Estes são os e-mails do Veradores que compõe a Câmara de Campos.
Enviem e-mails para cada um deles solicitando que intercedam pela Educação de Campos, reabrindo as
12 escolas municipais fechadas no início do ano letivo de 2010 e defendam a prorrogação do prazo de validade do concurso de 2008.
Que nossos vereadores recebam muitos e-mails
Nelson Nahim
E-mail: nelsonnahim@camaracampos.rj.gov.br
Nº da sala: Presidência
Telefone: 2101-6393
ABDU NEME
E-mail:abduneme@camaracampos.rj.gov.br
Telefone: 2101-6355
Altamir Bárbara
E-mail: altamirbarbara@camaracampos.rj.gov.br
Telefone: 2101-6364
Papinha – (Antônio Marcos da Silva)
E-mail:papinha@camaracampos.rj.gov.br
Telefones: 2101-6368 / 9831-1200
Albertinho – (Carlos Alberto Marques Nogueira)
E-mail: albertinho@camaracampos.rj.gov.br
Telefone: 2101-6359
Dante Lucas
E-mail: dante@camaracampos.rj.gov.br
Telefone: 2101-6354
Gil Vianna
E-mails: gilvianna@camaracampos.rj.gov.br /
Gab.gilvianna@hotmail.com
Telefone: 2101-6369
Vieira Reis
E-mail: vieirareis@camaracampos.rj.gov.br
Blog: http://www.vieirareis.blogspot.com
Telefone: 2101-6357
Pé no Chão – (JORGE GAMA ALVES)
E-mail: jorgegama@camaracampos.rj.gov.br
Telefone: 2101-6377
Magal – (JORGE SANTANA DE AZEREDO)
E-mail: magal@camaracampos.rj.gov.br
Telefone: 2101-6390
Jorge Rangel
E-mail:jorgerangel@camaracampos.rj.gov.br
Telefone: 2101-6389
Kelinho – (KELLENSON AYRES FIGUEIREDO DE SOUZA)
Membro da Comissão de Educação
E-mail:kellinho@camaracampos.rj.gov.br
Telefone: 2101-6365
Marcos Bacellar
Blog: http://marcosvieirabacellar.blogspot.com
E-mail: marcosbacellar@camaracampos.rj.gov.br
Telefone: 2101-6381
D. Penha – (MARIA DA PENHA DE OLIVEIRA MARTINS)
Membro da Comissão de Educação
E-mail: donapenha@camaracampos.rj.gov.br
Telefone: 2101-6356
Rogério Matoso
E-mail: rogeriomatoso@camaracampos.rj.gov.br
Telefone: 2101-6382
Odisséia Carvalho
E-mail: odisseiacarvalho@click21.com.br
Telefone: 2101-6362
segunda-feira, 19 de abril de 2010
LA VIA CAMPESINA CELEBRA HOY EL DIA INTERNACIONAL DE LA LUCHA CAMPESINA
La Vía Campesina celebra hoy el Día Internacional de la Lucha Campesina
(Cochabamba, 17 de abril del 2010) Las Campesinas y los campesinos de los movimientos del campo a nivel mundial, miembros de La Vía Campesina celebran hoy 17 de Abril, el Día Internacional de la Lucha Campesina, fecha en que reafirman su compromiso de intensificar la movilización en favor de los derechos de las y los campesinos del todo el mundo. Para recordar esta fecha representativa las delegadas y los delegados, de distintos países, se concentrarán a partir de las 11 de la mañana, en la Plaza del 14 de septiembre en Cochabamba, Bolivia, con el propósito de incidir para que esta fecha no sea invisibilizada y para que la lucha de sector campesino tome cada vez más fuerza.
Las Mujeres y los hombres de La Vía Campesina Bolivia junto con delegadas y delegados de todas partes de mundo conmemoran hoy el asesinato de 19 campesinas y campesinos que fallecieron luchando para el accesso a la tierra en el estado de Para en Brasil en 1996. Así mismo, recuerdan el asesinato de 5 compañeros indígenas, entre ellas un niño y una mujer, que fueron asesinadas el 17 de abril del 1997, por llevar 3 meses de vigilia para la defensa de la Madre Tierra y del cultivo de la hoja de coca en Bolivia.
Cabe resaltar, que en Bolivia, específicamente, en Cochabamaba miles de campesinas y campesinos de todo el mundo se concentraran a principios de semana para participar en la Conferencia de los Pueblos sobre Cambio Climático y los Derechos de la Madre Tierra convocada por el presidente Evo Morales, evento para el cual más 300 miembros de La Vía Campesina estarán participando. Según, sus organizadores la cumbre convocada por el presidente Morales cuenta ya con más de 7 500 inscritos. Además, se conoce que cerca de 3 000 campesinas y campesinos de La Vía Campesina Bolivia bajarán de sus comunidades para defender la agricultura campesina y la justicia climática.
Contactos para periodistas (entrevistas con representantes de Vía Campesina en Cochabamba )
Boaventura Monjane – tel : (00591) 74815401, e-mail: boa.monjane@ viacampesina. org
Isabelle Delforge – tel : (00591) 74306257, e-mail: idelforge@viacampes ina.org
(Cochabamba, 17 de abril del 2010) Las Campesinas y los campesinos de los movimientos del campo a nivel mundial, miembros de La Vía Campesina celebran hoy 17 de Abril, el Día Internacional de la Lucha Campesina, fecha en que reafirman su compromiso de intensificar la movilización en favor de los derechos de las y los campesinos del todo el mundo. Para recordar esta fecha representativa las delegadas y los delegados, de distintos países, se concentrarán a partir de las 11 de la mañana, en la Plaza del 14 de septiembre en Cochabamba, Bolivia, con el propósito de incidir para que esta fecha no sea invisibilizada y para que la lucha de sector campesino tome cada vez más fuerza.
Las Mujeres y los hombres de La Vía Campesina Bolivia junto con delegadas y delegados de todas partes de mundo conmemoran hoy el asesinato de 19 campesinas y campesinos que fallecieron luchando para el accesso a la tierra en el estado de Para en Brasil en 1996. Así mismo, recuerdan el asesinato de 5 compañeros indígenas, entre ellas un niño y una mujer, que fueron asesinadas el 17 de abril del 1997, por llevar 3 meses de vigilia para la defensa de la Madre Tierra y del cultivo de la hoja de coca en Bolivia.
Cabe resaltar, que en Bolivia, específicamente, en Cochabamaba miles de campesinas y campesinos de todo el mundo se concentraran a principios de semana para participar en la Conferencia de los Pueblos sobre Cambio Climático y los Derechos de la Madre Tierra convocada por el presidente Evo Morales, evento para el cual más 300 miembros de La Vía Campesina estarán participando. Según, sus organizadores la cumbre convocada por el presidente Morales cuenta ya con más de 7 500 inscritos. Además, se conoce que cerca de 3 000 campesinas y campesinos de La Vía Campesina Bolivia bajarán de sus comunidades para defender la agricultura campesina y la justicia climática.
Contactos para periodistas (entrevistas con representantes de Vía Campesina en Cochabamba )
Boaventura Monjane – tel : (00591) 74815401, e-mail: boa.monjane@ viacampesina. org
Isabelle Delforge – tel : (00591) 74306257, e-mail: idelforge@viacampes ina.org
FIDEL CASTRO: O IX CONGRESSO DA UNIÃO DE JOVENS COMUNISTAS DE CUBA
Reflexões do companheiro Fidel
Tive o privilégio de acompanhar direitamente a voz, as imagens, os argumentos, os rostos, as reações e os aplausos dos delegados participantes na sessão final do IX Congresso da União de Jovens Comunistas de Cuba, que foi realizado no Palácio das Convenções no domingo passado dia 4 de abril. As câmaras da televisão captam detalhes desde as proximidades e desde ângulos muito melhores do que os olhos das pessoas presentes em qualquer desses eventos.
Não exagero ao dizer que foi um dos momentos mais emocionantes de minha longa e agitada vida. Não podia estar lá, mas eu o vivi dentro de mim mesmo, como quem percorre o mundo das idéias pelas quais tem lutado as três quartas partes de sua existência. No entanto, de nada valeriam idéias e valores para um revolucionário, sem o dever de lutar cada minuto de sua vida para vencer a ignorância com a qual todos nascemos.
Embora poucos o admitam, o acaso e as circunstâncias desempenham um papel decisivo nos frutos de qualquer obra humana. Entristece pensar em tantos revolucionários, com muitos mais méritos, que não puderam nem sequer conhecer o dia da vitória da causa pela qual lutaram e morreram, fosse a independência ou uma profunda revolução social em Cuba. No fim, ambas inseparavelmente unidas.
Desde meados de 1950, ano no qual findei meus estudos universitários, me considerava um revolucionário radical e avançado, graças às idéias que recebi de Martí, Marx e, junto deles, uma legião incontável de pensadores e de heróis desejosos de um mundo mais justo. Tinha transcorrido então quase um século desde que nossos compatriotas iniciaram no dia 10 de outubro de 1868 a primeira guerra pela independência de nosso país contra o que restava na América de um império colonial e escravista. O poderoso vizinho do Norte decidiu a anexação de nosso país como fruta amadurecida de uma árvore podre.
Na Europa tinham surgido já com força a luta e as idéias socialistas do proletariado contra a sociedade burguesa que tomou o poder por lei histórica durante a Revolução Francesa que estalou em julho de 1789, inspirada nas idéias de Juan Jacobo Rousseau e dos enciclopedistas do século XVIII, as quais também constituíram as bases da Declaração de Filadélfia em 4 de julho de 1776, portadora das idéias revolucionárias daquela época. Com crescente freqüência na história humana, os acontecimentos se misturam e sobrepõem.
O espírito autocrítico, a incessante necessidade de estudar, observar e refletir são, na minha opinião, características das quais nenhum quadro revolucionário pode prescindir. Minhas idéias, desde muito cedo, eram já irreconciliáveis com a odiosa exploração do homem pelo homem, conceito brutal no qual estava baseada a sociedade cubana sob a égide do país imperialista mais poderoso que tenha existido.
A questão fundamental, em meio à Guerra Fria, era a busca de uma estratégia que se ajustasse às condições concretas e peculiares de nosso pequeno país, submetido ao abjeto sistema econômico imposto a um povo semi-analfabeto, embora de singular tradição heróica através da força militar, o engano e o monopólio dos meios de informação, que tornavam em atos reflexos as opiniões políticas da imensa maioria dos cidadãos. Apesar dessa triste realidade, no entanto, não podiam impedir o profundo mal-estar que semeavam na imensa maioria da população a exploração e os abusos desse sistema.
Após a Segunda Guerra Mundial pela repartição do planeta, que foi a causa da segunda chacina – separada da anterior por apenas 20 anos, provocada esta vez pela extrema direita fascista, que custou a vida a mais de 50 milhões de pessoas, entre elas aproximadamente 27 milhões de soviéticos, no mundo prevaleceram durante um tempo os sentimentos democráticos, as simpatias pela URSS, a China e outros Estados aliados naquela guerra que findou mediante o emprego desnecessário de duas bombas atômicas, que provocaram a morte de centenas de milhares de pessoas em duas cidades indefesas de uma potência derrotada pelo avanço imparável das forças aliadas, incluídas as tropas do Exército Vermelho, que em poucos dias tinham aniquilado o poderoso exército japonês da Manchúria.
A Guerra Fria foi iniciada pelo novo Presidente dos Estados Unidos da América quase logo depois da vitória. O anterior, Franklin D. Roosevelt, que gozava de prestígio e simpatia internacional por sua posição antifascista, morreu depois de sua terceira reeleição, antes do fim daquela guerra. Substituído então por seu vice-presidente Harry Truman, um homem descolorido e medíocre, foi ele o responsável por aquela política funesta.
Os Estados Unidos da América, único país desenvolvido que não sofreu nenhuma destruição devido a sua posição geográfica, possuía quase todo o ouro do planeta e os excedentes da produção industrial e agrícola, e impôs condições onerosas à economia mundial através do famoso acordo de Bretton Woods, de funestas conseqüências que ainda perduram.
Antes de se iniciar a Guerra Fria, na própria Cuba existia uma Constituição bastante progressista, a esperança e as possibilidades de mudanças democráticas, embora nunca fossem, é claro, as de uma revolução social. A liquidação dessa Constituição mediante um golpe reacionário em meio à Guerra Fria, abriu as portas à revolução socialista em nossa Pátria , que foi o contributo fundamental de nossa geração.
O mérito da Revolução Cubana pode ser medido pelo fato de que um país tão pequeno tenha podido resistir durante tanto tempo a política hostil e as medidas criminosas aplicadas contra o nosso povo pelo império mais poderoso surgido na história da humanidade, o qual, costumado a manipular a seu bel-prazer os países do hemisfério, subestimou a uma nação pequena, dependente e pobre a poucas milhas de suas costas. Isto não teria sido possível nunca sem a dignidade e a ética que sempre caracterizaram as ações da política de Cuba, assediada por repugnantes mentiras e calúnias. Junto da ética, forjaram-se a cultura e a consciência que tornaram possível a proeza de resistir durante mais de 50 anos. Não foi um mérito particular de seus líderes, senão fundamentalmente de seu povo.
A enorme diferença entre o passado – em que apenas podia proferir-se a palavra socialismo – e o presente, foi possível enxergar no dia da sessão final do IX Congresso da União de Jovens Comunistas de Cuba, nos discursos dos delegados e nas palavras do Presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros.
Seria muito conveniente que o que lá foi dito seja reproduzido e conhecido dentro e fora do país, através dos mais variados meios de divulgação, não tanto no que se refere aos nossos compatriotas, experientes nesta luta durante longo tempo, senão porque aos povos do mundo convêm conhecer a verdade e as gravíssimas conseqüências para onde o império e seus aliados conduzem à humanidade.
Nas suas palavras durante o encerramento, breves, profundas e precisas, Raúl pôs os pontos nos iis em vários temas de muita importância. O discurso foi uma estocada profunda nas entranhas do império e de seus cínicos aliados, ao exprimir críticas e autocríticas que tornam mais fortes e incomovivéis a moral e a força da Revolução Cubana, se somos conseqüentes com o que cada dia nos ensina um processo tão dialético e profundo nas condições concretas de Cuba.
Tão costumado estava o império a impor sua vontade, que menosprezou a resistência de que é capaz um pequeno país latino-americano do Caribe, a 90 milhas de suas costas, no qual era proprietário de suas principais riquezas, monopolizava o controle de suas relações comerciais e políticas e impôs pela força uma base militar contra a vontade da nação, sob o disfarce de um acordo legal ao qual lhe outorgaram caráter constitucional. Menosprezaram o valor das idéias perante o seu imenso poder.
Raúl lhes lembrou como as forças mercenárias foram derrotadas em Baia dos Porcos antes das 72 horas do desembarque, perante os olhos da frota naval ianque; a firmeza com a que nosso povo se manteve incomovível durante a Crise de Outubro de 1962, ao não aceitar a inspeção de nosso território pelos Estados Unidos da América – após a fórmula inconsulta do acordo entre a URSS e esse país, que ignorava a soberania nacional – apesar do incalculável número de armas nucleares que apontavam contra a ilha.
Tampouco faltou a referência sobre as conseqüências da desintegração da URSS, que significou a queda de 35% de nosso PIB e de 85% do comércio exterior de Cuba, ao qual se acrescentou a intensificação do criminoso bloqueio comercial, econômico e financeiro contra nossa Pátria.
Já quase transcorreram 20 anos daquele triste e funesto acontecimento, no entanto, Cuba permanece de pé decidida a resistir. Por isso, tem especial importância a necessidade de ultrapassar e vencer tudo o que conspire contra o sadio desenvolvimento de nossa economia. Raúl não deixou de lembrar que hoje o sistema imperialista imposto ao mundo ameaça seriamente a sobrevivência da espécie humana.
Temos atualmente um povo que passou do analfabetismo para um dos mais altos níveis de educação do mundo, que é o dono da mídia, e pode ser capaz de criar a consciência necessária para ultrapassar dificuldades velhas e novas. Independentemente da necessidade de promover os conhecimentos, seria absurdo ignorar que, em um mundo cada vez mais complexo e que muda constantemente, a necessidade de trabalhar e de criar os bens materiais que a sociedade precisa é o dever fundamental de um cidadão.
A Revolução proclamou a universalização dos conhecimentos, ciente de que enquanto mais conheça mais útil será o ser humano em sua vida; mas nunca se deixou de exaltar o dever sagrado do trabalho que a sociedade requer. O trabalho físico é, pelo contrário, uma necessidade da educação e da saúde humana, por isso, seguindo um princípio martiano, proclamou-se desde muito cedo o conceito de estudo e trabalho. Nossa educação avançou consideravelmente quando foi proclamado o dever de ser professores e dezenas de milhares de jovens optaram pelo ensino - ou por aquilo que fosse mais necessário para a sociedade. O esquecimento de qualquer destes princípios entraria em conflito com a construção do socialismo.
Exatamente igual que todos os povos do Terceiro Mundo, Cuba é vítima do roubo descarado de cérebros e de força de trabalho jovem; não se pode cooperar jamais com esse saqueio de nossos recursos humanos.
A tarefa à qual cada um consagre sua vida, não só pode ser fruto do desejo pessoal senão também da educação. A requalificação é uma necessidade irrenunciável de qualquer sociedade humana.
Os quadros do Partido e do Estado deverão encarar problemas cada vez mais complexos. Dos responsáveis da educação política demandar-se-ã o maiores conhecimentos do que nunca sobre a história e a economia, precisamente pela complexidade de seu trabalho.Basta ler as notícias recebidas todos os dias desde todas partes para compreender que a ignorância e a superficialidade são absolutamente incompatíveis com as responsabilidades políticas. Os reacionários, os mercenários, os que desejam consumismo e esquivam o trabalho e o estudo, terão cada vez menos espaço na vida pública.
Não faltarão nunca na sociedade humana os demagogos, os oportunistas, os que desejam soluções fáceis na procura de popularidade, mas os que trazem a ética terão cada vez menos possibilidades de enganar. A luta nos ensinou o dano que podem provocar o oportunismo e a traição.
A educação dos quadros será a tarefa mais importante que os partidos revolucionários deverão dominar. Não haverá jamais soluções fáceis, o rigor e a exigência terão que prevalecer. Cuidemo-nos especialmente também daqueles que junto da água suja jogam os princípios e os sonhos dos povos.
Há dias desejava falar sobre o Congresso da Juventude, mas preferi esperar sua divulgação e não lhe roubar nenhum espaço na imprensa.
Ontem, sete de abril foi o aniversário de Vilma. Escutei com emoção, através da televisão, sua própria voz acompanhada pelas finas notas de um piano. Cada dia valorizo mais seu trabalho e tudo o que fez pela Revolução e pela mulher cubana. As razões para lutar e vencer multiplicam- se a cada dia.
Fidel Castro Ruz
Tive o privilégio de acompanhar direitamente a voz, as imagens, os argumentos, os rostos, as reações e os aplausos dos delegados participantes na sessão final do IX Congresso da União de Jovens Comunistas de Cuba, que foi realizado no Palácio das Convenções no domingo passado dia 4 de abril. As câmaras da televisão captam detalhes desde as proximidades e desde ângulos muito melhores do que os olhos das pessoas presentes em qualquer desses eventos.
Não exagero ao dizer que foi um dos momentos mais emocionantes de minha longa e agitada vida. Não podia estar lá, mas eu o vivi dentro de mim mesmo, como quem percorre o mundo das idéias pelas quais tem lutado as três quartas partes de sua existência. No entanto, de nada valeriam idéias e valores para um revolucionário, sem o dever de lutar cada minuto de sua vida para vencer a ignorância com a qual todos nascemos.
Embora poucos o admitam, o acaso e as circunstâncias desempenham um papel decisivo nos frutos de qualquer obra humana. Entristece pensar em tantos revolucionários, com muitos mais méritos, que não puderam nem sequer conhecer o dia da vitória da causa pela qual lutaram e morreram, fosse a independência ou uma profunda revolução social em Cuba. No fim, ambas inseparavelmente unidas.
Desde meados de 1950, ano no qual findei meus estudos universitários, me considerava um revolucionário radical e avançado, graças às idéias que recebi de Martí, Marx e, junto deles, uma legião incontável de pensadores e de heróis desejosos de um mundo mais justo. Tinha transcorrido então quase um século desde que nossos compatriotas iniciaram no dia 10 de outubro de 1868 a primeira guerra pela independência de nosso país contra o que restava na América de um império colonial e escravista. O poderoso vizinho do Norte decidiu a anexação de nosso país como fruta amadurecida de uma árvore podre.
Na Europa tinham surgido já com força a luta e as idéias socialistas do proletariado contra a sociedade burguesa que tomou o poder por lei histórica durante a Revolução Francesa que estalou em julho de 1789, inspirada nas idéias de Juan Jacobo Rousseau e dos enciclopedistas do século XVIII, as quais também constituíram as bases da Declaração de Filadélfia em 4 de julho de 1776, portadora das idéias revolucionárias daquela época. Com crescente freqüência na história humana, os acontecimentos se misturam e sobrepõem.
O espírito autocrítico, a incessante necessidade de estudar, observar e refletir são, na minha opinião, características das quais nenhum quadro revolucionário pode prescindir. Minhas idéias, desde muito cedo, eram já irreconciliáveis com a odiosa exploração do homem pelo homem, conceito brutal no qual estava baseada a sociedade cubana sob a égide do país imperialista mais poderoso que tenha existido.
A questão fundamental, em meio à Guerra Fria, era a busca de uma estratégia que se ajustasse às condições concretas e peculiares de nosso pequeno país, submetido ao abjeto sistema econômico imposto a um povo semi-analfabeto, embora de singular tradição heróica através da força militar, o engano e o monopólio dos meios de informação, que tornavam em atos reflexos as opiniões políticas da imensa maioria dos cidadãos. Apesar dessa triste realidade, no entanto, não podiam impedir o profundo mal-estar que semeavam na imensa maioria da população a exploração e os abusos desse sistema.
Após a Segunda Guerra Mundial pela repartição do planeta, que foi a causa da segunda chacina – separada da anterior por apenas 20 anos, provocada esta vez pela extrema direita fascista, que custou a vida a mais de 50 milhões de pessoas, entre elas aproximadamente 27 milhões de soviéticos, no mundo prevaleceram durante um tempo os sentimentos democráticos, as simpatias pela URSS, a China e outros Estados aliados naquela guerra que findou mediante o emprego desnecessário de duas bombas atômicas, que provocaram a morte de centenas de milhares de pessoas em duas cidades indefesas de uma potência derrotada pelo avanço imparável das forças aliadas, incluídas as tropas do Exército Vermelho, que em poucos dias tinham aniquilado o poderoso exército japonês da Manchúria.
A Guerra Fria foi iniciada pelo novo Presidente dos Estados Unidos da América quase logo depois da vitória. O anterior, Franklin D. Roosevelt, que gozava de prestígio e simpatia internacional por sua posição antifascista, morreu depois de sua terceira reeleição, antes do fim daquela guerra. Substituído então por seu vice-presidente Harry Truman, um homem descolorido e medíocre, foi ele o responsável por aquela política funesta.
