente para forjar (e monopolizar) uma representatividade inautêntica e ilegítima do segmento em questão.

A União Nacional dos Estudantes, outrora orgânica e combativa, sob o domínio ininterrupto em sua direção desse partido, desfigurou-se, deixou de ser sinônimo de rebeldia e ousadia para ser o que hoje ela é: um espaço onde os jovens, ao invés de pioneirismo e rebeldia característicos, são objeto de manipulação segundo os interesses do partido, e todo vigor de suas energias e criatividade é desviado dos problemas centrais e contemporizado com questões menores. Aliás, o ministro que a Veja acusa de ter recebido “dinheiro na garagem” vem de lá; podemos dizer que sua escola política foi esta UNE.

Certa vez, indagado por um entrevistador sobre o PPS, o atual secretário-geral do PCB – o Partido Comunista Brasileiro –, Ivan Pinheiro, respondeu: “Aquilo lá é um caso de Procon”. A ironia feita por Pinheiro era em relação ao termo “socialista” representado pela última letra daquela sigla. O mesmo serve aqui, por analogia, para o “caso” do PCdoB. Ninguém vai duvidar, ou é preciso ser muito incauto, que quem frauda urnas em eleições sindicais, ou faz do voto na época da eleição moeda de troca (você me dá seu voto, e aqui está sua recompensa), vai ter o pudor de no ministério, “administrando” quantias milionárias de recursos, governar sem se servir de expedientes ilícitos. Mas aqui se interpõe um dilema: “Não será que os fins justificariam os meios?”. Mas, então, quais seriam os “fins” do PCdoB, para que a interpretação "maquiavélica" portasse algum sentido digno?

Essa é a questão. O PCdoB não faz nada – nem no campo político, nem no campo popular –, na prática, para justificar a manutenção em sua sigla da letra “C”, a que abrevia “Comunista”. O seu “Programa Socialista para o Brasil”, apesar de aparentemente antenado com o debate em curso e de toda sua retórica (em tese), não passa, na prática, de uma construção abstrata, aponta para uma sociedade ideal nunca a ser alcançada, mas para a qual devemos marchar, como se esta viesse um dia, sem data e hora marcadas, do céu ao encontro da terra. Mas o problema é que da fé que têm os cristãos no apocalipse os “comunistas” do PCdoB são todos ímpios.

Em que consistiria, então, o Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento, vinculado à transição para o socialismo, defendido no Programa? Qual é o núcleo desse projeto e, por conseguinte, da sua “perspectiva de socialismo”? Aqui se desfaz o castelo de areia. Como não é uma construção abstrata, segundo os fundadores do socialismo científico a sua proposta consiste única e exclusivamente na superação, do ponto de vista concreto, do trabalho assalariado pelo trabalho “livre-associado”, ou emancipado, como dirá um dos seus signatários, o filósofo alemão Karl Marx. Como a sociedade no seu todo se estrutura a partir do trabalho, a mudança na sua forma, superando a parcela do trabalho que não é paga pela repartição de toda a produção conforme as necessidades de toda a coletividade social, já sem classes, significaria, por consequência, o fim dos conflitos econômicos, do Judiciário como regulador dos mesmos, da escassez, da destruição ambiental, etc. Seriam, portanto, estas as diferenças concretas da sociedade vigente para a socialista, bem como os indicadores de uma e de outra numa perspectiva de transição orgânica para a segunda, também conhecida como primeira fase do comunismo.

O PCdoB – já que um dos seus inspiradores teóricos não desvencilhava nunca teoria da prática, ao contrário, dizia ser esta última o critério da verdade – está por demais longe de uma consistente convergência programática com os postulados do materialismo histórico e dialético defendidos pelos fundadores do socialismo científico. Não faz jus, programática e praticamente, ao que a matriz fundante desta tradição, permeada de desvios e deturpações, legou e ressoou como bases para edificação de uma nova sociedade. O episódio do ministro Orlando é só mais um entre vários outros a confirmar esta tese.

*Rogério Castro é jornalista e mestre em serviço social

CARTA DE ANITA LEOCÁDIA PRESTES AO PCdoB

Rio de Janeiro, 21 de outubro de 2011.

Ao Comitê Central do

Partido Comunista do Brasil

(PCdoB)

Dirijo-me à direção do PCdoB para externar minha estranheza e minha indignação com a utilização indébita da imagem dos meus pais, Luiz Carlos Prestes e Olga Benario Prestes, em Programa Eleitoral desse partido, transmitido pela TV na noite de ontem, dia 20 de outubro de 2011.

Não posso aceitar que se pretenda comprometer a trajetória revolucionária dos meus pais com a política atual do PCdoB, que, certamente, seria energicamente por eles repudiada. Cabe lembrar que, após a anistia de 1979 e o regresso de Luiz Carlos Prestes ao Brasil, durante os últimos dez anos de sua vida, ele denunciou repetidamente o oportunismo tanto do PCdoB quanto do PCB, caracterizando a política adotada por esses partidos como reformista e de traição da classe operária. Bastando consultar a imprensa dos anos 1980 para comprovar esta afirmação.

Por respeito à memória de Prestes e de Olga, o PCdoB deveria deixar de utilizar-se do inegável prestígio desses dois revolucionários comunistas junto a amplos setores do nosso povo, numa tentativa deplorável de impedir o desgaste, junto a opinião pública, de dirigentes desse partido acusados de possível envolvimento em atos de corrupção.

Atenciosamente,

Anita Leocádia Prestes

JUSTIÇA ???

Justiça autoriza mais de 33 mil crianças a trabalhar em lixões

Reprodução
Contrariando a constituição, menores de 16 anos foram autorizados a trabalhar não só em lixões, mas em fábricas e obras
Contrariando a constituição, menores de 16 anos foram autorizados a trabalhar não só em lixões, mas em fábricas e obras
mais menos
Juízes e promotores de Justiça de todo país concederam, entre 2005 e 2010, 33.173 mil autorizações de trabalho para crianças e adolescentes menores de 16 anos, contrariando o que prevê a Constituição Federal. O número, fornecido à Agência Brasil pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), equivale a mais de 15 autorizações judiciais diárias para que crianças e adolescentes trabalhem nos mais diversos setores, de lixões a atividades artísticas. O texto constitucional proíbe que menores de 16 anos sejam contratados para qualquer trabalho, exceto como aprendiz, a partir de 14 anos.

Os dados do ministério foram colhidos na Relação Anual de Informações Sociais (Rais). Eles indicam que, apesar dos bons resultados da economia nacional nas últimas décadas, os despachos judiciais autorizando o trabalho infantil aumentaram vertiginosamente em todos os 26 estados e no Distrito Federal. Na soma do período, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina foram as unidades da Federação com maior número de autorizações. A Justiça paulista concedeu 11.295 mil autorizações e a Minas, 3.345 mil.

Segundo o chefe da Divisão de Fiscalização do Trabalho Infantil do MTE, Luiz Henrique Ramos Lopes, embora a maioria dos despachos judiciais permita a adolescentes de 14 e 15 anos trabalhar, a quantidade de autorizações envolvendo crianças mais novas também é “assustadora”. Foram 131 para crianças de 10 anos; 350 para as de 11 anos, 563 para as de 12 e 676 para as de 13 anos. Para Lopes, as autorizações configuram uma “situação ilegal, regularizada pela interpretação pessoal dos magistrados”. Chancelada, em alguns casos, por tribunais de Justiça que recusaram representações do Ministério Público do Trabalho.

“Essas crianças têm carteira assinada, recebem os salários e todos seus benefícios, de forma que o contrato de trabalho é todo regular. Só que, para o Ministério do Trabalho, o fato de uma criança menor de 16 anos estar trabalhando é algo que contraria toda a nossa legislação”, disse Lopes à Agência Brasil. “Estamos fazendo o possível, mas não há previsão para acabarmos com esses números por agora.”

ATIVIDADES INSALUBRES
Apesar de a maioria das decisões autorizarem as crianças a trabalhar no comércio ou na prestação de serviços, há casos de empregados em atividades agropecuárias, fabricação de fertilizantes (onde elas têm contato com agrotóxicos), construção civil, oficinas mecânicas e pavimentação de ruas, entre outras. “Há atividades que são proibidas até mesmo para os adolescentes de 16 anos a 18 anos, já que são perigosas ou insalubres e constam na lista de piores formas de trabalho infantil.”

No início do mês, o MPT pediu à Justiça da Paraíba que cancelasse todas as autorizações dadas por um promotor de Justiça da Comarca de Patos. Entre as decisões contestadas, pelo menos duas permitem que adolescentes trabalhem no lixão municipal. Também no começo do mês, o Tribunal de Justiça de São Paulo anulou as autorizações concedidas por um juiz da Vara da Infância e Juventude de Fernandópolis, no interior paulista.

De acordo com o coordenador nacional de Combate à Exploração do Trabalho de Crianças e Adolescentes, procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) Rafael Dias Marques, a maior parte das autorizações é concedida com a justificativa de que os jovens, na maioria das vezes de famílias carentes, precisam trabalhar para ajudar os pais a se manter.

“Essas autorizações representam uma grave lesão do Estado brasileiro aos direitos da criança e do adolescente. Ao conceder as autorizações, o Estado está incentivando [os jovens a trabalhar]. Isso representa não só uma violação à Constituição, mas também às convenções internacionais das quais o país é signatário”, disse o procurador à Agência Brasil.

Marques garante que as autorizações, que ele considera inconstitucionais, prejudicam o trabalho dos fiscais e procuradores do Trabalho. “Os fiscais ficam de mãos atadas, porque, nesses casos, ao se deparar com uma criança ou com um adolescente menor de 16 anos trabalhando, ele é impedido de multar a empresa devido à autorização judicial.”

Procurado pela Agência Brasil, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) não se manifestou sobre o assunto até a publicação da matéria.

SENHOR X PROTOCOLOU DENÚNCIA AO MP



Uma denúncia do senhor X foi protocolada ontem no Ministério Público e, pela gravidade das mesmas contamos que o MPE dispense toda a atenção que o assunto merece.

Os fatos são graves e facilita a compreensão sobre a inversão da ordem de prioridades com as quais convivemos.

A cópia da denúncia foi enviada por e-mail a vários blogueiros. Entretanto, a orientação é que o conteúdo da denúncia não seja divulgado até que o Ministério Público se pronuncie.

Se a denúncia feita ao Ministério Público for comprovada, vamos assistir a mais um episódio da sessão "vale a pena ver de novo" onde os telhados de vidro poderão visualizar o pássaro preto sobrevoando a planície goitacá e, pousar com a finalidade de "convidar" pessoas conhecidas para um passeio com destino a gaiolas em lugar distante.