Os Estados Unidos da América, único país desenvolvido que não sofreu nenhuma destruição devido a sua posição geográfica, possuía quase todo o ouro do planeta e os excedentes da produção industrial e agrícola, e impôs condições onerosas à economia mundial através do famoso acordo de Bretton Woods, de funestas conseqüências que ainda perduram.
Antes de se iniciar a Guerra Fria, na própria Cuba existia uma Constituição bastante progressista, a esperança e as possibilidades de mudanças democráticas, embora nunca fossem, é claro, as de uma revolução social. A liquidação dessa Constituição mediante um golpe reacionário em meio à Guerra Fria, abriu as portas à revolução socialista em nossa Pátria , que foi o contributo fundamental de nossa geração.
O mérito da Revolução Cubana pode ser medido pelo fato de que um país tão pequeno tenha podido resistir durante tanto tempo a política hostil e as medidas criminosas aplicadas contra o nosso povo pelo império mais poderoso surgido na história da humanidade, o qual, costumado a manipular a seu bel-prazer os países do hemisfério, subestimou a uma nação pequena, dependente e pobre a poucas milhas de suas costas. Isto não teria sido possível nunca sem a dignidade e a ética que sempre caracterizaram as ações da política de Cuba, assediada por repugnantes mentiras e calúnias. Junto da ética, forjaram-se a cultura e a consciência que tornaram possível a proeza de resistir durante mais de 50 anos. Não foi um mérito particular de seus líderes, senão fundamentalmente de seu povo.
A enorme diferença entre o passado – em que apenas podia proferir-se a palavra socialismo – e o presente, foi possível enxergar no dia da sessão final do IX Congresso da União de Jovens Comunistas de Cuba, nos discursos dos delegados e nas palavras do Presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros.
Seria muito conveniente que o que lá foi dito seja reproduzido e conhecido dentro e fora do país, através dos mais variados meios de divulgação, não tanto no que se refere aos nossos compatriotas, experientes nesta luta durante longo tempo, senão porque aos povos do mundo convêm conhecer a verdade e as gravíssimas conseqüências para onde o império e seus aliados conduzem à humanidade.
Nas suas palavras durante o encerramento, breves, profundas e precisas, Raúl pôs os pontos nos iis em vários temas de muita importância. O discurso foi uma estocada profunda nas entranhas do império e de seus cínicos aliados, ao exprimir críticas e autocríticas que tornam mais fortes e incomovivéis a moral e a força da Revolução Cubana, se somos conseqüentes com o que cada dia nos ensina um processo tão dialético e profundo nas condições concretas de Cuba.
Tão costumado estava o império a impor sua vontade, que menosprezou a resistência de que é capaz um pequeno país latino-americano do Caribe, a 90 milhas de suas costas, no qual era proprietário de suas principais riquezas, monopolizava o controle de suas relações comerciais e políticas e impôs pela força uma base militar contra a vontade da nação, sob o disfarce de um acordo legal ao qual lhe outorgaram caráter constitucional. Menosprezaram o valor das idéias perante o seu imenso poder.
Raúl lhes lembrou como as forças mercenárias foram derrotadas em Baia dos Porcos antes das 72 horas do desembarque, perante os olhos da frota naval ianque; a firmeza com a que nosso povo se manteve incomovível durante a Crise de Outubro de 1962, ao não aceitar a inspeção de nosso território pelos Estados Unidos da América – após a fórmula inconsulta do acordo entre a URSS e esse país, que ignorava a soberania nacional – apesar do incalculável número de armas nucleares que apontavam contra a ilha.
Tampouco faltou a referência sobre as conseqüências da desintegração da URSS, que significou a queda de 35% de nosso PIB e de 85% do comércio exterior de Cuba, ao qual se acrescentou a intensificação do criminoso bloqueio comercial, econômico e financeiro contra nossa Pátria.
Já quase transcorreram 20 anos daquele triste e funesto acontecimento, no entanto, Cuba permanece de pé decidida a resistir. Por isso, tem especial importância a necessidade de ultrapassar e vencer tudo o que conspire contra o sadio desenvolvimento de nossa economia. Raúl não deixou de lembrar que hoje o sistema imperialista imposto ao mundo ameaça seriamente a sobrevivência da espécie humana.
Temos atualmente um povo que passou do analfabetismo para um dos mais altos níveis de educação do mundo, que é o dono da mídia, e pode ser capaz de criar a consciência necessária para ultrapassar dificuldades velhas e novas. Independentemente da necessidade de promover os conhecimentos, seria absurdo ignorar que, em um mundo cada vez mais complexo e que muda constantemente, a necessidade de trabalhar e de criar os bens materiais que a sociedade precisa é o dever fundamental de um cidadão.
A Revolução proclamou a universalização dos conhecimentos, ciente de que enquanto mais conheça mais útil será o ser humano em sua vida; mas nunca se deixou de exaltar o dever sagrado do trabalho que a sociedade requer. O trabalho físico é, pelo contrário, uma necessidade da educação e da saúde humana, por isso, seguindo um princípio martiano, proclamou-se desde muito cedo o conceito de estudo e trabalho. Nossa educação avançou consideravelmente quando foi proclamado o dever de ser professores e dezenas de milhares de jovens optaram pelo ensino - ou por aquilo que fosse mais necessário para a sociedade. O esquecimento de qualquer destes princípios entraria em conflito com a construção do socialismo.
Exatamente igual que todos os povos do Terceiro Mundo, Cuba é vítima do roubo descarado de cérebros e de força de trabalho jovem; não se pode cooperar jamais com esse saqueio de nossos recursos humanos.
A tarefa à qual cada um consagre sua vida, não só pode ser fruto do desejo pessoal senão também da educação. A requalificação é uma necessidade irrenunciável de qualquer sociedade humana.
Os quadros do Partido e do Estado deverão encarar problemas cada vez mais complexos. Dos responsáveis da educação política demandar-se-ã o maiores conhecimentos do que nunca sobre a história e a economia, precisamente pela complexidade de seu trabalho.Basta ler as notícias recebidas todos os dias desde todas partes para compreender que a ignorância e a superficialidade são absolutamente incompatíveis com as responsabilidades políticas. Os reacionários, os mercenários, os que desejam consumismo e esquivam o trabalho e o estudo, terão cada vez menos espaço na vida pública.
Não faltarão nunca na sociedade humana os demagogos, os oportunistas, os que desejam soluções fáceis na procura de popularidade, mas os que trazem a ética terão cada vez menos possibilidades de enganar. A luta nos ensinou o dano que podem provocar o oportunismo e a traição.
A educação dos quadros será a tarefa mais importante que os partidos revolucionários deverão dominar. Não haverá jamais soluções fáceis, o rigor e a exigência terão que prevalecer. Cuidemo-nos especialmente também daqueles que junto da água suja jogam os princípios e os sonhos dos povos.
Há dias desejava falar sobre o Congresso da Juventude, mas preferi esperar sua divulgação e não lhe roubar nenhum espaço na imprensa.
Ontem, sete de abril foi o aniversário de Vilma. Escutei com emoção, através da televisão, sua própria voz acompanhada pelas finas notas de um piano. Cada dia valorizo mais seu trabalho e tudo o que fez pela Revolução e pela mulher cubana. As razões para lutar e vencer multiplicam- se a cada dia.
Fidel Castro Ruz
domingo, 18 de abril de 2010
CONFERÊNCIA MUNDIAL DOS POVOS SOBRE O CÂMBIO CLIMÁTICO E OS DIREITOS DA MÃE TERRA
Cochabamba, Bolívia 19 a 22 de abril de 2010
· Considerando que o câmbio climático representa uma real ameaça para a existência da humanidade, dos seres vivos e de nossa Mãe Terra.
· Considerando o grave perigo que existe para as ilhas, regiões costeiras, geleiras, montanhas, polos, fontes de água, e para as populações afetadas por desastres naturais crescentes e para os ecossistemas em geral.
· Evidenciando que os mais afetados pelo câmbio climático serão os mais pobres do planeta que verão destruídos seus lares, suas fontes de sobrevivência e que estão sendo obrigados a migrar e procurar refúgio.
· Confirmando que 75% das emissões históricas de gases de efeito estufa originam-se nos países do norte, irracionalmente industrializados.
· Constatando que o câmbio climático é produto do sistema capitalista;
· Lamentando o fracasso da Conferência de Copenhagen por responsabilidade dos países chamados “desenvolvidos” que não querem reconhecer a dívida climática que têm com os países em vias de desenvolvimento e com as futuras gerações.
· Afirmando que para garantir plenamente o cumprimento dos direitos humanos no século XXI é necessário reconhecer e respeitar os direitos da Mãe Terra;
· Reafirmando a necessidade de lutar por justiça climática.
· Reconhecendo a necessidade de assumir ações urgentes para evitar maiores danos e sofrimento à humanidade, à Mãe Terra e reestabelecer a harmonia com a natureza.
· Seguros de que os povos do mundo, guiados por princípios de solidariedade, justiça e respeito pela vida, serão capazes de salvar à humanidade.
· Celebrando o dia internacional da Mãe Terra.
O Presidente Evo Morales afirmou que é necessário que o mundo debata sobre o grave perigo que representa a contaminação do ambiente e a emissão de gases que põem em risco populações inteiras. Do evento participarão governantes, cientistas, representantes dos movimentos sociais e organizações dos povos indígenas para analisar propostas em defesa da vida e sobrevivência do planeta. 11.500 pessoas inscreveram-se para participar do evento.
A Casa da América Latina participará com o seguinte trabalho “As Questões Centrais da Problemática Ambiental” com apresentação de nosso associado Luiz Carlos F. Santos.
A Conferência Mundial dos Povos sobre o Câmbio Climático e os Direitos da Mãe Terra tem por objetivos:
1. Analisar as causas estruturais e sistêmicas que provocam o câmbio climático e propor medidas de fundo que possibilitem o bem-estar de toda a humanidade, em harmonia com a natureza.
2. Discutir e acordar um projeto de Declaração Universal dos Direitos da Mãe Terra.
3. Acordar as propostas de novos compromissos para o Protocolo de Kioto, e para projetos de Decisões da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Câmbio Climático que guiarão as ações dos governos comprometidos com a vida, nas negociações de câmbio climático, em todos os cenários das Nações Unidas, referentes a:
· Dívida Climática,
· Migrantes – refugiados do Câmbio Climático,
· Redução de emissões,
· Adaptação,
· Transferência de tecnologia,
· Financiamento,
· Bosques e Câmbio Climático,
· Visão compartilhada,
· Povos indígenas, e
· Outros.
4. Trabalhar na organização do Referendum Mundial dos povos sobre Câmbio Climático.
5. Analisar e definir um plano de ação para avançar na constituição de um Tribunal de Justiça Climática.
6. Definir as estratégias de ação e mobilização em defesa da vida frente ao Câmbio Climático e pelos Direitos da Mãe Terra.
Para maior informação visitar a página www.cmpcc.org
· Considerando que o câmbio climático representa uma real ameaça para a existência da humanidade, dos seres vivos e de nossa Mãe Terra.
· Considerando o grave perigo que existe para as ilhas, regiões costeiras, geleiras, montanhas, polos, fontes de água, e para as populações afetadas por desastres naturais crescentes e para os ecossistemas em geral.
· Evidenciando que os mais afetados pelo câmbio climático serão os mais pobres do planeta que verão destruídos seus lares, suas fontes de sobrevivência e que estão sendo obrigados a migrar e procurar refúgio.
· Confirmando que 75% das emissões históricas de gases de efeito estufa originam-se nos países do norte, irracionalmente industrializados.
· Constatando que o câmbio climático é produto do sistema capitalista;
· Lamentando o fracasso da Conferência de Copenhagen por responsabilidade dos países chamados “desenvolvidos” que não querem reconhecer a dívida climática que têm com os países em vias de desenvolvimento e com as futuras gerações.
· Afirmando que para garantir plenamente o cumprimento dos direitos humanos no século XXI é necessário reconhecer e respeitar os direitos da Mãe Terra;
· Reafirmando a necessidade de lutar por justiça climática.
· Reconhecendo a necessidade de assumir ações urgentes para evitar maiores danos e sofrimento à humanidade, à Mãe Terra e reestabelecer a harmonia com a natureza.
· Seguros de que os povos do mundo, guiados por princípios de solidariedade, justiça e respeito pela vida, serão capazes de salvar à humanidade.
· Celebrando o dia internacional da Mãe Terra.
O Presidente Evo Morales afirmou que é necessário que o mundo debata sobre o grave perigo que representa a contaminação do ambiente e a emissão de gases que põem em risco populações inteiras. Do evento participarão governantes, cientistas, representantes dos movimentos sociais e organizações dos povos indígenas para analisar propostas em defesa da vida e sobrevivência do planeta. 11.500 pessoas inscreveram-se para participar do evento.
A Casa da América Latina participará com o seguinte trabalho “As Questões Centrais da Problemática Ambiental” com apresentação de nosso associado Luiz Carlos F. Santos.
A Conferência Mundial dos Povos sobre o Câmbio Climático e os Direitos da Mãe Terra tem por objetivos:
1. Analisar as causas estruturais e sistêmicas que provocam o câmbio climático e propor medidas de fundo que possibilitem o bem-estar de toda a humanidade, em harmonia com a natureza.
2. Discutir e acordar um projeto de Declaração Universal dos Direitos da Mãe Terra.
3. Acordar as propostas de novos compromissos para o Protocolo de Kioto, e para projetos de Decisões da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Câmbio Climático que guiarão as ações dos governos comprometidos com a vida, nas negociações de câmbio climático, em todos os cenários das Nações Unidas, referentes a:
· Dívida Climática,
· Migrantes – refugiados do Câmbio Climático,
· Redução de emissões,
· Adaptação,
· Transferência de tecnologia,
· Financiamento,
· Bosques e Câmbio Climático,
· Visão compartilhada,
· Povos indígenas, e
· Outros.
4. Trabalhar na organização do Referendum Mundial dos povos sobre Câmbio Climático.
5. Analisar e definir um plano de ação para avançar na constituição de um Tribunal de Justiça Climática.
6. Definir as estratégias de ação e mobilização em defesa da vida frente ao Câmbio Climático e pelos Direitos da Mãe Terra.
Para maior informação visitar a página www.cmpcc.org
sábado, 17 de abril de 2010
OLHA A CENSURA AÍ, GENTE!!!
DO BLOG DO HERVAL
Estava demorando para surgir um entrave à liberdade de expressão dos Blogs. Uma coisa é concordar que os comentários assinados tem o seu valor. Daí concordar com um mecanismo de controle sobre os Blogs é diferente.
Sou contra a publicação de insultos, que é diferente da divergência de idéias. Imaginem se esta lei passa a ser usada por todos aqueles que se sentirem "ofendidos" por denúncias, críticas,etc.
Estão querendo colocar mordaça nos blogueiros, estabelendo um controle "não oneroso" do governo sobre eles.
A democracia burguesa está mais perdida do que nunca. Faz lembrar o tempo da ditadura.
Eis a novidade...
Autores e editores de blogs passarão a ter mais cuidado com a liberdade dos comentários publicados. Projeto de lei apresentado essa semana na Câmara dos Deputados, os responsabiliza por comentários que envolvam difamação, calúnia e injúria feitos em comentários anônimos ou de identidade não confirmada. Pelo projeto, todos os blogs, fóruns e demais sítios de Internet com funcionalidades semelhantes serão obrigados a instituir mecanismo de moderação de comentários.
A proposta é rigorosa e estabelece multa de R$ 2 mil a R$ 10 mil, caso o responsável pela página eletrônica de opinião não cumpra o que está estabelecido na lei. Se houver reincidência, o valor da punição ainda será dobrado. Os recursos das multas, segundo o projeto, serão revertidos ao Fundo Nacional de Segurança Pública.
Na avaliação do autor da proposta, deputado Gerson Peres (PP-PA), essa lacuna legal permite que esses mecanismos de internet, com todo o seu poder de difusão associado, sejam usados, em muitos casos, de forma fraudulenta, para a prática de crimes contra a honra das pessoas, sem que os autores de tais crimes possam ser responsabilizados.
CRIMES
"Além disso, as áreas de comentários de muitos desses sítios permitem que os usuários publiquem comentários de forma anônima, ou não que sejam passíveis de identificação, o que faz com que essa funcionalidade seja usada também com finalidade fraudulenta e para a consecução de crimes contra a honra. A solução para essa situação passa necessariamente pela transferência da responsabilidade dos comentários anônimos para o proprietário do blog, e a instituição da obrigação de que tais mecanismos tenham a área de comentários moderada, para permitir a análise prévia das mensagens antes da publicação", diz o projeto.
O deputado reforça que o projeto de lei tem o objetivo de estabelecer as normas básicas de responsabilização civil e penal dos autores, proprietários e editores de tais sítios no caso de publicação de mensagens anônimas. "É evidente que todo o conteúdo publicado em um sítio, blog ou sítio de internet com finalidade similar é de responsabilidade de seu proprietário, autor ou editor, para efeito de responsabilização quanto à ocorrência de crimes contra a honra, pois estes são os mantenedores dos recursos, assim como os beneficiários de suas receitas publicitárias".
O projeto introduz ainda a obrigação para que os blogs e demais sítios com finalidades similares sejam cadastrados no sítio governamental registro .BR, de forma não onerosa, permitindo, assim, um mecanismo eficiente de identificação dos proprietários.
Estava demorando para surgir um entrave à liberdade de expressão dos Blogs. Uma coisa é concordar que os comentários assinados tem o seu valor. Daí concordar com um mecanismo de controle sobre os Blogs é diferente.
Sou contra a publicação de insultos, que é diferente da divergência de idéias. Imaginem se esta lei passa a ser usada por todos aqueles que se sentirem "ofendidos" por denúncias, críticas,etc.
Estão querendo colocar mordaça nos blogueiros, estabelendo um controle "não oneroso" do governo sobre eles.
A democracia burguesa está mais perdida do que nunca. Faz lembrar o tempo da ditadura.
Eis a novidade...
Autores e editores de blogs passarão a ter mais cuidado com a liberdade dos comentários publicados. Projeto de lei apresentado essa semana na Câmara dos Deputados, os responsabiliza por comentários que envolvam difamação, calúnia e injúria feitos em comentários anônimos ou de identidade não confirmada. Pelo projeto, todos os blogs, fóruns e demais sítios de Internet com funcionalidades semelhantes serão obrigados a instituir mecanismo de moderação de comentários.
A proposta é rigorosa e estabelece multa de R$ 2 mil a R$ 10 mil, caso o responsável pela página eletrônica de opinião não cumpra o que está estabelecido na lei. Se houver reincidência, o valor da punição ainda será dobrado. Os recursos das multas, segundo o projeto, serão revertidos ao Fundo Nacional de Segurança Pública.
Na avaliação do autor da proposta, deputado Gerson Peres (PP-PA), essa lacuna legal permite que esses mecanismos de internet, com todo o seu poder de difusão associado, sejam usados, em muitos casos, de forma fraudulenta, para a prática de crimes contra a honra das pessoas, sem que os autores de tais crimes possam ser responsabilizados.
CRIMES
"Além disso, as áreas de comentários de muitos desses sítios permitem que os usuários publiquem comentários de forma anônima, ou não que sejam passíveis de identificação, o que faz com que essa funcionalidade seja usada também com finalidade fraudulenta e para a consecução de crimes contra a honra. A solução para essa situação passa necessariamente pela transferência da responsabilidade dos comentários anônimos para o proprietário do blog, e a instituição da obrigação de que tais mecanismos tenham a área de comentários moderada, para permitir a análise prévia das mensagens antes da publicação", diz o projeto.
O deputado reforça que o projeto de lei tem o objetivo de estabelecer as normas básicas de responsabilização civil e penal dos autores, proprietários e editores de tais sítios no caso de publicação de mensagens anônimas. "É evidente que todo o conteúdo publicado em um sítio, blog ou sítio de internet com finalidade similar é de responsabilidade de seu proprietário, autor ou editor, para efeito de responsabilização quanto à ocorrência de crimes contra a honra, pois estes são os mantenedores dos recursos, assim como os beneficiários de suas receitas publicitárias".
O projeto introduz ainda a obrigação para que os blogs e demais sítios com finalidades similares sejam cadastrados no sítio governamental registro .BR, de forma não onerosa, permitindo, assim, um mecanismo eficiente de identificação dos proprietários.
É PÃO E CIRCO SIM!!!
Tenho acompanhado, de longe, as discussões que giram em torno do Carnaval fora de época em Campos.
Tenho o maior respeito pelos carnavalescos, verdadeiros artistas, alguns inclusive meus amigos. Mas vamos combinar que, transformar uma situação extraordinária, como a da enchente que assolou Campos em 2009, em uma prática ordinária é demais.
O Carnaval é uma data específica do calendário cristão,com toda a simbologia enquanto festa pagã que antecede rigorosamente os ritos da Semana Santa e da Páscoa. Como alguém pode se imbuir de autoridade para deslocar um evento destes no calendário do município?
Se a idéia é promover somente um CarnaCampos, até aí nada demais, desde que não seja à custa da invasão de privacidade de moradores da Vila Rainha e com custos exorbitantes com os quais não temos acordo, pelos índicios de superfaturamento. Seria positivo, no sentido de uma atividade voltada à atrair o turismo e trazer divisas para o município como acontece em outras cidades.
Entretanto, o deslocamento puro e simples da data do Carnaval, gerando problemas à população é uma falta de respeito aos cidadãos de bem. É sim, uma iniciativa que se assemelha a prática do "pão e circo" da Antiguidade.
Tenho o maior respeito pelos carnavalescos, verdadeiros artistas, alguns inclusive meus amigos. Mas vamos combinar que, transformar uma situação extraordinária, como a da enchente que assolou Campos em 2009, em uma prática ordinária é demais.
O Carnaval é uma data específica do calendário cristão,com toda a simbologia enquanto festa pagã que antecede rigorosamente os ritos da Semana Santa e da Páscoa. Como alguém pode se imbuir de autoridade para deslocar um evento destes no calendário do município?
Se a idéia é promover somente um CarnaCampos, até aí nada demais, desde que não seja à custa da invasão de privacidade de moradores da Vila Rainha e com custos exorbitantes com os quais não temos acordo, pelos índicios de superfaturamento. Seria positivo, no sentido de uma atividade voltada à atrair o turismo e trazer divisas para o município como acontece em outras cidades.
Entretanto, o deslocamento puro e simples da data do Carnaval, gerando problemas à população é uma falta de respeito aos cidadãos de bem. É sim, uma iniciativa que se assemelha a prática do "pão e circo" da Antiguidade.
FALA PROFESSORA!!!
MAIS UMA DENÚNCIA DIRETO DO BLOG DIGNIDADE...
VERGONHA!!!
Luciana, solicito à você que entre em contato comigo pelo e-mail do blog ou pelo cel. 8819 1723 / 99376057.
Vamos, através do SEPE, averiguar onde foram parar suas denúncias e, se necessário for, encaminharemos nova denúncia ao MPE.
Devemos estar atentos a característica da escola municipal em questão: área rural.
É isso que temos constatado e denunciado. Sucateiam (os sucessivos governos através da SMEC) a escola da área rural para depois fechá-la.
Isso é um crime!!!
É lamentável tudo isso...
Quero relatar uma situação presenciada por mim.Trabalhei na E.M João Goulart 14 anos, desde 94 até 2007.Essa unidade escolar com o passar dos anos foi depreciando suas estruturas ao ponto de uma de suas paredes desabar três vezes em 97, 2000 e 2005.Todas as vezes a PMCG consertava, porém o risco permanecia.Tirei fotos entreguei nas mãos do então vice-prefeito na época Geraldo Pudim e continuamos na mesma.Posteriormente fotografei e entreguei nas mãos de Auxiliadora, Elisabeth Campista, Elisabeth Landim, novamente Auxiliadora, e por último MPE e nada, nada foi feito. A escola continua sucateada... meu DEUS!
Agora encontra-se em péssimas condições!!! Atualmente exerço minhas funções em outra escola, porém meu coração continua batendo muito forte pela Comunidade de Venda Nova e pela Escola Municipal João Goulart.
Relato tudo isso para contribuir com mais uma DENÚNCIA (infelizmente) quanto ao descaso com as escolas da zona rural.
OBS:Está tudo relatado , fotografado e anexado a uma carta denúncia feita ao MPE em novembro de 2006.
Luciana Soares Marques(Educadora)
VERGONHA!!!
Luciana, solicito à você que entre em contato comigo pelo e-mail do blog ou pelo cel. 8819 1723 / 99376057.
Vamos, através do SEPE, averiguar onde foram parar suas denúncias e, se necessário for, encaminharemos nova denúncia ao MPE.
Devemos estar atentos a característica da escola municipal em questão: área rural.
É isso que temos constatado e denunciado. Sucateiam (os sucessivos governos através da SMEC) a escola da área rural para depois fechá-la.
Isso é um crime!!!
É lamentável tudo isso...
Quero relatar uma situação presenciada por mim.Trabalhei na E.M João Goulart 14 anos, desde 94 até 2007.Essa unidade escolar com o passar dos anos foi depreciando suas estruturas ao ponto de uma de suas paredes desabar três vezes em 97, 2000 e 2005.Todas as vezes a PMCG consertava, porém o risco permanecia.Tirei fotos entreguei nas mãos do então vice-prefeito na época Geraldo Pudim e continuamos na mesma.Posteriormente fotografei e entreguei nas mãos de Auxiliadora, Elisabeth Campista, Elisabeth Landim, novamente Auxiliadora, e por último MPE e nada, nada foi feito. A escola continua sucateada... meu DEUS!
Agora encontra-se em péssimas condições!!! Atualmente exerço minhas funções em outra escola, porém meu coração continua batendo muito forte pela Comunidade de Venda Nova e pela Escola Municipal João Goulart.
Relato tudo isso para contribuir com mais uma DENÚNCIA (infelizmente) quanto ao descaso com as escolas da zona rural.
OBS:Está tudo relatado , fotografado e anexado a uma carta denúncia feita ao MPE em novembro de 2006.
Luciana Soares Marques(Educadora)
ABOLIÇÃO, CADÊ VOCÊ?!
Ontem assistindo a audiência pública no auditório da Câmara de Vereadores , presidida pelo ilustre deputado Marcelo Freixo, tivemos nosso conhecimento técnico aprofundado sobre o trabalho escravo e, no aspecto emocional, um corte na carne pelos depoimentos lá expostos. Como me disse um trabalhador rural ao meu lado: "é uma escravidão branca !"
Pelo lado técnico houve a apresentação de documentos e de multas aplicadas por uma precária fiscalização do Ministério do Trabalho, onde tais multas são cobradas _ou não numa sala do MT no Rio de Janeiro. O deputado Marcelo Freixo da Comissão de Direitos Humanos ficou de observar diretamente no referido setor o destino dessas multas.
Pessoas que trabalharam vinte ou trinta anos receberam menos que um ano de direitos na rescisão , pelo que lá ouvimos. A desapropriação de terras dos devedores para pagar os milhões em dívidas me pareceu a proposta mais coerente.
Outro ponto constrangedor foi a situação dos trabalhadores arregimentados em regiões pobres de outros estados para labutarem sem registros, sem carteira assinada, em acomodações próximas das velhas senzalas via uma teia de intermediários que possibilita as usinas se livrarem deles como palhas de cana.
A luta de classes é um motor essencial para mudar a sociedade no sentido popular como no combate ao trabalho escravo. A mobilização de ontem foi mais um passo importante.
A abolição 1888 foi parcial, a escravidão disfarçada continua a caminhar "oculta" pelos frondosos sertões e canaviais .
Postado por Amaro Sérgio Azevedo em nalutapelaeducaocampos.blogspot.com
Pelo lado técnico houve a apresentação de documentos e de multas aplicadas por uma precária fiscalização do Ministério do Trabalho, onde tais multas são cobradas _ou não numa sala do MT no Rio de Janeiro. O deputado Marcelo Freixo da Comissão de Direitos Humanos ficou de observar diretamente no referido setor o destino dessas multas.
Pessoas que trabalharam vinte ou trinta anos receberam menos que um ano de direitos na rescisão , pelo que lá ouvimos. A desapropriação de terras dos devedores para pagar os milhões em dívidas me pareceu a proposta mais coerente.
Outro ponto constrangedor foi a situação dos trabalhadores arregimentados em regiões pobres de outros estados para labutarem sem registros, sem carteira assinada, em acomodações próximas das velhas senzalas via uma teia de intermediários que possibilita as usinas se livrarem deles como palhas de cana.
A luta de classes é um motor essencial para mudar a sociedade no sentido popular como no combate ao trabalho escravo. A mobilização de ontem foi mais um passo importante.
A abolição 1888 foi parcial, a escravidão disfarçada continua a caminhar "oculta" pelos frondosos sertões e canaviais .
Postado por Amaro Sérgio Azevedo em nalutapelaeducaocampos.blogspot.com
sexta-feira, 16 de abril de 2010
DIA 27 DE ABRIL: GRANDE ATO DOS CONCURSADOS DE 2008 DA EDUCAÇÃO
No dia 27/04 estaremos realizando um grande ato em defesa do concurso público e dos concursados de 2008 da educação municipal.
Será as 9 horas da manhã,em frente à Câmara dos Vereadores de Campos. Na oportunidade, uma comissão será criada, por diretores do SEPE e concursados, para visitar o gabinete de TODOS os vereadores da Câmara e protocolar um documento solicitando do legislativo uma interlocução com o executivo a fim de garantir a prorrogação do prazo de validade do concurso de 2008.
Será necessário convencer cada um dos 17 vereadores da necessidade da prorrogação da validade do concurso, para que todos possam assumir este compromisso com os professores.
É bom esclarecer que, o papel dos vereadores é trabalhar para toda a sociedade campista, independente do partido de cada um deles ou se são oposição ou base do governo.
Será as 9 horas da manhã,em frente à Câmara dos Vereadores de Campos. Na oportunidade, uma comissão será criada, por diretores do SEPE e concursados, para visitar o gabinete de TODOS os vereadores da Câmara e protocolar um documento solicitando do legislativo uma interlocução com o executivo a fim de garantir a prorrogação do prazo de validade do concurso de 2008.
Será necessário convencer cada um dos 17 vereadores da necessidade da prorrogação da validade do concurso, para que todos possam assumir este compromisso com os professores.
É bom esclarecer que, o papel dos vereadores é trabalhar para toda a sociedade campista, independente do partido de cada um deles ou se são oposição ou base do governo.
TRABALHO ESCRAVO NÃO É PAUTA DO INTERESSE DOS VEREADORES DE CAMPOS
A ausência dos vereadores na audiência pública foi percebida por todos. Dois vereadores justificaram a ausência. Os demais, nem isso.
Penso que, alguns deles não suportariam o debate democrático e organizado no interior da "casa do povo", onde a voz costuma ser calada.
Perderam uma boa oportunidade de aprendizado. Deviam aprender o respeito ao outro, a gostar de gente e não temer o povo que só serve aos seus interesses na época da eleição, quando precisam de voto.
Os vereadores de Campos precisam urgentemente passar por uma reciclagem e abrir mão de suas orientações maquiavélicas.
Penso que, alguns deles não suportariam o debate democrático e organizado no interior da "casa do povo", onde a voz costuma ser calada.
Perderam uma boa oportunidade de aprendizado. Deviam aprender o respeito ao outro, a gostar de gente e não temer o povo que só serve aos seus interesses na época da eleição, quando precisam de voto.
Os vereadores de Campos precisam urgentemente passar por uma reciclagem e abrir mão de suas orientações maquiavélicas.
AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE TRABALHO ESCRAVO
A audiência sobre o trabalho escravo nas usinas de Campos, presidida pelo Deputado Estadual Marcelo Freixo da Comissão de Direitos Humanos da ALERJ, foi um marco histórico na doce e sofrida Planície Goytacá. Coroada de êxito, num ambiente democrático, a sociedade civil pode denunciar os abusos dos latifundiários e donos das usinas Cupim, Barcelos e Santa Cruz. A professora e militante do Comitê do Trabalho Escravo, Carolina Abreu, foi brilhante em sua exposição, como também foram o Presidente da ADUENF, Dr. Marcos Pedlowisk, e o Padre que representou a Pastoral da Terra.
Momento ímpar da tarde foram os depoimentos dos trabalhadores rurais, Sr. Paulo e Sr.Valdecy Alves que emocionou a todos os presentes. O relato de ambos foi de uma vida dedicada a lavoura, no corte de cana, e que depois de 32 anos de trabalho escravo se encontram em situação de penúria, passando necessidades já que, os latifundiários não pagam seus direitos trabalhistas e seus salários. São trabalhadores que tiveram a coragem de denunciar a miséria em que vivem, com a privação do direito a uma vida digna, passam fome com suas famílias.
Quanto a participação das autoridades ligadas ao setor de fiscalização do trabalho nas fazendas, estes pareciam estar alheios a dura realidade que assola a vida de pelo menos dois mil trabalhadores rurais em Campos dos Goytacazes. Ficou evidente que os órgãos criados com a finalidade de impedir os abusos dos latifundiários contra os trabalhadores rurais, não cumprem com suas atribuições. É um sistema intencionalmente feito para não funcionar. Vergonhoso!
Foi uma audiência marcada pela qualidade do debate. O Deputado Marcelo Freixo tem um mandato cujo exemplo é digno de ser seguido. Pessoa honrada que não faz acordos com o capital, com um mandato a serviço da defesa da cidadania. Em mais de uma vez, repetiu que, o povo estava em sua casa onde pode usufruir do pleno direito de se manisfestar.
Muitas faixas, bandeiras e palavras de ordem!
Os seguranças da Câmara, habituados ao rigor como o Presidente da casa do povo conduz as sessões, ficaram visivelmente espantados com a livre expressão das idéias, de forma organizada e pacífica. No ínicio, tentaram impedir a entrada de faixas, mas logo foram alertados de que o Presidente naquele momento, representando a ALERJ, era o Deputado Marcelo Freixo e a orientação dele permitia a presença de faixas, cartazes e palavras de ordem. Foi lindo!
Momento incomparável com a austeridade e autoritarismo das sessões ordinárias na Câmara.
Além de tudo, a educação se fez presente na audiència pública, denunciando o fechamento de 12 escolas rurais.
TRABALHO ESCRAVO SE COMBATE COM EDUCAÇÃO. SEPE CONTRA O FECHAMENTO DAS ESCOLAS RURAIS.
Antes do ínicio da audiência tive oportunidade de relatar, ao deputado e ao Coordenador do MPE, as mazelas sofridas pela educação municipal. Ao final, pedi à Professora Carolina Abreu que nas considerações finais se dirigisse ao Promotor, Dr. Luis Cláudio, solicitando deste especial atenção ao Inquérito Civil Público instaurado no MPE após denúncias encaminhadas por nós. Diante da resposta positiva do Promotor a esperança reacendeu.
Foi realmente uma audiência pública vitoriosa onde foram criadas condições favoráveis para uma mudança, tanto no que tange ao fim do trabalho escravo em Campos como para a reativação das escolas municipais rurais.
Venceremos!!!
Momento ímpar da tarde foram os depoimentos dos trabalhadores rurais, Sr. Paulo e Sr.Valdecy Alves que emocionou a todos os presentes. O relato de ambos foi de uma vida dedicada a lavoura, no corte de cana, e que depois de 32 anos de trabalho escravo se encontram em situação de penúria, passando necessidades já que, os latifundiários não pagam seus direitos trabalhistas e seus salários. São trabalhadores que tiveram a coragem de denunciar a miséria em que vivem, com a privação do direito a uma vida digna, passam fome com suas famílias.
Quanto a participação das autoridades ligadas ao setor de fiscalização do trabalho nas fazendas, estes pareciam estar alheios a dura realidade que assola a vida de pelo menos dois mil trabalhadores rurais em Campos dos Goytacazes. Ficou evidente que os órgãos criados com a finalidade de impedir os abusos dos latifundiários contra os trabalhadores rurais, não cumprem com suas atribuições. É um sistema intencionalmente feito para não funcionar. Vergonhoso!
Foi uma audiência marcada pela qualidade do debate. O Deputado Marcelo Freixo tem um mandato cujo exemplo é digno de ser seguido. Pessoa honrada que não faz acordos com o capital, com um mandato a serviço da defesa da cidadania. Em mais de uma vez, repetiu que, o povo estava em sua casa onde pode usufruir do pleno direito de se manisfestar.
Muitas faixas, bandeiras e palavras de ordem!
Os seguranças da Câmara, habituados ao rigor como o Presidente da casa do povo conduz as sessões, ficaram visivelmente espantados com a livre expressão das idéias, de forma organizada e pacífica. No ínicio, tentaram impedir a entrada de faixas, mas logo foram alertados de que o Presidente naquele momento, representando a ALERJ, era o Deputado Marcelo Freixo e a orientação dele permitia a presença de faixas, cartazes e palavras de ordem. Foi lindo!
Momento incomparável com a austeridade e autoritarismo das sessões ordinárias na Câmara.
Além de tudo, a educação se fez presente na audiència pública, denunciando o fechamento de 12 escolas rurais.
TRABALHO ESCRAVO SE COMBATE COM EDUCAÇÃO. SEPE CONTRA O FECHAMENTO DAS ESCOLAS RURAIS.
Antes do ínicio da audiência tive oportunidade de relatar, ao deputado e ao Coordenador do MPE, as mazelas sofridas pela educação municipal. Ao final, pedi à Professora Carolina Abreu que nas considerações finais se dirigisse ao Promotor, Dr. Luis Cláudio, solicitando deste especial atenção ao Inquérito Civil Público instaurado no MPE após denúncias encaminhadas por nós. Diante da resposta positiva do Promotor a esperança reacendeu.
Foi realmente uma audiência pública vitoriosa onde foram criadas condições favoráveis para uma mudança, tanto no que tange ao fim do trabalho escravo em Campos como para a reativação das escolas municipais rurais.
Venceremos!!!
DIREITA/ESQUERDA
Emir Sader
Diante de alguns argumentos que ainda subsistem sobre o suposto fim da divisão entre direita e esquerda, aqui vão algumas diferenças. Acrescentem outras, se acharem que a diferença ainda faz sentido.
Direita: A desigualdade sempre existiu e sempre existirá. Ela é produto da maior capacidade e disposição de uns e da menor capacidade e menor disposição de outros. Como se diz nos EUA, “não há pobres, há fracassados”.
Esquerda: A desigualdade é um produto social de economias – como a de mercado – em que as condições de competição são absolutamente desiguais.
Direita: É preferível a injustiça, do que a desordem.
Esquerda: A luta contra as injustiças é a luta mais importante, nem que sejas preciso construir uma ordem diferente da atual.
Direita: É melhor ser aliado secundário dos ricos do mundo, do que ser aliado dos pobres.
Esquerda: Temos um destino comum com os países do Sul do mundo, vitimas do colonialismo e do imperialismo, temos que lutar com eles por uma ordem mundial distinta.
Direita: O Brasil não deve ser mais do que sempre foi.
Esquerda: O Brasil pode ser um país com presença no Sul do mundo e um agente de paz em conflitos mundiais em outras regiões do mundo.
Direita: O Estado deve ser mínimo. Os bancos públicos devem ser privatizados, assim como as outras empresas estatais.
Esquerda: O Estado tem responsabilidades essenciais, na indução do crescimento econômico, nas políticas de direitos sociais, em investimentos estratégicos como infra-estrutura, estradas, habitação, saneamento básico, entre outros. Os bancos públicos têm um papel essencial nesses projetos.
Direita: O crescimento econômico é incompatível com controle da inflação. A economia não pode crescer mais do que 3% a ano, para não se correr o risco de inflação.
Direita: Os gastos com pobres não têm retorno, são inúteis socialmente, ineficientes economicamente.
Esquerda: Os gastos com políticos sociais dirigidas aos mais pobres afirmam direitos essenciais de cidadania para todos.
Direita: O Bolsa Família e outras políticas desse tipo são “assistencialismo”, que acostumam as pessoas a depender do Estado, a não ser auto suficientes.
Esquerda: O Bolsa Família e outras políticas desse tipo são essenciais, para construir uma sociedade de integração de todos aos direitos essenciais.
Direita: A reforma tributária deve ser feita para desonerar aos setores empresariais e facilitar a produção e a exportação.
Esquerda: A reforma tributária deve obedecer o principio segundo o qual “quem tem mais, paga mais”, para redistribuir renda, com o Estado atuando mediante políticas sociais para diminuir as desigualdades produzidas pelo mercado.
Direita: Quanto menos impostos as pessoas pagarem, melhor. O Estado expropria recursos dos indivíduos e das empresas, que estariam melhor nas mãos destes. O Estado sustenta a burocratas ineficientes com esses recursos.
Esquerda: A tributação serva para afirmar direitos fundamentais das pessoas – como educação e saúde publica, habitação popular, saneamento básico, infra-estrutura, direitos culturais, transporte publico, estradas, etc. A grande maioria dos servidores públicos são professores, pessoal médico e outros, que atendem diretamente às pessoas que necessitam dos serviços públicos.
Direita: A liberdade de imprensa é essencial, ela consiste no direito dos órgãos de imprensa de publicar informações e opiniões, conforme seu livre arbítrio. Qualquer controle viola uma liberdade essencial da democracia.
Esquerda: A imprensa deve servir para formar democraticamente a opinao pública, em que todos tenham direitos iguais de expressar seus pontos de vista. Uma imprensa fundada em empresas privadas, financiadas pela publicidade das grandes empresas privadas, atende aos interesses delas, ainda mais se são empresas baseadas na propriedade de algumas famílias.
Direita: A Lei Pelé trouxe profissionalismo ao futebol e libertou os jogadores do poder dos clubes.
Esquerda: A Lei Pelé mercantilizou definitivamente o futebol, que agora está nas mãos dos grandes empresários privados, enquanto os clubes, que podem formar jogadores, que tem suas diretorias eleitas pelos sócios, estão quebrados financeiramente. A Lei Pelé representa o neoliberalismo no esporte.
Direita: O capitalismo é o sistema mais avançado que a humanidade construiu, todos os outros são retrocessos, estamos destinados a viver no capitalismo.
Esquerda: O capitalismo, como todo tipo de sociedade, é um sistema histórico, que teve começo e pode ter fim, como todos os outros. Está baseado na apropriação do trabalho alheio, promove o enriquecimento de uns às custas dos outros, tende à concentração de riqueza por um lado, à exclusão social por outro, e deve ser substituído por um tipo de sociedade que atenda às necessidades de todos.
Direita: Os blogs são irresponsáveis, a internet deve ser controlada, para garantir o monopólio da empresas de mídia já existentes. As chamadas rádios comunitárias são rádios piratas, que ferem as leis vigentes.
Esquerda: A democracia requer que se incentivo aos mais diferentes tipos de espaço de expressão da diversidade cultural e de opinião de todos, rompendo com os monopólios privados, que impedem a democratização da sociedade.
Por Emir Sader.
Diante de alguns argumentos que ainda subsistem sobre o suposto fim da divisão entre direita e esquerda, aqui vão algumas diferenças. Acrescentem outras, se acharem que a diferença ainda faz sentido.
Direita: A desigualdade sempre existiu e sempre existirá. Ela é produto da maior capacidade e disposição de uns e da menor capacidade e menor disposição de outros. Como se diz nos EUA, “não há pobres, há fracassados”.
Esquerda: A desigualdade é um produto social de economias – como a de mercado – em que as condições de competição são absolutamente desiguais.
Direita: É preferível a injustiça, do que a desordem.
Esquerda: A luta contra as injustiças é a luta mais importante, nem que sejas preciso construir uma ordem diferente da atual.
Direita: É melhor ser aliado secundário dos ricos do mundo, do que ser aliado dos pobres.
Esquerda: Temos um destino comum com os países do Sul do mundo, vitimas do colonialismo e do imperialismo, temos que lutar com eles por uma ordem mundial distinta.
Direita: O Brasil não deve ser mais do que sempre foi.
Esquerda: O Brasil pode ser um país com presença no Sul do mundo e um agente de paz em conflitos mundiais em outras regiões do mundo.
Direita: O Estado deve ser mínimo. Os bancos públicos devem ser privatizados, assim como as outras empresas estatais.
Esquerda: O Estado tem responsabilidades essenciais, na indução do crescimento econômico, nas políticas de direitos sociais, em investimentos estratégicos como infra-estrutura, estradas, habitação, saneamento básico, entre outros. Os bancos públicos têm um papel essencial nesses projetos.
Direita: O crescimento econômico é incompatível com controle da inflação. A economia não pode crescer mais do que 3% a ano, para não se correr o risco de inflação.
Direita: Os gastos com pobres não têm retorno, são inúteis socialmente, ineficientes economicamente.
Esquerda: Os gastos com políticos sociais dirigidas aos mais pobres afirmam direitos essenciais de cidadania para todos.
Direita: O Bolsa Família e outras políticas desse tipo são “assistencialismo”, que acostumam as pessoas a depender do Estado, a não ser auto suficientes.
Esquerda: O Bolsa Família e outras políticas desse tipo são essenciais, para construir uma sociedade de integração de todos aos direitos essenciais.
Direita: A reforma tributária deve ser feita para desonerar aos setores empresariais e facilitar a produção e a exportação.
Esquerda: A reforma tributária deve obedecer o principio segundo o qual “quem tem mais, paga mais”, para redistribuir renda, com o Estado atuando mediante políticas sociais para diminuir as desigualdades produzidas pelo mercado.
Direita: Quanto menos impostos as pessoas pagarem, melhor. O Estado expropria recursos dos indivíduos e das empresas, que estariam melhor nas mãos destes. O Estado sustenta a burocratas ineficientes com esses recursos.
Esquerda: A tributação serva para afirmar direitos fundamentais das pessoas – como educação e saúde publica, habitação popular, saneamento básico, infra-estrutura, direitos culturais, transporte publico, estradas, etc. A grande maioria dos servidores públicos são professores, pessoal médico e outros, que atendem diretamente às pessoas que necessitam dos serviços públicos.