DEVEMOS NOS ESPELHAR NESSAS IMAGENS

O mar vermelho em Portugal
Um mar de povo sem precedentes no majestoso comício de greve do PAME em Atenas e em outras 70 cidades por toda a Grécia

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Ministério decide ampliar número de horas de aula diárias


As escolas brasileiras deverão ter mais horas de aula todos os dias. A proposta que sairá do Ministério da Educação para o Congresso Nacional é de ampliar a jornada escolar dos estudantes do País das atuais 800 horas anuais para 1 mil por ano. Isso significa uma carga horária de cinco horas de aula diárias. De acordo com a secretária de Educação Básica do MEC, Pilar Lacerda, o ministério não pedirá aumento no no número de dias letivos, como sugeriu inicialmente o ministro Fernando Haddad.
Em entrevista ao iG, Pilar contou que a proposta foi descartada pelos participantes de reunião técnica realizada nesta terça-feira no MEC. Participaram das discussões, que duraram todo o dia, entidades representantes de estudantes, professores e gestores, além de parlamentares e pesquisadores. Inúmeras dificuldades foram apontadas pelos diretores de escolas, segundo ela, entre o tamanho do calendário escolar e as férias dos professores.

“Incluindo recessos, férias, tempo de formação dos professores, é impossível fechar em 220 dias letivos. Eu acho que o mais importante é ter mais tempo na escola, caminhando para a escola integral”, comenta a secretária. Ela garantiu que o projeto completo estará no Congresso, nas mãos dos deputados Lelo Coimbra (PMDB-ES) e Fátima Bezerra (PT-RN), em 15 dias “no máximo”.

Mais cedo, Pilar havia comunicado a decisão de descartar a proposta de ampliação dos dias letivos pelo Twitter. “Após reunião no MEC, no dia 18/10, com professores, alunos, gestores, parlamentares, pesquisadores, ficou claro que não teremos aumento dos dias letivos de 200 para 220. O consenso é aumentar a carga horária diária, e o Legislativo receberá a proposta consensuada nesta reunião e assumida pelo MEC”, escreveu.

Há pouco mais de um mês, Haddad anunciou em Brasília que estava discutindo o tema com secretários estaduais e municipais de educação. A justificativa para se repensar a quantidade de tempo que os alunos brasileiros passam em sala de aula é o aprendizado. Um estudo feito pelo pesquisador Ricardo Paes de Barros motivou o ministro a discutir a ampliação da jornada escolar. A pesquisa diz que o desempenho dos estudantes melhora com o tempo que passam expostos ao conhecimento.

Pelo Twitter, Pilar reafirmou a ideia a um internauta que questionou por que mudar o período de aulas. “Porque está provado que o tempo de escola influencia a aprendizagem. Repensar o projeto implica repensar os tempos de escola”, afirmou. Em resposta à outra indagação sobre as condições físicas das escolas para atenderem à nova demanda, a secretária respondeu que é preciso investir em tudo e “recuperar o tempo perdido com inovação e ousadia”.

Pilar garantiu que as redes de ensino terão um tempo para se adequar à nova proposta, ainda não definido.

Discussões preliminares
Haddad havia dito que achava mais fácil ampliar os dias letivos do que a carga horária diária por conta da falta de infraestrutura de muitos colégios. No entanto, o ministro havia dito que as duas ideias poderiam ser aplicadas simultaneamente. Ele também garantiu, quando anunciou as discussões sobre o tema, que não enviaria nenhum projeto de lei ao Congresso Nacional antes que um consenso entre as entidades que terão de “executar a medida” fosse encontrado.

Em maio deste ano, a Comissão de Educação do Senado aprovou um projeto de lei que aumenta a carga horária mínima para a educação infantil, o ensino fundamental e o médio de 800h para 960 h anuais. Na discussão dos senadores, não houve previsão de quanto custaria essa ampliação. A matéria está na Câmara dos Deputados para apreciação.
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FONTE: AQUI

QUSTÃO DE TEMPO

Questão de tempo

Do jornal O Globo, versão on-line:

"Diante das denúncias de um suposto esquema de desvio no Ministério do Esporte para abastecer o caixa do PCdoB, a presidente Dilma Rousseff considera a situação do ministro Orlando Silva insustentável e sugeriu a ele que peça demissão ainda nesta sexta-feira, segundo informou o colunista Jorge Bastos Moreno em seu Twitter . Assegurando que o cargo permanecerá com o PCdoB, Dilma disse ao ministro para entregar o cargo antes que as revistas do fim de semana cheguem às bancas.

Segundo o colunista do GLOBO, a presidente - que chegou a condenar o 'apedrejamento moral' de Orlando - já fez várias consultas e concluiu que não tem condições políticas de mantê-lo no cargo, mesmo com as explicações dadas em audiências na Câmara e no Senado , em que ele negou participação no suposto esquema. Nesta sexta-feira, o Palácio do Planalto pediu para o ministro não sair de Brasília. Isso porque a presidente deseja ter um encontro com ele "a qualquer momento". Havia a possibilidade de ele participar de um encontro do PCdoB, no Rio de Janeiro, nesta sexta à noite. A conferência do partido será transformada num ato de apoio ao ministro. Pela manhã, o secretário-geral da Fifa já falava em substituição de Orlando como interlocutor do governo brasileiro para a Copa 2014."