Direita: A liberdade de imprensa é essencial, ela consiste no direito dos órgãos de imprensa de publicar informações e opiniões, conforme seu livre arbítrio. Qualquer controle viola uma liberdade essencial da democracia.
Esquerda: A imprensa deve servir para formar democraticamente a opinao pública, em que todos tenham direitos iguais de expressar seus pontos de vista. Uma imprensa fundada em empresas privadas, financiadas pela publicidade das grandes empresas privadas, atende aos interesses delas, ainda mais se são empresas baseadas na propriedade de algumas famílias.
Direita: A Lei Pelé trouxe profissionalismo ao futebol e libertou os jogadores do poder dos clubes.
Esquerda: A Lei Pelé mercantilizou definitivamente o futebol, que agora está nas mãos dos grandes empresários privados, enquanto os clubes, que podem formar jogadores, que tem suas diretorias eleitas pelos sócios, estão quebrados financeiramente. A Lei Pelé representa o neoliberalismo no esporte.
Direita: O capitalismo é o sistema mais avançado que a humanidade construiu, todos os outros são retrocessos, estamos destinados a viver no capitalismo.
Esquerda: O capitalismo, como todo tipo de sociedade, é um sistema histórico, que teve começo e pode ter fim, como todos os outros. Está baseado na apropriação do trabalho alheio, promove o enriquecimento de uns às custas dos outros, tende à concentração de riqueza por um lado, à exclusão social por outro, e deve ser substituído por um tipo de sociedade que atenda às necessidades de todos.
Direita: Os blogs são irresponsáveis, a internet deve ser controlada, para garantir o monopólio da empresas de mídia já existentes. As chamadas rádios comunitárias são rádios piratas, que ferem as leis vigentes.
Esquerda: A democracia requer que se incentivo aos mais diferentes tipos de espaço de expressão da diversidade cultural e de opinião de todos, rompendo com os monopólios privados, que impedem a democratização da sociedade.
Por Emir Sader.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
VOZ DO POVO É CALADA NA CÂMARA DE VEREADORES DE CAMPOS
Esta blogueira tem por hábito participar das sessões na Câmara de Vereadores quando esta tem na pauta matéria de interesse da Educação.
Causou-me estranheza, e foi denunciado por este blog, quando no dia 15 de dezembro, dia da votação do nefasto Plano de Cargos e Salários dos professores da rede municipal, diante da manifestação discreta dos professores com relação a intervenções de alguns vereadores, o Presidente da Câmara chamar a atenção dos mesmos com a alegação de que o regimento da "casa do povo" não permitia nenhum tipo de manifestação da plenária sob pena de serem retiradas do recinto.
Achei aquilo um absurdo! Não há democracia na "casa do povo"? A democracia é brutalmente calada? Confesso que a Câmara de Vereadores de Campos é um lugar no qual não me sinto bem. As minhas idas até lá se restringem à defesa de causas coletivas com as quais sou comprometida.
Essa impressão sobre esta dita "casa do povo" ficou ainda pior ao tomar conhecimento do constrangimento imposto pelo Presidente Nelson Nahin à uma cidadã campista: Jane Nunes.
Que vergonha senhor Presidente!
Levado pela emoção, o presidente da "casa do povo" expõe publicamente a pessoa de Jane Nunes, usando da prerrogativa autoritária do regimento interno, sem oferecer-lhe o direito de defesa. Isso é uma vergonha! O Presidente da Câmara deve à cidadã uma retratação pública uma vez que a exposição da pessoa em questão foi pública.
Autoritarismo! Prepotência! Falta de respeito!
Por favor, solicito que a assessoria do Presidente da Câmara avise o mesmo que a DITADURA ACABOU.
ÊTA, DEMOCRACIA BURGUESA!!!
Causou-me estranheza, e foi denunciado por este blog, quando no dia 15 de dezembro, dia da votação do nefasto Plano de Cargos e Salários dos professores da rede municipal, diante da manifestação discreta dos professores com relação a intervenções de alguns vereadores, o Presidente da Câmara chamar a atenção dos mesmos com a alegação de que o regimento da "casa do povo" não permitia nenhum tipo de manifestação da plenária sob pena de serem retiradas do recinto.
Achei aquilo um absurdo! Não há democracia na "casa do povo"? A democracia é brutalmente calada? Confesso que a Câmara de Vereadores de Campos é um lugar no qual não me sinto bem. As minhas idas até lá se restringem à defesa de causas coletivas com as quais sou comprometida.
Essa impressão sobre esta dita "casa do povo" ficou ainda pior ao tomar conhecimento do constrangimento imposto pelo Presidente Nelson Nahin à uma cidadã campista: Jane Nunes.
Que vergonha senhor Presidente!
Levado pela emoção, o presidente da "casa do povo" expõe publicamente a pessoa de Jane Nunes, usando da prerrogativa autoritária do regimento interno, sem oferecer-lhe o direito de defesa. Isso é uma vergonha! O Presidente da Câmara deve à cidadã uma retratação pública uma vez que a exposição da pessoa em questão foi pública.
Autoritarismo! Prepotência! Falta de respeito!
Por favor, solicito que a assessoria do Presidente da Câmara avise o mesmo que a DITADURA ACABOU.
ÊTA, DEMOCRACIA BURGUESA!!!
ASSEMBLÉIA DOS CONCURSADOS DE 2008 DA EDUCAÇÃO
Ontem, dia 14/04, foi realizada na sede do SEPE uma Assembléia de concursados de 2008 onde foram passadas informações sobre as ações realizadas e seus desdobramentos até a presente data. Novas propostas de luta foram apresentadas e aprovadas para ações futuras.
A ASSEMBLÉIA dos concursados reuniu vários profissionais que prestaram concurso para preenchimento de vagas em creches, 1º e 2º segmentos do ensino fundamental. É grande a ansiedade destes concursados e visível a decepção frente a decisão tomada pelo governo Rosinha Garotinho em não prorrogar o prazo de validade do referido concurso.
O SEPE está nesta luta de maneira intransigente, cumprindo o seu papel precípuo em defesa do CONCURSO PÚBLICO. A defesa do CONCURSO PÚBLICO está intimamente ligado a própria existência do SEPE.
Ficou aprovado na ASSEMBLÉIA que:
- Dia 16 de abril participaremos do ato público Contra o Trabalho Escravo com faixas denunciando o fechamento das 12 escolas do campo, a fim de mascarar a carência, remanejando os professores destas escolas para ouutras do município.
- Dia 27 de abril - ATO PÚBLICO, ÀS 9 HORAS DA MANHÃ, EM FRENTE À CÂMARA MUNICIPAL DE CAMPOS, RUA ALBERTO TORRES, OCASIÃO EM QUE UMA COMISSÃO FORMADA POR DIRETORES DO SEPE E CONCURSADOS ESTARÁ VISITANDO O GABINETE DE CADA VEREADOR PARA SOLICITAR QUE INTERCEDA JUNTO AO EXECUTIVO PARA GARANTIR A PRORROGAÇÃO DO CONCURSO DE 2008 PARA A EDUCAÇÃO.
As vagas reais existem e devem ser preenchidas pelos CONCURSADOS!!!
A ASSEMBLÉIA dos concursados reuniu vários profissionais que prestaram concurso para preenchimento de vagas em creches, 1º e 2º segmentos do ensino fundamental. É grande a ansiedade destes concursados e visível a decepção frente a decisão tomada pelo governo Rosinha Garotinho em não prorrogar o prazo de validade do referido concurso.
O SEPE está nesta luta de maneira intransigente, cumprindo o seu papel precípuo em defesa do CONCURSO PÚBLICO. A defesa do CONCURSO PÚBLICO está intimamente ligado a própria existência do SEPE.
Ficou aprovado na ASSEMBLÉIA que:
- Dia 16 de abril participaremos do ato público Contra o Trabalho Escravo com faixas denunciando o fechamento das 12 escolas do campo, a fim de mascarar a carência, remanejando os professores destas escolas para ouutras do município.
- Dia 27 de abril - ATO PÚBLICO, ÀS 9 HORAS DA MANHÃ, EM FRENTE À CÂMARA MUNICIPAL DE CAMPOS, RUA ALBERTO TORRES, OCASIÃO EM QUE UMA COMISSÃO FORMADA POR DIRETORES DO SEPE E CONCURSADOS ESTARÁ VISITANDO O GABINETE DE CADA VEREADOR PARA SOLICITAR QUE INTERCEDA JUNTO AO EXECUTIVO PARA GARANTIR A PRORROGAÇÃO DO CONCURSO DE 2008 PARA A EDUCAÇÃO.
As vagas reais existem e devem ser preenchidas pelos CONCURSADOS!!!
O ATO DA ADUENF FOI VITORIOSO!!!
Ontem às 15 horas teve ínicio o ATO PÚBLICO dos Professores da UENF, liderados pelo Professor Marcos Pedlowisk presidente da ADUENF.
A concentração foi na Pç S.Salvador de onde os participantes sairam em caminhada até o Largo da Imprensa, momento em que as faixas foram estendidas, houve panfletagem e a DENÚNCIA dos ataques que a Univesidade Pública Estadual está sofrendo, com abandono e o descaso do governo Sérgio Cabral.
Sem dúvida foi um momento histórico de luta em defesa da Educação que contou com a presença maciça do Professores, funcionários e alunos da UENF. Além destes, o ato contou com a presença do SEPE, na pessoa desta blogueira, e do SINASEFE com a presença do camarada Paulo Caxinguelê.
A paralisação de dois dias, 14 e 15 de abril, tem como objetivo chamar a atenção das autoridades sobre o arrocho salarial dos Professores da UENF, que somam 82% de perdas salariais. Além disso, os baixos salários tem prejudicado o preenchimento das vagas de Docentes, já que os profissionais de excelência migram para outras universidades e os concursos promovidos pela instituição não contam com o número de candidatos para suprir a carência de professores.
Em defesa da UENF e do ensino público de qualidade, sempre!!!
UENF NA RUA, CABRAL A CULPA É SUA!!!
O ATO PÚBLICO promovido pela ADUENF foi VITORIOSO!!!
A concentração foi na Pç S.Salvador de onde os participantes sairam em caminhada até o Largo da Imprensa, momento em que as faixas foram estendidas, houve panfletagem e a DENÚNCIA dos ataques que a Univesidade Pública Estadual está sofrendo, com abandono e o descaso do governo Sérgio Cabral.
Sem dúvida foi um momento histórico de luta em defesa da Educação que contou com a presença maciça do Professores, funcionários e alunos da UENF. Além destes, o ato contou com a presença do SEPE, na pessoa desta blogueira, e do SINASEFE com a presença do camarada Paulo Caxinguelê.
A paralisação de dois dias, 14 e 15 de abril, tem como objetivo chamar a atenção das autoridades sobre o arrocho salarial dos Professores da UENF, que somam 82% de perdas salariais. Além disso, os baixos salários tem prejudicado o preenchimento das vagas de Docentes, já que os profissionais de excelência migram para outras universidades e os concursos promovidos pela instituição não contam com o número de candidatos para suprir a carência de professores.
Em defesa da UENF e do ensino público de qualidade, sempre!!!
UENF NA RUA, CABRAL A CULPA É SUA!!!
O ATO PÚBLICO promovido pela ADUENF foi VITORIOSO!!!
O CORRE-CORRE TEM SIDO GRANDE
Devido ao acúmulo de tarefas só agora colocarei em dia as publicação sobre as ações vitoriosas do dia de ontem, 14/04.
Venceremos!!!
Venceremos!!!
quarta-feira, 14 de abril de 2010
EDUCAÇÃO NA RUA, CABRAL A CULPA É SUA!!!
A UENF estará com suas atividades paralisadas nos dias 14 e 15 de abril. Hoje às 15 horas haverá um ato público no calçadão, quando estará sendo lançada a Campanha Salarial das universidades Públicas Estaduais, UENF e UERJ, que conta 82% de perdas salariais, além da falta de unvestimento por parte do governo estadual numa universidade pública de qualidade.
Somos contra mais este ataque à EDUCAÇÃO PÚBLICA e estaremos lado a lado com os colegas da ADUENF nesta luta.
Venceremos!!!
Somos contra mais este ataque à EDUCAÇÃO PÚBLICA e estaremos lado a lado com os colegas da ADUENF nesta luta.
Venceremos!!!
AUDIÊNCIAS PÚBLICAS PARA DEBATER SOBRE EDUCAÇÃO MUNICIPAL NA CÂMARA, JÁ!!!
O Vereador Abdu Neme fez algumas cobranças a bancada durante sessão na Câmara. Todas pertinentes. Uma especialmente nos chamou atenção, que foi a cobrança dirigida à Comissão de Educação daquela casa, que até então tem se mostrado inerte diante do caos que assola a educação de nosso município.
A referida comissão tem como presidente a vereadora D.Penha, o vereador Kellinho e a vereadora petista Odisséia.
O SEPE protocolou no dia 24/03, às 16:30 ofícios no gabinete de cada um dos vereadores da Comissão de Educação, solicitando audiências públicas quinzenais a partir do mês de abril. Hoje são 14 de abril e até o momento nenhuma resposta recebemos.
Outro dia, casualmente, encontrei o vereador Kellinho na rua e ele disse ter recebido o ofício e que da parte dele não haveria nenhum problema em atender à solicitação do SEPE. Faltava apenas uma reunião entre os membros da comissão para planejar as audiências, já que segundo ele(Kellinho), as reuniôes da comissão deveriam acontecer todas as sextas-feiras por volta das 16 horas e que (pasmem!), por falta do que fazer as mesmas acabavam não acontecendo.
Muito positiva a intervenção do vereador Abdo Neme ao lembrar a Comissão de Educação o que jornais locais e Blogs tem tornado público,o caos em que se encontra a educação municipal. Não temos dúvida de que em breve serão inauguradas na Câmara as audiências públicas solicitadas por nós. Estejam todos certos que não faltará assunto para ser debatido.
Leiam abaixo trecho da publicação do blog Estou Procurando...
Outro assunto colocado em discussão pelo vereador Abdu é com relação a uma denúncia de que alunos da rede pública municipal estariam tendo que se deslocar de Campos para terem aulas no vizinho município de Quissamã, alertando a Comissão de Educação - composta pelas vereadoras Odisséia Carvalho e Maria da Penha -, para que tomem conhecimento do fato.
A referida comissão tem como presidente a vereadora D.Penha, o vereador Kellinho e a vereadora petista Odisséia.
O SEPE protocolou no dia 24/03, às 16:30 ofícios no gabinete de cada um dos vereadores da Comissão de Educação, solicitando audiências públicas quinzenais a partir do mês de abril. Hoje são 14 de abril e até o momento nenhuma resposta recebemos.
Outro dia, casualmente, encontrei o vereador Kellinho na rua e ele disse ter recebido o ofício e que da parte dele não haveria nenhum problema em atender à solicitação do SEPE. Faltava apenas uma reunião entre os membros da comissão para planejar as audiências, já que segundo ele(Kellinho), as reuniôes da comissão deveriam acontecer todas as sextas-feiras por volta das 16 horas e que (pasmem!), por falta do que fazer as mesmas acabavam não acontecendo.
Muito positiva a intervenção do vereador Abdo Neme ao lembrar a Comissão de Educação o que jornais locais e Blogs tem tornado público,o caos em que se encontra a educação municipal. Não temos dúvida de que em breve serão inauguradas na Câmara as audiências públicas solicitadas por nós. Estejam todos certos que não faltará assunto para ser debatido.
Leiam abaixo trecho da publicação do blog Estou Procurando...
Outro assunto colocado em discussão pelo vereador Abdu é com relação a uma denúncia de que alunos da rede pública municipal estariam tendo que se deslocar de Campos para terem aulas no vizinho município de Quissamã, alertando a Comissão de Educação - composta pelas vereadoras Odisséia Carvalho e Maria da Penha -, para que tomem conhecimento do fato.
DIREITOS HUMANOS EM CUBA
DIREITOS HUMANOS EM CUBA
A classe trabalhadora brasileira, de fato, lamentavelmente, está dividida. Isso explica por que tantas centrais. Competem entre si. Ideologia, em forma de reflexo, da democracia de mercado. Daí porque aparecem líderes sindicais da UGT que se encantam com a contra-revolução cubana, com os que se organizam em Miami para cometer crimes contra o governo de Cuba e seu povo, com os que preferem estar ao lado de um império que colonizou e neocolonizou aquele país e que continua ocupando, há mais de um século, o território cubano de Guantânamo. Sindicalistas, que se unem a toda a direita internacional para atacar um país que heroicamente se defende.
Dá a impressão de que tais dirigentes sindicais veem as coisas pelo avesso: não é Cuba que pratica torturas, mata trabalhadores, comete genocídios e outras desgraças. Quem faz isso são as forças a que consciente ou inconscientemente se aliam, entre elas, uma mídia que tem uma triste história de apoio a ditaduras, inclusive, tendo participado de sua organização, em que os exemplos mais recentes são os golpes da Venezuela e de Honduras. É em países capitalistas, em que as forças de direita fazem de tudo para manter o direito à exploração e neocolonialismo, que ocorrem tortura e morte de opositores. Vejamos: quantos opositores foram mortos em Cuba? Onde se matam religiosos, trabalhadores, gente que luta por um mundo mais justo? Só na nossa neocolonizada América Latina já ocorreram dezenas ou centenas de chacinas de trabalhadores nas lutas pelos seus direitos. A polícia peruana acaba de matar mineiros em luta. Centenas de camponeses já foram assassinados no Brasil, só nos últimos anos.
Nenhum desses crimes, praticados em nosso continente, sem falar de incontáveis outros, foi praticado por Cuba, pelo seu governo. Esses assassinatos e torturas são praticados exatamente onde tais sindicalistas veem "democracia como valor universal", unindo-se a um setor ou classe que é antidemocrático por princípio, que, no limite, apenas aceita, quando não tem outro jeito, em manobra de enganação, uma "democracia" sem povo. Quem luta pela democracia, senhores sindicalistas da UGT, são os trabalhadores, não as oligarquias a quem vocês parecem unir-se, no momento, contra Cuba, que, de fato, não aceita outro processo senão o de construir uma democracia plena, democracia com povo. Ao contrário do que vocês pensam e defendem, se a Revolução Cubana e o socialismo forem derrotados em Cuba, aí, sim, teremos a volta das forças antidemocráticas ao poder, com o retorno da tortura e morte de gente do povo, como acontecia na época de Batista, com a sua Guarda Nacional e outras forças de repressão cometendo massacres contra os que defendem a construção de um mundo mais justo.
Paramos por aqui. Não vamos falar mais dessa triste posição de vocês, tentando atribuir a Cuba o que é inerente aos seus aliados, violentos por princípio, já que têm, como fundamento primeiro, a exploração de um ser humano por outro, paridora de todas as violências: dos massacres de explorados de todos os tempos, do colonialismo e do genocídio contra povos. A sua ideologia, caros sindicalistas, impossibilita que compreendam que é exatamente contra esta história de sangue, provocada pelos que têm como alma o capital e como democracia apenas a defesa dessa alma, que o povo de Cuba se insurge.
Em outra oportunidade já nos manifestamos sobre a questão dos direitos em Cuba, afirmando que, acontecesse naquele país o que ocorre onde pessoas como vocês veem "democracia como valor universal”, nos dirigiríamos aos governantes cubanos, fazendo o nosso protesto, na defesa de valores humanistas e socialistas, inerentes apenas aos que lutam por um mundo em que um ser humano não mais explore, subordine e humilhe o outro. Claro, não faríamos isso, aliando-nos a forças antidemocráticas, como fazem vocês.
Contudo, uma prova nítida de que Cuba não age como fazem as forças que mundialmente se opõem a ela é vista nas próprias manifestações de "dissidentes", pois nenhum deles tem afirmado ter sido vítima de tortura ou de tentativa de morte. E ainda não é difícil perceber que o que dizem não expressa uma convicção política propriamente dita. Emigraram para o politicismo, como afirma o governo cubano, para ofuscar crimes outros, delitos que eles mesmos, direta ou indiretamente, não chegam a dizer que não os cometeram.
Vocês, sindicalistas, falam de erros da diplomacia brasileira em relação a Cuba; claramente, as forças de direita também. Esperamos que vocês, de maneira direta ou não, não passem a admitir, como princípio, o direito de um país se imiscuir na vida interna do outro, ou até mesmo que um ocupe o outro para impor a sua "democracia como valor universal".
Comitê Bolivariano de São Paulo
A classe trabalhadora brasileira, de fato, lamentavelmente, está dividida. Isso explica por que tantas centrais. Competem entre si. Ideologia, em forma de reflexo, da democracia de mercado. Daí porque aparecem líderes sindicais da UGT que se encantam com a contra-revolução cubana, com os que se organizam em Miami para cometer crimes contra o governo de Cuba e seu povo, com os que preferem estar ao lado de um império que colonizou e neocolonizou aquele país e que continua ocupando, há mais de um século, o território cubano de Guantânamo. Sindicalistas, que se unem a toda a direita internacional para atacar um país que heroicamente se defende.
Dá a impressão de que tais dirigentes sindicais veem as coisas pelo avesso: não é Cuba que pratica torturas, mata trabalhadores, comete genocídios e outras desgraças. Quem faz isso são as forças a que consciente ou inconscientemente se aliam, entre elas, uma mídia que tem uma triste história de apoio a ditaduras, inclusive, tendo participado de sua organização, em que os exemplos mais recentes são os golpes da Venezuela e de Honduras. É em países capitalistas, em que as forças de direita fazem de tudo para manter o direito à exploração e neocolonialismo, que ocorrem tortura e morte de opositores. Vejamos: quantos opositores foram mortos em Cuba? Onde se matam religiosos, trabalhadores, gente que luta por um mundo mais justo? Só na nossa neocolonizada América Latina já ocorreram dezenas ou centenas de chacinas de trabalhadores nas lutas pelos seus direitos. A polícia peruana acaba de matar mineiros em luta. Centenas de camponeses já foram assassinados no Brasil, só nos últimos anos.
Nenhum desses crimes, praticados em nosso continente, sem falar de incontáveis outros, foi praticado por Cuba, pelo seu governo. Esses assassinatos e torturas são praticados exatamente onde tais sindicalistas veem "democracia como valor universal", unindo-se a um setor ou classe que é antidemocrático por princípio, que, no limite, apenas aceita, quando não tem outro jeito, em manobra de enganação, uma "democracia" sem povo. Quem luta pela democracia, senhores sindicalistas da UGT, são os trabalhadores, não as oligarquias a quem vocês parecem unir-se, no momento, contra Cuba, que, de fato, não aceita outro processo senão o de construir uma democracia plena, democracia com povo. Ao contrário do que vocês pensam e defendem, se a Revolução Cubana e o socialismo forem derrotados em Cuba, aí, sim, teremos a volta das forças antidemocráticas ao poder, com o retorno da tortura e morte de gente do povo, como acontecia na época de Batista, com a sua Guarda Nacional e outras forças de repressão cometendo massacres contra os que defendem a construção de um mundo mais justo.
Paramos por aqui. Não vamos falar mais dessa triste posição de vocês, tentando atribuir a Cuba o que é inerente aos seus aliados, violentos por princípio, já que têm, como fundamento primeiro, a exploração de um ser humano por outro, paridora de todas as violências: dos massacres de explorados de todos os tempos, do colonialismo e do genocídio contra povos. A sua ideologia, caros sindicalistas, impossibilita que compreendam que é exatamente contra esta história de sangue, provocada pelos que têm como alma o capital e como democracia apenas a defesa dessa alma, que o povo de Cuba se insurge.
Em outra oportunidade já nos manifestamos sobre a questão dos direitos em Cuba, afirmando que, acontecesse naquele país o que ocorre onde pessoas como vocês veem "democracia como valor universal”, nos dirigiríamos aos governantes cubanos, fazendo o nosso protesto, na defesa de valores humanistas e socialistas, inerentes apenas aos que lutam por um mundo em que um ser humano não mais explore, subordine e humilhe o outro. Claro, não faríamos isso, aliando-nos a forças antidemocráticas, como fazem vocês.
Contudo, uma prova nítida de que Cuba não age como fazem as forças que mundialmente se opõem a ela é vista nas próprias manifestações de "dissidentes", pois nenhum deles tem afirmado ter sido vítima de tortura ou de tentativa de morte. E ainda não é difícil perceber que o que dizem não expressa uma convicção política propriamente dita. Emigraram para o politicismo, como afirma o governo cubano, para ofuscar crimes outros, delitos que eles mesmos, direta ou indiretamente, não chegam a dizer que não os cometeram.
Vocês, sindicalistas, falam de erros da diplomacia brasileira em relação a Cuba; claramente, as forças de direita também. Esperamos que vocês, de maneira direta ou não, não passem a admitir, como princípio, o direito de um país se imiscuir na vida interna do outro, ou até mesmo que um ocupe o outro para impor a sua "democracia como valor universal".
Comitê Bolivariano de São Paulo
CARTA ABERTA A PLÍNIO DE ARRUDA SAMPAIO
Vimos parabenizá-lo, e ao PSOL, pela indicação de sua pré-candidatura à Presidência da República, que qualifica o debate político para além dos discursos eleitorais.
Como é do seu conhecimento, o PCB já anunciou publicamente que se apresentará também com candidatura própria no âmbito nacional. Fizemo-lo antes e independente da escolha do PSOL levada a efeito neste fim de semana, pelas razões que expusemos no documento “Por que o PCB vai apresentar candidatura própria nas eleições presidenciais”.
Nossa decisão não se pautou por preferências nem restrições a nomes, mas por questões de métodos e concepções. No seu caso, ressaltamos inclusive o respeito que temos por sua trajetória na luta por mudanças radicais na iníqua sociedade brasileira.
Desta forma, mesmo que não estejamos na mesma campanha eleitoral, estaremos na mesma campanha política, ombro a ombro, para potencializar as condições para um amplo debate em torno de um projeto popular, no rumo ao socialismo, que contribua para a unidade de ação das forças anticapitalistas e antiimperialistas numa frente permanente, que incorpore organizações políticas e movimentos populares antagônicos ao capital.
Propomos-lhe, e a seu Partido, que façamos das duas candidaturas um elemento de unidade, em torno de uma campanha movimento, que deixe um saldo político no sentido dos objetivos aqui apontados, independente dos resultados matematicamente eleitorais, que certamente serão induzidos pela determinação das oligarquias, através da mídia burguesa, em restringir a disputa a dois candidatos da ordem.
Rio de Janeiro, 11 de abril de 2010.
Ivan Pinheiro
Secretário Geral do PCB
Como é do seu conhecimento, o PCB já anunciou publicamente que se apresentará também com candidatura própria no âmbito nacional. Fizemo-lo antes e independente da escolha do PSOL levada a efeito neste fim de semana, pelas razões que expusemos no documento “Por que o PCB vai apresentar candidatura própria nas eleições presidenciais”.
Nossa decisão não se pautou por preferências nem restrições a nomes, mas por questões de métodos e concepções. No seu caso, ressaltamos inclusive o respeito que temos por sua trajetória na luta por mudanças radicais na iníqua sociedade brasileira.
Desta forma, mesmo que não estejamos na mesma campanha eleitoral, estaremos na mesma campanha política, ombro a ombro, para potencializar as condições para um amplo debate em torno de um projeto popular, no rumo ao socialismo, que contribua para a unidade de ação das forças anticapitalistas e antiimperialistas numa frente permanente, que incorpore organizações políticas e movimentos populares antagônicos ao capital.
Propomos-lhe, e a seu Partido, que façamos das duas candidaturas um elemento de unidade, em torno de uma campanha movimento, que deixe um saldo político no sentido dos objetivos aqui apontados, independente dos resultados matematicamente eleitorais, que certamente serão induzidos pela determinação das oligarquias, através da mídia burguesa, em restringir a disputa a dois candidatos da ordem.
Rio de Janeiro, 11 de abril de 2010.
Ivan Pinheiro
Secretário Geral do PCB
ATO DE LANÇAMENTO DO LIVRO DE RESOLUÇÕES DO XIV NACIONAL DO PCB E DE LANÇAMENTO DA PRÉ-CANDIDATURA DO PCB À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
DIA 16 DE ABRIL - ATO DE LANÇAMENTO DO LIVRO DE RESOLUÇÕES DO XIV CONGRESSO NACIONAL DO PCB E DE LANÇAMENTO DA PRÉ-CANDIDATURA DO PCB À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
A mesa de trabalhos do ato será composta pelos camaradas Ivan Pinheiro, José Paulo Netto, Eduardo Serra, Mauro Iasi, Ricardo Costa.
Eduardo Serra, Secretário Nacional de Comunicação do PCB, Mauro Iasi, Secretário de Movimento Sociais, e Ricardo Costa, Secretário de Formação Política, dirigiram as comissões responsáveis pela elaboração das teses ao XIV Congresso Nacional do PCB e, após a sua realização, responderam pela redação final das resoluções, cujo livro será lançado neste dia. Estes camaradas falarão sobre o amplo processo de discussão do qual as resoluções são o seu produto final, representando a posição do Partido Comunista Brasileiro sobre a estratégia e a tática da revolução brasileira. Também foram publicados no livro os textos sobre capitalismo hoje e sobre os balanços e as perspectivas do socialismo, os quais representam o acúmulo existente hoje no nosso partido sobre estes temas e servirão como documentos básicos para futuros debates sobre tais questões, as quais, com certeza, necessitam de aprofundamento.
O camarada Mauro Iasi falará especificamente sobre a resolução de estratégia e tática da revolução brasileira, dividindo sua palestra com José Paulo Netto, que nos dará a honra da sua presença em ato que marcará também a sua primeira participação pública em evento do PCB após o seu retorno ao Partido.
O Secretário Geral do PCB, Ivan Pinheiro, será lançado pré-candidato a Presidente da República pelo PCB e fará o discurso de encerramento do ato, apresentando as razões do Comitê Central do PCB para o lançamento da candidatura própria, com base na análise da conjuntura nacional e do atual estágio da luta de classes em nosso país.
Secretariado Nacional do PCB
Veja a Nova Página do PCB – www.pcb.org.br
Partido Comunista Brasileiro – Fundado em 25 de Março de 1922
A mesa de trabalhos do ato será composta pelos camaradas Ivan Pinheiro, José Paulo Netto, Eduardo Serra, Mauro Iasi, Ricardo Costa.
Eduardo Serra, Secretário Nacional de Comunicação do PCB, Mauro Iasi, Secretário de Movimento Sociais, e Ricardo Costa, Secretário de Formação Política, dirigiram as comissões responsáveis pela elaboração das teses ao XIV Congresso Nacional do PCB e, após a sua realização, responderam pela redação final das resoluções, cujo livro será lançado neste dia. Estes camaradas falarão sobre o amplo processo de discussão do qual as resoluções são o seu produto final, representando a posição do Partido Comunista Brasileiro sobre a estratégia e a tática da revolução brasileira. Também foram publicados no livro os textos sobre capitalismo hoje e sobre os balanços e as perspectivas do socialismo, os quais representam o acúmulo existente hoje no nosso partido sobre estes temas e servirão como documentos básicos para futuros debates sobre tais questões, as quais, com certeza, necessitam de aprofundamento.
O camarada Mauro Iasi falará especificamente sobre a resolução de estratégia e tática da revolução brasileira, dividindo sua palestra com José Paulo Netto, que nos dará a honra da sua presença em ato que marcará também a sua primeira participação pública em evento do PCB após o seu retorno ao Partido.
O Secretário Geral do PCB, Ivan Pinheiro, será lançado pré-candidato a Presidente da República pelo PCB e fará o discurso de encerramento do ato, apresentando as razões do Comitê Central do PCB para o lançamento da candidatura própria, com base na análise da conjuntura nacional e do atual estágio da luta de classes em nosso país.
Secretariado Nacional do PCB
Veja a Nova Página do PCB – www.pcb.org.br
Partido Comunista Brasileiro – Fundado em 25 de Março de 1922
segunda-feira, 12 de abril de 2010
AS CHUVAS, O PROLETARIADO E A RESPONSABILIDADE....
POR ADOLFHO FERREIRA
No início da noite de segunda-feira, 5 de abril, várias cidades do Estado do Rio de Janeiro sofreram com as intensas chuvas. Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e outras cidades pararam por conta dos estragos produzidos por tanta água. Os mortos confirmados já são quase duzentos, até o momento. Outras centenas ou milhares - este número é ainda mais impreciso - estão desabrigados.
Neste momento, é necessário apontar os responsáveis por tamanha tragédia. A imensa maioria dos que mais sofreram com o temporal é a parte dos mais pobres trabalhadores que moram nas favelas, mais especificamente nos locais que apresentam riscos de desabamento. O que sabemos é: moram nestes locais porque são a parte mais proletarizada da população, porque compõem o setor da classe trabalhadora mais afetado pelo desemprego e pela super-exploração do trabalho, porque seus salários não permitem mais que estabelecer a moradia em local tão arriscado! Jamais porque são “loucos, irresponsáveis e suicidas”, como afirma o governador do Estado do RJ, Sergio Cabral/PMDB, de forma absolutamente desumana e descompromissada com as condições de vida da classe trabalhadora.
O prefeito Eduardo Paes/PMDB preferiu culpar a natureza e sua tremenda força, eximindo-se de toda a responsabilidade – assim como é responsabilidade de Cabral e Lula – com a realização de políticas públicas que atendam aos interesses de moradia mais imediatos desses trabalhadores, como contenção de encostas, urbanização de favelas, sistema de drenagem etc. Fica nítido o descaso dos governantes ao revelar a contenção de investimentos públicos, que acarreta a precarização de áreas como a Defesa Civil. As autoridades solicitam à população para não telefonar para a Defesa Civil em caso de situação que não tenha "tanta emergência".
O presidente Lula/PT seguiu a linha já traçada por seus grandes aliados no Rio de Janeiro. Concordando com Cabral, disse que se analisarmos “todas as enchentes brasileiras, elas atingem sempre as pessoas pobres, que moram em locais inadequados". Confirma, portanto, a tese de culpabilização das vítimas. Diz que “o mais importante nessa história é que precisamos conscientizar a população para que deixe as áreas de risco”, ou seja, que abandonem suas casas e tudo aquilo que conseguiram conquistar com seu duro trabalho, sem qualquer garantia de que estará tudo lá quando retornarem.
Lula diz ainda que as chuvas não preocupam seus interesses nos eventos de 2014 e 2016, pois “não chove todo dia, quando acontece uma desgraça, acontece; normalmente, os meses de junho e julho são mais tranqüilos”. Portanto, contanto que em junho e julho de 2014 e 2016, a cidade esteja preparada para receber a Copa e a Olimpíada, não importa o sofrimento da população nos outros dias. Até mesmo o falso argumento do “legado dos grandes eventos esportivos” utilizado pelos governantes e pelo grande capital para justificar a importância desses eventos na vida do proletariado – que não usufruirá de seu verniz – cai por terra de vez. Tudo estará funcionando em junho e julho de 2014/2016, com todos os bilhões que serão transferidos pelo Estado (governos federal, estadual e municipal) à burguesia nacional e internacional, nessa relação íntima entre governos e capital que inclui, por exemplo, o financiamento das campanhas eleitorais de PT e PSDB, os partidos brasileiros que mantêm a força da ordem burguesa no país atualmente.
Lula, Cabral e Paes são os verdadeiros culpados pela amplitude dos desastres, assim como os governos anteriores que serviram aos interesses burgueses e corruptos. Nada fizeram para melhorar estruturalmente as condições de vida e moradia do proletariado que vive em áreas que ameaçam sua própria sobrevivência e ainda culpam os mortos pela tragédia ocorrida.
É muito importante perceber os projetos sociais que estão em luta: de um lado, o projeto dos capitalistas e dos governos burgueses, que desejam expulsar os favelados de seu local de moradia, motivados por diversos interesses, como a expansão imobiliária nessas regiões (a que se relaciona a imagem da favela criminalizada e de fato alvo da violência policial, do tráfico e de milícias); de outro lado, o projeto do proletariado, que de imediato exige a melhoria de suas condições de vida e moradia, mas tem como objetivo final aquilo que possibilitará o fim das condições sociais que generalizam todas estas tragédias: o fim das condições sociais que causam sua miséria.
Fundamentalmente, são estas condições sociais (que fazem com que o proletariado recorra à moradia nos locais de risco) que precisam ser combatidas. Este é o horizonte necessário que não pode sair de vista de todos aqueles que sentem profundamente as perdas humanas e sociais e lamentam diante das terríveis reações dos governantes burgueses. O objetivo final de nossa luta, para além da necessária melhoria imediata das condições de vida dos trabalhadores que habitam as regiões mais precárias, precisa ser o fim da sociedade de classes!
No início da noite de segunda-feira, 5 de abril, várias cidades do Estado do Rio de Janeiro sofreram com as intensas chuvas. Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e outras cidades pararam por conta dos estragos produzidos por tanta água. Os mortos confirmados já são quase duzentos, até o momento. Outras centenas ou milhares - este número é ainda mais impreciso - estão desabrigados.
Neste momento, é necessário apontar os responsáveis por tamanha tragédia. A imensa maioria dos que mais sofreram com o temporal é a parte dos mais pobres trabalhadores que moram nas favelas, mais especificamente nos locais que apresentam riscos de desabamento. O que sabemos é: moram nestes locais porque são a parte mais proletarizada da população, porque compõem o setor da classe trabalhadora mais afetado pelo desemprego e pela super-exploração do trabalho, porque seus salários não permitem mais que estabelecer a moradia em local tão arriscado! Jamais porque são “loucos, irresponsáveis e suicidas”, como afirma o governador do Estado do RJ, Sergio Cabral/PMDB, de forma absolutamente desumana e descompromissada com as condições de vida da classe trabalhadora.
O prefeito Eduardo Paes/PMDB preferiu culpar a natureza e sua tremenda força, eximindo-se de toda a responsabilidade – assim como é responsabilidade de Cabral e Lula – com a realização de políticas públicas que atendam aos interesses de moradia mais imediatos desses trabalhadores, como contenção de encostas, urbanização de favelas, sistema de drenagem etc. Fica nítido o descaso dos governantes ao revelar a contenção de investimentos públicos, que acarreta a precarização de áreas como a Defesa Civil. As autoridades solicitam à população para não telefonar para a Defesa Civil em caso de situação que não tenha "tanta emergência".
O presidente Lula/PT seguiu a linha já traçada por seus grandes aliados no Rio de Janeiro. Concordando com Cabral, disse que se analisarmos “todas as enchentes brasileiras, elas atingem sempre as pessoas pobres, que moram em locais inadequados". Confirma, portanto, a tese de culpabilização das vítimas. Diz que “o mais importante nessa história é que precisamos conscientizar a população para que deixe as áreas de risco”, ou seja, que abandonem suas casas e tudo aquilo que conseguiram conquistar com seu duro trabalho, sem qualquer garantia de que estará tudo lá quando retornarem.
Lula diz ainda que as chuvas não preocupam seus interesses nos eventos de 2014 e 2016, pois “não chove todo dia, quando acontece uma desgraça, acontece; normalmente, os meses de junho e julho são mais tranqüilos”. Portanto, contanto que em junho e julho de 2014 e 2016, a cidade esteja preparada para receber a Copa e a Olimpíada, não importa o sofrimento da população nos outros dias. Até mesmo o falso argumento do “legado dos grandes eventos esportivos” utilizado pelos governantes e pelo grande capital para justificar a importância desses eventos na vida do proletariado – que não usufruirá de seu verniz – cai por terra de vez. Tudo estará funcionando em junho e julho de 2014/2016, com todos os bilhões que serão transferidos pelo Estado (governos federal, estadual e municipal) à burguesia nacional e internacional, nessa relação íntima entre governos e capital que inclui, por exemplo, o financiamento das campanhas eleitorais de PT e PSDB, os partidos brasileiros que mantêm a força da ordem burguesa no país atualmente.
Lula, Cabral e Paes são os verdadeiros culpados pela amplitude dos desastres, assim como os governos anteriores que serviram aos interesses burgueses e corruptos. Nada fizeram para melhorar estruturalmente as condições de vida e moradia do proletariado que vive em áreas que ameaçam sua própria sobrevivência e ainda culpam os mortos pela tragédia ocorrida.
É muito importante perceber os projetos sociais que estão em luta: de um lado, o projeto dos capitalistas e dos governos burgueses, que desejam expulsar os favelados de seu local de moradia, motivados por diversos interesses, como a expansão imobiliária nessas regiões (a que se relaciona a imagem da favela criminalizada e de fato alvo da violência policial, do tráfico e de milícias); de outro lado, o projeto do proletariado, que de imediato exige a melhoria de suas condições de vida e moradia, mas tem como objetivo final aquilo que possibilitará o fim das condições sociais que generalizam todas estas tragédias: o fim das condições sociais que causam sua miséria.
Fundamentalmente, são estas condições sociais (que fazem com que o proletariado recorra à moradia nos locais de risco) que precisam ser combatidas. Este é o horizonte necessário que não pode sair de vista de todos aqueles que sentem profundamente as perdas humanas e sociais e lamentam diante das terríveis reações dos governantes burgueses. O objetivo final de nossa luta, para além da necessária melhoria imediata das condições de vida dos trabalhadores que habitam as regiões mais precárias, precisa ser o fim da sociedade de classes!
REFLEXÕES ACERCA DA CATÁSTROFE QUE SE ABATEU SOBRE NITERÓI
Tenho recebido e publicado variados textos sobre a catástrofe que se abateu sobre Niterói, sem acrescentar nenhum comentário por considerar que os mesmos são completos em si mesmos, irretocáveis.
Entretanto, nesta manhã, gostaria de socializar minha reflexão sobre o tema.
Primeiro que, fico estarrecida diante da tela da TV com aquelas imagens dramáticas do soterramento de vidas de famílias inteiras engolidas pelo lixo onde estavam fincadas suas casas. As histórias de cada um, a dor das perdas vivenciada por aquelas pessoas, o não ter para onde ir. Enfim, o desenho é de um quadro terrível, cuja autoria tem nome e endereço.
É verdade que a essa altura buscar culpados não resolve o problema, não resgata as vidas marcadas, tanto dos que se foram quanto dos que ficaram. Mas, o momento merece um reflexão honesta. Não sei se este ou aquele governo foi mais ou menos negligente. Uma coisa é certa, a vida tem sido cotidianamente banalizada por um sistema repleto de desigualdades, onde o homem não tem valor.
Ao sistema a que me refiro, o capitalista, só interessa a exploração da força de trabalho. As condições em que vive a força motriz desse país não conta. Não há compromisso deste ou daquele governante em proporcionar dignidade ao ser humano, com garantias de atendimento pleno à educação, à saúde, moradia, transporte,etc.
O que aconteceu em Niterói reflete os requintes de crueldade deste sistema onde o ser humano é tratado como lixo depositado sobre um grande lixão.
Entretanto, nesta manhã, gostaria de socializar minha reflexão sobre o tema.
Primeiro que, fico estarrecida diante da tela da TV com aquelas imagens dramáticas do soterramento de vidas de famílias inteiras engolidas pelo lixo onde estavam fincadas suas casas. As histórias de cada um, a dor das perdas vivenciada por aquelas pessoas, o não ter para onde ir. Enfim, o desenho é de um quadro terrível, cuja autoria tem nome e endereço.
É verdade que a essa altura buscar culpados não resolve o problema, não resgata as vidas marcadas, tanto dos que se foram quanto dos que ficaram. Mas, o momento merece um reflexão honesta. Não sei se este ou aquele governo foi mais ou menos negligente. Uma coisa é certa, a vida tem sido cotidianamente banalizada por um sistema repleto de desigualdades, onde o homem não tem valor.
Ao sistema a que me refiro, o capitalista, só interessa a exploração da força de trabalho. As condições em que vive a força motriz desse país não conta. Não há compromisso deste ou daquele governante em proporcionar dignidade ao ser humano, com garantias de atendimento pleno à educação, à saúde, moradia, transporte,etc.
O que aconteceu em Niterói reflete os requintes de crueldade deste sistema onde o ser humano é tratado como lixo depositado sobre um grande lixão.
EM NITERÓI, CHUVAS REVELAM IMAGENS QUE OS GOVERNOS SEMPRE TENTARAM ESCONDER
O assustador número de mortes que não pára de crescer em Niterói, uma das
cidades até então consideradas de melhor qualidade de vida no Estado do Rio
de Janeiro, obriga a uma reflexão sobre a imagem que os governantes tentam
passar do município e a dura realidade das áreas periféricas, favelas e
bairros da zona norte.
Por Fatima Lacerda
Por parte das autoridades, daqueles que deveriam implementar e propor
soluções, até agora se ouviram apenas respostas prontas e evasivas. São
declarações que, inevitavelmente, responsabilizam os pobres pela tragédia
que já contabilizou centena e meia de mortos e a cada hora que passa, o
número aumenta.
“Quem mandou morar em área de risco?” – é a resposta mais comum e
previsível. Ora, ninguém espera que um prefeito ou governador tenha poderes
de super-herói. Que resolva as mazelas do adensamento das cidades e da falta
de estrutura urbana com varinha de condão. Não se trata disso. Mas que, pelo
menos, lance um olhar para a pobreza, elabore projetos de contenção de
encostas, melhore a limpeza e o recolhimento de lixo nessas áreas, discuta a
construção de casas populares e desenvolva propostas de urbanização.
No caso de Niterói, lugar onde vivo há 35 anos, onde nasceram e foram
criados meus filhos e neta, posso afirmar com pesar, mas sem risco de
cometer injustiça: as chuvas derrubaram os muros que separam as áreas nobres
dos morros, sempre escondidos, camuflados, completamente ignorados pelas
políticas públicas.
Quem vive na Zona Sul de Niterói tem dificuldade de enxergar as favelas.
Costumam ficar encobertas por muros, por árvores. A impressão que se tem e o
marketing que se vende da cidade é de que Niterói é uma região de classe
média e classe média alta, de pessoas brancas, muitas de sobrenome empolado,
descendentes de europeus, com razoável poder aquisitivo e bom nível de
instrução. A maioria dos niteroienses gosta de acreditar nessa farsa.