AS RELAÇÕES AMBÍGUAS DO GOVERNO COM A MÍDIA

Por Gilberto Maringoni
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Enquanto seus apoiadores acusam a mídia de ser golpista, governo prestigia e destina farta publicidade aos grandes meios de comunicação. Uma única edição de Veja recebe cerca de R$ 1,5 milhão em anúncios oficiais. É preciso regular e democratizar as comunicações. Mas também é necessário deixar mais claro os interesses de cada setor nessa disputa
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Nesta semana, a revista Veja fez mais uma denúncia de corrupção contra um Ministro de Estado. É difícil saber o que há de verdade ali, pois a reportagem vale-se apenas do depoimento de uma testemunha. A matéria pautou os principais veículos de comunicação, com destaque para o Jornal Nacional, da Rede Globo.
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O Ministro, por sua vez, sai atirando. Responde ao acusador no mesmo calibre. “Bandido” é a palavra que ricocheteia em todas as páginas e telas. O caso é nebuloso. A relação promíscua do Estado com ONGs e “entidades sem fins lucrativos” precisa sempre ser examinada com lupa potente. É um dos legados da privatização esperta dos anos 1990, feita através de terceirizações de serviços que deveriam ser públicos.
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Aliados do governo tentam desqualificar não apenas a denúncia, mas o veiculo que a difunde. Volta o debate de que estaríamos diante de uma imprensa golpista, que não se conforma com a mudança de rumos operada no país desde 2003, que quer inviabilizar o governo etc. etc. A grande imprensa, por sua vez viciou-se em acusar todos os que discordam de seus métodos de clamarem pela volta da censura. Há muita fumaça e pouco fogo nisso tudo, mas faz parte do show. Disputa política é assim mesmo.
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Maniqueísmo
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É preciso colocar racionalidade no debate sobre os meios de comunicação no país, para que não deslizemos para maniqueísmos estéreis. Vamos antes enunciar um pressuposto.
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A grande imprensa brasileira está concentrada em poucas mãos. Oito empresas – Globo, Bandeirantes, Record, SBT, Abril, Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e Rede Brasil Sul (RBS) – produzem e distribuem a maior parte da informação consumida no Brasil. O espectro vai se abrir um pouco nos próximos anos, para que as gigantes da telefonia mundial se incorporem ao time, através da produção de conteúdos para a TV a cabo. Mas o conjunto seguirá como um dos clubes mais fechados do mundo.
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As empresas existentes há cinco décadas – Globo, Estado, Folha e Abril – apoiaram abertamente o golpe de 1964. Até hoje não explicaram à sociedade brasileira como realizam a proeza de falar em democracia tendo este feito em sua história.
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Entre todos os meios, a revista Veja se sobressai como o produto mais truculento e parcial da imprensa brasileira.
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Sobre golpismo, é bom ser claro. As classes dominantes brasileiras não se pautam pelas boas maneiras na defesa de seus interesses. Sempre que precisaram, acabaram com o regime democrático. Usaram para isso, à farta, seus meios de comunicação.
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A imprensa é golpista?
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No entanto, até agora não se sabe ao certo porque esta mídia daria um golpe nos dias que correm. O sistema financeiro colhe aqui lucros exorbitantes. A reforma agrária emperrou. Grandes empresários têm assento em postos proeminentes do Estado – caso de Jorge Gerdau Johannpeter – ou têm seus interesses mantidos intocados.
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Algumas peças não se encaixam na acusação de golpismo da mídia. Voltemos à revista Veja. Os apoiadores do governo precisam explicar porque a administração pública forra a publicação com vultosas verbas publicitárias, além de sempre prestigiarem suas iniciativas. Vamos conferir, pois está tudo na internet.
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Veja tem uma tiragem de 1.198.884 exemplares (http://www.publiabril.com.br/tabelas-gerais/revistas/circulacao-geral), auditados pelo IVC. Alega ter um total de 8.669.000 leitores. Por conta disso, os preços de seus espaços publicitários são os mais altos entre a imprensa escrita. Veicular um reclame em uma página determinada sai por R$ 330.460. Já em uma página indeterminada, a dolorosa fica por R$ 242.200 (http://www.publiabril.com.br/marcas/veja/revista/precos).

Quem anuncia em Veja? Bancos, a indústria automobilística, gigantes da informática, monopólios do varejo e… o governo federal. Peguemos um exemplar recente para verificar isso.
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Na edição de 12 de outubro – que noticiou a morte de Steve Jobs – havia cinco inserções do governo federal. Os anúncios eram do Banco do Brasil (página dupla), do BNDES, do Ministério da Justiça, da Agência Nacional de Saúde e da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Supondo-se que as propagandas não foram destinadas a páginas determinadas, teremos, de acordo com a tabela, um total de R$ 1.525.200.
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Exato: em uma semana apenas, o governo federal destinou R$ 1,5 milhão ao semanário dos Civita, a quem seus aliados chamam de “golpista”.
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Prestígio político
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Há também o prestígio político que o governo confere ao informativo. Prova disso foi o comparecimento maciço de ministros de Estado e parlamentares governistas à festa de quarenta anos de Veja, em setembro de 2008. Nas comemorações, estiveram presentes o então vice-presidente da República, José Alencar, o ex-presidente do BC, Henrique Meirelles, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o ex-ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, o ex-ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, o ministro da Educação, Fernando Haddad e a senadora Marta Suplicy (confiram em http://veja.abril.com.br/veja_40anos/40anos.html).
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E entre julho de 2010 e julho de 2011, nada menos que seis integrantes dos altos escalões governamentais concederam entrevista às páginas amarelas da revista. São eles: Dilma Rousseff, Aldo Rebelo, Cândido Vaccarezza, Antonio Patriota, General Enzo Petri e Luciano Coutinho.
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Nenhum demonstrou o desprendimento e a sensatez do assessor especial da presidência, Marco Aurélio Garcia (então presidente interino do PT). Ao ser convidado para conceder uma entrevista a Diogo Mainardi, em novembro de 2006, deu a seguinte resposta: “Sr. Diogo Mainardi, há alguns anos – da data não me lembro – o senhor dedicou-me uma coluna com fortes críticas. Minha resposta não foi publicada pela Veja, mas sim, a sua resposta à minha resposta, que, aliás, foi republicada em um de seus livros. Desde então decidi não falar com a sua revista. Seu sintomático compromisso em não cortar minhas declarações não é confiável. Meu infinito apreço pela liberdade de imprensa não vai ao ponto de conceder-lhe uma entrevista”.