Mas basta chegar ao centro da cidade. Já no terminal de ônibus o asfalto
está cheio de buracos, enquanto a Praia de Icaraí está sempre impecável. A
iluminação na Zona Sul está ótima. Os jardins foram renovados. No entanto, a
tragédia que deixou à mostra as vísceras da cidade, que se orgulhava em
alardear sua alta qualidade de vida, dispensa palavras.
Não é preciso dizer que existem regiões completamente esquecidas, há anos,
onde as reivindicações dos moradores ficam nas gavetas, como já afirmaram os
representantes da Associação de Moradores do Morro do Estado que, nesta
quinta, em meio à comoção geral, realizam uma assembléia para tocar nessa
dolorosa ferida.
Diz-se que Niterói tem um bom programa de saúde nas comunidades, sendo
pioneira na adoção do “médico de família”, inspirado na experiência cubana.
Vá lá. Não é hora de avaliar criticamente a quantas anda o “médico de
família”. Mas por que não copiar outras políticas públicas de Cuba? O país
tem sido vítima de grandes tragédias naturais nos últimos anos, mas se
orgulha de ter um programa preventivo que tem evitado milhares de mortes.
Apesar do bloqueio econômico – o maior de todos os desastres – o recorde de
mortes por tragédias desse tipo em Cuba foi registrado em 2005, quando 16
pessoas perderam a vida, na passagem do furacão Dennis.
Nesse sentido, no contexto da região metropolitana do Rio, o município de
Niterói está mais para o Haiti do que para Cuba. No Haiti, recentemente,
morreram 200 mil pessoas, naquele que foi considerado o mais trágico
desastre já enfrentado pela ONU, em 60 anos de existência. Maior que o
tsunami na Ásia, em 2004. O terremoto do Haiti, na escala Ritcher, foi menor
que o do Chile. Mas o número de mortos foi infinitamente maior.
Então, não são apenas as forças da natureza. Esta não é uma tragédia sem
culpados. Hoje eu estou com vergonha da minha cidade. Do desgoverno da minha
cidade. Da invisibilidade a que têm sido relegados os mais pobres e os
bairros periféricos. A chuva derrubou os muros. Descobrimos que o Haiti
também é aqui. E agora, Sr. Prefeito?
Fonte: Fatima Lacerda é jornalista da Agência Petroleira de Notícias.
cidades até então consideradas de melhor qualidade de vida no Estado do Rio
de Janeiro, obriga a uma reflexão sobre a imagem que os governantes tentam
passar do município e a dura realidade das áreas periféricas, favelas e
bairros da zona norte.
Por Fatima Lacerda
Por parte das autoridades, daqueles que deveriam implementar e propor
soluções, até agora se ouviram apenas respostas prontas e evasivas. São
declarações que, inevitavelmente, responsabilizam os pobres pela tragédia
que já contabilizou centena e meia de mortos e a cada hora que passa, o
número aumenta.
“Quem mandou morar em área de risco?” – é a resposta mais comum e
previsível. Ora, ninguém espera que um prefeito ou governador tenha poderes
de super-herói. Que resolva as mazelas do adensamento das cidades e da falta
de estrutura urbana com varinha de condão. Não se trata disso. Mas que, pelo
menos, lance um olhar para a pobreza, elabore projetos de contenção de
encostas, melhore a limpeza e o recolhimento de lixo nessas áreas, discuta a
construção de casas populares e desenvolva propostas de urbanização.
No caso de Niterói, lugar onde vivo há 35 anos, onde nasceram e foram
criados meus filhos e neta, posso afirmar com pesar, mas sem risco de
cometer injustiça: as chuvas derrubaram os muros que separam as áreas nobres
dos morros, sempre escondidos, camuflados, completamente ignorados pelas
políticas públicas.
Quem vive na Zona Sul de Niterói tem dificuldade de enxergar as favelas.
Costumam ficar encobertas por muros, por árvores. A impressão que se tem e o
marketing que se vende da cidade é de que Niterói é uma região de classe
média e classe média alta, de pessoas brancas, muitas de sobrenome empolado,
descendentes de europeus, com razoável poder aquisitivo e bom nível de
instrução. A maioria dos niteroienses gosta de acreditar nessa farsa.
Mas basta chegar ao centro da cidade. Já no terminal de ônibus o asfalto
está cheio de buracos, enquanto a Praia de Icaraí está sempre impecável. A
iluminação na Zona Sul está ótima. Os jardins foram renovados. No entanto, a
tragédia que deixou à mostra as vísceras da cidade, que se orgulhava em
alardear sua alta qualidade de vida, dispensa palavras.
Não é preciso dizer que existem regiões completamente esquecidas, há anos,
onde as reivindicações dos moradores ficam nas gavetas, como já afirmaram os
representantes da Associação de Moradores do Morro do Estado que, nesta
quinta, em meio à comoção geral, realizam uma assembléia para tocar nessa
dolorosa ferida.
Diz-se que Niterói tem um bom programa de saúde nas comunidades, sendo
pioneira na adoção do “médico de família”, inspirado na experiência cubana.
Vá lá. Não é hora de avaliar criticamente a quantas anda o “médico de
família”. Mas por que não copiar outras políticas públicas de Cuba? O país
tem sido vítima de grandes tragédias naturais nos últimos anos, mas se
orgulha de ter um programa preventivo que tem evitado milhares de mortes.
Apesar do bloqueio econômico – o maior de todos os desastres – o recorde de
mortes por tragédias desse tipo em Cuba foi registrado em 2005, quando 16
pessoas perderam a vida, na passagem do furacão Dennis.
Nesse sentido, no contexto da região metropolitana do Rio, o município de
Niterói está mais para o Haiti do que para Cuba. No Haiti, recentemente,
morreram 200 mil pessoas, naquele que foi considerado o mais trágico
desastre já enfrentado pela ONU, em 60 anos de existência. Maior que o
tsunami na Ásia, em 2004. O terremoto do Haiti, na escala Ritcher, foi menor
que o do Chile. Mas o número de mortos foi infinitamente maior.
Então, não são apenas as forças da natureza. Esta não é uma tragédia sem
culpados. Hoje eu estou com vergonha da minha cidade. Do desgoverno da minha
cidade. Da invisibilidade a que têm sido relegados os mais pobres e os
bairros periféricos. A chuva derrubou os muros. Descobrimos que o Haiti
também é aqui. E agora, Sr. Prefeito?
Fonte: Fatima Lacerda é jornalista da Agência Petroleira de Notícias.
NA SEMANA DA AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE TRABALHO ESCRAVO: A REVELAÇÃO
"O governo Lula foi excepcional para o nosso negócio, fico até emocionado."
(depoimento 'emocionado' de Luiz Guilherme Zancaner, usineiro, filho e neto de usineiros, orgulhoso fundador da UDR)
"Nunca um governo fez tanto por nosso setor", diz fundador da UDR
De Araçatuba (SP)
05/04/2010
O empresário Luiz Guilherme Zancaner, dono do grupo Unialco , com três usinas de álcool e açúcar, apoia o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e tem confiança de que a pré-candidata do PT à Presidência, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, continue com a política favorável à expansão do setor. Fundador da União Democrática Ruralista (UDR), Zancaner é sobrinho do ex-senador da Arena Orlando Zancaner, mas não poupa elogios Lula. A opção, diz o empresário, é pragmática. Zancaner é diretor secretário da Unidade dos Produtores de Bioenergia (Udop), entidade de usineiros da região Oeste de São Paulo, onde está concentrado o rico e produtivo agronegócio da cana no país.
Valor: Qual é a expectativa que o senhor tem com relação à ministra Dilma Rousseff?
Luiz Guilherme Zancaner: Houve uma sinalização muito boa da parte dela, de continuidade. Não se esperava a crise e o governo Lula ajudou. Essa já é a terceira vez que ela vem à feira [referindo-se à Feicana, feira de negócios do setor em Araçatuba]. Também já estive com ela no ministério.
Valor: O senhor a conhece há muito tempo?
Zancaner: Pouco antes de Lula ser eleito, em 2006, antes do segundo turno, estivemos numa reunião fechada em um hotel em São Paulo. Estavam Lula, Dilma, Celso Amorim, o então ministro da Agricultura, Luis Carlos Guedes. Do nosso setor, estavam eu, Rubens Ometto, José Pessoa, Maurílio Biagi, Eduardo Carvalho e Hermelindo Ruet. Naquela reunião, Lula expôs ao setor o que ele fez e o setor reconheceu.
Valor: Foi uma reunião de acordo?
Zancaner: Lula e Dilma mostraram a afinidade com o setor. O governo patina algumas vezes, por causa da burocracia, mas nós patinamos também na questão do cumprimento dos preços. Falta estoque regulador.
Valor: Estoque feito pelo governo?
Zancaner: A falta de estoque regulador de preços é ruim para nós, para o consumidor e para o governador. Se a Petrobras fizesse parte disso, ganharia dinheiro.
Valor: Como o senhor avalia a atuação do governo Lula no setor?
Zancaner: Na crise, o governo fez a parte dele. Deu crédito, apesar de toda a burocracia para liberar. O governo Lula foi excepcional para o nosso negócio, fico até emocionado. O setor fez muito pelo Brasil, mas o governo está fazendo muito pelo setor. Nunca houve antes política tão boa para nós. O presidente Lula não perde nenhuma oportunidade de ser gentil. Outras pessoas não perdem a oportunidade de serem desagradáveis, arrogantes.
Valor: É sobre o pré-candidato do PSDB á Presidência, José Serra, que o senhor está falando? Ele tem sido restritivo à plantação da cana?
Zancaner: Só posso afirmar que o Serra é um excelente administrador, mas considero que o Serra não vê o setor como o Lula vê. O Lula formou uma equipe boa, como o ótimo ministro da Agricultura, o Reinhold Stephanes. Noto que o Lula fez um governo melhor. O Fernando Henrique Cardoso fez as bases, mas Lula e Dilma construíram os canais conosco.
Valor: E o senhor acha que a Dilma vai dar continuidade?
Zancaner: A Dilma foi muito clara quando esteve aqui, em Araçatuba. A linha é de continuar a política de Lula.
Valor: O senhor esteve com ela?
Zancaner: Sim, conversei com ela. Sinto que a maioria do setor, mesmo com os problemas com o MST, tem afinidade com a ministra e um diálogo muito bom. O governador [que deixou o cargo na sexta-feira] Serra é mais fechado, não temos diálogo com ele.
Valor: O senhor tem diferenças ideológicas com o atual governo e com a ministra Dilma?
Zancaner: Fui fundador da UDR de Araçatuba, em 1988. Sou muito amigo do Ronaldo Caiado. Tenho divergências ideológicas tanto com Lula quanto com a ministra. Tenho divergência em relação ao MST, nessa questão dos direitos humanos, do ministro Vannuchi, a quem sou muito crítico. Acho que nessa questão da anistia, o que passou, passou. Mas se quer revisar a anistia, quem sequestrou, assaltou banco, quem matou também tem que ser julgado. Tem que ter equidade.
Valor: Quer dizer que esse apoio ao governo Lula e à Dilma é uma questão pragmática?
Zancaner: É uma questão pragmática, do nosso negócio. O governo, por exemplo, se preocupa com a desnacionalizaçã o do setor, o que é importante para nós. Nessa questão é importante ter equilíbrio, é interessante o capital estrangeiro vir porque melhora o preço dos nossos ativos. E nós precisamos desse capital. Mas precisa ter equilíbrio. O custo de capital deles é muito menor por causa dos juros que eles encontram lá fora.
Valor: O governo poderia oferecer juros mais baixos, no patamar do americano?
Zancaner: Poderia ser juro mais barato do BNDES.
Valor: A ministra Dilma defende o fortalecimento dos grupos nacional do setor de etanol. Qual seria a maneira de fazer isso além de aumentar a oferta de financiamento?
Zancaner: Por que a Petrobras não pode participar dos grupos nacionais? O governo deverá fortalecer e tem condição de dar sustentação dos grupos nacionais para dar equilíbrio ao capital nacional. Hoje, o capital estrangeiro já tem 25% de toda a produção de cana do Brasil.
Valor: Como poderia ser essa participação da Petrobras?
Zancaner: A Petrobras tem mais chance de entrar na produção de etanol, na usina. A empresa já faz contratos de exportação com o Japão, já tem estrutura de distribuição.
Valor: O senhor defende que a Petrobras plante cana ou seja proprietária de terras?
Zancaner: Não, seria uma participação só nas usinas.
Valor: Os usineiros sempre foram adversários do PT. O senhor acha que contraria a tendência?
Zancaner: Temos deputados do PSDB, DEM, PP, PPS. Eles têm atividade conosco. Acredito que o Serra vá sinalizar qual é a política para o setor, o que ele quer para o etanol. O Alckmin [ex-governador de São Paulo do PSDB Geraldo Alckmin] dialogava com o setor, fez um rearranjo do ICMS do setor, fez a lei das queimadas, mas o Serra modificou e diminuiu o prazo para reduzir as queimadas.
Valor: O senhor acha o governo Lula bom, para além do seu setor?
Zancaner: Sou um sujeito de direita, sou a favor da livre iniciativa, mas tenho sensibilidade social. O Bolsa Família mudou o Nordeste. Tinha gente sem dinheiro para comer ou para comprar uma pasta de dente. A situação fora de São Paulo, do Sudeste, é muito diferente. O Brasil ainda tem muita miséria.
Valor: E o senhor tem pretensões políticas?
Zancaner: Por enquanto não tenho nenhuma.
(depoimento 'emocionado' de Luiz Guilherme Zancaner, usineiro, filho e neto de usineiros, orgulhoso fundador da UDR)
"Nunca um governo fez tanto por nosso setor", diz fundador da UDR
De Araçatuba (SP)
05/04/2010
O empresário Luiz Guilherme Zancaner, dono do grupo Unialco , com três usinas de álcool e açúcar, apoia o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e tem confiança de que a pré-candidata do PT à Presidência, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, continue com a política favorável à expansão do setor. Fundador da União Democrática Ruralista (UDR), Zancaner é sobrinho do ex-senador da Arena Orlando Zancaner, mas não poupa elogios Lula. A opção, diz o empresário, é pragmática. Zancaner é diretor secretário da Unidade dos Produtores de Bioenergia (Udop), entidade de usineiros da região Oeste de São Paulo, onde está concentrado o rico e produtivo agronegócio da cana no país.
Valor: Qual é a expectativa que o senhor tem com relação à ministra Dilma Rousseff?
Luiz Guilherme Zancaner: Houve uma sinalização muito boa da parte dela, de continuidade. Não se esperava a crise e o governo Lula ajudou. Essa já é a terceira vez que ela vem à feira [referindo-se à Feicana, feira de negócios do setor em Araçatuba]. Também já estive com ela no ministério.
Valor: O senhor a conhece há muito tempo?
Zancaner: Pouco antes de Lula ser eleito, em 2006, antes do segundo turno, estivemos numa reunião fechada em um hotel em São Paulo. Estavam Lula, Dilma, Celso Amorim, o então ministro da Agricultura, Luis Carlos Guedes. Do nosso setor, estavam eu, Rubens Ometto, José Pessoa, Maurílio Biagi, Eduardo Carvalho e Hermelindo Ruet. Naquela reunião, Lula expôs ao setor o que ele fez e o setor reconheceu.
Valor: Foi uma reunião de acordo?
Zancaner: Lula e Dilma mostraram a afinidade com o setor. O governo patina algumas vezes, por causa da burocracia, mas nós patinamos também na questão do cumprimento dos preços. Falta estoque regulador.
Valor: Estoque feito pelo governo?
Zancaner: A falta de estoque regulador de preços é ruim para nós, para o consumidor e para o governador. Se a Petrobras fizesse parte disso, ganharia dinheiro.
Valor: Como o senhor avalia a atuação do governo Lula no setor?
Zancaner: Na crise, o governo fez a parte dele. Deu crédito, apesar de toda a burocracia para liberar. O governo Lula foi excepcional para o nosso negócio, fico até emocionado. O setor fez muito pelo Brasil, mas o governo está fazendo muito pelo setor. Nunca houve antes política tão boa para nós. O presidente Lula não perde nenhuma oportunidade de ser gentil. Outras pessoas não perdem a oportunidade de serem desagradáveis, arrogantes.
Valor: É sobre o pré-candidato do PSDB á Presidência, José Serra, que o senhor está falando? Ele tem sido restritivo à plantação da cana?
Zancaner: Só posso afirmar que o Serra é um excelente administrador, mas considero que o Serra não vê o setor como o Lula vê. O Lula formou uma equipe boa, como o ótimo ministro da Agricultura, o Reinhold Stephanes. Noto que o Lula fez um governo melhor. O Fernando Henrique Cardoso fez as bases, mas Lula e Dilma construíram os canais conosco.
Valor: E o senhor acha que a Dilma vai dar continuidade?
Zancaner: A Dilma foi muito clara quando esteve aqui, em Araçatuba. A linha é de continuar a política de Lula.
Valor: O senhor esteve com ela?
Zancaner: Sim, conversei com ela. Sinto que a maioria do setor, mesmo com os problemas com o MST, tem afinidade com a ministra e um diálogo muito bom. O governador [que deixou o cargo na sexta-feira] Serra é mais fechado, não temos diálogo com ele.
Valor: O senhor tem diferenças ideológicas com o atual governo e com a ministra Dilma?
Zancaner: Fui fundador da UDR de Araçatuba, em 1988. Sou muito amigo do Ronaldo Caiado. Tenho divergências ideológicas tanto com Lula quanto com a ministra. Tenho divergência em relação ao MST, nessa questão dos direitos humanos, do ministro Vannuchi, a quem sou muito crítico. Acho que nessa questão da anistia, o que passou, passou. Mas se quer revisar a anistia, quem sequestrou, assaltou banco, quem matou também tem que ser julgado. Tem que ter equidade.
Valor: Quer dizer que esse apoio ao governo Lula e à Dilma é uma questão pragmática?
Zancaner: É uma questão pragmática, do nosso negócio. O governo, por exemplo, se preocupa com a desnacionalizaçã o do setor, o que é importante para nós. Nessa questão é importante ter equilíbrio, é interessante o capital estrangeiro vir porque melhora o preço dos nossos ativos. E nós precisamos desse capital. Mas precisa ter equilíbrio. O custo de capital deles é muito menor por causa dos juros que eles encontram lá fora.
Valor: O governo poderia oferecer juros mais baixos, no patamar do americano?
Zancaner: Poderia ser juro mais barato do BNDES.
Valor: A ministra Dilma defende o fortalecimento dos grupos nacional do setor de etanol. Qual seria a maneira de fazer isso além de aumentar a oferta de financiamento?
Zancaner: Por que a Petrobras não pode participar dos grupos nacionais? O governo deverá fortalecer e tem condição de dar sustentação dos grupos nacionais para dar equilíbrio ao capital nacional. Hoje, o capital estrangeiro já tem 25% de toda a produção de cana do Brasil.
Valor: Como poderia ser essa participação da Petrobras?
Zancaner: A Petrobras tem mais chance de entrar na produção de etanol, na usina. A empresa já faz contratos de exportação com o Japão, já tem estrutura de distribuição.
Valor: O senhor defende que a Petrobras plante cana ou seja proprietária de terras?
Zancaner: Não, seria uma participação só nas usinas.
Valor: Os usineiros sempre foram adversários do PT. O senhor acha que contraria a tendência?
Zancaner: Temos deputados do PSDB, DEM, PP, PPS. Eles têm atividade conosco. Acredito que o Serra vá sinalizar qual é a política para o setor, o que ele quer para o etanol. O Alckmin [ex-governador de São Paulo do PSDB Geraldo Alckmin] dialogava com o setor, fez um rearranjo do ICMS do setor, fez a lei das queimadas, mas o Serra modificou e diminuiu o prazo para reduzir as queimadas.
Valor: O senhor acha o governo Lula bom, para além do seu setor?
Zancaner: Sou um sujeito de direita, sou a favor da livre iniciativa, mas tenho sensibilidade social. O Bolsa Família mudou o Nordeste. Tinha gente sem dinheiro para comer ou para comprar uma pasta de dente. A situação fora de São Paulo, do Sudeste, é muito diferente. O Brasil ainda tem muita miséria.
Valor: E o senhor tem pretensões políticas?
Zancaner: Por enquanto não tenho nenhuma.
domingo, 11 de abril de 2010
VIRGENS NA NOITE DE NÚPCIAS
Há quem tenha dito, em tempos idos, que "uma mentira repetida mil vezes passa a ser considerada verdade", daí a banalização dos desvios de conduta no seio político da democracia burguesa.
Entretanto, em pleno século XXI, para àqueles(as) que defendem a sociedade capitalista mesmo que esta, dentre outros males, esteja corroída pela corrupção "posar de virgem na noite de núpcias" pode ser o mesmo que dar um tiro no próprio pé.
Entretanto, em pleno século XXI, para àqueles(as) que defendem a sociedade capitalista mesmo que esta, dentre outros males, esteja corroída pela corrupção "posar de virgem na noite de núpcias" pode ser o mesmo que dar um tiro no próprio pé.
PROBLEMAS DO PERÍODO DE TRANSIÇÃO
O tema do período de transição exige a maior prudência. A quantidade de questões que se coloca éenorme, porém sobretudo a novidade dos problemas que se colocam ao proletariado impede que se elabore antecipadamente os planos da sociedade futura. Marx já senegava "dar receitas para as encruzilhadas do futuro" e Rosa Luxemburgo insistia que "só temos pontos indicativos, e são essencialmente negativos"
É claro que a experiência histórica da classe (a Comuna de Paris em 1871, 1905, 1917-1923) eda contrarrevolução nos oferece luzes acerca desses problemas no sentido deprecisá-los, porém essas precisões consideram o quadro geral e não é a maneira detalhada de resolver os problemas. O que podemos fazer é ver o marco geral na qual se colocam.
Caráter dos períodos de transição
A) A história do homem viu uma sucessão de sociedades estáveis ligadas a modos de produção e, portanto, a relações sociais estáveis.Essas sociedades se baseiam em leis econômicas dominantes inerentes a elas, estavamcompostas por classes sociais fixas, e se fundavam nas superestruturas apropriadas. Conhecemos a sociedade escravista, a "asiática", a feudal e o capitalismo.
B) O que distingue os períodos de transição dessas sociedades estáveis, é a decomposição das estruturas antigas e a formação denovas, ambas ligadas ao desenvolvimento das forças produtivas e que favoreceramo surgimento de novas classes, novas idéias e instituições que lhes correspondem.
C) O período de transição não tem modo de produção próprio,é uma mescla, na qual se combinam elementos do antigo modo e do novo. É operíodo durante o qual se desenvolve lentamente os germes do novo modo deprodução em detrimento do antigo até produzir o seu desaparecimento e criar onovo modo dominante de produção.
D) Entre duas sociedades estáveis, e isso também valeráentre o capitalismo e o comunismo, é imprescindível um período de transição. Oesgotamento das condições do velho mundo não significa automaticamente que haja amadurecido e se tenha alcançado as condições da nova sociedade. Ou seja, adeterioração da antiga sociedade não implica automaticamente a maturação danova, mas só é a condição dessa maturação.
E) Decadência e período de transição são então duas noções distintas. Todo período de transição pressupõe a decomposição do velho mundo cujos modo e relações de produção chegaram ao limite extremo de desenvolvimento. Porém, toda decadência não significa necessariamente que tenha que existir um período de transição que constitui uma superação, para um modo de produção mais avançado.
Por exemplo, o esgotamento do modo asiático não abriu o caminho para sua superação por outro modo de produção social. Igualmente, a Grécia antiga não tinha as condições históricas para a superação do escravismo. Também foi o mesmo para o Egito antigo.
Diferenças entre a sociedade comunista e as demais
Para que possamos ressaltar o caráter do período de transição do capitalismo para o comunismo e oque distingue este período de todos os que antecederam, temos de apoiarmos emuma idéia fundamental: um período de transição resulta do próprio caráter danova sociedade que vai surgir. Então é necessário por em evidência as diferenças fundamentais que distinguem a sociedade comunista das demais.
A) Todas as sociedades anteriores (exceto o comunismo primitivo) estavam divididas em classes.
* O Comunismo é uma sociedade sem classes.
B) Todas se baseavam na propriedade e na exploração dohomem pelo homem.
* O comunismo não conhece a propriedade, nem individual, nem coletiva, é a comunidade humana unificada e harmoniosa.
C) Todas as sociedades de classe se fundamentavam na insuficiência do desenvolvimento das forças produtivas em relação às necessidadesdos homens. Por isso estão dominadas por forças naturais e sócio-econômicascegas. A humanidade está alienada à natureza e, consequentemente, às forçassociais às quais ela deu a luz.
* O comunismo é o pleno desenvolvimento das forças produtivas em relação às necessidades do homem. É a emancipação da humanidade do império da natureza e da economia. É o domínio consciente da humanidade sobre suas condições de vida. É o mundo da liberdade, e não o da necessidade.
D) Todas as sociedades passadas arrastaram vestígios anacrônicos dos sistemas econômicos, das relações sociais, das idéias e preconceitos das que as antecederam. Isso se deve a que todas elas se baseavam napropriedade privada e na exploração do trabalho. Por isso uma nova sociedade de classe podia nascer e desenvolver-se no marco da antiga.
Por isso a nova sociedade pode, enquanto vencedora, conter no seu interior e acomodar-se com vestígios da antiga sociedade derrotada, das antigas classes dominantes, até pode associá-las ao poder político. Assim foi como puderam subsistir no capitalismo relações escravistas ou feudais, e que a burguesia compartilhou durante bastante tempo seu poder com a nobreza.
* A sociedade comunista é completamente diferente. Não aguenta no seu interior a mínima sobrevivência de relações econômico-sociais da sociedade anterior. Que lugar no comunismo pode existir para relações escravistas ou feudais? Isso é o que torna muito longo o período de transição do capitalismo para o comunismo. A humanidade necessitará várias gerações para livrar-se dos vestígios do velho mundo.
E) Todas as sociedades anteriores não só estavam divididas em classe, como também se fundavam necessariamente em divisões geográficas regionais ou políticas nacionais. Isso se deve, sobretudo, às leis do desenvolvimento desigual que permitem que a evolução da sociedade, mesmo se orientando globalmente numa mesma direção, seja realizada de forma relativamente independente e separada e nos seus diversos setores e com defasagens que podem alcançar séculos. Esse desenvolvimento desigual, por sua vez, é devido ao pequeno desenvolvimento das forças produtivas: há uma relação direta entre essenível de desenvolvimento e a dimensão na qual se realiza. Só é mediante asforças produtivas desenvolvidas pelo capitalismo que pela primeira vez na história existe uma interdependência real no mundo inteiro.
* A sociedade comunista tem imediatamente como cenário o mundo inteiro. Para realizar-se, o comunismo exige uma mesma evolução no tempo e em todos os países. Ou é universal ou não pode ser.
F) Ao estar baseadas na propriedade privada, na divisãoem classes e zonas geográficas, a produção das sociedades anteriores vai necessariamente para a produção de mercadorias com tudo que isso implica nonível de concorrência e da anarquia da produção e do consumo, regulados unicamente pela lei do valor através do mercado e do dinheiro.
* O comunismo ignora o intercâmbio e a lei do valor. Sua produção é socializada segundo o sentido real (pleno) do termo. É planificada universalmente segundo as necessidades dos membros da sociedade e para satisfazê-las. Essa produção só conhece valores de uso cuja distribuição direta exclui o intercâmbio, o mercado e o dinheiro.
G) Por ser sociedades divididas em classe e, por tanto,em interesses antagônicos as sociedades anteriores não podiam sobreviver senão criando um órgão especial aparentemente por cima das classes, porém determinando pela sua própria conservação e a dos interesses da classe dominante: o ESTADO.
* Ao ignorar essas divisões, o comunismo não necessita de Estado. Mais ainda, não pode manter um órgão de governo dos homens. No comunismo, não há lugar para nada além da administração das coisas.
Características dos períodos de transição
O período de transiçãopara o comunismo está impregnado constantemente pela sociedade da qual nasce(pré-história da humanidade), e também pela sociedade da qual o período de transição é portador (a nova história da sociedade humana). Isso é o que distingue o período de transição para o comunismo de todos os períodos de transição anteriores.
A) Os períodos de transição anteriores
Até agora, os períodos de transição tiveram em comum o de ter se desenvolvido no próprio seio daantiga sociedade. O reconhecimento e a proclamação definitiva da nova sociedade, sancionados (reconhecimento e proclamação são sancionados) pelo salto da revolução, vem ao cabo do processo transitório. Isso por duas razões:
* a) Todas as sociedades passadas tiveram os mesmos cimentos econômico-sociais, a divisão em classes e a exploração, o que implica que a revolução se limita a ser uma simples transferência de privilégios, não a supressão dos privilégios.
* b) Todas essas sociedades sofrem cegamente os imperativos das leis baseadas na penúria de forças produtivas (o reino da necessidade). O período de transição entre ambas sofre conseqüentemente de um desenvolvimento econômico cego.
B)O período de transição para o comunismo
a) Por ser uma ruptura total com a exploração e a divisão da sociedade em classes, a transição para o comunismo exige uma ruptura radical com a antiga sociedade e só pode desenvolver-se fora dela .
b) O comunismo nãotem um modo de produção submetido a leis econômicas cegas opostas aos homens, mas está baseado na organização consciente da produção permitida pela abundância de forças produtivas que não pode oferecer a antiga sociedade capitalista.
C) O que distingue o período de transição para o comunismo
Em conseqüência do que dissemos podemos tirar algumas conclusões:
I) O período de transição para o comunismo não pode iniciar-se senãofora do capitalismo. A maturação das condições do socialismo exige previamentea destruição da dominação política, econômica e social da burguesia sobre asociedade.
II) O período de transição só pode ser aberto em escala mundial
III) Contrariamente aos períodos de transição precedentes, as instituições essenciais do capitalismo, Estado, polícia, exército, diplomacia,não podem ser utilizados tal como são pelo proletariado.
IV) A abertura do período de transição caracteriza-se em conseqüência essencialmente pela derrota política do capitalismo e o triunfo da dominação política do proletariado.
* "Para converter a produção social num grande e harmonioso sistema de trabalho cooperativo, precisa-se de mudanças sociais gerais, mudanças nas condições gerais da sociedade que não podem ser realizadas senão por meio do poder organizado da sociedade - o poder do estado - arrancado das mãos dos capitalistas e proprietários imobiliários e transferido para as mãos dos próprios produtores". (Marx, "Instruções relativas às cooperativas aos delegados do Conselho geral no primeiro congresso da AIT em Genebra").
* "A conquista do poder político se tornou o primeiro dever da classe trabalhadora" (Marx, "Pronunciamento inaugural da AIT")
Os problemas do período de transição
A) A generalização mundial da revolução é a condiçãoprévia à abertura do período de transição. Dessa generalização depende toda aquestão das medidas econômicas e sociais; a propósito destas devemosparticularmente nos acautelar de "socializações", isoladas em umpaís, uma região, uma fábrica ou qualquer grupo de homens. Ainda depois doprimeiro triunfo do proletariado, o capitalismo mantém sua resistência através daguerra civil. Durante esse período, tudo depende da destruição da força docapitalismo. Esse primeiro objetivo condiciona a evolução do futuro.
B) Uma única classe éportadora do comunismo: o proletariado. Outras podem ser arrastadas na luta queleva o proletariado contra o capitalismo, porém como classes não podem serprotagonistas ou portadoras do comunismo. É por isso que temos de destacar uma tarefaessencial: a necessidade que tem o proletariado de não confundir-se nemdissolver-se com as demais classes. Durante o período de transição, enquantoclasse revolucionária historicamente responsável pela tarefa de criar umasociedade sem classes, o proletariado só pode assumi-la se afirmando comoclasse autônoma e politicamente dominante da sociedade. Ele só tem um programado comunismo que tenta realizar e para isso haverá de conservar em suas mãostoda a força política e toda força armada: tem o monopólio das armas.
Para levar isso acabo ele tem estruturas organizadas, os Conselhos Operários, baseados nas fábricas,e o Partido revolucionário.
A ditadura do proletariado podedessa maneira ser resumido assim:
* O programa (o proletariado sabe aonde vai);
* Sua organização geral como classe;
* A força armada.
C) Quais são as relações do proletariado com as demaisclasses da sociedade?
I) Em relação à classe capitalista e aos antigos dirigentes da sociedadecapitalista (deputados, altos funcionários, exército, polícia, igreja...),supressão de qualquer direito cívico e exclusão de qualquer vida política;
II) Em relação aos camponeses e os artesãos, constituídos por produtoresindependentes e não assalariados e que são a maior parte da sociedade, oproletariado não poderá eliminá-los totalmente da vida política, como também davida econômica. Terá necessariamente que buscar um modus vivendi com essas classes, enquanto desenvolvaa seu respeito uma política de dissolução e de integração nas filasproletárias.
Embora a classetrabalhadora tenha a obrigação de tomar em conta essas classes na vidaeconômica e administrativa, não deverá dar-lhes possibilidade de umaorganização autônoma (imprensa, partido, etc.). Essas classes e camadas sociaisnumerosas terão que ser integradas em um sistema de administração soviéticoterritorial. Seus membros se integrarão na sociedade como cidadãos, não comoclasses.
III) Em relação às classes sociais que têm no capitalismo atual um lugarparticular como as profissões liberais, os técnicos, os funcionários públicos,os intelectuais (o que é chamado de "nova classe média") a atitude doproletariado será baseada sobre os critérios seguintes:
* Essas classes não são homogêneas: na suas camadas superiores são fundamentalmente integradas numa mentalidade e função capitalistas, enquanto na suas camadas inferiores, elas têm a mesma função e os mesmos interesses de que a classe operária;
* O proletariado deverá atuar com essas camadas no sentido de ampliar esta separação.
D) A sociedade transitória continua sendo uma sociedade dividida emclasses e, como tal, faz surgir necessariamente essa instituição própria atodas as sociedades divididas em classe: o Estado.
Com todas as amputaçõese medidas de precaução que se haverá de impor a essa instituição (funcionárioseleitos e revogáveis, salários iguais ao dos operários, unificação entre legislativoe executivo, etc.) e que reduzem esse Estado a um semi-Estado, nunca há de seperder de vista seu caráter histórico anticomunista e, portanto, antiproletário,essencialmente conservador. O Estado continua sendo o guardião do status quo.
Reconhecermos ainevitabilidade dessa instituição que o proletariado terá que utilizar como ummal necessário, tanto para acabar com a resistência da classe capitalistaderrubada, como para preservar um marco administrativo e político unido a umasociedade que continua dividida por interesses antagônicos.
Também temos querechaçar categoricamente a idéia de transformar esse estado em bandeira e motordo comunismo. Por conta do seu próprio caráter ("burguês por essência"segundo Marx), esse estado continua sendo essencialmente um órgão deconservação do status quo e um freio para o comunismo. Não pode então seridentificado com o comunismo nem a classe que o leva em si, o proletariado. Pordefinição, essa é a classe mais dinâmica da história visto que carrega odesaparecimento de todas as classes, inclusive ela mesma. Por isso, aindautilizando o Estado, o proletariado expressa sua ditadura não através dele, massobre ele. Por isso, igualmente, o proletariado não há de reconhecer o menordireito a essa instituição de intervir através da violência dentro da classetrabalhadora nem em arbitrar as discussões e a atividade dos organismos daclasse: conselhos e partido revolucionário.
Algumas medidas do período de transição
Sem ter a pretensão de fazer umplano detalhado dessas medidas, podemos já prever as linhas gerais:
* socialização imediata das grandes concentrações capitalistas e dos centros principais para a atividade produtora;
* planificação da produção e da distribuição, os critérios da produção já sendo a máxima satisfação das necessidades e não da acumulação;
* a redução substancial do tempo de trabalho;
* tentativa de ir para a supressão das remunerações salariais e do dinheiro;
* a socialização do consumo e satisfação das necessidades (transportes, lazeres, descanso, etc.);
* a orientação das relações entre setores coletivizados e setores de produção ainda individual (particularmente no campo) para um intercâmbio organizado e coletivo através das cooperativas, suprimindo assim o mercado e o intercâmbio individual.
Revista Internacional n° 1, 1975
É claro que a experiência histórica da classe (a Comuna de Paris em 1871, 1905, 1917-1923) eda contrarrevolução nos oferece luzes acerca desses problemas no sentido deprecisá-los, porém essas precisões consideram o quadro geral e não é a maneira detalhada de resolver os problemas. O que podemos fazer é ver o marco geral na qual se colocam.
Caráter dos períodos de transição
A) A história do homem viu uma sucessão de sociedades estáveis ligadas a modos de produção e, portanto, a relações sociais estáveis.Essas sociedades se baseiam em leis econômicas dominantes inerentes a elas, estavamcompostas por classes sociais fixas, e se fundavam nas superestruturas apropriadas. Conhecemos a sociedade escravista, a "asiática", a feudal e o capitalismo.
B) O que distingue os períodos de transição dessas sociedades estáveis, é a decomposição das estruturas antigas e a formação denovas, ambas ligadas ao desenvolvimento das forças produtivas e que favoreceramo surgimento de novas classes, novas idéias e instituições que lhes correspondem.
C) O período de transição não tem modo de produção próprio,é uma mescla, na qual se combinam elementos do antigo modo e do novo. É operíodo durante o qual se desenvolve lentamente os germes do novo modo deprodução em detrimento do antigo até produzir o seu desaparecimento e criar onovo modo dominante de produção.
D) Entre duas sociedades estáveis, e isso também valeráentre o capitalismo e o comunismo, é imprescindível um período de transição. Oesgotamento das condições do velho mundo não significa automaticamente que haja amadurecido e se tenha alcançado as condições da nova sociedade. Ou seja, adeterioração da antiga sociedade não implica automaticamente a maturação danova, mas só é a condição dessa maturação.
E) Decadência e período de transição são então duas noções distintas. Todo período de transição pressupõe a decomposição do velho mundo cujos modo e relações de produção chegaram ao limite extremo de desenvolvimento. Porém, toda decadência não significa necessariamente que tenha que existir um período de transição que constitui uma superação, para um modo de produção mais avançado.
Por exemplo, o esgotamento do modo asiático não abriu o caminho para sua superação por outro modo de produção social. Igualmente, a Grécia antiga não tinha as condições históricas para a superação do escravismo. Também foi o mesmo para o Egito antigo.
Diferenças entre a sociedade comunista e as demais
Para que possamos ressaltar o caráter do período de transição do capitalismo para o comunismo e oque distingue este período de todos os que antecederam, temos de apoiarmos emuma idéia fundamental: um período de transição resulta do próprio caráter danova sociedade que vai surgir. Então é necessário por em evidência as diferenças fundamentais que distinguem a sociedade comunista das demais.
A) Todas as sociedades anteriores (exceto o comunismo primitivo) estavam divididas em classes.
* O Comunismo é uma sociedade sem classes.
B) Todas se baseavam na propriedade e na exploração dohomem pelo homem.
* O comunismo não conhece a propriedade, nem individual, nem coletiva, é a comunidade humana unificada e harmoniosa.
C) Todas as sociedades de classe se fundamentavam na insuficiência do desenvolvimento das forças produtivas em relação às necessidadesdos homens. Por isso estão dominadas por forças naturais e sócio-econômicascegas. A humanidade está alienada à natureza e, consequentemente, às forçassociais às quais ela deu a luz.
* O comunismo é o pleno desenvolvimento das forças produtivas em relação às necessidades do homem. É a emancipação da humanidade do império da natureza e da economia. É o domínio consciente da humanidade sobre suas condições de vida. É o mundo da liberdade, e não o da necessidade.
D) Todas as sociedades passadas arrastaram vestígios anacrônicos dos sistemas econômicos, das relações sociais, das idéias e preconceitos das que as antecederam. Isso se deve a que todas elas se baseavam napropriedade privada e na exploração do trabalho. Por isso uma nova sociedade de classe podia nascer e desenvolver-se no marco da antiga.
Por isso a nova sociedade pode, enquanto vencedora, conter no seu interior e acomodar-se com vestígios da antiga sociedade derrotada, das antigas classes dominantes, até pode associá-las ao poder político. Assim foi como puderam subsistir no capitalismo relações escravistas ou feudais, e que a burguesia compartilhou durante bastante tempo seu poder com a nobreza.
* A sociedade comunista é completamente diferente. Não aguenta no seu interior a mínima sobrevivência de relações econômico-sociais da sociedade anterior. Que lugar no comunismo pode existir para relações escravistas ou feudais? Isso é o que torna muito longo o período de transição do capitalismo para o comunismo. A humanidade necessitará várias gerações para livrar-se dos vestígios do velho mundo.
E) Todas as sociedades anteriores não só estavam divididas em classe, como também se fundavam necessariamente em divisões geográficas regionais ou políticas nacionais. Isso se deve, sobretudo, às leis do desenvolvimento desigual que permitem que a evolução da sociedade, mesmo se orientando globalmente numa mesma direção, seja realizada de forma relativamente independente e separada e nos seus diversos setores e com defasagens que podem alcançar séculos. Esse desenvolvimento desigual, por sua vez, é devido ao pequeno desenvolvimento das forças produtivas: há uma relação direta entre essenível de desenvolvimento e a dimensão na qual se realiza. Só é mediante asforças produtivas desenvolvidas pelo capitalismo que pela primeira vez na história existe uma interdependência real no mundo inteiro.
* A sociedade comunista tem imediatamente como cenário o mundo inteiro. Para realizar-se, o comunismo exige uma mesma evolução no tempo e em todos os países. Ou é universal ou não pode ser.
F) Ao estar baseadas na propriedade privada, na divisãoem classes e zonas geográficas, a produção das sociedades anteriores vai necessariamente para a produção de mercadorias com tudo que isso implica nonível de concorrência e da anarquia da produção e do consumo, regulados unicamente pela lei do valor através do mercado e do dinheiro.
* O comunismo ignora o intercâmbio e a lei do valor. Sua produção é socializada segundo o sentido real (pleno) do termo. É planificada universalmente segundo as necessidades dos membros da sociedade e para satisfazê-las. Essa produção só conhece valores de uso cuja distribuição direta exclui o intercâmbio, o mercado e o dinheiro.
G) Por ser sociedades divididas em classe e, por tanto,em interesses antagônicos as sociedades anteriores não podiam sobreviver senão criando um órgão especial aparentemente por cima das classes, porém determinando pela sua própria conservação e a dos interesses da classe dominante: o ESTADO.
* Ao ignorar essas divisões, o comunismo não necessita de Estado. Mais ainda, não pode manter um órgão de governo dos homens. No comunismo, não há lugar para nada além da administração das coisas.
Características dos períodos de transição
O período de transiçãopara o comunismo está impregnado constantemente pela sociedade da qual nasce(pré-história da humanidade), e também pela sociedade da qual o período de transição é portador (a nova história da sociedade humana). Isso é o que distingue o período de transição para o comunismo de todos os períodos de transição anteriores.
A) Os períodos de transição anteriores
Até agora, os períodos de transição tiveram em comum o de ter se desenvolvido no próprio seio daantiga sociedade. O reconhecimento e a proclamação definitiva da nova sociedade, sancionados (reconhecimento e proclamação são sancionados) pelo salto da revolução, vem ao cabo do processo transitório. Isso por duas razões:
* a) Todas as sociedades passadas tiveram os mesmos cimentos econômico-sociais, a divisão em classes e a exploração, o que implica que a revolução se limita a ser uma simples transferência de privilégios, não a supressão dos privilégios.
* b) Todas essas sociedades sofrem cegamente os imperativos das leis baseadas na penúria de forças produtivas (o reino da necessidade). O período de transição entre ambas sofre conseqüentemente de um desenvolvimento econômico cego.
B)O período de transição para o comunismo
a) Por ser uma ruptura total com a exploração e a divisão da sociedade em classes, a transição para o comunismo exige uma ruptura radical com a antiga sociedade e só pode desenvolver-se fora dela .
b) O comunismo nãotem um modo de produção submetido a leis econômicas cegas opostas aos homens, mas está baseado na organização consciente da produção permitida pela abundância de forças produtivas que não pode oferecer a antiga sociedade capitalista.
C) O que distingue o período de transição para o comunismo
Em conseqüência do que dissemos podemos tirar algumas conclusões:
I) O período de transição para o comunismo não pode iniciar-se senãofora do capitalismo. A maturação das condições do socialismo exige previamentea destruição da dominação política, econômica e social da burguesia sobre asociedade.
II) O período de transição só pode ser aberto em escala mundial
III) Contrariamente aos períodos de transição precedentes, as instituições essenciais do capitalismo, Estado, polícia, exército, diplomacia,não podem ser utilizados tal como são pelo proletariado.
IV) A abertura do período de transição caracteriza-se em conseqüência essencialmente pela derrota política do capitalismo e o triunfo da dominação política do proletariado.
* "Para converter a produção social num grande e harmonioso sistema de trabalho cooperativo, precisa-se de mudanças sociais gerais, mudanças nas condições gerais da sociedade que não podem ser realizadas senão por meio do poder organizado da sociedade - o poder do estado - arrancado das mãos dos capitalistas e proprietários imobiliários e transferido para as mãos dos próprios produtores". (Marx, "Instruções relativas às cooperativas aos delegados do Conselho geral no primeiro congresso da AIT em Genebra").
* "A conquista do poder político se tornou o primeiro dever da classe trabalhadora" (Marx, "Pronunciamento inaugural da AIT")
Os problemas do período de transição
A) A generalização mundial da revolução é a condiçãoprévia à abertura do período de transição. Dessa generalização depende toda aquestão das medidas econômicas e sociais; a propósito destas devemosparticularmente nos acautelar de "socializações", isoladas em umpaís, uma região, uma fábrica ou qualquer grupo de homens. Ainda depois doprimeiro triunfo do proletariado, o capitalismo mantém sua resistência através daguerra civil. Durante esse período, tudo depende da destruição da força docapitalismo. Esse primeiro objetivo condiciona a evolução do futuro.