RBS, Olívio e Lula
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As relações ambíguas do governo e dos partidos da chamada base aliada com a grande mídia não se restringem à Veja.
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Entraram para a história a campanha de denúncias e desgaste sistemático que os veículos da RBS moveram contra o governo de Olívio Dutra (1999-2003), do PT, no Rio Grande do Sul. Ataques sem provas, calúnias, mentiras e todo tipo de baixaria foi utilizada para inviabilizar uma gestão que buscou inverter prioridades administrativas. No auge dos ataques, em 2000, o jornal Zero Hora, do grupo, fez um ousado lance de marketing. Convidou Luís Inácio Lula da Silva para ser colunista regular. Até a campanha de 2002, o futuro presidente da República escreveu semanalmente no jornal, como se não tivesse relação com as ocorrências locais. Quando abriu mão da colaboração, Lula afirmou que o jornal prejudicava seu companheiro gaúcho (http://noticias.terra.com.br/imprime/0,85198,OI38721-EI342,00.html).O jornal ganhou muito mais que o ex-metalúrgico nessa parceria. Ficou com a imagem de um veículo plural e tolerante.
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No mesmo ano, o ex-Ministro José Dirceu foi entrevistado pelo Pasquim 21, jornal lançado pelo cartunista Ziraldo. Naqueles tempos, as empresas de mídia enfrentavam aguda crise, por terem se endividado em dólares nos anos 1990. Com a quebra do real no final da década, os débitos ficaram impagáveis. Lá pelas tantas, Dirceu afirmou que salvar a Globo seria uma “questão de segurança nacional”.

Comemorando juntos
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As boas relações com a grande mídia se mantiveram ainda nas comemorações dos 90 anos da Folha de S. Paulo, em janeiro deste ano. Estiveram presentes à festa (http://www1.folha.uol.com.br/folha90anos/879061-politicos e-personalidades-defendem-a-liberdade-de-imprensa.shtml) a presidente Dilma Rousseff – convidada de honra, que proferiu discurso recheado de elogios ao jornal – a senadora Marta Suplicy, colunista do mesmo, Candido Vaccarezza, líder do governo na Câmara, os ex-Ministros José Dirceu e Marcio Thomaz Bastos e o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho. A Folha também recebe farta publicidade governamental, do Banco do Brasil, da Petrobrás, da Caixa Econômica federal, entre outras.
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Nos momentos de dificuldade, dirigentes do governo procuram sempre a grande imprensa para exporem suas idéias. Foi o caso de Antonio Pallocci, em 3 de junho último. Acossado por denúncias de enriquecimento ilícito, o ex-Chefe da Casa Civil convocou o Jornal Nacional, para dar suas explicações ao público (http://www.youtube.com/watch?v=Y5m_wyahXjY).
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O mesmo Antonio Palocci – colunista da Folha de S. Paulo entre 2009 e 2010 – dividiu mesas com Roberto Civita, Reinaldo Azevedo, Demetrio Magnoli, Arnaldo Jabor, Otavio Frias Filho e outros, em palestra no afamado Instituto Millenium, em março de 2010 (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_...). A entidade congrega empresários do ramo e seus funcionários e se opõe a qualquer tipo de regulação em suas atividades.
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Os casos de proximidade do governo e seus partidos com a imprensa são extensos. Uma das balizas dessas relações é o bolo da publicidade oficial. Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom http://www.secom.gov.br/sobre-a-secom/publicidade/midia/acoes programadas-em-r/copy3_of_total-geral-administracao-direta-todos-os-orgaos-indireta-todas-as-empresas), a receita publicitária oficial em 2010 foi de R$ 1.628.920.472,60. Incluem-se aí os custos de produção e veiculação de campanhas, tanto da administração direta quanto indireta. Ressalte-se aqui um ponto: é legítimo o governo federal valer-se da publicidade para se comunicar com a população. A maior parte do bolo vai para os grandes grupos do setor.
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No caso das compras de livros didáticos feitos pelo MEC, para as escolas públicas, o grande beneficiário é o Grupo Abril, que edita Veja (http://www.horadopovo.com.br/2010/dezembro/2921-08-12-2010/P4/pag4a...).

Reclamação e democratização
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Apesar do PT, partido do governo, ter feito uma moção sobre a democratização das comunicações em seu último Congresso e do ex-ministro José Dirceu ter sido injustamente atacado recentemente pela Veja, é difícil saber exatamente que tipo de relação governo e partidos aliados desejam manter com os meios de comunicação. De um lado, como se vê, acusam a mídia de ser golpista. De outro, lhe dão todo o apoio.
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Pode ser que tenham medo da imprensa. Mas o que não se pode é ter um duplo comportamento no caso. Diante da opinião pública falam uma coisa, enquanto agem de forma distinta na prática.
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O ex-presidente Lula reclamou muito da imprensa em seu último ano de mandato. No entanto, “Não houve qualquer alteração fundamental no quadro de concentração da propriedade da mídia no Brasil entre 2003 e 2010”. Essa constatação é feita pelo professor Venício Lima em brilhante artigo, publicado no final de 2010 (http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=...).
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As resoluções da Conferência Nacional de Comunicação, realizada em 2009, mofam em algum escaninho do Ministério das Comunicações. O Plano Nacional de Banda Larga, que deveria fazer frente ao monopólio das operadoras privadas, acabou incorporando todas as demandas empresariais. O projeto de regulação da mídia elaborado pelo ex-ministro Franklin Martins desapareceu da agenda.
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Como se pode ver, o governo e seus partidos de sustentação convivem muito bem com a mídia como ela é. Têm muita proximidade e pontos de contato, apesar de existirem vozes isoladas dentro deles, que não compactuam com a visão majoritária.
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Nenhum dos lados tem moral para reclamar do outro…
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"quem sabe faz a hora não espera acontecer...!

Hoje,pude fazer duas coisas de suma importância, requerer minha quarta Licença Prêmio e ir ao advogado Dr Rodrigo Magalhães para que eu possa receber o FUNDEB, comprovante de residência e documentos pessoais(escolhi a CNH) xerocados e autenticados.
Ainda não vou cantar mas ."quem sabe faz a hora não espera acontecer...!

Vamos professores, esperar mais o quê?

Vera Lúcia Gama Cardoso.
Ps: quando EU quiser vou GOZAR de minhs licença,pois na PMCG apesar de estar escritinho assim no Estatuto eles querem que eu diga FRUIR, afinal Gozar é feio!

Feio é o desrespeito com os concursados de 2008,que não foram chamados, feia são as creches caindo aos pedaços, feio é ser proibido adoecer, ai tá tudo feio..........

FÓRUM DE SAÚDE DO RIO DE JANEIRO

O Fórum de Saúde do Rio de Janeiro convida a tod@s para o Ato Público em defesa do SUS 100% Público, Estatal, Gratuito e de Qualidade
Na segunda-feira, dia 24 de outubro na abertura da 6ª Conferência Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, a partir das 15h.

Venha participar dessa luta!

AbraSUS!


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Para fazer contato com o Fórum de Saúde do Rio de Janeiro não responder a essa mensagem! Por favor, utilizar o endereço pelasaude@gmail.com

Fórum de Saúde do Rio de Janeiro: saúde não é mercadoria!

KHADAFI MORREU COMBATENDO COM DIGNIDADE E COERÊNCIA


Miguel Urbano Rodrigues

A foto divulgada pelos contra-revolucionários do CNT elimina dúvidas: Muamar Khadafi morreu.

Notícias contraditórias sobre as circunstâncias da sua morte correm o mundo, semeando confusão. Mas das próprias declarações daqueles que exibem o cadáver do líder líbio transparece uma evidência: Khadafi foi assassinado.

No momento em que escrevo, a Resistência líbia ainda não tornou pública uma nota sobre o combate final de Khadafi. Mas desde já se pode afirmar que caiu lutando.

A midia a serviço do imperialismo principiou imediatamente a transformar o acontecimento numa vitória da democracia, e os governantes dos EUA e da União Europeia e a intelectualidade neoliberal festejam o crime, derramando insultos sobre o último chefe de Estado legitimo da Líbia.

Essa atitude não surpreende, mas o seu efeito é oposto ao pretendido: o imperialismo exibe para a humanidade o seu rosto medonho.

A agressão ao povo da Líbia, concebida e montada com muita antecedência, levada adiante com a cumplicidade do Conselho de Segurança da ONU e executada militarmente pelos EUA, a França e a Grã Bretanha deixará na História a memória de uma das mais abjectas guerras neocoloniais do início do século XXI.

Quando a OTAN começou a bombardear as cidades e aldeias da Líbia, violando a Resolução aprovada sobre a chamada Zona de Exclusão aérea, Obama, Sarkozy e Cameron afirmaram que a guerra, mascarada de «intervenção humanitária», terminaria dentro de poucos dias. Mas a destruição do país e a matança de civis durou mais de sete meses.

Os senhores do capital foram desmentidos pela Resistência do povo da Líbia. Os «rebeldes», de Benghazi, treinados e armados por oficiais europeus e pela CIA, pela Mossad e pelos serviços secretos britânicos e franceses fugiam em debandada, como coelhos, sempre que enfrentavam aqueles que defendiam a Líbia da agressão estrangeira.

Foram os devastadores bombardeamentos da OTAN que lhes permitiram entrar nas cidades que haviam sido incapazes de tomar. Mas, ocupada Tripoli, foram durante semanas derrotados em Bani Walid e Sirte, baluartes da Resistência.

Nesta hora em que o imperialismo discute já, com gula, a partilha do petróleo e do gás libios, é para Muamar Khadafi e não para os responsáveis pela sua morte que se dirige em todo o mundo o respeito de milhões de homens e mulheres que acreditam nos valores e princípios invocados, mas violados, pelos seus assassinos.