B) Uma única classe éportadora do comunismo: o proletariado. Outras podem ser arrastadas na luta queleva o proletariado contra o capitalismo, porém como classes não podem serprotagonistas ou portadoras do comunismo. É por isso que temos de destacar uma tarefaessencial: a necessidade que tem o proletariado de não confundir-se nemdissolver-se com as demais classes. Durante o período de transição, enquantoclasse revolucionária historicamente responsável pela tarefa de criar umasociedade sem classes, o proletariado só pode assumi-la se afirmando comoclasse autônoma e politicamente dominante da sociedade. Ele só tem um programado comunismo que tenta realizar e para isso haverá de conservar em suas mãostoda a força política e toda força armada: tem o monopólio das armas.
Para levar isso acabo ele tem estruturas organizadas, os Conselhos Operários, baseados nas fábricas,e o Partido revolucionário.
A ditadura do proletariado podedessa maneira ser resumido assim:
* O programa (o proletariado sabe aonde vai);
* Sua organização geral como classe;
* A força armada.
C) Quais são as relações do proletariado com as demaisclasses da sociedade?
I) Em relação à classe capitalista e aos antigos dirigentes da sociedadecapitalista (deputados, altos funcionários, exército, polícia, igreja...),supressão de qualquer direito cívico e exclusão de qualquer vida política;
II) Em relação aos camponeses e os artesãos, constituídos por produtoresindependentes e não assalariados e que são a maior parte da sociedade, oproletariado não poderá eliminá-los totalmente da vida política, como também davida econômica. Terá necessariamente que buscar um modus vivendi com essas classes, enquanto desenvolvaa seu respeito uma política de dissolução e de integração nas filasproletárias.
Embora a classetrabalhadora tenha a obrigação de tomar em conta essas classes na vidaeconômica e administrativa, não deverá dar-lhes possibilidade de umaorganização autônoma (imprensa, partido, etc.). Essas classes e camadas sociaisnumerosas terão que ser integradas em um sistema de administração soviéticoterritorial. Seus membros se integrarão na sociedade como cidadãos, não comoclasses.
III) Em relação às classes sociais que têm no capitalismo atual um lugarparticular como as profissões liberais, os técnicos, os funcionários públicos,os intelectuais (o que é chamado de "nova classe média") a atitude doproletariado será baseada sobre os critérios seguintes:
* Essas classes não são homogêneas: na suas camadas superiores são fundamentalmente integradas numa mentalidade e função capitalistas, enquanto na suas camadas inferiores, elas têm a mesma função e os mesmos interesses de que a classe operária;
* O proletariado deverá atuar com essas camadas no sentido de ampliar esta separação.
D) A sociedade transitória continua sendo uma sociedade dividida emclasses e, como tal, faz surgir necessariamente essa instituição própria atodas as sociedades divididas em classe: o Estado.
Com todas as amputaçõese medidas de precaução que se haverá de impor a essa instituição (funcionárioseleitos e revogáveis, salários iguais ao dos operários, unificação entre legislativoe executivo, etc.) e que reduzem esse Estado a um semi-Estado, nunca há de seperder de vista seu caráter histórico anticomunista e, portanto, antiproletário,essencialmente conservador. O Estado continua sendo o guardião do status quo.
Reconhecermos ainevitabilidade dessa instituição que o proletariado terá que utilizar como ummal necessário, tanto para acabar com a resistência da classe capitalistaderrubada, como para preservar um marco administrativo e político unido a umasociedade que continua dividida por interesses antagônicos.
Também temos querechaçar categoricamente a idéia de transformar esse estado em bandeira e motordo comunismo. Por conta do seu próprio caráter ("burguês por essência"segundo Marx), esse estado continua sendo essencialmente um órgão deconservação do status quo e um freio para o comunismo. Não pode então seridentificado com o comunismo nem a classe que o leva em si, o proletariado. Pordefinição, essa é a classe mais dinâmica da história visto que carrega odesaparecimento de todas as classes, inclusive ela mesma. Por isso, aindautilizando o Estado, o proletariado expressa sua ditadura não através dele, massobre ele. Por isso, igualmente, o proletariado não há de reconhecer o menordireito a essa instituição de intervir através da violência dentro da classetrabalhadora nem em arbitrar as discussões e a atividade dos organismos daclasse: conselhos e partido revolucionário.
Algumas medidas do período de transição
Sem ter a pretensão de fazer umplano detalhado dessas medidas, podemos já prever as linhas gerais:
* socialização imediata das grandes concentrações capitalistas e dos centros principais para a atividade produtora;
* planificação da produção e da distribuição, os critérios da produção já sendo a máxima satisfação das necessidades e não da acumulação;
* a redução substancial do tempo de trabalho;
* tentativa de ir para a supressão das remunerações salariais e do dinheiro;
* a socialização do consumo e satisfação das necessidades (transportes, lazeres, descanso, etc.);
* a orientação das relações entre setores coletivizados e setores de produção ainda individual (particularmente no campo) para um intercâmbio organizado e coletivo através das cooperativas, suprimindo assim o mercado e o intercâmbio individual.
Revista Internacional n° 1, 1975
JUSTIÇA FRANCESA VAI INVESTIGAR ONDA DE SUÍCIDIOS NA FRANCE TELECOM
Mais de dez funcionários da companhia cometeram suicídio em 2010
Mais de dez funcionários da companhia cometeram suicídio em 2010. A Justiça francesa informou nesta sexta-feira que vai investigar a onda de suicídios na operadora de telefonia France Telecom. Nos últimos dois anos, 46 funcionários da companhia se mataram - 11 deles apenas em 2010, segundo dados da direção da empresa e dos sindicatos. Pela primeira vez na França, a política de gestão de recursos humanos de uma empresa poderá ser configurada como uma infração penal e levar seus dirigentes a um tribunal penal, que pode aplicar penas de prisão. Segundo a Procuradoria de Paris, a decisão da Justiça de abrir investigações "por assédio moral" é baseada em uma queixa apresentada pelo sindicato Sud contra a empresa, e também nas conclusões de um relatório da Inspeção do Trabalho. O documento aponta "métodos de gestão que colocam em perigo a saúde dos trabalhadores" .No relatório de 82 páginas, entregue à Justiça em fevereiro, a inspetora do trabalho Sylvie Catala afirma que as situações de mal-estar vividas pelos trabalhadores e os suicídios estão ligados "à política de reestruturação e de gestão da empresa", conduzida desde 2006, com o objetivo de cortar 22 mil postos de trabalho. No documento, a inspetora do trabalho cita os supostos comentários feitos pelo diretor de recursos humanos em uma reunião, em 2006, quando ele teria dito que "teria fracassado se a empresa não conseguisse realizar as 22 mil demissões, que representariam 7 bilhões de euros a mais no caixa". Depressão. As técnicas utilizadas pela direção para obrigar os empregados a deixar a companhia, como transferências forçadas para outras regiões ou mudanças nas atividades e cargos dos funcionários, são apontadas como as causas de depressões e outros problemas psicológicos e estariam ligadas aos suicídios. A inspetora afirma no documento entregue à Justiça que os diretores da France Telecom foram alertados inúmeras vezes por médicos do trabalho e representantes da Previdência Social sobre os riscos à saúde dos funcionários provocados pela administração da empresa. A investigação da Justiça tem como alvo a France Telecom, como pessoa jurídica, e também responsáveis diretos pela empresa, como o ex-presidente Didier Lombard, que deixou o cargo em setembro de 2009, após a polêmica causada pelo onda de suicídios.Louis- Pierre Wenès, o ex-número dois da companhia e chefe das operações na França, que também deixou o cargo no ano passado, e Olivier Barberot, diretor de recursos humanos, também deverão responder à investigação judicial."Isso prova que a Justiça está levando o caso a sério", afirma Patrick Ackermann, sindicalista do Sud. A France Telecom foi privatizada em 2004.
Extraído de: http://www.censanet .com.br/noticias /ler/id-1018651/ Justica_francesa _vai_investigar_ onda_de_suicidio s_na_france_ telecom
Mais de dez funcionários da companhia cometeram suicídio em 2010. A Justiça francesa informou nesta sexta-feira que vai investigar a onda de suicídios na operadora de telefonia France Telecom. Nos últimos dois anos, 46 funcionários da companhia se mataram - 11 deles apenas em 2010, segundo dados da direção da empresa e dos sindicatos. Pela primeira vez na França, a política de gestão de recursos humanos de uma empresa poderá ser configurada como uma infração penal e levar seus dirigentes a um tribunal penal, que pode aplicar penas de prisão. Segundo a Procuradoria de Paris, a decisão da Justiça de abrir investigações "por assédio moral" é baseada em uma queixa apresentada pelo sindicato Sud contra a empresa, e também nas conclusões de um relatório da Inspeção do Trabalho. O documento aponta "métodos de gestão que colocam em perigo a saúde dos trabalhadores" .No relatório de 82 páginas, entregue à Justiça em fevereiro, a inspetora do trabalho Sylvie Catala afirma que as situações de mal-estar vividas pelos trabalhadores e os suicídios estão ligados "à política de reestruturação e de gestão da empresa", conduzida desde 2006, com o objetivo de cortar 22 mil postos de trabalho. No documento, a inspetora do trabalho cita os supostos comentários feitos pelo diretor de recursos humanos em uma reunião, em 2006, quando ele teria dito que "teria fracassado se a empresa não conseguisse realizar as 22 mil demissões, que representariam 7 bilhões de euros a mais no caixa". Depressão. As técnicas utilizadas pela direção para obrigar os empregados a deixar a companhia, como transferências forçadas para outras regiões ou mudanças nas atividades e cargos dos funcionários, são apontadas como as causas de depressões e outros problemas psicológicos e estariam ligadas aos suicídios. A inspetora afirma no documento entregue à Justiça que os diretores da France Telecom foram alertados inúmeras vezes por médicos do trabalho e representantes da Previdência Social sobre os riscos à saúde dos funcionários provocados pela administração da empresa. A investigação da Justiça tem como alvo a France Telecom, como pessoa jurídica, e também responsáveis diretos pela empresa, como o ex-presidente Didier Lombard, que deixou o cargo em setembro de 2009, após a polêmica causada pelo onda de suicídios.Louis- Pierre Wenès, o ex-número dois da companhia e chefe das operações na França, que também deixou o cargo no ano passado, e Olivier Barberot, diretor de recursos humanos, também deverão responder à investigação judicial."Isso prova que a Justiça está levando o caso a sério", afirma Patrick Ackermann, sindicalista do Sud. A France Telecom foi privatizada em 2004.
Extraído de: http://www.censanet .com.br/noticias /ler/id-1018651/ Justica_francesa _vai_investigar_ onda_de_suicidio s_na_france_ telecom
TRAGÉDIA? NÃO PARA O CAPITAL...
por Marcelo Badaró
em08/04/2010
“Sou o monstro criado por ti
No lixão do Jaracati
Foi ali que vi minha mãe
Garimpando um rango pra mim
Foi ali que eu vi os irmãos
Todos negros com calos nas mãos
Atração pro boy que filmava
Da sacada de sua mansão
Foi ali que eu vi o contraste
Duas cidades em uma cidade
Foi ali que eu vi que nós éramos
Patrimônio da desigualdade”
O Imortal
Gíria Vermelha
Moro entre Niterói e Santa Teresa e escrevo quando muitos de meus vizinhos nos dois locais não tem mais onde morar, depois de três dias de chuvas que castigam o Grande Rio. Muitos outros não sobreviveram. Somente no Morro do Bumba, em Niterói, a estimativa é de que 200 pessoas possam ter morrido soterradas.
Estimativas, não dados precisos, porque aquelas pessoas que moravam na encosta de um antigo aterro sanitário são realmente tratadas pelo Estado como resíduos urbanos. Não há cadastramento da área para precisar o número de casas e pessoas atingidas. Mas o prefeito da cidade, o Sr. Jorge Roberto da Silveira (PDT), afirmou na véspera desse desabamento, quando o número de vítimas em Niterói já ultrapassava 60 pessoas, que o número de casas em áreas de risco na cidade era muito pequeno para justificar obras de contenção de encostas muito caras, sendo mais barato remover os moradores dessas áreas. Nada a estranhar, partindo de um prefeito que tomou como prioridade asfaltar as ruas da Zona Sul (sem as devidas obras de drenagem) e construir torres panorâmicas, mas que destinou no Orçamento Municipal de 2010 apenas 50 mil reais para Obras de redução de risco a desabamentos e escorregamentos de encostas, quando gasta mais de 2 milhões por ano somente com o custeio de um Conselho Consultivo, no qual reduz os riscos de amigos e correligionários com uma polpuda sinecura, conforme denunciou o vereador Renatinho (PSOL).
Para os trabalhadores e trabalhadoras mais pauperizados, que só encontraram aquelas encostas para morar, a solução “mais barata” é a remoção. Nada se diz porém, das ocupações de outras encostas, tão ou mais irregulares e também sujeitas a deslizamentos de terra, como ocorreu na Estrada Fróes, área “nobre” para a especulação imobiliária da cidade, que há poucos anos conquistou concessões da Prefeitura para construir um imenso condomínio de mansões e prédios de luxo em local que deveria ser destinado à preservação ambiental.
Remoção! é, aliás, a palavra de ordem. O governador Sérgio Cabral (PMDB), ao lado do presidente Lula da Silva (PT) e com sua aprovação apressou-se a definir os responsáveis pelas mortes: os moradores das favelas cariocas, que teimam em construir em áreas de risco. Por isso, afirmou a correção de sua proposta de construção de muros “ecológicos” de contenção (complementados, é claro, pelas placas de “isolamento acústico”). Tais instrumentos, passo adiantado para converter favelas e áreas periféricas de guetos, que já são, em campos de concentração, para mais eficiência na ação dos caveirões e UPPs (todos “pacificadores” ), agora são apresentados como solução para o problema das chuvas. Ao invés de urbanização das favelas, regularização do direito ao solo, construção de moradias decentes e contenção das encostas, a “contenção” das pessoas, pelos muros e armas. E se remoção é a solução, Cabral também anunciou que a Polícia Militar estava a disposição de todos os prefeitos para efetivar essa política.
Eduardo Paes (PMDB), o prefeito do Rio, que coincidentemente era o “prefeitinho” de César Maia na região da Barra da Tijuca e Jacarepaguá, quando das também trágicas enchentes de 1996, é o que mais rapidamente se apresentou para defender a necessidade das remoções, amplas, gerais e irrestritas, classificando de demagogos os que a elas se opõem. A lista começa pelos moradores do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, castigado pelas chuvas desta semana, mas logo se amplia para todas as favelas que já haviam sido listadas como prioritárias para remoção em função das Olimpíadas, em número muito superior ao de qualquer levantamento de áreas de risco na cidade.
Quanto à prevenção, agora anuncia-se que o governo federal enviará 200 milhões para o estado do Rio de Janeiro. Tarde demais, como sempre, pois até aqui nenhum tostão foi enviado para obras de prevenção de enchentes e contenção de encostas este ano, e descobriu-se agora que o ex-Ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), candidato ao governo baiano, enviou 50% das verbas federais de prevenção de desastres para a Bahia, enquanto Rio recebeu menos de 1%. Mas não se desesperem os que estão sem teto por conta das chuvas, pois o governo federal liberou os saques das contas de FGTS (dinheiro do próprio trabalhador) dos atingidos. FG o que?, perguntam os milhares de trabalhadores precarizados que foram atingidos por esse desastre.
O caso é que hoje, como tudo na sociedade de classes instituída pelo poder do capital, as tragédias não são vistas pelo mesmo ângulo por todos. Para os interesses do capital imobiliário, da construção civil, dos monopólios do transporte e serviços públicos e de seus representantes, eleitos para ocupar os governos através de campanhas que financiam com fartura de recursos, as tragédias, como tudo mais, são um bom negócio. Naomi Klein, no livro A doutrina do Choque documentou e analisou como crises econômicas, catástrofes naturais (furacões, terremotos, tsunamis) e guerras, são cada vez mais instrumentalizadas pela lógica do capital, como momentos “excepcionais” , em que grandes comoções criam o clima necessário para a aplicação das doutrinas de choque, com retirada de direitos, privatizações e criminalizações. (ver a esse respeito a entrevista publicada na revista Classe, no. 1, em www.aduff.org. br)
Nada mais apropriado para se entender o Brasil de hoje e, em especial, o Rio de Janeiro. Aqui, na terra dos “choques de ordem”, a tragédia fomentada pelo capital – que transforma o solo urbano em uma de suas principais áreas de investimento e especulação e inviabiliza a moradia e vida digna da maioria da classe trabalhadora – não está sendo pranteada pelos governantes. Dias de luto oficial e lamentos na TV não escondem as comemorações daqueles que nada fizeram para prevenir desastres, porque esperam por eles, para impingir mais “choques” à população. A nós cabe sim a comoção com a tragédia que retira tantas vidas, mas também a indignação, semente da reação, que não pode tardar.
*Marcelo Badaró é professor de História da UFF
em08/04/2010
“Sou o monstro criado por ti
No lixão do Jaracati
Foi ali que vi minha mãe
Garimpando um rango pra mim
Foi ali que eu vi os irmãos
Todos negros com calos nas mãos
Atração pro boy que filmava
Da sacada de sua mansão
Foi ali que eu vi o contraste
Duas cidades em uma cidade
Foi ali que eu vi que nós éramos
Patrimônio da desigualdade”
O Imortal
Gíria Vermelha
Moro entre Niterói e Santa Teresa e escrevo quando muitos de meus vizinhos nos dois locais não tem mais onde morar, depois de três dias de chuvas que castigam o Grande Rio. Muitos outros não sobreviveram. Somente no Morro do Bumba, em Niterói, a estimativa é de que 200 pessoas possam ter morrido soterradas.
Estimativas, não dados precisos, porque aquelas pessoas que moravam na encosta de um antigo aterro sanitário são realmente tratadas pelo Estado como resíduos urbanos. Não há cadastramento da área para precisar o número de casas e pessoas atingidas. Mas o prefeito da cidade, o Sr. Jorge Roberto da Silveira (PDT), afirmou na véspera desse desabamento, quando o número de vítimas em Niterói já ultrapassava 60 pessoas, que o número de casas em áreas de risco na cidade era muito pequeno para justificar obras de contenção de encostas muito caras, sendo mais barato remover os moradores dessas áreas. Nada a estranhar, partindo de um prefeito que tomou como prioridade asfaltar as ruas da Zona Sul (sem as devidas obras de drenagem) e construir torres panorâmicas, mas que destinou no Orçamento Municipal de 2010 apenas 50 mil reais para Obras de redução de risco a desabamentos e escorregamentos de encostas, quando gasta mais de 2 milhões por ano somente com o custeio de um Conselho Consultivo, no qual reduz os riscos de amigos e correligionários com uma polpuda sinecura, conforme denunciou o vereador Renatinho (PSOL).
Para os trabalhadores e trabalhadoras mais pauperizados, que só encontraram aquelas encostas para morar, a solução “mais barata” é a remoção. Nada se diz porém, das ocupações de outras encostas, tão ou mais irregulares e também sujeitas a deslizamentos de terra, como ocorreu na Estrada Fróes, área “nobre” para a especulação imobiliária da cidade, que há poucos anos conquistou concessões da Prefeitura para construir um imenso condomínio de mansões e prédios de luxo em local que deveria ser destinado à preservação ambiental.
Remoção! é, aliás, a palavra de ordem. O governador Sérgio Cabral (PMDB), ao lado do presidente Lula da Silva (PT) e com sua aprovação apressou-se a definir os responsáveis pelas mortes: os moradores das favelas cariocas, que teimam em construir em áreas de risco. Por isso, afirmou a correção de sua proposta de construção de muros “ecológicos” de contenção (complementados, é claro, pelas placas de “isolamento acústico”). Tais instrumentos, passo adiantado para converter favelas e áreas periféricas de guetos, que já são, em campos de concentração, para mais eficiência na ação dos caveirões e UPPs (todos “pacificadores” ), agora são apresentados como solução para o problema das chuvas. Ao invés de urbanização das favelas, regularização do direito ao solo, construção de moradias decentes e contenção das encostas, a “contenção” das pessoas, pelos muros e armas. E se remoção é a solução, Cabral também anunciou que a Polícia Militar estava a disposição de todos os prefeitos para efetivar essa política.
Eduardo Paes (PMDB), o prefeito do Rio, que coincidentemente era o “prefeitinho” de César Maia na região da Barra da Tijuca e Jacarepaguá, quando das também trágicas enchentes de 1996, é o que mais rapidamente se apresentou para defender a necessidade das remoções, amplas, gerais e irrestritas, classificando de demagogos os que a elas se opõem. A lista começa pelos moradores do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, castigado pelas chuvas desta semana, mas logo se amplia para todas as favelas que já haviam sido listadas como prioritárias para remoção em função das Olimpíadas, em número muito superior ao de qualquer levantamento de áreas de risco na cidade.
Quanto à prevenção, agora anuncia-se que o governo federal enviará 200 milhões para o estado do Rio de Janeiro. Tarde demais, como sempre, pois até aqui nenhum tostão foi enviado para obras de prevenção de enchentes e contenção de encostas este ano, e descobriu-se agora que o ex-Ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), candidato ao governo baiano, enviou 50% das verbas federais de prevenção de desastres para a Bahia, enquanto Rio recebeu menos de 1%. Mas não se desesperem os que estão sem teto por conta das chuvas, pois o governo federal liberou os saques das contas de FGTS (dinheiro do próprio trabalhador) dos atingidos. FG o que?, perguntam os milhares de trabalhadores precarizados que foram atingidos por esse desastre.
O caso é que hoje, como tudo na sociedade de classes instituída pelo poder do capital, as tragédias não são vistas pelo mesmo ângulo por todos. Para os interesses do capital imobiliário, da construção civil, dos monopólios do transporte e serviços públicos e de seus representantes, eleitos para ocupar os governos através de campanhas que financiam com fartura de recursos, as tragédias, como tudo mais, são um bom negócio. Naomi Klein, no livro A doutrina do Choque documentou e analisou como crises econômicas, catástrofes naturais (furacões, terremotos, tsunamis) e guerras, são cada vez mais instrumentalizadas pela lógica do capital, como momentos “excepcionais” , em que grandes comoções criam o clima necessário para a aplicação das doutrinas de choque, com retirada de direitos, privatizações e criminalizações. (ver a esse respeito a entrevista publicada na revista Classe, no. 1, em www.aduff.org. br)
Nada mais apropriado para se entender o Brasil de hoje e, em especial, o Rio de Janeiro. Aqui, na terra dos “choques de ordem”, a tragédia fomentada pelo capital – que transforma o solo urbano em uma de suas principais áreas de investimento e especulação e inviabiliza a moradia e vida digna da maioria da classe trabalhadora – não está sendo pranteada pelos governantes. Dias de luto oficial e lamentos na TV não escondem as comemorações daqueles que nada fizeram para prevenir desastres, porque esperam por eles, para impingir mais “choques” à população. A nós cabe sim a comoção com a tragédia que retira tantas vidas, mas também a indignação, semente da reação, que não pode tardar.
*Marcelo Badaró é professor de História da UFF
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