Khadafi afirmou desde o primeiro dia da agressão que resistiria e lutaria com o seu povo ate à morte.

Honrou a palavra empenhada. Caiu combatendo.

Que imagem dele ficará na História? Uma resposta breve à pergunta é hoje desaconselhável, precisamente porque Muamar Khadafi foi como homem e estadista uma personalidade complexa, cuja vida reflectiu as suas contradições.

Três Khadafis diferentes, quase incompatíveis, são identificáveis nos 42 nos em que dirigiu com mão de ferro a Líbia.

O jovem oficial que em 1969 derrubou a corrupta monarquia Senussita, inventada pelos ingleses, agiu durante anos como um revolucionário. Transformou uma sociedade tribal paupérrima, onde o analfabetismo superava os 90% e os recursos naturais estavam nas mãos de transnacionais americanas e britânicas, num dos países mais ricos do mundo muçulmano. Mas das monarquias do Golfo se diferenciou por uma politica progressista. Nacionalizou os hidrocarbonetos, erradicou praticamente o analfabetismo, construiu universidades e hospitais; proporcionou habitação condigna aos trabalhadores e camponeses e recuperou para uma agricultura moderna milhões de hectares do deserto graças à captação de águas subterrâneas.

Essas conquistas valeram-lhe uma grande popularidade e a adesão da maioria dos líbios. Mas não foram acompanhadas de medidas que abrissem a porta à participação popular. O regime tornou-se, pelo contrário, cada vez mais autocrático. Exercendo um poder absoluto, o líder distanciou-se progressivamente nos últimos anos da política de independência que levara os EUA a incluir a Líbia na lista negra dos estados a abater porque não se submetiam. Bombardeada Tripoli numa agressão imperial, o país foi atingido por duras sanções e qualificado de «estado terrorista».

Numa estranha metamorfose surgiu então um segundo Khadafi. Negociou o levantamento das sanções, privatizou empresas, abriu sectores da economia ao imperialismo. Passou então a ser recebido como um amigo nas capitais europeias. Berlusconi, Blair, Sarkozy, Obama ,Sócrates receberam-no com abraços hipócritas e muitos assinaram acordos milionarios , enquanto ele multiplicava as excentricidades, acampando na sua tenda em capitais europeias.

Na última metamorfose emergiu com a agressão imperial o Khadafi que recuperou a dignidade.

Li algures que ele admirava Salvador Allende e desprezava os dirigentes que nas horas decisivas capitulam e fogem para o exílio.

Qualquer paralelo entre ele e Allende seria descabido. Mas tal como o presidente da Unidade Popular chilena, Khadafi, coerente com o compromisso assumido, morreu combatendo. Com coragem e dignidade.

Independentemente do julgamento futuro da História, Muamar Khadafi será pelo tempo afora recordado como um herói pelos líbios que amam a independência e liberdade. E também por muitos milhões de muçulmanos.

A Resistência, aliás, prossegue, estimulada pelo seu exemplo.

Vila Nova de GAIA, no dia da morte de Muamar Khadafi


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Veja a Página do PCB – www.pcb.org.br

Partido Comunista Brasileiro – Fundado em 25 de Março de 1922

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

TEM CHORINHO NO QUINTAL

CENTRO CULTURAL OCTAVIO BRANDÃO


Sábado, 22/10, a partir das 16 horas, tem Chorinho no Quintal do CCOB.

Com o quarteto "Já Te Digo"

Um quarteto carioca formado pelos jovens músicos PedroCantalice (Cavaco solo e Bandolim), Leandro Montovani (Violão), Wellington Monteiro (Cavaco) e Thaís Bezerra (Pandeiro). O repertório do quarteto é composto basicamente por música popular brasileira, em especial o Choro, paixão comum entre seus integrantes. Clássicos dos mestres do passado como Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo e outros, figuram harmoniosamente com os clássicos dos atuais mestres e as demais músicas de compositores contemporâneos, incluin do as composições autorais dos integrantes do quarteto. O Nome do quarteto faz referência a um samba maxixado de Pixinguinha e seu irmão China, considerado pelos historiadores de música popular brasileira, o primeiro sucesso de Pixinguinha. Segundo os historiadores, o nome do tal samba maxixado intitulado “Já Te digo”, seria uma resposta a uma música do compositor Sinhô, chamada “Quem São Eles."

CCOB: Rua Miguel Ângelo, 120, esquina com rua Domingos de Magalhães, próximo ao Metrô de Maria da Graça.
Ingresso: R$ 5,00

MERENDA TERCEIRIZADA: DENÚNCIA

Professora da rede municipal envia e-mail ao blog.



Sou professora em uma creche do município e estou revoltada com a situação da merenda na minha creche. Tenho certeza que esse fato ocorre não somente em minha unidade,mas em muitas, porém não sabemos mais a quem recorrer, já que fomos informadas que desde que a prefeitura terceirizou a merenda, o acesso a cozinha e tudo o mais que nela está, fica restrito as funcionárias da guelli responsáveis pela mesma.

Sendo assim, também a fiscalização da merenda, o que entra, sai e oque é servido para as crianças fica também a cargo das funcionárias da guelli (conveniente não?!, já que a supervisora da firma não vai a creche todos os dias e portanto não tem condição de fiscalizar oque se passa durante toda a semana na unidade), obedecendo muito raramente a um cardápio que fica exposto no refeitório.

Deixo claro, que a direção não é conveniente com essa situação, pois por diversas vezes também interviu em favor das crianças para solucionar o problema, porém, não tem jeito, melhora um pouco e depois volta a mesma coisa. O fato mais recente que aconteceu, dentre muitos, foi o seguinte: veio na semana da criança, um lanche um pouco melhor, era um sanduíche de presunto e queijo, o fato é que cortaram o sanduíche ao meio, ou seja, não deram nem um inteiro as crianças, e quando alguns dos meus alunos quiseram repetir, fui informada que não podia haver repetição, porque a quantidade que veio estava a conta. !!!!... (Foi o mesmo que me dizer que eles adivinham a quantidade exata de crianças que irá a creche... será que isso é possível?) Como assim????????? Tenho 20 alunos matriculados e no dia do lanche vieram apenas 10, e isso aconteceu em todas as turmas, faltou bastante criança nesse dia, porque foi um dia chuvoso, então para onde foi o lanche????? Pelo que me consta a firma manda o lanche de acordo com a quantidade de alunos matriculados na unidade e ainda acrescenta uma quantidade a mais para incluir professores e funcionários e mais uma sobra, então onde está indo parar tudo isso? Será que eles adivinham quantas crianças irão faltar no dia x? Impossível ne? Agora pergunto eu, e se ao invés de 10 viessem meus 20 alunos? eles não comeriam? Essa matemática que eles fazem não entra na minha cabeça. Poxa, se ainda fossem 20 alunos querendo repetir, talvez até fosse mais complicado mesmo, mas de uma turma de 20, aparecem no máximo 17 crianças por dia, pois sempre há faltas e desses que aparecem apenas 3 ou 4 pedem para repetir e ainda negam? Isso é um absurdo!!!

No dia desse lanche que eles partiram o pão de forma ao meio e deram as crianças, observei que praticamente todos os funcionários da creche receberam o mesmo sanduíche, porém, inteiro, e não estou exagerando se disser que ainda comeram mais de uma vez... O problema não é dar aos funcionários, de modo algum, já que a firma os inclui na contagem para enviar a merenda (segundo eu soube), a questão é que, ao meu entender a PRIORIDADE é das crianças, e se para as crianças, que são a prioridade e que muitas vezes não tem oque comer em casa, é dado um pão partido ao meio, e é alegado que não há mais para repetir, como que para os funcionários, o pão pode ser dado inteiro?

Gente é a metade de um pão de forma para uma criança de 3, 4 anos, que chega a creche muitas vezes sem comer nada desde o dia anterior (já que o público maior da creche são de crianças carentes), e essa é a minha indignação, porque sei que há o suficiente para dar um pouco a mais a essas crianças. Já que não havia o suficiente para as crianças, QUE SÃO A PRIORIDADE e que certamente necessitam mais do que eu, que graças a Deus tenho oque comer em casa, abri mão do meu lanche, e devolvi para que fosse dado então para uma criança que quisesse repetir, essa foi a minha forma de protestar.

É fato que depois que a merenda passou a ser terceirizada, o número de repetições triplicou, e isso porque? É simples! Me informei, e soube que eles também recebem a mais por cada repetição feita pela criança. Não posso afirmar que eles inventam números para aumentar essa quantia, já que não tenho controle sobre isso, mas posso afirmar que sei um dos fatores que faz crescer exorbitantemente esse número que é o seguinte: o prato vem com uma quantidade muito pequena de comida, a carne quase não se vê, então consequentemente, as crianças comem a comida em um minuto e é claro, querem repetir!!! Simples! Se o prato viesse com a quantidade adequada de comida, tenho certeza que esse número de repetição cairia bastante. Ressalto que essa repetição da comida, é a única que observo ser possível, (mas as vezes também não pode ser feita), talvez porque fica difícil dizer que a quantidade é exata por se tratar de uma panela de comida, e que a quantidade varia de acordo com a porção que se coloca no prato né? Também, seria de mais... Como já havia dito, o cardápio fica exposto no refeitório e nele consta que duas ou três vezes por semana, deve ser servido um bolo, e nos outros dias, sucrilhos, biscoitos e pão com queijo... O pão com queijo até aparece, mas o biscoito é o campeão... As crianças comem biscoitos praticamente todos os dias, às vezes até recusam porque já estão enjoadas, se realmente o cardápio fosse seguido, seria mais diversificado e as crianças certamente não rejeitariam o biscoito, já que o bolo e o sucrilhos só aparece em ocasiões especias, digamos assim... Agora, resta saber, se afirma está enviando a merenda que consta no cardápio ou se são as funcionárias que não o segue, e se a firma realmente envia a merenda, fica uma outra questão, então para onde vai o sucrilho e o bolo? Mas infelizmente não há como saber, já que são as funcionárias responsáveis pela cozinha que recebem a merenda e a controla, e nós que não somos funcionários da guelli, só podemos observar e reclamar, isso quando você se coloca ou coloca um filho seu no lugar dessas crianças. Sei que para alguns isso passa despercebido mas sei também que alguns percebem e preferem não falar e que há ainda, aqueles que se vendem e se calam por muito pouco... tenho certeza que a prefeitura paga valores exorbitantes a essas firmas para que as crianças sejam bem alimentadas, porém, a falha na fiscalização, é evidente! É o caso de se repensar essa fiscalização para que no fim as crianças não sejam as grandes prejudicadas.